sexta-feira, 31 de julho de 2015

Ler

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"Certainly, as a reader, I had always discovered the deepest truths in fiction; it was through reading novels that I learned about the world, a world not only of fact but of imagination and emotion."
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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Crescer

James Gurney (link)
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«It takes courage to grow up and become who you really are.»
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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Maternidade

Almada Negreiros, Maternidade (1948 - in Modernismo)
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«Os desenhos da Maternidade (de Almada) foram feitos em Bicesse, num dia entre as 10 da manhã e as 8 da noite. Para mim foi uma coisa maravilhosa! Desceu a rir a escada do quarto que vem dar à sala. Vinha muito bem disposto, com uma resma de papel debaixo do braço: "Olha, diz para me trazerem o pequeno-almoço e que o ponham na mesa de pedra." Era ali, naquela mesa de mó de moinho que ele gostava de tomar o pequeno-almoço no Verão. Tomou o pequeno-almoço, pôs de lado o tabuleiro e começou a desenhar. Era maravilhoso! Depois veio o almoço. Voltou a atirar-se aos papéis, comemos, acabámos e voltou ao desenho. Depois veio o lanche e voltou a desenhar até à noite. Não assinou, pôs só 48, foi em Agosto. Aqueles desenhos são uma magistral lição de desenho. É preciso um grande talento para desenhar assim! Ele fazia um risco, depois desse risco havia outros em relação a esse. Eu estava hipnotizada, sem saber o que ia sair. De uma mancha de tinta que caiu, fez um sol [...].»
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Idalina Conde, «Sarah Affonso, mulher (de) artista», in Análise Social, vol. xxx (131-132), 1995 (2.°-3.°), p. 482.
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223380867N0gCT8bj8Es43IE6.pdf

terça-feira, 28 de julho de 2015

No Dia Mundial da Conservação da Natureza

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«The best time to plant a tree was 20 years ago. The second best time is now.»
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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Plantar uma Floresta

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Quem planta uma floresta
Planta uma festa.

Planta a música e os ninhos,
Faz saltar os coelhinhos.

Planta o verde vertical,
Verte o verde,
Vário verde vegetal.

Planta o perfume
Das seivas e flores,
Solta borboletas de todas as cores.

Planta abelhas, planta pinhões
E os piqueniques das excursões.

Planta a cama mais a mesa.
Planta o calor da lareira acesa.
Planta a folha de papel,
A girafa do carrocel.

Planta barcos para navegar,
E a floresta flutua no mar.
Planta carroças para rodar,
Muito a floresta vai transportar.
Planta bancos de avenida,
Descansa a floresta de tanta corrida.

Planta um pião
Na mão de uma criança:
A floresta ri, rodopia e avança.
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http://espaco-horizontes.blogspot.pt/2007/05/plantar-uma-floresta-lusa-ducla-soares.html

sábado, 25 de julho de 2015

São Tiago Maior


Albrecht Dürer, Saint James Major (Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque)
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Tiago é um nome possivelmente de origem hebraica, e que pode significar protecção e seguimento. São Tiago veste-se como um peregrino e tem como um dos seus atributos a concha - o que se deve talvez ao facto de os peregrinos que iam a Santiago terem o costume de irem até ao mar na Finisterra colher uma concha como prova de terem completado a sua peregrinação. 
Na Bíblia ele surge como filho de Zebedeu e irmão mais velho de São João Evangelista. Jesus chamava-o de filho do trovão, o que leva a pensar que fosse uma pessoa de temperamento explosivo. São Tiago, com São João e São Pedro, esteve presente no momento da Transfiguração e da Agonia. De acordo com a Lenda Dourada, depois da Ascenção de Jesus, ele pregou na Judeia e Samaria, levando depois a mensagem da Bíblia para Espanha. Regressou a Jerusalém, onde foi martirizado, cerca do ano 42. Segundo a lenda, os seus discípulos colocaram o seu corpo num barco que foi para a Galiza, onde foi sepultado numa floresta. No século IX o seu túmulo foi descoberto em circunstâncias milagrosas, sendo assim que nasceu o culto de Santiago de Compostela. 
Ele é patrono dos farmacêuticos, peregrinos e da Espanha (entre outros), sendo invocado para obter bom tempo.
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Cf. Rosa Giorgi, Saints in Art, Los Angeles, J. P. Getty Museum, 2003, p. 172.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Símbolo & Conchas ... e de volta ao mar

