terça-feira, 30 de setembro de 2008

A Arquitectura na Paisagem

Fotografia de Margarida Elias, Muralhas de Ávila.
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«A paisagem é a expressão do lugar; lugar como espaço habitado, espaço feito cultura, espaço apropriado pela consciência. O género, como um todo, começa a desaparecer quando questionamos as condições políticas, culturais e estéticas que transformam o ambiente, com efeito, a paisagem.
A crise da paisagem, hoje, está ligada com o sentimento de perda do espaço natural».
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Palavras de Joan Fontcuberta (2005), citado por Luís Henriques.

domingo, 28 de setembro de 2008

As Cariátides

Fotografia de Margarida Elias, Erectheion (Século V a.C., Acrópole de Atenas).
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Cariátides são estátuas femininas, usadas como suporte arquitectural. As estátuas masculinas usadas com a mesma finalidade são os atlas ou atlantes.
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H. W. Janson.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

As colunas

Fotografia de Margarida Elias, Sé Velha de Coimbra, Séc. XII (Fotografia de Margarida Elias).
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A coluna, como um elemento da arquitectura e da construção, é um símbolo de suporte e de força, mas também de eixo ou centro do mundo. A coluna imita e simboliza ainda a Árvore da Vida e, por arrastamento, é também uma representação da fecundidade, da ligação da Terra com o Céu e da harmonia do mundo. A origem da coluna na construção está muito provavelmente nos troncos das árvores e originalmente nas próprias árvores como locais de segurança acima do solo. As colunas imitam a Árvore da Vida com as suas bases, sendo as raízes e os capitéis as copas e ramagens.
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Coluna (simbologia) - Infopédia

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O Corpo da Palavra


Esculturas de Vítor Ribeiro , Árvore do Rio (2007) e Jorge Pé-Curto, Quatro e um Lagarto.
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A visita destes corpos, encostados às palavras que os iluminam e esclarecem, dentro de uma casa imensa repleta de livros nos quais palavras outras se alinham na quietude das estantes, permite a exploração de quatro territórios com identidades próprias e distintas mas que se contaminam na cumplicidade fraterna dos seus autores (...).
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Ana Isabel Ribeiro.
Biblioteca UNL - Campus de Caparica - 8 de Setembro a 31 de Outubro de 2008 - Escultores: Jorge Pé-curto; Rui Matos; Vitor Ribeiro; Volker Schnüttgen.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Poema sobre Évora

Fotografia de Margarida Elias.
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Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas ... Ruas frades
Pedindo em triste penitência a Deus
Que nos perdoe as míseras vaidades!

Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só aqui recordo os beijos teus,
E só aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!

Évora! ... O teu olhar ... o teu perfil ...
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,
Que o coração no peito me almoroça!

... Em cada viela o vulto dum fantasma ...
E a minh'alma soturna escuta e pasma ...
E sente-se passar menina e moça ...

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O Rio Tâmisa

Fotografia de Margarida Elias (Londres).
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«How could drops of water know themselves to be a river? Yet the river flows on».
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Antoine de Saint-Exupery.

Ponte Vecchio de Florença

Fotografia de Margarida Elias (2000).
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A Ponte Vecchio (Ponte Velha) é uma ponte medieval sobre o Rio Arno, em Florença. Acredita-se que tenha sido construída ainda na Roma Antiga e era feita originalmente de madeira. Foi destruída pelas cheias de 1333 e reconstruída em 1345, com projecto da autoria de Taddeo Gaddi. Consiste em três arcos, o maior deles com 30 metros de diâmetro. Desde sempre alberga lojas e mercadores, que mostravam as mercadorias sobre bancas, sempre com a autorização do Bargello, a autoridade municipal de então. Diz-se que a palavra bancarrota teve ali origem. Quando um mercador não conseguia pagar as dívidas, a mesa (banco) era quebrada (rotto) pelos soldados. Essa prática era chamada bancorotto.
Ao longo da ponte, há vários cadeados, especialmente no gradeamento em torno da estátua de Benvenuto Cellini. O facto é ligado à antiga ideia do amor e dos amantes: ao trancar o cadeado e lançar a chave ao rio, os amantes tornavam-se eternamente ligados.
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Adaptado da Wikipedia.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Para viver um grande amor

Escultura de Auguste Rodin, Eterna Primavera (c. 1900, Museu do Hermitage, São Petersburgo).
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Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
-
Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há que fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
-
Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista
-
Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?
-
Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há que ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!
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Vinicius de Moraes.

