segunda-feira, 20 de maio de 2019

Para o meu irmão que faz anos hoje

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«Um irmão é um amigo que a natureza nos deu».
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Provérbio chinês.
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Citação retirada do livro Dicionário de Citações e Provérbios, de Luis Señor González, publicado pelo Correio da Manhã, em 2004, p. 250.
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quinta-feira, 16 de maio de 2019

Andar

João Abel Manta, Pavimento da Praça dos Restauradores (Lisboa)
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«A história começa rente ao solo, com passos. Eles são o número, mas um número que não constitui uma série. Não se pode contá-los porque cada uma das suas unidades é qualificativa: um estilo de apreensão cinestésica. O seu ruído é uma enumeração de singularidades. Os passos, com o seu jogo, modelam os espaços. Eles urdem os lugares. Nesta perspectiva, as motricidades dos peões formam um desses "sistemas reais cuja existência constitui efectivamente a cidades", mas que "não contêm nenhum receptáculo físico". Não se localizam, são elas que se espacializam. Também não estão inscritas num espaço que as contenha, tal como os caracteres chineses que são feitos pelos artesãos, com um dedo, sobre a sua própria mão».
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Michel de Certeau, L'Invention du quotidien - Arts de Faire, p. 179, citado in José Fernandes Pereira, Óbidos, Editorial Presença, 1988, p. 78.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

No Dia da Família

Domingos Sequeira, Retrato da Família do 1.º Visconde de Santarém (1816, Museu Nacional de Arte Antiga)
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«A única herança da fortuna é a felicidade familiar».
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Hermann Vierordt.
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Citação retirada do livro Dicionário de Citações e Provérbios, de Luis Señor González, publicado pelo Correio da Manhã, em 2004, p. 251.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Saídas de Lisboa no Século XVIII

In Fernando Castelo-Branco, «Saídas de Lisboa no Século XVIII», 1970.
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Num artigo de Fernando Castelo-Branco, publicado na Revista Municipal Lisboa, em 1970, ele fala sobre as «Saídas de Lisboa no Século XVIII». O artigo trata de um manuscrito onde se enumeram dez estradas pelas quais se saía de Lisboa: «Declaraçam dos logares, em que se termina a distancia de legoa e meya em todas as estradas, que entram nesta Corte, unindo-as todas no largo da S.ta Igr.ª Patriarcal, de donde se principia a contar a d.ª legoa e meya p.ª cada hua das dez estradas, que sam. P.ª a de Belem, seg.ª a de N. S. da Ajuda, p.ª Carnachide, 3.ª de Bemfica, 4.ª N. S. da Luz, 5.ª a de Telheyras 6.ª a do Campo grande 7.ª a da Charneca, 8.ª a de Sacavem por Arroyos, 9.ª de Sacavem por Marvilla e Olivais, 10.ª outro ramo de Sacavem pela Quinta do Braço de prata». 
O manuscrito encontra-se no Códice 505 da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, numa «Miscelânia de 237 folhas, indo a descrição desde a fol. 125 r. até à 126 v.». Não sendo datado, o autor propõe que seja posterior a 1716, por se referir à Igreja Patriarcal «e, como se sabe, foi pela Bula (…) de 7 de Novembro de 1716 que foi criada a Patriarcal de Lisboa». Como data limite posterior, propõe que seja antes de 1786, pois fala na ponte da Junqueira, «que desapareceu quando se construiu o edifício da Cordoaria Nacional, em 1786». Poderá mesmo ser anterior a 1750, pois «refere um palácio que teria sido de Marco António de Azevedo Coutinho, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra de D. João V, falecido em 1750». Na minha opinião, visto que, pelo que sei, a Patriarcal foi destruída pelo Terramoto de 1755, creio que a data entre 1716 e 1750 é a correcta.

Planta de Lisboa de Duarte Fava (1807), site Lisboa Interactiva, tentativa de reconstituição do caminho desde o Rossio até ao Campo Pequeno.

