sexta-feira, 7 de julho de 2017

Passeando pelo Palácio Nacional da Ajuda

Não irei agora entrar com detalhes sobre a história deste Palácio, sabendo-se que é um edifício iniciado em 1795, mas que nunca foi concluído (daí ter uma parte inacabada e arruinada), inicialmente devido às Invasões Francesas, em 1808. As obras ainda decorreram entre 1813 e 1820, mas só foi concretizado 1/4 do projecto inicial. É, segundo Paulo Varela Gomes*, uma «das maiores semi-ruínas do País», um «dos grandes projectos arquitectónicos das últimas décadas do século XVIII» que «assinalam a altura a que tinham chegado as esperanças dos anos de 1790... que foi a altura de onde Portugal de repente caiu.» (Gomes, 2009, 7 e 14) O projecto inicial do Palácio coube a Manuel Caetano de Sousa, sendo depois reformulado, em 1802, por Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva. (cf., na internet, por exemplo o artigo da Wikipédia).
* Paulo Varela Gomes, Expressões do Neoclássico, in Dalila Rodrigues (Coord.), Arte Portuguesa, da Pré-História ao Século XX, Vol. XIV, Fubu Editores, 2009.
-


-
Outro dia fui passear por lá, vendo-o apenas por fora, porque já não eram horas de visita (gostava de um dia o visitar por dentro). Fascinaram-me sobretudo as esculturas, que, posteriormente, em conversa com uma amiga, que é historiadora de arte (Cátia Mourão) descobri que eram inspiradas na Iconologia de Cesare Ripa.

Amor da Virtude
 
Anúncio Bom



 Inocência


Machado de Castro, Gratidão

Constância

Machado de Castro, Conselho
-
Não tendo agora oportunidade para desenvolver o assunto, já fiz alguma pesquisa sobre a alegoria do Conselho, que foi aquela que me intrigou mais. Pude constatar que as três cabeças que ele indica, com a mão esquerda, são um cão, um leão e um lobo, significando o passado, o presente e o futuro, tema que também aparece numa alegoria de Ripa e numa pintura de Ticiano, Alegoria da Prudência (1565-1570, National Gallery de Londres). 
Foram sete os autores das esculturas que representam alegorias das Virtudes (c. 1804- c. 1830). Entre esses escultores destacam-se Machado de Castro e João José de Aguiar. As esculturas estão assinadas, mas na altura não assentei os nomes (e tenho pouca literatura em casa sobre o assunto, para poder investigar facilmente). Como me interesso por iconografia, talvez um dia venha a aprofundar este tema.
-

5 comentários:

APS disse...

Não deixa de ser um monumento interessante, apesar de inacabado, e houve notícias de que iriam completar o projecto. Conheço-lhe, um pouco, a Biblioteca, que é muito rica, sobretudo, quanto ao séc. XVIII. Com muitos manuscritos, também.
Bom fim-de-semana!

Paula Lima disse...

Eu, que já o visitei por dentro, acabei de perceber que o tenho que olhar melhor por fora!
Um dia destes passamos por lá!
Bom fim semana

Margarida Elias disse...

APS - Eu acho que não o deveriam "acabar", quando muito completá-lo de um modo que deixasse ficar o que ficou do século XIX. Não gosto do projecto que vi para agora. Veremos como evolui. Boa tarde!

Paula Lima - Gostei muito deste meu passeio. Do interior só conheço (mal) a Biblioteca e parte dos serviços administrativos (quando lá fui há uns anos, nem me lembro porquê). Boa tarde!

LuisY disse...

Margarida

Confesso que me arrepiei quando vi o projecto para acabar o palácio. Espero que seja aquelas coisas que acabem na gaveta. Também sou de opinião que qualquer projecto deveria manter o ar de inacabado, que lhe dá um certo toque romântico.

Por dentro, o Palácio é muito bonito e é quase uma aula ao vivo do que foi a decoração de interiores no século XIX.

Bjos

Margarida Elias disse...

LuisY - Não gostei nada do projecto que vi e acho que deixar o inacabado é essencial, mesmo que o projecto fosse melhor. Devia, no mínimo, enquadrar-se com a arquitectura circundante, da Ajuda e do Jardim Botânico. Aquilo pareceu-me a Caixa Geral de Depósito da João XXI - de que eu não gosto nada. Tenho mesmo de visitar o Paláci por dentro. Só fui à Biblioteca e às Salas de Exposições. Bjos!