quarta-feira, 30 de março de 2016

Fazer

-
Não desfazendo

Nada do que existe
nos cai do céu na cabeça.
Nem a chuva, embora pareça:
até ela estava cá em baixo a existir
antes de ser chuva e cair!

Mais ou menos perfeito ou imperfeito,
tudo o que existe foi feito
e, antes de ser feito, desfeito.

Com água, luz e vento
a Terra se foi fazendo;
o distante Sol está ardendo
há milhões de anos e morrendo.
O lavrador deitou à terra a semente,
o operário fez a enxada e a charrua,
o cantor canta no palco, o actor actua,
o inventor inventa o inexistente.
Foi feita a cama,
feito o pijama,
com fogo e esforço
se fez o almoço.
Quem faz agora este alvoroço
toda a tarde a brincar e a correr
enchendo de alegria a casa inteira?
Oh, que é feito do tempo da brincadeira 
em que não havia nada que fazer?
-

domingo, 27 de março de 2016

quarta-feira, 23 de março de 2016

Paisagem

View of a lake in a mountainous landscape (c. 1820-1880, Bibliothèque nationale de France, département Bibliothèque-musée de l'opéra, Paris)
-
«Roots are not in landscape or a country, or a people, they are inside you.»
-

terça-feira, 22 de março de 2016

Sempre em frente

-
“Around here, however, we don't look backwards for very long. We keep moving forward, opening up new doors and doing new things, because we're curious...and curiosity keeps leading us down new paths.”
-
Esta citação já tinha andado por aqui, menos completa, mas voltei a descobri-la no filme Meet the Robinsons, e achei que era um bom lema a recordar. Aparentemente, outros homens ilustres disseram algo semelhante, com o mesmo espírito:


“If you can't fly then run, if you can't run then walk, if you can't walk then crawl, but whatever you do you have to keep moving forward.

e

segunda-feira, 14 de março de 2016

Existir

Caldas da Rainha (Março, 2016)
-
«(…) in the case of the existent past and future are intrinsically related to the present. We never catch the existent in a knife-edge present (…) By memory the existent has brought his past with him into the present; and by anticipation and imagination he has already laid hold on his future and projects himself into it».
«We would not exist (…) if we lacked this peculiar kind of temporality whereby we transcend the now and unite, to some degree, the past, present and future».
-
John Macquarrie (1980),
Citado por Judy Attfield, Wild Things, The Material Culture of Everyday Life, Berg, 2000, p. 217.

sábado, 12 de março de 2016

A Cor segundo Goethe XIX - O Verde

Agnolo Bronzino, Portrait of a lady in green (Royal Collection, Windsor Castle, Londres)
-
«The eye experiences a distinctly grateful impression from this color.»
-

Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»
in https://www.brainpickings.org/2012/08/17/goethe-theory-of-colours/

sexta-feira, 11 de março de 2016

A Cor segundo Goethe VIII - O Vermelho

Berthe Morisot, The red blouse (1885)
-
«The effect of this color is as peculiar as its nature. It conveys an impression of gravity and dignity, and at the same time of grace and attractiveness. The first in its dark deep state, the latter in its light attenuated tint; and thus the dignity of age and the amiableness of youth may adorn itself with degrees of the same hue.»
-
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»

quinta-feira, 10 de março de 2016

A Cor segundo Goethe VII - Entre o Azul e o Vermelho

Paul Gauguin, Vahine no te vi (Woman with a Mango) (1892, The Baltimore Museum of Art, Baltimore)
-
«This unquiet feeling increases as the hue progresses (...). On this account, when it is used for dress, ribbons, or other ornaments, it is employed in a very attenuated and light state, and thus displays its character as above defined, in a peculiarly attractive manner.»
-
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»

quarta-feira, 9 de março de 2016

A Cor segundo Goethe VI - Entre o Vermelho e o Azul

Sousa Lopes, Estudo de mar - Caparica (1928, Museu de José Malhoa)
-
«Blue deepens very mildly into red, and thus acquires a somewhat active character, although it is on the passive side.»
-
Johann Wolfgang von Goethe, Theory of Colors (1810),
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»
in https://www.brainpickings.org/2012/08/17/goethe-theory-of-colours/

