segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Sobre a caça...

Rosa Bonheur, A Limier Briquet Hound (c. 1856, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
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Não importam os destalhes, também não quero gerar polémicas. É apenas um desabafo. Detesto caça, mas gosto e acho lindíssimos os cães de caça. Compreenderia a caça se fosse uma necessidade imperiosa para a sobrevivência. Já foi, na Pré-História. Hoje é apenas um desporto cruel...
Nem entendo a maneira como ainda nos consideramos como os reis da criação e os únicos seres racionais do planeta - quando sabemos que alguns animais são mais inteligentes que os humanos em determinados estados evolutivos e nem por isso achamos esses animais melhores do que as pessoas. 
Em pleno século XXI, acho tudo isto triste e um enorme desrespeito pela natureza. Depois de muito ler e pensar sobre esta questão concluí que o único critério que poderemos aceitar para matar ou ferir um outro ser vivo é em caso de necessidade - para defesa (se ele estiver a atacar-nos ou a atacar alguém que nos é querido) ou para nossa alimentação (no caso de ser de facto uma necessidade, porque não temos outra escolha). 
Quanto à questão daquilo que nos diferencia dos restantes animais, concordo em parte com Fernando Pessoa, quando escreve «Não há critério seguro para distinguir o homem dos animais». Na verdade acho que há, pelo menos, duas diferenças: a criatividade aliada à razão (que nos permite desenvolver civilizações mais complexas e o sentimento estético) e a capacidade de compaixão, nomeadamente pelos  mais fracos (pois creio que a maioria dos animais tende a seguir modelos sociais simples pré-estabelecidos, onde os seres mais fracos são geralmente desprezados). É pena que a primeira qualidade humana nem sempre seja usada para o bem e a segunda seja tão pouco valorizada nos tempos que correm.

4 comentários:

APS disse...

Pratiquei-a (caça), incipientemente (fisgas, ratoeiras, espingarda de pressão de ar), na infância e adolescência. Não nego que sentia uma certa "frisson"...Mas hoje já não me atrai, embora tenha um fascínio pelos falcões e livros de cetraria.
Já agora, Margarida, se não conhece "O Velho que lia romances de amor" (Ed. Asa), de Luis Sepulveda, aconselho a leitura.Porque a propósito de uma onça, o "herói" tem ideias próximas da sua, embora nem sempre.
Uma boa semana!

Margarida Elias disse...

Já li e adorei. Boa semana!:)

Presépio no Canal disse...

Também nao aprecio. É algo que nao me vejo a praticar. Muito pelo contrário, gosto de observar os animais em todo o seu esplendor. Ainda ontem vi um documentário muito interessante na BBC sobre animais selvagens (Planet Earth & Life).
Boa Semana :-) Beijinhos!

Margarida Elias disse...

Eu nem praticar, nem comer os "frutos". Até me arrepio a ler os menus ou a ouvir os tiros... Bjs!