domingo, 14 de setembro de 2008

Zahir

Fotografia de Margarida Elias, Convento de Cristo ( Tomar).
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Então ocorreu o que não posso esquecer nem comunicar. Ocorreu a união com a divindade, com o universo (não sei se estas palavras diferem). (...) Eu vi uma Roda altíssima, que não estava diante dos meus olhos, nem atrás, nem dos lados, mas em toda a parte ao mesmo tempo. Essa roda era feita de água, mas também de fogo, e era (embora se visse a borda) infinita. Entretecidas, formavam-nas todas as coisas que serão, que são e que foram, e eu era um dos fios dessa trama total (...). Ali estavam as causas e os efeitos e bastava-me ver essa Roda para entender tudo, interminavelmente. (...) Vi o universo e vi os íntimos desígnios do universo (...). Vi infinitos processos que formavam uma só felicidade e, entendendo tudo, consegui entender também a escrita do tigre.
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Jorge Luis Borges.

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