terça-feira, 8 de março de 2016

A Cor segundo Goethe V - O Azul

Georgia O'Keeffe, Blue Morning Glories (1935)
-
«(..) Its appearance, then, is a kind of contradiction between excitement and repose.
As the upper sky and distant mountains appear blue, so a blue surface seems to retire from us.
But as we readily follow an agreeable object that flies from us, so we love to contemplate blue — not because it advances to us, but because it draws us after it.»
-
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»

segunda-feira, 7 de março de 2016

A Cor segundo Goethe IV - Entre o Amarelo e o Vermelho

Julius Sergius von Klever, Walking on the Water 
-
«The active side is here in its highest energy (...).
It produces an extreme excitement, and still acts thus when somewhat darkened.»
-
Johann Wolfgang von Goethe, Theory of Colors (1810),
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»
in https://www.brainpickings.org/2012/08/17/goethe-theory-of-colours/

sexta-feira, 4 de março de 2016

A Cor segundo Goethe III - Entre o Vermelho e o Amarelo

Robert Mangold, + Within + (Red, Yellow, Orange) (1981, Kunstmuseum Winterthur, Winterthur)
-
«The color increases in energy, and appears in red-yellow more powerful and splendid.
All that we have said of yellow is applicable here, in a higher degree. The red-yellow gives an impression of warmth and gladness, since it represents the hue of the intenser glow of fire.»
-
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»
in https://www.brainpickings.org/2012/08/17/goethe-theory-of-colours/

quinta-feira, 3 de março de 2016

A Cor segundo Goethe II - O Amarelo

Laszlo Moholy-Nagy, Yellow Circle
-
«This is the color nearest the light. (...)
In its highest purity it always carries with it the nature of brightness, and has a serene, gay, softly exciting character.»
-
Citado por Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”»
in https://www.brainpickings.org/2012/08/17/goethe-theory-of-colours/

quarta-feira, 2 de março de 2016

A Cor segundo Goethe I - Luz e Escuridão

Nicholas Roerich, Light Conquers Darkness (1933)
-
«Light and darkness, brightness and obscurity, or if a more general expression is preferred, light and its absence, are necessary to the production of color… Color itself is a degree of darkness.»
-

in Maria Popova, «Goethe on the Psychology of Color and Emotion - “Color itself is a degree of darkness.”» in https://www.brainpickings.org/2012/08/17/goethe-theory-of-colours/

terça-feira, 1 de março de 2016

Primavera em marcha :-)

Iluminura com uma mandrágora, manuscrito Tacuinum Sanitatis (Séc. XV)
-
"... and in March several of the Mandrakes threw a loud and raucous party in greenhouse three. This made Professor Sprout very happy."
-
J. K. Rowling, Harry Potter and the Chamber of Secrets.
-
Claude Monet, An Orchard in Spring (1886)
-
Depois de um post da semana passada, por acaso, estive a rever a obra de Monet, e reconfirmei que é ainda um dos meus pintores preferidos.
-
-
E, depois de um mini-diálogo com a Ana, do blogue (In)Cultura, acerca do gosto, descobri esta pintura de Dali, de que gosto bastante, e se adequa ao título deste post.
Devo dizer que gosto do Surrealismo do ponto de vista intelectual - admiro Breton -, é a sua tradução visual que nem sempre me agrada. Talvez um dia mude de ideias...
Fica igualmente uma pintura de Max Ernst com um tema que também se adequa ao da marcha - e uma marcha para Oeste, o que me faz sempre lembrar o final de O Senhor dos Anéis:

Max Ernst, Barbarians Marching to the West (1937, Hamburger Kunsthalle, Hamburg)
-
Fica ainda uma marcha de Chagall, que não foi do grupo surrealista (se bem me recordo), mas cuja obra tem aproximações ao Surrealismo, particularmente por via do onírico. Julgo que é um pintor de que tanto eu como a Ana gostamos:

Marc Chagall, Marching (1915)
-
Por fim, fica outra marcha, esta para o lugar onde as luzes do céu tocam a terra (aurora boreal) - que é de um dos meus filmes preferidos da Disney - Brother Bear (2003). Esperando que a Primavera esteja em marcha para o nosso Hemisfério.