John Whalley, Refuge (2005)
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Vénus, de acordo com o mito, nasceu da espuma do mar e foi gentilmente transportada por uma concha até ao Chipre. Por isso, as conchas são associadas a Vénus, desde a Antiguidade. O Cristianismo viu as conchas como símbolo do túmulo antes da ressurreição, mas também surgem na pintura renascentista como atributo de Santa Maria. A concha aparece igualmente nas mãos de São João devido ao Baptismo e é símbolo dos peregrinos, através de São Tiago e de São Roque. Contudo, também encontramos conchas e búzios na pintura seiscentista que apenas dão testemunho do interesse desse período pela criação de colecções de "maravilhas" trazidas de mundos distantes.
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Cf. Lucia Impelluso, Nature and its Symbols, Los Angeles, J. P. Getty Museum, 2004, p. 351.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Símbolo & Inspiração

«If you can't find your inspiration by walking around the block one time, go around two blocks - but never three.»
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Robert Motherwell.
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Gustave Moreau, Inspiration (c.1893, Art Institute of Chicago)
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«Gustave Moreau et le Symbolisme»

«Défini au sens strict, le symbolisme représente un cercle littéraire restreint dont Jean Moréas publie le manifeste du mouvement dans Le Figaro de 1886. Le souhait d'échapper à la pensée rationaliste imposée par la science va s'étendre à de nombreux artistes du XIXème siècle. Etranger à tout réalisme et à tout naturalisme, ce courant culturel touche l'ensemble des pays européens à la fin du XIXème siècle.
A la veille de mourir, Gustave Moreau dira en 1897 avoir souffert toute sa vie de l'opinion injuste d'avoir été trop littéraire pour un peintre. Moreau reste convaincu que "la divination, l'intuition des choses appartiennent à l'artiste et au poète seuls". Moreau, tout en se réclamant peintre d'histoire, va donner un nouveau souffle à ce genre devenu moribond. Lui qui ne déteste rien tant que "l'art de marchand de vin" donne sciemment une dimension spirituelle à son art.
S'appuyant sur la tradition du passée, il va s'efforcer de traduire les "éclairs intérieurs" qui sont en lui et consacrer le rôle prééminent de l'imagination. Comme le dira si justement André Breton son génie a été de revivifier les mythes antiques et bibliques. Par une accumulation audacieuse de détails et un usage sans précédent du trait et de la couleur, Moreau cherche, avant tout, à préserver le mystère de sa création. Il n'est pas étonnant dès lors que les surréalistes se revendiquèrent comme ses héritiers.»
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Gustave Moreau, The Inspiration of the Poet (Musée Gustave Moreau, Paris)
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«C'est la langue de Dieu! Un jour viendra où l'on comprendra l'éloquence de cet art muet; c'est cette éloquence dont le caractère et la puissance sur l'esprit n'ont pu être défini, à laquelle j'ai donné tous mes soins, tous mes efforts : l'évocation de la pensée par la ligne, l'arabesque et les moyens plastiques, voilà mon but.»
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Gustave Moreau - http://musee-moreau.fr/gustave-moreau/lart-de-gustave-moreau

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Arte & Símbolo

Caravaggio, Martha and Mary Magdalene (c. 1598, Detroit Institute of Arts)
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«Symbolism, in its widest sense, may be said to embrace the whole range of art, for all art is symbolical that is, it aims at expressing something beyond itself.»
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W. & G. Audsley, Guide to the Art of Illuminating and Missal painting, 1861, p. 60.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Ainda do mar

Edward Hopper, Jo a desenhar na praia de Good Harbor (1925–1928, Whitney Museum of American Art, Nova Iorque)
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A Rosa e o Mar

Eu gostaria ainda de falar
da rosa-brava e do mar.
A rosa é tão delicada,
o mar tão impetuoso.
que não sei como os juntar
e convidar para o chá
na casa breve do poema.
O melhor é não falar:
sorrir-lhes só da janela.
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Eugénio de Andrade, Aquela Nuvem e Outras, Porto Editora, p. 17.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Uma nova semana que começa

Muriel Helen Dawson, Seashore
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“Invite Tranquility
The sea,--
Something to look at
When we are angry.”
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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Das coisas I

Toyota Hokkei, Tea Things
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Oda a las cosas

Amo las cosas loca, locamente.
Me gustan las tenazas,
las tijeras,
adoro las tazas,
las argollas,
las soperas,
sin hablar, por supuesto,
del sombrero.
Amo todas las cosas,
no sólo las supremas,
sino las infinitamente chicas,
el dedal,
las espuelas,
los platos,
los floreros.

Ay, alma mía,
hermoso es el planeta,
lleno de pipas por la mano conducidas en el humo,
de llaves,
de saleros,
en fin,
todo lo que se hizo
por la mano del hombre, toda cosa:
las curvas del zapato,
el tejido,
el nuevo nacimiento
del oro sin la sangre,
los anteojos,
los clavos,
las escobas,
los relojes, las brújulas,
las monedas, la suave
suavidad de las sillas.

