terça-feira, 13 de outubro de 2015

Melancolia de Outono

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«A manhã, com o céu todo purificado pela trovoada da véspera, e as terras reverdecidas e lavadas pelos chuviscos ligeiros, oferecia uma doçura luminosa, fina, fresca, que tornava doce, como diz o velho Eurípides ou o velho Sófocles, mover o corpo, e deixar a alma preguiçar, sem pressa nem cuidados. A estrada não tinha sombra, mas o sol batia muito de leve, e roçava-nos com uma caricia quase alada. O vale parecia a Jacinto, que nunca ali passara, uma pintura da Escola Francesa do século XVIII, tão graciosamente nele ondulavam as terras verdes, e com tanta paz e frescura corria o risonho Serpão, e tão afáveis e prometedores de fartura e contentamento alvejavam os casais nas verduras tenras! Os nossos cavalos caminhavam num passo pensativo, gozando também a paz da manhã adorável. E não sei, nunca soube, que plantasinhas silvestres e escondidas espalhavam um delicado aroma, que eu tantas vezes sentira, naquele caminho, ao começar o outono.»
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Eça de Queiroz, A Cidade e as Serras
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Nota pessoal: Não conheço nenhum pintor francês do século XVIII que tenha pintado paisagens, por isso, ficou o Théodore Rousseau, nascido em 1812. Também poderia ser Corot, nascido em 1796. Em quem pensaria Eça de Queiroz?

4 comentários:

ana disse...

Gostei muito da sua escolha.
Beijinho. :))

Margarida Elias disse...

Também achei uma bela pintura. Beijinhos, Ana! :-)

Presépio no Canal disse...

Gostei de ler este livro. Gosto muito de Eça de Queiroz.
Bj

Margarida Elias disse...

Sandra - Também gosto muito de Eça de Queiroz e este é um dos meus livros preferidos dele. Beijinhos!