terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Do Tempo

Relógio (séc. XVII, Palácio Nacional da Ajuda)
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Conta e Tempo

Deus pede estrita conta de meu tempo. 
E eu vou do meu tempo, dar-lhe conta. 
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta 
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo? 

Para dar minha conta feita a tempo, 
O tempo me foi dado, e não fiz conta, 
Não quis, sobrando tempo, fazer conta, 
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo. 

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta, 
Não gasteis vosso tempo em passatempo. 
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta! 

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo, 
Quando o tempo chegar, de prestar conta 
Chorarão, como eu, o não ter tempo... 
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Frei António das Chagas, in 'Antologia Poética' - Citador

4 comentários:

APS disse...

Homem de tres vidas: António da Fonseca Soares, "Capitäo Bonina" e, finalmente, Frei António das Chagas, ao professar, arrependido da estúrdia anterior, no Convento de Varatojo, é um poeta, apesar de barroco, bem interessante. E foi agradável aqui recordá-lo, através dum dos seus melhores poemas - na minha perspectiva.
Votos cordiais de continuada e feliz quadra natalícia!

Paula Lima disse...

E como ele passa depressa, este tempo!
Bom dia!

MR disse...

O tempo foge. Gostei da poesia de Frei António das Chagas.
Bom dia!

Margarida Elias disse...

APS - Agora fiquei com curiosidade de conhecer melhor este poeta. Bom dia!

Paula Lima - Por vezes corre! Bom dia!

MR - É muito fugidio! :-) Bom dia!