quarta-feira, 23 de março de 2011

Maria Guilhermina Silva Reis



Descobri há pouco tempo a obra da pintora portuguesa Maria Guilhermina Silva Reis. Sobre ela sei muito pouco, apenas o que vem no Dicionário de Fernando de Pamplona. Segundo este autor, ela foi uma pintora do século XIX, discípula de A. Monteiro da Cruz. Expôs na Academia de Belas-Artes (1861 e ss.), na Exposição do Porto (1861), na Sociedade Promotora das Belas-Artes (1863 e ss.) e na Exposição de Madrid de 1871. No Porto, em 1861, obteve uma medalha de prata. Ficou conhecida por pintar trechos de Sintra, mas, como vemos aqui, também representou paisagens de outros locais, nomeadamente da Torre de Belém. Diogo de Macedo considera que ela fez a transição da pintura do romantismo para a do realismo.
A obra desta artista interessa-me por ser pintura de paisagem, um género que só começou a ser reconhecido pelas Academias depois do romantismo e sobretudo depois do naturalismo da Escola de Barbizon. Acho também interessante o tipo de paisagens, de grande planos, na horizontal, procurando captar a realidade observada, que me faz lembrar pinturas de Alfredo Keil e de Alfredo de Andrade. O mundo que ela representa, pacifico e belo, tem para mim ainda o interesse de representar Sintra, uma das terras de que mais gosto em Portugal. A primeira obra aqui reproduzida intitula-se Vista de Sintra; a segunda é uma Vista do Palácio da Pena, do Castelo dos Mouros e do Vale de Colares e a terceira é uma Vista de Lisboa com a Torre de Belém.
Do que consegui ver dos trabalhos de Maria Reis (apenas reproduções na internet), parece-me que por vezes não eram tão bons como aqueles que aqui coloquei. Ainda assim, fiquei bastante interessada na obra desta artista, que não se conformou em fazer pinturas de flores e de naturezas mortas, que eram os temas geralmente tratados pelas mulheres.
Luciano Cordeiro escreveu sobre ela  num artigo que foi publicado no Segundo livro de crítica : arte e litteratura portugueza d'hoje (livros, quadros e palcos) (1871). Nele dizia que esta artista manifestava um «pincel firme e estudioso, e fecunda esthesia». Elogiava os seus «magnificos longes», mas queixava-se que ela era melhor a pintar os segundos planos do que os primeiros. Ora esta censura não é possível de aferir pelas reproduções. No entanto, daquilo que pude ver, confirmo que os "longes" são "magníficos".

3 comentários:

ana disse...

Desconhecia e gostei muito.
A sua análise é muito interessante e ofereceu-me novas perspectivas.
Obrigada!
Tem uma prenda para si no (IN)Cultura.
Bjs.

Margarida Elias disse...

Ana: Obrigada. Vou espreitar...:)

Bernardo Nunes disse...

https://picasaweb.google.com/114154911043866671031/PortugalLisboaPalacioNacionalDeBelem#5661601023130360994

Convido-a a ver esta minha fotografia de uma pintura desta pintora, a qual encontra-se patente no Palácio Nacional de Belém.

Usei alguma da sua informação para acompanhar a descrição da minha fotografia