sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

E lugares da Imaginação

Anne Lambelet, Hogwarts (2015)
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Dou por mim, por vezes, a desejar poder entrar em livros (ou filmes) e poder viajar fisicamente para mundos que não existem na realidade. A desejar que existam de facto outras dimensões (ou outros mundos). Quando penso nisso penso sobretudo na Atlântida, em Avalon ou nos mundos criados por Tolkien (Aman e Terra Média), C. S. Lewis (Narnia), Lewis Carroll (País das Maravilhas), J. K. Rowling (Hogwarts, Hogsmeade, Diagonal Alley ou The Burrow), entre outros. Sei que há um conto de Borges que ainda não li (e quero ler) ligado a esta temática, que se passa em Uqbar. De Borges li o Aleph, que não é bem um lugar imaginário.

Sergey Tyukanov, The Moon (2005)

Talvez por isso desejava ler/ter um livro que vi à venda há uns tempos intitulado Dicionário de Lugares Imaginários. Descobri agora outro livro, do meu admirado Umberto Eco, intitulado The Book of Legendary Lands. Maria Popova trata desse livro num post: Legendary Lands: Umberto Eco on the Greatest Maps of Imaginary Places and Why They Appeal to Us
Nesse artigo começa por citar Umberto Eco com a seguinte frase:
“Often the object of a desire, when desire is transformed into hope, becomes more real than reality itself.”
Segundo Popova (porque não li o livro de Eco), o autor «sets out to illuminate the central mystery of why such utopias and dystopias appeal to us so powerfully and enduringly, what they reveal about our relationship with reality, and how they bespeak the quintessential human yearning to make sense of the world and find our place in it (...)».

Ali Xenos, Rivendell

Deste post de Popova depreendo que Eco faz ressaltar que esses lugares utópicos também não são perfeitos e é dentro da narrativa da imaginação que eles se tornam mais apelativos. Depreendo também que Eco inclui lugares utópicos mais vastos, como o El Dorado, mas também lugares pequenos como a casa de Sherlock Holmes. Depreendo ainda que gostava de ler este livro.
Por outro lado, fez-me pensar que não deixa de ser interessante que, por exmplo, na King's Cross Station, tenha sido criada uma Plataforma 9 3/4. Contudo, se creio que se pode (e deve) imaginar, sonhar e brincar - também se deve manter os pés no chão.
Lembrando que o próprio Dumbledore disse a Harry Potter, logo no primeiro ano em Hogwarts:
“It does not do to dwell on dreams and forget to live.”
Por isso, já que ainda não encontrei nem um buraquinho para outra dimensão, como no Aleph; já que não é possível embarcar num comboio para Hogwarts, ou viajar até Aman, Rivendell ou Narnia (através de um armário); posso pelo menos viajar de vez em quando nos livros, nos filmes, na arte em geral, nos museus, ou mesmo em lugares reais que parecem tirados de um conto de fadas (mesmo que seja só através da prosaica internet).

6 comentários:

APS disse...

Em tempo e ajuda, recomendo-lhe de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, "Dictionnaire des Lieux Imaginaires" (668 pgs. Babel, 1998), de que já falei no Arpose. É extenso e muito completo. Não sei se existe traducção em português...

Margarida Elias disse...

Tenho de ver! É uma tema de que gosto muito. Obrigada e bom dia!

Presépio no Canal disse...

Não conheço o livro. Deve ser muito interessante.
Bjinhos!

Margarida Elias disse...

Também me parece, Sandra. Beijinhos!

ana disse...

Margarida,
Também nunca li o livro de Umberto Eco que foca mas adoro utopias/ e/ou lugares de imaginação. Eco faz parte dos meus autores de eleição. Infelizmente, ultimamente não o tenho lido.
Li o Aleph há muitos anos. Devo ter o conto que indica pois tenho a colecção das obras de Borges mas não me lembro deste nome.
Partilho da sua paixão de entrar num livro ou num filme como uma fantasia muito querida.
Beijinho e obrigada por este registo.

Margarida Elias disse...

Ana - Partilho os seus gostos. Beijinhos!