domingo, 18 de setembro de 2011

Sobre a esperança

Borissow-Mussatow, Zwei sitzende Damen (1899, Staatliches Russisches Museum).
---
«All it takes is one bloom of hope to make a spiritual garden».
---
Terri Guillemets.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Placas de xisto gravadas

Por vezes os caminhos que seguimos levam-nos a dar atenção a algo que nunca reparámos. É o caso, para mim, das placas de xisto gravadas do Calcolítico, como esta:
As placas de xisto decoradas aparecem principalmente em escavações arqueológicas de sepulturas colectivas do Calcolítico. São em regra de forma trapezóidal e gravadas com um estilete de pedra. A superfície decorada é geralmente dividida em duas partes, separadas por linhas ou faixas. A zona superior representa a cabeça através de um triângulo com o vértice para baixo, ladeado por linhas ou faixas quadriculadas ou por um desenho com um aspecto antropomórfico. A inferior apresenta-se decorada com motivos geométricos, frequentemente triângulos, faixas quebradas ou em ziguezague, motivos axadrezados ou em espinha. No entanto, algumas placas são todas decoradas com motivos geométricos, sem haver separação, o que lhes confere um aspecto menos antropomórfico. Segundo Paulo Pereira (1995, 56) as placas de xisto eram um amuleto individual, apotropaico e protector, sintetizando a imagem da «deusa mãe», pois a decoração geometrizante com triângulos poderá estar associada a um simbolismo feminino.
---
Bibliografia:

PEREIRA, Paulo, 1995, «Do Megalitismo à Idade do Ferro», in PEREIRA, Paulo, História da Arte Portuguesa, Temas & Debates, vol. I, pp. 51-70.
SANTOS, Manuel Farinha dos, 1972, Pré-História de Portugal, Lisboa.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Porque o meu filho está quase a entrar para a escola

Winslow Homer, School Time (1874).
---
«The whole purpose of education is to turn mirrors into windows».
---
Sydney J. Harris.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre a leitura

Károly Ferenczy, Red Wall (1910).
---
O Homem que Lê
-
Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde... em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.
---
Rainer Maria Rilke.

sábado, 10 de setembro de 2011

Sobre o silêncio

Carl Holsoe, Interior with a Cello.
---
«O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência como o mármore não talhado é rico em escultura».
---

sábado, 3 de setembro de 2011

Lenda de Nossa Senhora da Nazaré

Columbano Bordalo Pinheiro e J. Pedrozo, Nossa Senhora da Nazaré (Museu Dr. Joaquim Manso).
---
«Uma curiosa Lenda atribui o topónimo Nazaré a uma imagem da Virgem oriunda de Nazareth, na Palestina, que um monge grego teria trazido até ao Mosteiro de Cauliniana, perto de Mérida, no século IV. No século VIII teria chegado ao Mosteiro o fugitivo Rei D. Rodrigo, último rei visigodo da Península Ibérica, depois da sua derrota, frente aos Mouros, em Guadalete. Aí teria encontrado Frei Romano que o acompanhou na sua fuga, trazendo com ele a imagem da Virgem e uma caixa com as relíquias de S. Brás e de S. Bartolomeu. Antes de morrer, Frei Romano teria escondido a imagem numa lapa, no Sítio, onde ficou guardada durante quatro séculos, sendo então descoberta por pastores, que a passaram a venerar.
D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, tinha por hábito caçar nesta região. Conta a lenda que também ele descobriu a imagem e a venerou. Algum tempo passado, uma manhã de nevoeiro, a 14 de Setembro de 1182, perseguia D. Fuas um belo veado quando o viu desaparecer no precipício. Alarmado pelo perigo, D. Fuas pediu auxilio à Virgem e logo o cavalo estacou salvando a vida ao cavaleiro. Em acção de graças, mandou D. Fuas Roupinho construir a Ermida da Memória.
Venerada desde então, a imagem teria dado origem ao nome do lugar – Sítio de Nossa Senhora de Nazareth».
---