sexta-feira, 29 de julho de 2016

Hortelã & Menta


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Rigolet - Pulegium regale (Mentha Pulegium) - Grandes Heures d'Anne de Bretagne (1503-1508)
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Mentha piperita in Franz Eugen Köhler, Köhler's Medizinal-Pflanzen (1897)
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Mentha spicata in Franz Eugen Köhler, Köhler's Medizinal-Pflanzen (1897)
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Tenho em casa uma pequena horta com hortelã e poejo, que me permitiu descobrir as bonitas flores destas plantas, que antes desconhecia. Existem várias espécies de hortelã, muitas delas ao que parece com propriedades digestivas*. Eu gosto muito de hortelã, sobretudo em bebidas como o mojito, em chá de menta (estilo árabe), nos after-eight (e chocolates em geral) e nos gelados - como um da Olá que infelizmente estão a deixar de fabricar...
* Depois do comentário de LuisY fui pesquisar o poejo e acho melhor não o consumir muito, apesar de gostar do licor.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

A propósito de uma casa "feliz"

Hoje reparei nesta pintura em que surge uma casa na ilha de la Jatte

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A dita casa, fez-me lembrar outra, que eu considero ser uma casa feliz*, porque parece que esboça um sorriso:


Gustave Caillebotte, Pont D'Argenteuil (1885)
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Essa casa "feliz" fica em junto da ponte de Argenteuil, que, terminada em 1874, também foi representada por Monet:

Claude Monet, The Bridge at Argenteuil (1874)
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Claude Monet, The Bridge Over The Seine (1874)
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Julgo que a dita casa devia existir mais ou menos na margem do sena que se vê ao fundo, nesta imagem:

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* História da arte à parte, é evidente que eu sou sensível ao fenómeno psicológico que chama de pareidolia. Mais sobre o tema no Pinterest.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Palavras

Amadeo de Souza-Cardoso, Serrana (c. 1915)

No Voo de uma Palavra

Um dia juntei todas a palavras
que já aprendera e
busquei para elas novos sentidos, 
novas maneiras de soar e de voar
até ao coração dos homens. 
Censuraram-me por tê-lo feito 
e houve até quem dissesse: 
"As palavras são o que são 
e procurar para elas novos significados 
é pura perda de tempo e ofensa aos deuses.
" Eu não lhes dei ouvidos 
e continuei a escrever, aprendendo
o sabor de casar a palavra "água" 
com a palavra "vento" e a palavra 
"corpo" com a palavra "terra" 
e a palavra "homem" com a palavra sonho" 
e a palavra "natureza" com a palavra "vida" 

Foi assim, um pouco sem o querer, 
um pouco sem o esperar, que usei 
pela primeira vez a palavra "poesia", 
que viaja comigo, companheira eterna, 
para todos os lugares onde vou. 
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segunda-feira, 25 de julho de 2016

De uma leitura numa noite de insónia


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«- Abaixo as convenções! Não me importo. De qualquer modo, deves saber o que se diz...
- O que se diz...?
- As coerências estúpidas são o refúgio das mentalidades estreitas.
- Ah, é?
- Pelo menos, era o que Emerson pensava. Foi ele quem mo disse.»
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Stephen Lawhead,  O Ladrão dos Sonhos, Lisboa, Bertrand Editora, 2003, p. 92. 

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Leões amigáveis

Briton Rivière, Una and the Lion
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«The lion would not leave her desolate, but went with her as a strong guard and as a faithful companion. When she slept he kept watch, and when she waked he waited diligently, ready to help her in any way he could. He always knew from her looks what she wanted.»
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William Bell Scott, Una and the lion (1860, National Galleries Scotland)
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Septimus Edwin Scott, Una and the Lion
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John Bell, Una and the lion (1847, Victoria and Albert Museum, Londres)
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«The lion would not leave her desolate, 
But with her went along, as a strong guard 
Of her chaste person, and a faithful mate. 
Still, when she slept, he kept both watch and ward; 
And, when she waked, he waited diligent,
With humble service to her will prepared: 
From her fair eyes he took commandment 
And ever by her looks conceivèd her intent.»
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Edmund Spenser, «Una and the Lion»

