sábado, 30 de novembro de 2013

Pensando ainda no Outono

Armand Point, L'Automne (1893, via Flickr)
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Hai-Kai de Outono

Uma borboleta amarela?
Ou uma folha seca
Que se desprendeu e não quis pousar?
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

E mais mobílias

Pieter Janssens Elinga, Room in a Dutch House (1670-75)
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«Lorsque vous portez une paire de bottes, vous ne vous heurtez jamais à un meuble. Mais si vous vous promenez nu-pieds, tout le mobilier se jette sur vous et vous frappe.»
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Walter Gay, The Commode.
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Vilhelm Hammershøi, Interior, Strandgade 30 (1905).
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Geraldo De Barros, Chaises Unilabor (1954)
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Patrick Caulfield, Café Interior: Afternoon (1973)
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Linda Pochesci, Reflections II (2010)

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Frases

Gosto de citações, mas assumo que o tema se tornou um pouco exagerado

Banksy (Link)

Torna-se mais aborrecido quando somos bombardeados com demasiadas "frases bem intencionadas", as chamadas "inspirational quotes" (sobretudo no Facebook)

Ian Jones, Bushy Tales (10/11/2013)

Gosto de BD, graffitti e arte de rua

Banksy (Link)

Gosto de desenhos animados e de gente bem humorada, mas atenta ao mundo em que vive

The Simpsons (Link)

E gosto de boas comédias, como as dos Monty Python

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Donuts

Kenny Scharf, Cosmic Donut (2008, via Wikipaintings)
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Ontem, vi um thriller, um pouco pesado, mas interessante: Transiberiano (2008) dirigido por Brad Anderson, com Woody Harrelson e Ben Kingsley. Como gosto de boas frases, fiquei curiosa sobre uma delas, que o personagem Roy terá dito à mulher: "No matter what your dream in life, no matter what your goal, keep your eye upon the doughnut and not upon the hole” (Link). A frase será originalmente de Oscar Wilde: “The optimist sees the donut, the pessimist sees the hole” (Link). Não gosto de donuts, mas gostei da ideia - e nunca mais olharei para um destes bolos da mesma forma.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Mobílias

«A house with old furniture has no need of ghosts to be haunted.»
Hope Mirrlees (via Good Reads)
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Jessica Hayllar, Far Away Thoughts (1885, via Still Life Quick Heart)
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«In actuality, it was like the homes of all people who are not really rich but who want to look rich, and therefore end up looking like one another: it had damasks, ebony, plants, carpets, and bronzes, everything dark and gleaming—all the effects a certain class of people produce so as to look like people of a certain class. And his place looked so much like the others that it would never have been noticed, though it all seemed quite exceptional to him.» 
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Leo Tolstoy (via Good Reads)
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Eugenio Cecconi, Donna in lettura (via Occhio Fantastico no Facebook)
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«(...) One's chairs and tables get to be almost part of one's life and to seem like quiet friends. What strange tales the wooden-headed old fellows could tell did they but choose to speak! At what unsuspected comedies and tragedies have they not assisted! What bitter tears have been sobbed into that old sofa cushion! What passionate whisperings the settee must have overheard!
New furniture has no charms for me compared with old. (...) New furniture can make a palace, but it takes old furniture to make a home. Not merely old in itself - lodging-house furniture generally is that - but it must be old to us, old in associations and recollections. (...)».
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Jerome K. Jerome (via The Literature Page).
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Vincent van Gogh, Van Gogh's Chair (1888, National Gallery, Londres - via Wikipedia)
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«La chaise est toujours assise
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Achille Chavée (via Le Figaro).

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O mesmo para Santa Catarina de Alexandria

Santa Padroeira de várias situações e actividades profissionais, entre os quais os arquivistas e bibliotecários, educadores e professores, jovens e estudantes, juristas e advogados, filósofos e teólogos (fonte: Wikipédia). Fica, portanto, para todos eles (e outros de que também é Padroeira), dedicado este post.

