domingo, 27 de novembro de 2011

Nós e os outros

Maxfield Parrish, The Lantern Bearers (1910).
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«In everyone's life, at some time, our inner fire goes out. It is then burst into flame by an encounter with another human being. We should all be thankful for those people who rekindle the inner spirit»
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Albert Schweitzer.
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Descobri esta frase no blogue The Dutchess e lembrei-me logo do texto de Laura Esquível sobre as «caixas de fósforos» no livro Como água para chocolate, que já citei aqui há um bom tempo.
Na verdade, também agradeço a todos aqueles que me vão aquecendo (e iluminando) o espírito, entre os quais certamente estão as pessoas da minha família, mas também os amigos - entre os quais contam-se aqueles que vou encontrando aqui na internet.
Neste período do Advento, que agora começa, já que este ano vai ser mais pobre em bens materiais, temos de valorizar os espirituais - e sobretudo a amizade e a solidariedade - por exemplo, como tem sido realizado nas campanhas do Banco Alimentar contra a Fome.

domingo, 20 de novembro de 2011

Uma frase sobre a mudança

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«If you don't go after what you want, you'll never have it. If you don't ask, the answer is always no. If you don't step forward, you're always in the same place.»
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Esta frase está escrita na parede de uma café onde tenho ido ultimamente aos sábados. 
A frase faz-me pensar, porque acho que é verdadeira, mas simultaneamente sei que muitas vezes é difícil pôr esta ideia em prática. Até porque é preciso ter coragem para alterar a realidade, mesmo quando ela não é perfeita. E, seja como for, nem sempre as mudanças são para melhor e por vezes nem sempre o sabemos até mudarmos. O que faço, muitas vezes, quando não estou bem, é tentar concentrar-me naquilo que para mim é importante e perceber o que é que de facto quero que mude. 
Por fim, ainda a propósito desta frase, acredito sinceramente que é neste tipo de pensamento que pode estar a capacidade de inovar - que é essencial ao desenvolvimento da humanidade, o que é demonstrado pela própria História. 
Só por brincadeira, deixo aqui uma canção de Chico Buarque que tem muito a ver com o tema - da qual me lembrei ontem quando tentava dar um "bom conselho" ao meu filho.

domingo, 13 de novembro de 2011

Da exposição na Gulbenkian

Paul Gauguin, Natureza-Morta com Leque (1889, Musée d'Orsay, Paris).
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Sempre apreciei de ver quadros com naturezas mortas, embora prefira a definição dada em inglês de still life. Para mim, o que fascina no tema é precisamente a tranquilidade transmitida pela representação de objectos organizados de uma forma esteticamente apelativa. Também me interessam todas as interpretações que se podem fazer a partir de quadros aparentemente tão simples - simbólicas, históricas, estéticas, psicológicas, etc.
Gostei muito de ver a exposição da Gulbenkian A Perspectiva das Coisas, quer a primeira parte, quer a segunda parte - actualmente em exibição. Entre as várias obras ali presentes, escolho apenas esta de Gauguin (pela simples razão de que achei lindíssima), que me parece influenciada por Cézanne.
A propósito desta exposição, deixo registada uma frase (do folheto), sobre Cézanne:
«O principal desafio que a arte da maturidade de Cézanne nos coloca é que façamos uma avaliação do que é coexistir com um mundo de coisas em nosso redor e de como percepcionamos e pensamos a realidade que se apresenta perante nós».
Acho que o mesmo se poderá dizer sobre grande parte das naturezas mortas da Época Contemporânea, pelo menos desde o final do século XIX.

domingo, 6 de novembro de 2011

Estão a chegar os dias mais frios

 Walter Gay, Blue and White (Musée d'Orsay, Paris).
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«Enquanto houver sôbre a terra homens, matéria combustível  maneira de a inflamar - nunca deixará o elemento fogo de exercer, pelo mágico bailado da labareda, eterna fascinação nas almas inquietas e sonhadoras. A lareira, enraizada no conceito ancestral da casa-mãe; o fogo caseiro, origem da palavra átrio - início e centro da habitação; - elementos venerandos que perdurarão no seu significado simbólico e no encantamento dos seus aspectos decorativos».
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Raul Lino (1933).

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Lugar da Casa

Claude Monet, The Artist's house at Argenteuil (1873, Art Institute of Chicago).
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O lugar da Casa
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Uma casa que fosse um areal
deserto; que nem casa fosse;
só um lugar
onde o lume foi aceso, e à sua roda
se sentou a alegria; e aqueceu
as mãos; e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:
crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,
e certa manhã sentir os passos
de Abril
ou, quem sabe?, a floração
dos ramos, que pareciam
secos, e de novo estremecem
com o repentino canto da cotovia.
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Eugénio de Andrade.
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Obrigada Ana pelo poema!