A Luz

Fotografia de Margarida Elias.
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Who is more foolish, the child afraid of the dark or the man afraid of the light?
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Maurice Freehill.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Anunciação

Fotografia de Margarida Elias, casa de Florença (2000).
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E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré.
A uma virgem desposada com um varão, cujo nome era José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria.
E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta.
Disse-lhe então o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.
E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
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Lucas I 26-31.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A minha mãe, em criança, vestida de espanhola


«Certes, l'homme n'a pas un seul visage, il en a d'innombrables au cours de sa vie, de son visage d'enfant à celui de veillard. Il en a d'innombrables au fil des jours et des saisons: selon ses moments de joie, de fatigue, de tension ou de paix; lors de son sommeil, à son lever, au matin, au soir; selon les tâches effectuées, les gens rencontrés, la résonance intime des paroles entendues. Et pourtant, si l'on confronte les photographies du même individu, ao long de son existence, on discerne une ressemblance troublante, une unité vacillante que ne démentent ni le temps ni les épreuves, une impression tenace qui demeure au cours de la vie (...)».
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David le Breton.

domingo, 14 de setembro de 2008

Zahir

Fotografia de Margarida Elias, Convento de Cristo ( Tomar).
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Então ocorreu o que não posso esquecer nem comunicar. Ocorreu a união com a divindade, com o universo (não sei se estas palavras diferem). (...) Eu vi uma Roda altíssima, que não estava diante dos meus olhos, nem atrás, nem dos lados, mas em toda a parte ao mesmo tempo. Essa roda era feita de água, mas também de fogo, e era (embora se visse a borda) infinita. Entretecidas, formavam-nas todas as coisas que serão, que são e que foram, e eu era um dos fios dessa trama total (...). Ali estavam as causas e os efeitos e bastava-me ver essa Roda para entender tudo, interminavelmente. (...) Vi o universo e vi os íntimos desígnios do universo (...). Vi infinitos processos que formavam uma só felicidade e, entendendo tudo, consegui entender também a escrita do tigre.
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Jorge Luis Borges.

sábado, 13 de setembro de 2008

O Aleph

Pintura de Rembrandt.
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Na parte inferior do degrau, à direita, vi uma pequena esfera furta-cores, de brilho quase intolerável. Primeiro, supus que fosse giratória; depois, compreendi que esse movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosos espectáculos que encerrava. O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminuição de tamanho. Cada coisa (...) era infinitas coisas, porque eu via claramente de todos os pontos do universo. Vi o populoso mar, vi a aurora e a tarde, (...) vi uma prateada teia de aranha no cemtro de uma negra pirâmide, (...) vi todos os espelhos do planeta e nenhum me reflectiu, (...) vi a noite e o dia contemporâneo, (...) vi tigres, êmbolos, (...) vi todas as formigas que existem na terra, vi um astrolábio persa, (...) vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a terra, vi o meu rosto e as minhas vísceras, vi o teu rosto e senti vertigem e chorei, porque os meus olhos tinham visto esse objecto secreto e conjectural cujo nome os homens usurparam, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo.
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Jorge Luis Borges.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

O conhecimento

Desenho de Leonardo da Vinci, A horse in right profile and from the front (c.1490, Windsor Castle, Berkshire).
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O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A diligência no Século XIX



Uma coisa inteiramente especial e digna de estudo é o aspecto das numerosas diligências, breaks e chars-á-bancs, que circulam sôbre estas estradas, desde os Arcos e desde Ponte-de-Lima até Viena.
Dois pequenos garranos, quando não é um só, puxam por cima do macadam faïscante de sol as mais fantásticas carradas de gente e de objectos que a imaginação pode conceber. Dentro do veículo senta-se a primeira camada de passageiros nas bancadas. Depois de todos os lugares ocupados estreitissimamente, à cunha, o veículo considera-se completamente vazio, e mete-se-lhe a segunda camada de pasageiros, colocada exactamente em cima da primeira. Feita esta operação começa o interior do carro a achar-se quási cheio, mas não cheio de todo, porque entre o teto, os joelhos e os bustos dos passageiros da segunda camada, nota-se ainda um espaço oblongo a tôda a extensão da berlinda, desde a portinhola do fundo até o vidro da frente. Preenchido êste espaço com um passageiro estendido ao comprido, passa-se a ocupar os bancos da imperial e o tejadilho.
Fora, em vez de irem empilhados como no interior, os passageiros são ensanduïchados metódicamente com as bagagens e com as mercadorias, pela ordem seguinte: camada de mercadorias, primeira camada de passageiros, primeira camada de bagagens, segunda camada de passageiros, segunda camada de bagagens; e em cima de tudo isto o penso para o os garranos, os merendeiros e os varapaus dos passageiros, e no ar, a um lado, seguro da almofada pela cinta, seguro do guarda-lama pelas pernas, o cocheiro levado a braços pelos viajadores.
Para que olha de longe, a carruagem desaparece completamente sob a enorme massa viva e não se vê mais que um enorme e inverosímil cacho de gente agarrada uma à outra por um engaço misterioso, bamboleando ao sol, oscilando da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, e prosseguindo lentamente, levado por duas formigas.
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Texto de Ramalho Ortigão, 1885.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Le Visage

