quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Criar, recriar, interpretar, seleccionar...

Alan Lee, Fangorn (em 'The Lord of the Rings Sketchbook')
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"When we are writing, or painting, or composing, we are, during the time of creativity, freed from normal restrictions, and are opened to a wider world, where colors are brighter, sounds clearer, and people more wondrously complex than we normally realize.''
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Madeleine L'Engle
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Ao escolher esta citação ilustrada por este desenho, voltou-me à mente a questão sobre a relação entre criar e interpretar aquilo que já foi criado. Independentemente de ser possível criar a partir do "nada", julgo que quando se interpreta, faz-se uma recriação. Porque dificilmente as pessoas interpretam o que vêm, ouvem ou lêem da mesma forma. Existem as linhas principais definidas pelo artista ou escritor que criou, mas quando alguém tenta traduzir para outra língua, ou ilustrar, ou tornar em filme, ou cantar (no caso de ser uma música), ou mesmo ler e reflectir sobre o que leu ou ouviu, acaba por colocar algo de si naquilo que já foi criado. 
C.S. Lewis escreveu: “No story can be devised by the wit of man which cannot be interpreted allegorically by the wit of some other man.”.
Ralph Waldo Emerson afirmou igualmente : "É o bom leitor que faz o bom livro; em cada livro, ele encontra trechos que parecem confidências ou apartes ocultos para qualquer outro e evidentemente destinados ao seu ouvido; o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins." 
Num sentido relacionado Mark Twain advertiu na obra The Adventures of Huckleberry Finn:

“NOTICE
Persons attempting to find a motive in this narrative will be prosecuted; persons attempting to find a moral in it will be banished; persons attempting to find a plot in it will be shot.
BY ORDER OF THE AUTHOR
Per G.G.,Chief of Ordnance”

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Este tema liga-se a outros que considero relacionados. Por exemplo, a maneira como Alan Lee interpretou Perudur, Son of Efrawg - The Mabinogion. O pouco que li dessa história parece ser bem mais dramático do que a imagem sugere:

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Por fim, outro ponto de vista, para mim mais inovador, corresponde há maneira como Deleuze entende que deve ser uma aula:

2 comentários:

ana disse...

Margarida,
Que registo tão, tão interessante, e que dava pano para mangas.

Este seu registo toca um pouco na pergunta que coloquei sobre a tela de Rembrandt.

Em suma: o que vale, a interpretação que o pintor deu, ou a que nós damos?

Quanto a Deleuze... havia muito a dizer.
Beijinhos. :))

Margarida Elias disse...

Obrigada Ana. Beijinhos! :-)