João Afonso, Santa Catarina de Alexandria (1450-75, Museu Nacional de Arte Antiga)
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Segundo a tese de Isabel Bastos (2011, Link), o nome Catarina deriva do grego kataros, que significa «pura». Filha de um rei, seria originária de Alexandria e terá morrido no ano de 310 (?). A sua hagiografia conta a sua oposição às perseguições do Imperador Maxêncio contra os cristãos, tendo-se destacado pela sua sabedoria ao disputar e vencer os filósofos, bem como pela coragem que demonstrou durante o martírio. 
Esta santa foi venerada sobretudo a partir da Idade Média, e a lenda foi divulgada de forma particular na Inglaterra. Contudo, a veneração chegou a outras paragens, pois foi invocada por Joana d’Arc (juntamente com Santa Margarida). A sua iconografia distingue-se pelo uso de uma coroa de rainha, bem como pela roda dentada. Segundo a lenda  essa roda foi destruída por um anjo (por isso surge partida nas suas imagens) e o martírio cumpriu-se pela degolação - razão pela qual ela também leva uma espada. Conta ainda a sua lenda que ao morrer, deu-se um outro milagre, pois em vez de sair sangue, saiu leite, sendo por isso padroeira das mulheres que estão a amamentar.

Rafael, Santa Catarina de Alexandria (1508, National Gallery, Londres)
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Caravaggio, Santa Catarina de Alexandria (c. 1598, Museu Thyssen-Bornemisza, Madrid)
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Neste Link fica um texto que contém a parte de La Légende dorée de Jacques de Voragine, na parte que respeita a esta santa, bem como uma versão em francês de uma canção que eu ouvia em casa da minha avó materna, há muitos anos atrás.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Música e Pintura - No Dia de Santa Cecília

«Painting is the silence of thought and the music of sight.»
Orhan Pamuk.
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Rafael, Estasi di santa Cecilia (c. 1514, Pinacoteca Nazionale, Bologna)
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Guido Reni, Santa Cecilia (1606, Norton Simon Museum)
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Carlo Saraceni, Saint Cecilia and the Angel (c. 1610, Galleria Nazionale d'Arte Antica, Rome)
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Bernardo Strozzi, St Cecilia (1620-25, Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City)
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Antiveduto Grammatica, Santa Cecília (séc. XVII, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)
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Nicolas Poussin, Sainte Cécile (1627-1628, Museo del Prado, Madrid)
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John William Waterhouse, Saint Cecilia (1895, The Montreal Museum of Fine Arts)
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NOTAS:
Vem este post a propósito de hoje ser o Dia de Santa Cecília. Aprecio bastante as pinturas com este tema e daí a minha escolha. Também me interesso sobre as relações entre a música (arte temporal e ligada ao sentido da audição) e a pintura (arte espacial e ligada à visão).
Mas, à medida que fui construindo o post fiquei com diversas questões por resolver, cuja pesquisa ficará para outra oportunidade. Entre elas, registo duas:
1ª. Porque é que há tantas representações de Santa Cecília na pintura do séc. XVII, sobretudo na Itália?
2ª. Há duas obras que parecem estar duplicadas: A de Strozzi que parece ter uma gémea, de 1625, na Galeria dos Uffizi (Link); a de Grammatica que tem a sua gémea no Kunsthistorisches Museum de Viena, datada de 1620-25 (Link). Serão réplicas dos próprios autores?

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nascidos a 21 de Novembro

No dia 21 de Novembro nasceram algumas pessoas que de algum modo estão presentes na minha vida. Em primeiro lugar ficam os meus PARABÉNS e votos de um dia MUITO FELIZ para a Sandra do Presépio no Canal.

Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Raul Lino (1907)

Mas quero igualmente recordar, dois homens que, além de serem grandes artistas portugueses, um como pintor e outro como arquitecto, foram também grandes amigos: Columbano Bordalo Pinheiro (n. 1857) e Raul Lino (n. 1879). Não sei exactamente como se terão conhecido, pois existe entre eles cerca de vinte anos de diferença de idade, mas sei que se correspondiam desde 1904. 
Data de 1907 o retrato que Columbano fez do arquitecto, apresentando-o numa composição simples e sóbria, onde sobressai o rosto claro sobre o fundo escuro. Sabe-se que o retratado ficou contente com o resultado, tendo escrito a Columbano dizendo ser-lhe «muito grata a impressão que me faz a sua obra d’arte que d’ora em diante me é permittido guardar em casa». E a sua mulher, Alda Decken dos Santos com quem se casou nesse ano), também terá apreciado: «A minha mulher achou neste retrato uma qualidade intrínseca no todo e uma seriedade na maneira de pintar que ella não vê em outros artistas». O retrato recebeu uma bela moldura do próprio Raul Lino, decorada em estilo Arte Nova, sendo de notar que o arquitecto faria outras molduras do mesmo tipo para outros retratados que eram amigos dele e de Columbano, como, por exemplo, João de Barros (1917). Na moldura do retrato de Lino é de sublinhar a presença do ornamento em ondulado que simboliza «as ondas luminosas do bem» O quadro foi exposto pela primeira vez apenas em 1911, numa Exposição individual no Atelier da Academia de Belas Artes de Lisboa. 
No círculo de amizades estava também o poeta Afonso Lopes Vieira e o escritor (depois Presidente da República) Manuel Teixeira Gomes. Tanto Lino como Columbano (assim como João Barreira, Luciano Freire e José de Figueiredo, entre outros) tiveram um papel relativamente importante durante a Primeira República, que terá começado por um convite, em Outubro de 1910, para serem vogais «da comissão encarregada do arrolamento de todos os bens pertencentes aos palácios ocupados pelo antigo chefe do estado e sua família», determinando o que seria pertença do Estado e da Casa de Bragança, com indicação do que importava conservar para o país como objecto de arte. 
A ligação de amizade entre eles manteve-se ao longo dos anos seguintes e, poderá dizer-se, que se prolongou depois da morte de Columbano (em 1929). Em Novembro de 1931, Manuel Emídio da Silva (outro amigo de Columbano) relatava que tomara a iniciativa para que fosse colocada, na casa em que o pintor falecera, uma lápide comemorativa desenhada por Raul Lino, a qual foi de facto descerrada em 1932. Quem a quiser ver, fica na Rua de São Paulo, junto da esquina com a Rua das Flores.
Vimos que Columbano retratou Raul Lino em 1907 e podemos dizer que cinquenta anos depois era Raul Lino a retratar Columbano. No texto «O retrato na obra de Columbano», publicado na Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes (n.º 11), ele escreveu:
«Algumas vezes vi o Mestre a trabalhar. Nunca dei porque esboçasse na tela qualquer parte anatómico-estrutural. Não arquitectava uma composição; parecia que improvisava um poema. Vi-o começar um retrato de corpo inteiro concentrando-se em torno dos olhos do modelo. (...)».
Raul Lino faleceu muitos anos depois, em 1974.
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Margarida Elias, Columbano no seu Tempo (1857-1929), FCSH-UNL, 2011 (Link).
Catálogo da Exposição Raul Lino, Artes Decorativas, FRESS, 1990.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Da saturação - divagação sobre o tempo

Franklin Figueiredo, Fotografia (Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea - Link)
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Sempre me fascinaram as pessoas que nasceram no início do século XX e morreram no final desse século. O mundo mudou tanto ao longo desses cem anos, que nem imagino o que foi a vida delas - mesmo sem contar com as duas Grandes Guerras, Revoluções e outros acontecimentos. Faço apenas uma pálida ideia através das mudanças a que eu própria tenho assistido em cerca de quarenta anos de vida.