Das várias estradas descritas, por razões profissionais, interessou-me sobretudo a que ia para o Campo Grande: «(...) continuando como nas antecedentes the o Rocio, se busca a Rua dos Canos, Portal da Mouraria, estrada dos Anjos, Chafariz de Arroyos, Porta do Cego, Campo pequeno, Campo Grande, Lumiar, calçada de Odivellas, thé o Painel das Almas, onde se termina a legoa e meya». 
Andei a tentar perceber como era essa estrada, com ajuda do site Lisboa Interactiva, e concluí que é possível fazer, pelo menos, parte do caminho - que eu só verifiquei até ao Campo Pequeno. Assumindo, como julgo ser verdade, que a descrição é anterior ao Terramoto, o Rossio teria uma localização ligeiramente diferente da actual, o que explicará as diferenças. A Porta da Mouraria surge como uma das saídas da muralha de Lisboa, no mapa de Tinoco, de 1650. Além disso, algumas ruas e referências desapareceram, como a Rua dos Canos (que ainda aparece nos mapas de Filipe Folque de 1856-1858), mas conseguem-se alternativas razoáveis: Rua D. Duarte, Rua da Mouraria, Rua do Benformoso, Rua dos Anjos, Rua de Arroios, Rua Visconde de Santarém, Rua Alves Redol e Rua do Arco do Cego. Um dia, vou tentar fazer este percurso.
Note-se, por fim, que segundo o livro Pelas Freguesias de Lisboa, na Avenida da República, junto a Entrecampos, foram encontrados vestígios romanos, e julga-se que por aqui passava a estrada de Lisboa para Loures. Talvez esta saída de Lisboa seja bem antiga.
E, por fim, a gravura de 1838, que está conservada no Museu da Cidade, mostra o Palácio Galveias, quintas muradas, uma fábrica de algodão (Fábrica Lençaria do Campo Pequeno) e a estrada do Arco do Cego. Acresce que nesta estrada existiu um arco, que D. João V mandou demolir, porque era muito estreito para passarem as carruagens. Conta-se que, em 1742, o rei ia a caminho das Caldas da Rainha e a sua traquitana não pôde passar, pelo que teve de ir por outro caminho (Consiglieri et al, 2000, 143-144).
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Bibl. - Fernando Castelo-Branco, «Saídas de Lisboa no Século XVIII», Revista Municipal Lisboa, Ano XXXI, Números 126/127 – 3º e 4.º Trimestres de 1970, pp. 15-22; Carlos Consiglieri, José Manuel Vargas e Marília Abel, Pelas Freguesias de Lisboa, São Domingos de Benfica, São Sebastião da Pedreira, Nossa Senhora de Fátima, Campolide, Câmara Municipal de Lisboa, 2000.

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Lisboa Desaparecida - Recolhimento de Nossa Senhora do Rosário das Dores

Luís Gonzaga Pereira, Igreja de Nossa Senhora do Rosário
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Onde é hoje o Hospital Curry Cabral, foi o Recolhimento de Nossa Senhora das Dores. Foi no século XVIII que a zona entre o Rego e o Campo Pequeno teve um desenvolvimento mais notório, sobretudo depois do Terramoto de 1755, que para aqui trouxe pessoas que procuravam uma morada mais segura. Aumentaram as quintas e surgiram dois conventos, o de Nossa Senhora da Conceição e o Recolhimento de Nossa Senhora dos Mártires, de religiosas terceiras de São Francisco, na actual Rua da Beneficência.

