quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Subjectividade II

William Blake, The Spirit of Plato (1816-1820)
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Mais do blogue Brain Pickings. Escreve Maria Popova no artigo «Plato’s Allegory of the Cave, Animated: History’s Greatest Parable Exploring the Nature of Reality»:
"And yet how are we to be sure that what we observe actually is? After all, so much of what we experience as reality is the product of our remarkably flawed perception".

Pesquisando a frase "Só sei que nada sei", acabei por descobrir que nem é de Sócrates ou de Platão. O que se lê em Platão é: 
"(...) aquele homem acredita saber alguma coisa, sem sabê-la, enquanto eu, como não sei nada, também estou certo de não saber." (link)
E é assim, estou um pouco menos ignorante, mas longe saber tudo o que desejava. Sou mais sequiosa de sabedoria do que o Sherlock Holmes de Conan Doyle:
"His ignorance was as remarkable as his knowledge. Of contemporary literature, philosophy and politics he appeared to know next to nothing. Upon my quoting Thomas Carlyle, he inquired in the naivest way who he might be and what he had done. My surprise reached a climax, however, when I found incidentally that he was ignorant of the Copernican Theory and of the composition of the Solar System. That any civilized human being in this nineteenth century should not be aware that the earth travelled round the sun appeared to be to me such an extraordinary fact that I could hardly realize it.
“You appear to be astonished,” he said, smiling at my expression of surprise. “Now that I do know it I shall do my best to forget it.”
Na realidade, nas histórias subsequentes, vemos que Sherlock sabia mais do que este trecho dá a entender. E, como se subentende da alegoria de Platão, a sabedoria não é somente livresca e erudita, pode vir da experiência e até da tradição popular. Quanto mais se sabe, mais se tem noção do muito que ainda há para saber, mais se dá valor ao mundo que nos rodeia, e mais se tem noção das nossas limitações humanas.

4 comentários:

Isabel disse...

Concordo com as suas palavras. Quanto mais vamos aprendendo e menos ignorantes ficamos, também maior é a nossa convicção de que sabemos tão pouco e temos tanto para aprender, sobre tanta coisa.

Gostei do vídeo:)

Boa noite:)

Margarida Elias disse...

Isabel - Muito obrigada! :-)

ana disse...

É sempre bom ver Blake. Não me lembro desta pintura.
Beijinho.:))

Margarida Elias disse...

Blake é uma maravilha. Beijinhos! :-)