sexta-feira, 17 de novembro de 2017

E do paladar

Jill Barklem
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“Pour réaliser le beau, le peintre emploie la gamme des couleurs, le musicien celle des sons, le cuisinier celle des saveurs, et il est très remarquable qu'il existe sept couleurs, sept sons, sept saveurs.”
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Lucien Tendret, La Table au pays de Brillat-Savarin, p. 11. O livro está disponível online no site Gallica, da BNF.
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Para ilustrar este sentido, trago aqui algumas ilustrações "deliciosas" de Jill Barklem, infelizmente falecida no passado dia 15. As imagens vêm da página no Facebook de Terri Windling:

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Do olfacto

John Shaw, Caixinha de Cheiros (1812-1813, Palácio Nacional da Ajuda)
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“Smell is a potent wizard that transports you across thousands of miles and all the years you have lived. The odors of fruits waft me to my southern home, to my childhood frolics in the peach orchard. Other odors, instantaneous and fleeting, cause my heart to dilate joyously or contract with remembered grief. Even as I think of smells, my nose is full of scents that start awake sweet memories of summers gone and ripening fields far away.”
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Do sentido do tacto

Henry Moore, Hands II (1973, Tate Britain, London)
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"The mind's first step to self-awareness must be through the body."
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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Ouvir melhor

Berthe Morisot, Julie Listening (1888)
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«I like to listen. I have learned a great deal from listening carefully. Most people never listen.»
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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Para ver melhor

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“The world is full of magic things, patiently waiting for our senses to grow sharper.”
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Fernando Calhau, S/Título #504  (1989, CAM)
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Segundo o site do CAM, relativamente à primeira fotografia, de Fernando Calhau: «Na época em que trabalhou estas pinturas e fotografias estava a ler a Ode à Noite de Fernando Pessoa, onde a noite é extensão de mistério e misticismo.» Fica aqui um excerto:

Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio. Noite
Com as estrelas lantejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas.
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo.
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora.
Na distância subitamente impossível de percorrer.
(...)
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Álvaro de Campos.

domingo, 12 de novembro de 2017

Ainda do Pai Tirano e do vinho

Andava a dar voltas à memória para me lembrar qual era o anúncio que tinha aproveitado o trecho do Pai Tirano. Ontem, o meu marido lembrou-me: era da Aldeia Nova! Aqui vai:

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Moscatel (ou vinho branco)

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«- Olha cá, espera, homem. Então nem um cálice do meu bastardo, hem? olha que é do que tu gostas.
- Prefiro uma garrafa em minha casa.
- Lá franco no pedir és tu! Mas do que ninguém se gaba é de saber o gosto ao teus moscatel.
- Querias talvez que eu te mandasse um presente de vinho?! Era o que me faltava! presentes de vinho! – e a um frade!...»
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Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor, Lisboa, Edições Amigos do Livro, p. 102.
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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Tolkien: «Fall, Mortality, and the Machine»

Alan Lee, Luthien
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«Anyway all this stuff is mainly concerned with Fall, Mortality, and the Machine. With Fall inevitably, and that motive occurs in several modes. With Mortality, especially as it affects art and the creative (or as I should say, sub-creative) desire which seems to have no biological function, and to be apart from the satisfactions of plain ordinary biological life, with which, in our world, it is indeed usually at strife. This desire is at once wedded to a passionate love of the real primary world, and hence filled with the sense of mortality, and yet unsatisfied by it. It has various opportunities of 'Fall'. It may become possessive, clinging to the things made as 'its own', the sub-creator wishes to be the Lord and God of his private creation. He will rebel against the laws of the Creator – especially against mortality. Both of these (alone or together) will lead to the desire for Power, for making the will more quickly effective, – and so to the Machine (or Magic). By the last I intend all use of external plans or devices (apparatus) instead of development of the inherent inner powers or talents — or even the use of these talents with the corrupted motive of dominating: bulldozing the real world, or coercing other wills. The Machine is our more obvious modern form though more closely related to Magic than is usually recognised.»
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J. R. R. Tolkien, «Preface to The Silmarillion - A letter to Milton Waldman» - in Genius.com. Os "negritos" são meus.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Tarefas: Costura

O tema "dá pano para mangas", por isso fica apenas uma amostra:
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Nicolaes Maes, A Young Woman Sewing (1655)
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Manuel Garcia Y Hispaleto, Atelier de Costura (Museu de Évora)
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Camille Pissarro, Portrait of Madame Pissarro Sewing near a Window (c. 1878-1879, Ashmolean Museum, Oxford)
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Columbano Bordalo Pinheiro, Mulher do Campo Costurando (1886, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)
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Mary Cassatt, Young Mother Sewing (1900)
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Aurélia de Sousa, À Sombra (1900-1910, MNAC)
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August Macke, A Woman Sewing

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Tarefas: Estender a roupa

Henrique Pousão, Janela das persianas azuis (1882-1883, MNSR) - Esta pintura de Pusão já aqui passou há 7 anos num contexto diferente - "Luz e Cor".
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Charles Courtney Curran, Shadows (1887)
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Robert Spencer, Woman hanging out clothes (1917)
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António Paixão, Roupa a secar (década de 1950, MNAC)
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Noutro post, de 2012, está outra pintura com este tema: "Há muitas maneiras de aproveitar o sol".