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Do crescimento

Hebe Gonçalves, «Respeita os mais velhos» in Restos de Colecção
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"Os jovens de agora parece que têm dificuldade em crescer. Não sei porquê. Se calhar as pessoas só crescem ao ritmo a que são obrigadas."
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Cormac McCarthy

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Do Verão

Paul Klee, Segelschiffe (1927)
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Hei-de Trazer-te Aqui

Hei-de trazer-te aqui para te mostrar 
os pequenos barcos brancos 
que levam o Verão desenhado nas velas 
e trazem no bojo a alegria dos arquipélagos 
onde se ama sem azedume nem pressa. 
Aqui, temos a ilusão breve 
de que os dias sabem a pólen 
e esvoaçam nas asas das abelhas 
como cartas eternamente sem resposta. 
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terça-feira, 19 de julho de 2016

Respigadores

Jean-François Millet, Des glaneuses (1857, Musée d'Orsay, Paris)
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Acho que sempre gostei de ver o campo, especialmente na primavera e no verão. Nesta altura do ano começa a época das colheitas, e fazem-se fardos de feno, a que eu acho muita graça, porque adoptam formas geométricas (sobretudo cilindros e paralelepípedos), que contrastam com as formas da natureza e dos campos (agora) bastante desnudados. Mas julgo que estes fardos geométricos são recentes e antigamente seriam mais assim:

Ernesto Condeixa, Na eira (1882-1884, Museu José Malhoa)

Há uns anos atrás assisti a uma conferência onde o historiador e arquitecto Ricardo Agarez, não sei se citando alguém (não me lembro), comparava o trabalho dos actuais historiadores ao dos respigadores - pois tal como eles, andam a estudar sobretudo os temas que foram considerados pouco importantes pelos anteriores historiadores. 

Van Gogh, The harvest (1888, Van Gogh Museum, Amsterdão)

Daí que, quando olho para os campos no verão, vejo não só a beleza da paisagem. Penso também no trabalho de pessoas que fazem investigação em história da arte, escolhendo temas que há uns tempos seriam impensáveis.

Camille Pissarro, Récolte du foin à Eragny-sur-Epte (1889)
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É certo, contudo, que o feno e o trigo são coisas diferentes. Os tais montes geométricos são de feno (e penso que actuais e feitos por máquinas). Os respigadores são do trigo (talvez já nem existam) e possivelmente hoje os fardos de trigo também são geométricos - não sei.

Ian Jones, Bushy tales

Por outro lado, creio que o feno serve principalmente para a alimentação dos animais (mas não só); enquanto o trigo serve maioritariamente para a alimentação humana. Por fim, fica aqui um exemplo de outro uso do feno:


E outro uso do trigo:

segunda-feira, 18 de julho de 2016

No Mercado Medieval de Óbidos de 2016

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Este ano esqueci-me da máquina fotográfica e as fotografias do telemóvel não são muito boas, sobretudo as tiradas de noite. Fosse como fosse, gostei muito. Primeiro, porque gosto imenso de Óbidos.


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E gosto de lá ir nesta festa.
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A minha filha fez um penteado lindíssimo.
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E gostei muitíssimo dos espectáculos, entre os quais destaco os de dança, com a dança da carola, o do Saltimbanco da Charneca e o espectáculo de fogo dos Anymamundy.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Com votos de bom fim-de-semana

No facebook hoje apareceu-me esta aplicação, que aproveitei logo.
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Ontem tive uma discussão (?) motivada pelo facto de (como eu próprio o assumo, se for preciso) ser um bocado infantil - ou pelo menos fazer escolhas um bocado infantis. Gosto de livros infantis, desenhos animados, legos, ir ao Jardim Zoológico e ao Oceanário (o que é visto como infantil por muita gente), ...
Hoje de manhã, talvez por isso, acordei com esta canção na cabeça (de que gosto bastante):