Ay cuántas cosas puras ha construido el hombre:
de lana,
de madera,
de cristal,
de cordeles,
mesas maravillosas,
navíos, escaleras.

Amo todas las cosas,
no porque sean ardientes o fragantes,
sino porque no sé,
porque este océano es el tuyo,
es el mío:
los botones,
las ruedas,
los pequeños tesoros olvidados,
los abanicos en cuyos plumajes desvaneció el amor
sus azahares,
las copas, los cuchillos,
las tijeras,
todo tiene en el mango, en el contorno,

la huella de unos dedos,
de una remota mano perdida
en lo más olvidado del olvido.

Yo voy por casas,
calles,
ascensores,
tocando cosas,
divisando objetos que en secreto ambiciono:
uno porque repica,
otro porque es tan suave
como la suavidad de una cadera,
otro por su color de gua profunda.
otro por su espesor de terciopelo.

Oh río irrevocable de las cosas,
no se dirá que sólo amé
lo que salta, sube, sobrevive, suspira.
No es verdad:
muchas cosas
me lo dijeron todo.
No sólo me tocaron
o las tocó mi mano,
sino que acompañaron
de tal modo mi existencia
que conmigo existieron
y fueron para mí tan existentes
que vivieron conmigo media vida
y morirán conmigo media muerte.
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

Das coisas

Richard Long, Small White Pebble Circles (1987, Tate Modern, Londres)
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As pedras 

As pedras falam? pois falam
mas não à nossa maneira,
que todas as coisas sabem
uma história que não calam.

Debaixo dos nossos pés
ou dentro da nossa mão
o que pensarão de nós?
O que de nós pensarão?

As pedras cantam nos lagos
choram no meio da rua
tremem de frio e de medo
quando a noite é fria e escura.

Riem nos muros ao sol,
no fundo do mar se esquecem.
Umas partem como aves
e nem mais tarde regressam.

Brilham quando a chuva cai.
Vestem-se de musgo verde
em casa velha ou em fonte
que saiba matar a sede.

Foi de duas pedras duras
que a faísca rebentou:
uma germinou em flor
e a outra nos céus voou.

As pedras falam? pois falam.
Só as entende quem quer,
que todas as coisas têm
um coisa para dizer.
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Maria Alberta Menéres, Conversas com versos 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Decidir (e esperar)

Su Blackwell, Hope (2009)
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“You can't make decisions based on fear and the possibility of what might happen.”
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(link)

terça-feira, 14 de julho de 2015

Indivíduo # Multidão: será assim?

Giuseppe Pellizza da Volpedo, Il quarto stato (The Fourth Estate, 1901)
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«"Winwood Reade is good upon the subject," said Holmes. "He remarks that, while the individual man is an insoluble puzzle, in the aggregate he becomes a mathematical certainty. You can, for example, never foretell what any one man will do, but you can say with precision what an average number will be up to. Individuals vary, but percentages remain constant."»
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Sir Arthur Conan Doyle, The Sign of Four
http://www.gutenberg.org/files/2097/2097-h/2097-h.htm

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Aniversários

Frank Haseler, Love in 1963
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Aniversários
(6)
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Um segundo é uma hora
e uma hora é um segundo
no relógio da paixão.

Não há tempo nesse tempo.
Quem ama nunca sabe
as horas que são.
E as horas também não sabem
onde os amantes estão.

No relógio da paixão
o tempo para, retrocede, avança.
Não está parado nem está
em movimento.
Está perdido, mas não está perdido.

Como tu, que amas, apenas dança.
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Álvaro Magalhães, O limpa-palavras e outros poemas, Asa, 2000, p. 35

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Heterotopias, jardins e tapetes

Tapete tipo "Combate de Animais", Pérsia (meados do séc. XVI, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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«(…) but perhaps the oldest example of these heterotopias that take the form of contradictory sites is the garden. We must not forget that in the Orient the garden, an astonishing creation that is now a thousand years old, had very deep and seemingly superimposed meanings. The traditional garden of the Persians was a sacred space that was supposed to bring together inside its rectangle four parts representing the four parts of the world, with a space still more sacred than the others that were like an umbilicus, the navel of the world at its center (the basin and water fountain were there); and all the vegetation of the garden was supposed to come together in this space, in this sort of microcosm. As for carpets, they were originally reproductions of gardens (the garden is a rug onto which the whole world comes to enact its symbolic perfection, and the rug is a sort of garden that can move across space). The garden is the smallest parcel of the world and then it is the totality of the world. The garden has been a sort of happy, universalizing heterotopia since the beginnings of antiquity (our modern zoological gardens spring from that source).»
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Michel Foucault, «Of Other Spaces: Utopias and Heterotopias», in Architecture /Mouvement/ Continuité, Outubro, 1984.
http://web.mit.edu/allanmc/www/foucault1.pdf

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Girassol

Georgia O'Keeffe, A Sunflower from Maggie (1937)
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O GIRASSOL

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.