Ilustração Portuguesa (30/12/1922 - Link)

Quando eu nasci não existiam coisas que hoje são comuns, como computadores pessoais (muito menos portáteis), televisão a cores, DVD's, telemóveis, internet, e por aí em diante. 
Ainda por cima, sou uma pessoa que demoro sempre algum tempo em aceitar as novas tecnologias. Por exemplo, só comprei CD's e leitores de CD quando quase já não conseguia encontrrar discos de vinil à venda nas lojas. O meu telemóvel é outro exemplo, porque está muito desactualizado e eu aguardo pacientemente que ele se estrague para ter uma boa desculpa para comprar um dos novos. Nem sei o que é um IPAD (é assim que se escreve?)... Também não consigo aderir ao acordo ortográfico (mas isso é outra história).

Wall-E (Link)

Se, por um lado, considero boa esta evolução e algumas das traquitanas que vamos acumulando; por outro, acho que tudo isto é um bocado excessivo. 
Nem vou alongar-me sobre os problemas que traz ao nível ecológico (acumulação de lixo) e económico (as pessoas gastarem dinheiro  e fazerem dívidas, para adquirirem coisas que na verdade não necessitam). Não vou também alongar-me sobre o terror que por vezes me causa o pensamento de haver uma catástrofe, recuarmos cerca de cem ou duzentos anos - e nos vermos de novo sem electricidade, água canalizada, frigoríficos e roupa de "pronto-a-vestir" - entre outras coisas que hoje em dia já consideramos tão normais que já olhamos para elas como se fossem direitos humanos.

Matrix (Link)

Do que quero falar é da saturação de informação. Hoje em dia, com a internet e os novos meios de comunicação, estamos tão inundados de informação que perdemos a capacidade de a processar convenientemente.
Nem vou discorrer sobre a quantidade de notícias que surgem nos telejornais, que me põem sempre a pensar se o mundo sempre foi assim terrível ou se somos nós que agora sabemos tudo ao segundo... Nem vou discorrer, também, sobre a quantidade de textos mais ou menos interessantes, publicados em toda a parte, por qualquer pessoa, que já lemos mais ou menos na diagonal - enquanto saltitamos para o texto seguinte. Só para dar uma ideia, neste momento tenho grande parte da minha biblioteca pessoal desactualizada, relativamente ao actual estado da investigação em História da Arte, tendo chegado ao ponto de desistir de comprar livros e passar a lê-los em bibliotecas.

Claude Monet, Les nymphéas (Link)

Mas vou mencionar uma coisa que me anda a perturbar: a circulação fácil de imagens e de objectos artísticos de vários formatos. Só para dar um exemplo, vejo tanta pintura impressionista a circular em filmes, internet, livros e diversos objectos, que eu, que sempre gostei de Impressionismo, começo a cansar-me. Actualmente, mais depressa daria dinheiro (se o tivesse) por um quadro de Columbano ou de Sorolla (ou outro pintor menos mediático), do que por uma obra de Renoir. 
Se é bom e justo o fácl acesso à informação - e eu, como historiadora de arte, dou graças pela internet, com o Google, Wikipaintings, Matriznet, Base Joconde, Artcyclopedia, Facebook, Hemeroteca Digital, SIPA (entre outras mil maravilhas) - também é cansativo o bombardeamento de informação, que surge de forma vertiginosa e muitas vezes repetitiva, ou, pior ainda, desactualizada e com erros.
Para ser muito sincera, quero que tudo isto exista, e exista cada vez mais. Mas também gostava que houvesse uma forma melhor de conseguir processar tantos dados. Sinto-me um pouco como na Torre de Babel...

