domingo, 9 de março de 2014

Os Justos

Mary Hayllar, Helping Gardener
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Os Justos

Um homem que cultiva o seu jardim, como queria Voltaire. 
O que agradece que na terra haja música. 
O que descobre com prazer uma etimologia. 
Dois empregados que num café do Sul jogam um silencioso xadrez. 
O ceramista que premedita uma cor e uma forma. 
O tipógrafo que compõe bem esta página, que talvez não lhe agrade. 
Uma mulher e um homem que lêem os tercetos finais de certo canto. 
O que acarinha um animal adormecido. 
O que justifica ou quer justificar um mal que lhe fizeram. 
O que agradece que na terra haja Stevenson. 
O que prefere que os outros tenham razão. 
Essas pessoas, que se ignoram, estão a salvar o mundo. 
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2 comentários:

Presépio no Canal disse...

Belo poema. Daqueles que merecem ser guardados. E com o qual não poderia concordar mais...
Beijinho e Bom Domingo!
PS: Têm estado uns belos dias de Primavera e ontem já fomos aos gelados. Está-se tão bem lá fora...
:-)

Margarida Elias disse...

Que bom, Sandra! bjns!