O girassol é o carrossel das abelhas.

Pretas e vermelhas
Ali ficam elas
Brincando, fedelhas
Nas pétalas amarelas.

— Vamos brincar de carrossel, pessoal?

— “Roda, roda, carrossel
Roda, roda, rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor.”

— Marimbondo não pode ir que é bicho mau!
— Besouro é muito pesado!
— Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada!
— Dona Cigarra fica tocando seu realejo!

— “Roda, roda, carrossel
Gira, gira, girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol.”

E o girassol vai girando dia afora...

O girassol é o carrossel das abelhas.
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Vinicius de Morais

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Flores

Gerrit Dou, Old Woman Watering Flowers (1660-1665, Kunsthistorisches Museum, Vienna)
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Perfumes are the feelings of flowers.
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terça-feira, 7 de julho de 2015

Natureza

Georges Seurat, Le jardinier (1882, Kunsthaus Zürich, Züri)
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«N’est-ce pas là tout, en effet, et que désirer au-delà? Un petit jardin pour se promener, et l’immensité pour rêver. À ses pieds ce qu’on peut cultiver et cueillir; sur sa tête ce qu’on peut étudier et méditer; quelques fleurs sur la terre et toutes les étoiles dans le ciel.»
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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Pensamentos

Marcel Duchamp, Avoir l'apprenti dans le soleil (1914, Philadelphia Museum of Art, Philadelphia)
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"(…) How small we feel with our petty ambitions and strivings in the presence of the great elemental forces of nature! Are you well up in your Jean Paul?"
"Fairly so. I worked back to him through Carlyle."
"That was like following the brook to the parent lake. He makes one curious but profound remark. It is that the chief proof of man's real greatness lies in his perception of his own smallness. It argues, you see, a power of comparison and of appreciation which is in itself a proof of nobility. There is much food for thought in Richter. (…)»
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Sir Arthur Conan Doyle, The Sign of Four
http://www.gutenberg.org/files/2097/2097-h/2097-h.htm

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Palavras III


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O Limpa - Palavras

Limpo palavras.
Recolho-as à noite, por todo o lado:
a palavra bosque, a palavra casa, a palavra flor.
Trato delas durante o dia
enquanto sonho acordado.
A palavra solidão faz-me companhia.

Quase todas as palavras
precisam de ser limpas e acariciadas:
a palavra céu, a palavra nuvem, a palavra mar.
Algumas têm mesmo de ser lavadas,
é preciso raspar-lhes a sujidade dos dias
e do mau uso.
Muitas chegam doentes,
outras simplesmente gastas, estafadas,
dobradas pelo peso das coisas
que trazem às costas.

A palavra pedra pesa como uma pedra.
A palavra rosa espalha o perfume no ar.
A palavra árvore tem folhas, ramos altos.
Podes descansar à sombra dela.
A palavra gato espeta as unhas no tapete.
A palavra pássaro abre as asas para voar.
A palavra coração não pára de bater.
Ouve-se a palavra canção.
A palavra vento levanta os papeis no ar
e é preciso fechá-la na arrecadação.

No fim de tudo voltam os olhos para a luz
e vão para longe,
leves palavras voadoras
sem nada que as prenda à terra,
outra vez nascidas pela minha mão:
a palavra estrela, a palavra ilha, a palavra pão.

A palavra obrigado agradece-me.
As outras não.
A palavra adeus despede-se.
As outras já lá vão, belas palavras lisas
e lavadas como seixos do rio:
a palavra ciúme, a palavra raiva, a palavra frio.

Vão à procura de quem as queira dizer,
de mais palavras e de novos sentidos.
Basta estenderes a mão para apanhares
a palavra barco ou a palavra amor.

Limpo palavras.
A palavra búzio, a palavra lua, a palavra palavra.
Recolho-as à noite, trato delas durante o dia.
A palavra fogão cozinha o meu jantar.
A palavra brisa refresca-me.
A palavra solidão faz-me companhia.
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Álvaro Magalhães, O Limpa-Palavras e Outros Poemas

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Palavras II

(Link)
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"The question is," said Alice, "whether you can make words mean so many different things."
"The question is," said Humpty Dumpty, "which is to be master — that's all."
Alice was too much puzzled to say anything, so after a minute Humpty Dumpty began again. "They've a temper, some of them — particularly verbs, they're the proudest — adjectives you can do anything with, but not verbs — however, I can manage the whole lot of them! Impenetrability! That's what I say!"
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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Palavras I

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«Antes dos homens não havia palavras. Foram os homens que as inventaram. E não as inventaram todas ao mesmo tempo. É devagar que tem vindo a acontecer.»
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Graça Vilhena.