Mapa no site Lx Conventos, que mostra a localização da Igreja e do Recolhimento, bem como a extensão da cerca.
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Segundo o manuscrito de Luís Gonzaga Pereira, o Recolhimento foi o fundado cerca de 1768, por Margarida das Mercês de Maré, filha de pais estrangeiros. O recolhimento original fora criado numa casa no sítio do Grilo, por D. Isabel, Condessa de Ficalho, e Joaquina Engrácia.
A construção do edifício do Rego teve o apoio da rainha D. Maria I. Inicialmente tinha a devoção a Nossa Senhora do Rosário, mas, depois de terem sido aqui recebidas as recolhidas de Nossa Senhora das Dores, que antes estavam no Largo do Leão, o convento passou a designar-se de Recolhimento de Senhora das Dores e Santíssimo Rosário.
Situado fora das portas de Lisboa, para lá chegar saía-se pela porta de São Sebastião da Pedreira, e seguia-se em frente até a um largo onde estava a Igreja, edificada no estilo característico do final do século XVIII, semelhante a outras igrejas construídas no tempo de D. Maria. Tinha sobre o portal as armas da rainha e também os símbolos da Ordem Terceira de São Francisco.
Na altura da extinção das ordens religiosas, em 1834, já aqui existiam poucas recolhidas e havia falta de meios. Contudo, o convento terá permanecido até à morte da última freira, como era costume no caso dos conventos femininos. Em 1901, a administração do Hospital de São José tomou posse do antigo convento; mais tarde aqui foi instalado o Hospital do Rego (Curry Cabral), aberto em 1906.

Eduardo Portugal, Igreja do Convento de Nossa Senhora das Dores (Arquivo Municipal de Lisboa)
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A igreja, onde (em 1833) estava o túmulo da fundadora, serviu de depósito e, durante algum tempo, de casa mortuária. Desde 1935 foi cedida ao Patriarcado para depósito de imagens e acessórios que pertenceram à Igreja de São Julião. Em 1945, a zona foi atingida pelas inundações, como ficou registado em fotografias da época. Substituída «pela vizinha Igreja, nova, de N. Senhora de Fátima» (Norberto de Araújo), a igreja setecentista foi demolida em 1956.

Judah Benoliel, Inundações de 18 de Novembro de 1945 (Arquivo Municipal de Lisboa)
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Bibliografia:
Norberto de Araújo, Peregrinações em Lisboa, Vol. XIV, pp. 58-59 - citado in Lisboa de Antigamente.
Carlos Consiglieri, José Manuel Vargas e Marília Abel, Pelas Freguesias de Lisboa, São Domingos de Benfica, São Sebastião da Pedreira, Nossa Senhora de Fátima, Campolide, Câmara Municipal de Lisboa, 2000.
Luís Gonzaga Pereira, Descripção dos monumentos sacros de lisboa, ou collecção de todos os conventos, mosteiros, e parrochiaes no recinto da cidade de lisboa. em MDCCCXXXIII, 1840 - online no site da Biblioteca Nacional.
Lx Conventos, FCSH-CML.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Da Fotografia em Portugal – San Payo

«O San Payo é o maior artista da fotografia em Portugal e grande em qualquer parte do Mundo. Quando trabalha, todo ele é movimento: ginasta, acrobata, saltador de obstáculos, enquanto os seus olhos de psicólogo surpreendem ds mais pequenos cambiantes nos nossos olhos e mais subtis expressões do nosso rosto. Tudo coroado por uma cabeleira boémia que parece agitada por um ciclone das Antilhas». 
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Casal (1910, Arquivo de Documentação Fotográfica / DPIMI/DGPC)
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Retrato do pintor Alfredo Roque Gameiro (1920, Arquivo de Documentação Fotográfica / DPIMI/DGPC)
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Retrato do pintor Tomás de Melo (Tom) (1920, Arquivo de Documentação Fotográfica / DPIMI/DGPC)
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Menino Gellweiler  (1930, Arquivo de Documentação Fotográfica / DPIMI/DGPC)
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Bailarina (1930, Arquivo de Documentação Fotográfica / DPIMI/DGPC)
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quinta-feira, 9 de maio de 2019