Pintura de Paul Klee, Senecio (Baldgreis) (1922, Kunstmuseum Basel)
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La responsabilité éthique, réveillé par le regard du visage et révélée par l'infini du visage, nous conduit - par la miséricorde et la bonté - à la compassion et à la structure de l'un pour l'autre. Cette structure, cette relation préalable, a pu se construire parce que l'appel d'autrui me précède, parce qu'à côté de moi, proche de moi, le visage de mon prochain, qui me regarde et qui «m'assigne avant que je désigne», a toujours été là.
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Edvard Kovak.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

The Ad-dressing of Cats

Fotografia de Margarida Elias (2008).
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You've read of several kinds of Cat,
And my opinion now is that
You should need no interpreter to understand their character.
You now have learned enough to see
That Cats are much like you and me
And other people whome we find
Possessed of various types of mind.
For some are sane and some are mad
And some are good and some are bad

And some are better, some are worse -
But all may be described in verse.
You've seen them both at work and games,
And learnt about their proper names,
Their habits and their habitat:
But
How would you ad-dress a Cat?

So first, your memory I'll jog,
And say: A CAT IS NOT A DOG.
Now Dogs pretend they like to fight;
They often bark, more seldom bite;
But yet a Dog is, on the whole,
What you would call a simple soul.
Of course I'm not including Pekes,
And such fantastic canine freaks.
The usual Dog about the Town
Is much inclined to play the clown,
And far from showing too much pride
Is frequently undignified.
He's very easily taken in -
Just chuck him underneath the chin
Or slap his back or shake his paw,
And he will gambol and guffaw.
He's such an easy-going lout,
He'll answer any hail or shout.
Again I must remind you that
A Dog's a Dog - A CAT'S A CAT.
With Cats, some say, one rule is true:
Don't speak till you are spoken to.
Myself, I do not hold with that -
I say, you should ad-dress a Cat.
But always keep in mind that he
Resents familiarity.
I bow, and taking off my hat,
Ad-dress him in this form: O CAT!
But if he is the Cat next door,
Whom I have often met before
(He comes to see me in my flat)
I greet him with an OOPSA CAT!
I've heard them call him James Buz-James -
But we've not got so far as names.
Before a Cat will condescend
To treat you as a trusted friend,
Some little token of esteem
Is needed, like a dish of cream;
And you might now and then supply
Some caviare, or Strassburg Pie,
Some potted grouse, or salmon paste -
He's sure to have his personal taste.
(I know a Cat, who makes a habit
Of eating nothing else but rabbit,
And when he's finished, licks his paws
So's not to waste the onion sauce.)
A Cat's entitled to expect
These evidences of respect.
And so in time you reach your aim,
And finally call him by his NAME.

So this is this, and that is that:
And there's how you AD-DRESS A CAT.
---T.S.Elliot

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Calvin & Hobbes III


O leque

Pintura de Emília Mattos.
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O leque, objeto usado desde a mais remota antiguidade, pois aparece nas pinturas murais do Egito e da Assíria existe, pelo que se presume, há mais de 3 mil anos. Várias são as lendas que correm sobre a sua invenção.
Uma das histórias, de fundo mitológico, conta que o primeiro leque se originou da asa de Zéfiro arrancada por cupido para abanar sua amada Psiché. Outra, (...), conta que a filha de poderoso mandarim, assistindo à festa das Lanternas, sentiu-se mal com o intenso calor desprendido das milhares de velas acesas e, contrariando os hábitos da época, discretamente retirou a máscara que lhe escondia rosto e com ela começou a se abanar, no que foi imitada por todas as mulheres chinesas presentes, nascendo assim o leque.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Outro

Pintura de Fantin-Latour, Retrato de Charlotte Dubourg (1882, Museu d'Orsay, Paris).
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Devant Autrui je ne me pose pas, je me dépose. Le regard du visage met en question ma place devant lui.
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Edvard Kovak.