Pieter Bruegel (o Velho), Construction of the Tower of Babel (1563, Kunsthistorisches Museum, Vienna - Link)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Adenda ao post «Casas» - em torno de um interior de Samuel van Hoogstraten

Já há uns bons anos que me intriga esta pintura, que, por acaso, encontrei de novo, há poucos dias, no Facebook. Por isso, decidi dedicar-lhe um post.

Samuel van Hoogstraten, Les Pantoufles (1654-62, Musée du Louvre, Paris).
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O tema é, aparentemente, muito simples, pois representa o interior de uma casa. Mas, quando olhamos melhor, não é assim tão simples.
Em primeiro plano, à direita, está uma porta aberta, que corresponde ao local onde está o observador, (talvez) prestes a entrar. Em segundo plano, está um espaço intermédio, onde se vê, do lado esquerdo, um pano e uma vassoura. Em terceiro plano, está um terceiro espaço intermédio, onde estão os chinelos que deram o nome ao quadro. 
Só no quarto plano, que se abre por uma porta que ainda tem a chave na fechadura, entramos realmente na casa. E aqui, começa verdadeiramente o enigma. Vemos uma mesa com uma colcha amarela e, ao seu lado, uma cadeira forrada com o mesmo tecido. Sobre essa cadeira está um quadro - e é certo que a "chave" do primeiro quadro está nesse segundo quadro, onde podemos ver uma rapariga de costas.

(detalhe - Link)

Na verdade, essa pintura faz lembrar outras três, uma de Caspar Netscher (Link) e duas de Gerard Ter Borch, uma das quais conhecida com o título The Paternal Admonition (1653-1655, Rijksmuseum Amsterdam - Link):

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Samuel van Hoogstraten (1627-1678) (Link) foi um artista holandês, discípulo de Rembrandt, cuja obra foi marcada pelo interesse em questões de perspectiva (Link). É autor de outras pinturas que considero curiosas e apelativas, como o caso desta que aqui também coloco, e que tem semelhanças formais com Les Pantoufles:

View of a Corridor (1662, National Trust, Dyrham Park - Link)
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No site do Louvre podemos ler um artigo de Guillaume Kazerouni sobre o quadro Les Pantoufles e que irei aqui resumir (fica o Link para o artigo na íntegra). Segundo esse texto, o quadro, inicialmente atribuído a Pieter de Hooch, faz alusão às ocupações da mulher galante, que está ausente e simbolizada pelos seus chinelos. Sem animação humana aparente, toda a atenção de Hoogstraten parece ter estado concentrada na construção rigorosa do espaço, criando um efeito de trompe-l'oeil: «fenêtre ou porte ouverte sur l'univers d'un autre siècle». Contudo, esta obra não se resume à ilusão espacial e ao jogo formal. Para lá das aparências, existe uma lição de moralidade. As pantufas abandonadas, situadas no centro da composição, insinuam que a mulher deixou as suas tarefas domésticas, para se dedicar a um encontro amoroso, o que é confirmado pelo quadro que alude a The Paternal Admonition de Netscher ou Ter Borch. De facto, a utilização de um tema banal para transmitir um conteúdo moral, era característica da pintura holandesa do séc. XVII. A pintura de Hoogstraten é uma condenação da vida das mulheres que esqueciam os deveres domésticos e morais.
Deixo, por fim, dois detalhes desta pintura, que acho interessantes. Um é o da vela apagada (símbolo de vanita) e do molho de três chaves, que indicam as três portas que foram abertas:

(detalhe - Link)

O outro, é o dos azulejos no chão, junto da vassoura, que são típicos azulejos azuis e brancos holandeses do séc. XVII e que parecem também aludir à vida galante:

(detalhe - Link)

sábado, 16 de novembro de 2013

Rir é o melhor remédio...

