quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

De uma releitura: castanheiros

Georgia O'Keeffe, Autumn Trees - Chestnut Tree (1924)
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«―Mas aqui! Olha para aquelle castanheiro. Ha tres semanas que cada manhã o vejo, e sempre me parece outro... A sombra, o sol, o vento, as nuvens, a chuva, incessantemente lhe compõem uma expressão diversa e nova, sempre interessante. Nunca a sua frequentação me poderia fartar...
Eu murmurei:
―É pena que não converse!
O meu Principe recuou, com olhares chammejantes, d'Apostolo:
―Como que não converse? Mas é justamente um conversador sublime! Está claro, não tem ditos, nem parola theorias, ore rotundo. Mas nunca eu passo junto d'elle que não me suggira um pensamento ou me não desvende uma verdade...»
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Eça de Queirós, A Cidade e as Serras (1901)

3 comentários:

ana disse...

É uma beleza este excerto tal como a ilustração.
Bom fim de semana alargado.
Beijinho. :))

ana disse...

Queria dizer a tela. :))

Margarida Elias disse...

Obrigada! Beijinhos, Ana!