quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Peixes / Klee

Paul Klee, The Goldfish (1925, Hamburger Kunsthalle)
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Se repentinamente
a infânca me doesse a meio da oceânica noite
no espelho de rubra água cercada pela treva
onde nenhum rosto ousa reflecir-se brilharia
o minúsculo peixe de lume
e na obscuridade púrpura sua cabeça de ouro
incendiaria o tranparente interior das anénomas

As escamas em jade fulgurando
simulam um sol em cada sonho
vibra um búzio triste uma alga ou um peixe como este
cresce a partir do centro rubro da tela
acende e apaga o distante pulsar da infância

Acordo em sobressalto
deparo com a subtil inteligência do peixe
imobilizado na magia barata dum bilhete postal
sei que está numa galeria de arte em Hamburgo
deixa-se consumir pelo tempo
e pelo olhar dalgum visitante furtivo sonhador.
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Al Berto.
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Paul Klee, Fish Magic (1925, Philadelphia Museum of Art)
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A ver (quem puder):
The EY Exhibition: Paul Klee – Making Visible, Tate Modern, 16/10/2013-9/3/2014.

3 comentários:

ana disse...

Margarida,
Gosto muito de Al Berto.
A tela é muito bonita. :))
Beijinho.

Presépio no Canal disse...

Uau! Poema, telas, tudo muito forte! Gostei.
Bjnhos!

Margarida Elias disse...

Ana e Sandra: Obrigada e bom dia!! Bjns!