«When Mama said that it was okay
Mama said that it was quite alright
Our kind of people had a bed for the night
And it was ok
Mama told us we are good kids
And daddy told us never listen to the ones
Pointing nasty fingers and making fun
´Cause we were good kids»


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Tina Modotti: Uma fotógrafa que não conhecia

Edward Henry Weston, Tina Modotti (1923)
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«Tina Modotti, born Assunta Adelaide Luigia Modotti Mondini, (August 16 (or 17) 1896 – January 5, 1942) was an Italian photographer, model, actress, and revolutionary political activist.» - in Female Artists in History.
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Tina Modotti, Calla Lily (1924-26, The Museum of Modern Art, New York City)
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Tina Modotti, Stairs, Mexico City  (1924-26, The Museum of Modern Art, New York City)
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Tina Modotti, Campesinos Reading el Machette (1929, The Museum of Modern Art, New York City)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Livros e pessoas

Helen Galloway McNicoll, À l'Ombre de l'Arbre (c. 1910, Musée National des Beaux-Arts du Québec)
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I think books are like people, in the sense that they'll turn up in your life when you most need them.
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terça-feira, 12 de julho de 2016

Do Campo Pequeno


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Esclarecimento inicial: não gosto de touradas. Contudo, sempre apreciei o edifício da Praça de Touros do Campo Pequeno, onde assisti, há uns 30 anos, ao concerto dos Waterboys, mas também do Chico Buarque, entre outros.


Posto isto, por razões que não vêm ao caso, tive de investigar a história deste edifício e achei-a muito interessante. Resumidamente:
Por ordem de D. João VI e depois de D. Maria II, as touradas de Lisboa, caso não fossem gratuitas, passaram a ser organizadas pela Casa Pia, que ficava com os lucros - deste modo, revertendo os lucros para fins de caridade. Por essa razão, quando foi demolida a Praça de touros do Campo de Santana (1888-1889), foi a Casa Pia que tratou de arranjar terreno e tratar da construção de uma nova praça.

«O Campo Pequeno e o arco do Cego», (séc. XVIII, Arquivo Municipal de Lisboa)

O terreno do Campo Pequeno, onde já se haviam realizado corridas de touros no século XVIII, foi oferecido pela Câmara à Casa Pia, e esta procurou obter os planos na Praça de Touros de Madrid, de 1874. Os planos chegaram a Lisboa e o desenho da praça do Campo Pequeno foi entregue ao arquitecto António José Dias da Silva (1848-1912). Entretanto, a Casa Pia, por falta de meios financeiros próprios e suficientes, cedeu a construção e exploração da Praça de Touros, por 90 anos (até 1982), à Empresa Tauromáquica Lisbonense. Estando o projecto de arquitectura pronto em 1889 e tendo sido contratada uma empresa de construção, inaugurou a nova praça de touros de Lisboa a 18 de Agosto de 1892.

O Ocidente, n.º 452, 1891 (in Hemeroteca Digital)

A praça foi desenhada em estilo neo-árabe, muito próxima estilisticamente da praça de Madrid, mas com pontos de originalidade que devem ser salientados: por um lado os quatro torreões que assinalam os quatro pontos cardeais - sendo o torreão da porta principal virado a poente. Por outro, as cúpulas bulbosas, que, de algum modo, recordam a arquitectura indo-sarracena. Por fim, no torreão principal, mais alto (30 metros), existe um miradouro que supostamente terá uma vista magnífica sobre Lisboa (gostava de lá ir).
Destaque ainda para o uso do ferro nas cúpulas e na estrutura; salientando-se igualmente o ritmo exterior contínuo formado pelo padrão de portas e janelas com arcos de ferradura, separadas por pilastras e pelos torreões. O aspecto feérico e revivalista é ainda acrescido pelos merlões escadeados no topo da muralha; e pelos interiores neo-árabes, com decorações em arabesco sobre os arcos e a tribuna real.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Permane(S)er



Margarida Elias, Barreiro (2016)
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«Não mudamos com a idade na estrutura do que somos. Apenas, como na música, somo-lo noutro tom.»
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