«Then come jesters, musicians and trained dwarfs,
And singing girls from the land of Ti-ti,
To delight the ear and eye
And bring mirth to the mind»
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Sima Xiangru (Link)
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Jean Fouquet, Portrait of the Ferrara Court Jester Gonella (c.1442-1445, Kunsthistorisches Museum, Vienna - Link)
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«The jester is an elusive character. The European words used to denote him can now seem as nebulous as they are numerous, reflecting the mercurial man behind them: fool, buffoon, clown, jongleur, jogleor, joculator, sot, stultor, scurra, fou, fol, truhan, mimus, histrio, morio. He can be any of these (...)».
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Beatrice K. Otto (Link)
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Jacob Cornelisz. van Oostsanen (?), Laughing Fool (c. 1500, Davis Museum - Link)
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«We have all seen how an appropriate and well-timed joke can sometimes influence even grim tyrants. . . . The most violent tyrants put up with their clowns and fools, though these often made them the butt of open insults».
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Desiderius Erasmus (Link)
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Frans Hals, Jester with a lute (c. 1623-1624, Musée du Louvre, Paris - Link)
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Diego Velázquez, El bufón don Sebastián de Morra (c. 1645, Museo del Prado, Madrid - Link)
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«The court jester is universal not merely in having been at home in such diverse cultures and eras, but also in taking his pick from the same ragbag of traits and talents no matter when or where he occurs. Above all he used humor, whether in the form of wit, puns, riddles, doggerel verse, songs, capering antics, or nonsensical babble, and jesters were usually also musical or poetic or acrobatic, and sometimes all three. Some physical difference from the norm was common whether it was in being a dwarf or hunchback or in having a gawky or gangly physique or a loose-limbed agility—his movements might be clumsy or nimble, but they should be somehow exaggerated or unusual (...)».
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Beatrice K. Otto (Link)
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Jan Matejko, Stańczyk (1862, Warsaw National Museum - Link)
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William Merritt Chase, Keying Up - the Court Jester (1875, Pennsylvania Academy of the Fine Arts - Link)
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«It is in the nature of jesters to speak their minds when the mood takes them, regardless of the consequences. They are neither calculating nor circumspect, and this may account for the "foolishness" often ascribed to them (...).
The jester also had humor at his disposal. He could soften the blow of a critical comment in a way that prevented a dignified personage from losing face. Humor is the great defuser of tense situations (...)».
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Beatrice K. Otto (Link)
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Para saber mais: Beatrice K. Otto, Fools Are Everywhere, The Court JesterAround the World, 2001.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Casas

«Uma casa é uma máquina de morar.»
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Vasily Surikov, Room in Surikov's house (c.1890, Gallery: V. I. Surikov Krasnoyarsk museum of Fine Arts, Krasnoyarsk - Link)
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«É nas velhas casas, onde parece flutuar ainda a penumbra dourada do passado, que se recebe, mais perdurável e mais viva, a impressão da família e do lar.»
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Edgar Degas, Interior at Menil-Hubert (1892 - Link)
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«Como os ninhos, que são a casa da ave, e que todos diferem consoante a ave que o fabricou e o habita, a casa do homem reproduz com fidelidade a vida, a ocupação, o carácter, o sentimento dos moradores. Toda a casa tem, como os donos, uma fisionomia especial, que as gerações lhe imprimiram.»
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Carl Larsson, Cosy Corner (1894, Nationalmuseum, Stockholm - Link)
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«Home wasn't a set house, or a single town on a map. It was wherever the people who loved you were, whenever you were together. Not a place, but a moment, and then another, building on each other like bricks to create a solid shelter that you take with you for your entire life, wherever you may go.»
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Felix Vallotton, Interior, Vestibule by Lamplight (1904, Virginia Museum of Fine Arts - Link)
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«The ache for home lives in all of us. The safe place where we can go as we are and not be questioned.»
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Jozsef Rippl-Ronai, Uncle Piacsek in front of the Black Sideboard (1906 - Link)
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«A casa é o retrato do seu dono.»
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Columbano Bordalo Pinheiro, A minha casa de jantar (1922, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea - Link)