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Amarelo Topázio

Albert Joseph Moore, Topaz (1879)
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Alphonse Mucha, Topaz (1900)
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Francisc Sirato, Lila in Yellow
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Amadeo Modigliani, Jeanne Hebuterne in a Yellow Jumper (1919, Ohara Museum of Art, Kurashiki)
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Den Salm (?), Azulejo (1558, Museu Nacional do Azulejo)
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Henri Matisse, Interior in Yellow (1946, Centre Georges Pompidou, Paris)
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Odilon Redon, Tree Against a Yellow Background (1901, Musée d'Orsay, Paris)
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Paul Klee, Characters in Yellow (1937)
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Peter Halley, Schirn Rotunda
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Pendente laça (1701-1750, Museu de Évora)
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Fotografia de Rob Lavinsky (Wikipédia)

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Da estética da ruína e dos lugares abandonados

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“It seems, in fact, that the more advanced a society is, the greater will be its interest in ruined things, for it will see in them a redemptively sobering reminder of the fragility of its own achievements. Ruins pose a direct challenge to our concern with power and rank, with bustle and fame. They puncture the inflated folly of our exhaustive and frenetic pursuit of wealth.”
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Tenho me lembrado de um blogue de que gosto muito: Ruin'Arte de Gastão de Brito e Silva.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Afinidades XIV

Tomás da Anunciação, Vista da Penha de França (1857, MNAC)
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Acho que já muitas vezes tinha olhado para estas duas pinturas, mas só recentemente descobri que eram semelhantes. Poderiam formar um par, não fosse o facto da pintura de Cristino da Silva ser maior.
A paisagem de Tomás da Anunciação representa a Lisboa rural de meados do século XIX, com o antigo convento dos eremitas de Santo Agostinho na colina da Penha de França. No primeiro plano vêem-se duas árvores de grande copa que enquadram cenograficamente a paisagem, onde se vislumbram, no plano intermédio, dois bois e uma camponesa (Cf. Matriznet). No quadro de Cristino da Silva surgem árvores idênticas, provocando o mesmo truque cenográfico, menos naturalista neste caso. A animação dos camponeses está mais próxima do primeiro plano, embora já a sair da sombra. A paisagem mostra uma vista de Campolide, vendo-se no centro o vale onde iria ser aberta a Avenida da Liberdade. Ao fundo estão as colinas do castelo de São Jorge e da Graça. Os camponeses cruzam-se com um homem montado a cavalo, de chapéu e capa vermelha, que a historiadora Maria de Aires Silveira sugeriu ser o pintor Francisco Metrass, também amigo de Cristino (cf. Matriznet).

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Exposições e escolhas

Manuel Cipriano Gomes Mafra, Macaco e tartaruga (1870-1905, CJMF - fotografia de Margarida Araújo)
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Faz um ano amanhã que inaugurou a exposição da minha curadoria: Animais na Cerâmica Caldenses. Colecção de João Maria Ferreira (Museu da Cerâmica, Caldas da Rainha) - o convite fora-me feito por João Bonifácio Serra.
Recentemente descobri esta frase de Paulo Varela Gomes, que achei muito interessante:
«(...) De facto, qualquer exposição não é senão uma selecção mais ou menos arbitrária de alguns objectos. Nas salas de uma exposição não estamos no terreno da realidade histórica, mas em plena teatralidade (ou representação). Ao pousarmos um catálogo, ao sairmos de uma exposição, raramente fazemos a contabilidade do que não estava lá porque as exposições se fazem para nos dar a entender que “lá fora” não há mais nada de importante para ver.» - Paulo Varela Gomes, Expressões do Neoclássico, in Dalila Rodrigues (Coord.), Arte Portuguesa, da Pré-História ao Século XX, Vol. XIV, Fubu Editores, 2009, p. 33.
Ao ler esta frase lembrei-me da dificuldade que tive para escolher as peças, porque havia muito mais na Colecção. E nessa selecção - de cerca de 130 peças entre mais de mil - muito me ajudaram o coleccionador, a sua colaboradora e fotógrafa Margarida Araújo, mas também outros especialistas, como Cristina Ramos Horta e Rita Gomes Ferrão. Foi como estar na caverna do Aladino sem saber o que havia de lá trazer.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Termos de Arte e Arquitectura - Acanto

Kenpei (fotografia), Acanthus mollis
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Giovanni Dall'Orto (fotografia), Livraria de Adriano (132 d.C., Atenas)
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«Elemento decorativo, inspirado nas folhas da planta homónima, típico dos capitéis coríntios (...), e dos capitéis compósitos (variação romana do capitel coríntio). Pode ornamentar pilares, pilastras, frisos e esculturas. Na época românica, o acanto assume uma forma muito estilizada, enquanto que no Renascimento e no Barroco volta a ter uma forma rica em detalhes.» - in Dicionário de Termos Artísticos e Arquitectónicos, Público, 2006, p. 12.
«Planta brava cuja folha espinhosa ou mole foi empregada pela primeira vez como motivo decorativo pelos Gregos. Específica dos capitéis coríntios, foi utilizada (...) até aos nossos dias, na arquitectura, no mobiliário, na ourivesaria e, de um modo geral, em todas as artes decorativas.» - in Tesouros Artísticos de Portugal, p. 645.
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Painel de azulejos padrão (1640-1660, Museu Nacional do Azulejo)
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Rafael Bordalo Pinheiro, Éolo (Mísula) (1897, Museu da Cerâmica, Caldas da Rainha)