No Dia da Europa

Arcângelo Foschini, Atlas e Europa (Sala de D. João VI, Palácio Nacional da Ajuda)
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«What is the use of working toward a lawful civic constitution among individuals, i.e., toward the creation of a commonwealth? The same unsociability which drives man to this causes any single commonwealth to stand in unrestricted freedom in relation to others; consequently, each of them must expect from another precisely the evil which oppressed the individuals and forced them to enter into a lawful civic state. The friction among men, the inevitable antagonism, which is a mark of even the largest societies and political bodies, is used by Nature as a means to establish a condition of quiet and security. Through war, through the taxing and never-ending accumulation of armament, through the want which any state, even in peacetime, must suffer internally, Nature forces them to make at first inadequate and tentative attempts; finally, after devastations, revolutions, and even complete exhaustion, she brings them to that which reason could have told them at the beginning and with far less sad experience, to wit, to step from the lawless condition of savages into a league of nations (...)».
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Acerca deste assunto, gostava de ler este artigo de Simon Glendinning.

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Termos de Arte e de Arquitectura - Anicónico

Patio del palacio de los Leones (1362-1391, La Alhambra, Granada)
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«Termo que indica a representação da divindade, não através de imagens, que em alguns períodos foram proibidas, mas antes através de sinais ou símbolos. Diz-se também de elementos decorativos abstractos, que não possuem referente conhecido, ou de elementos artísticos que não visam representar qualquer assunto».
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In Dicionário de Termos Artísticos e Arquitectónicos, Público, 2006, págs. 25-28.
Sobre este tema, ver também o Glosario ilustrado de arte arquitectónico, que remete para um artigo «Islámico. El “inimaginado” arte islámico», que me parece ser interessante. Também me pareceu relevante o artigo da Wikipedia espanhola relacionado com este assunto.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Viagens e Livros - e agradecimentos também

Edwin Lord Weeks, Traveling in Persia (c. 1895)
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«"You've been to Persia, then?"
"Yes, a hundred times. Along with St. Petersburg, Paris, Middle-Earth, distant planets and Shangri-la. And I never had to leave this room. Books are adventure. They contain murder and mayhem and passion. They love anyone who opens them"».
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Inkheart (2008)
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Quem viajou recentemente ao Irão foi a MR que me trouxe este belo quadro. A ela agradeço muito também os marcadores que me vão servir nas próximas viagens que irei fazer, dentro dos livros.



E aproveito a onda para agradecer a prenda da Sandra, vinda da Holanda, mais complicada de fotografar; os chocolates do meu marido e do meu irmão; e outro marcador feito pela minha filha - tudo do dia da Mãe.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Lobos

Norbertine von Bresslern-Roth, Wolves (c. 1920)
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«I’m not a lady. Arya wanted to tell her. I’m a wolf». 
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George R. R. Martin, A Song of Ice and Fire, A Storm of Swords, Steel and Snow, London, HarperVoyager, 2011, p. 305.

domingo, 5 de maio de 2019

Para o Dia da Mãe

Santas Mães (1475-1501, Museu Nacional de Machado de Castro, Coimbra)
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Domingos António de Sequeira, Retrato da Mulher e da Filha (1813-1814, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)
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Miguel Ângelo Lupi, A Mãe (c. 1870-1880, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, Lisboa)
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Manuel Alves de San Payo, Mulher e Criança (1920, Arquivo de Documentação Fotográfica)

sexta-feira, 3 de maio de 2019

No Dia do Sol

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Camille Pissarro, Sunrise on the Sea (c. 1883)
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Vincent Van Gogh, Le Soleil
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Max Ernst, Landscape with Sun (1909)
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Edvard Munch, Sun (1911-1916, University of Oslo, Oslo)
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Jean Arp, Sun
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Salvador Dali, The Sun of Dali (1965)
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Roy Lichtenstein, Sunrise (1965)
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Luis Camnitzer, Infinite Rays of the Sun (1978)
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Para mais iconografia sobre este tema, neste blogue, ver "O Sol" e "Porque hoje foi o Dia Internacional do Sol".

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Ave de Maio: Rouxinol

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Motivo de rosa e rouxinol na capa de de um Divan de Hafiz (1842)
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P. J. Lynch, ilustração do conto «O Rouxinol e a Rosa» de Oscar Wilde (As Melhores Histórias de Oscar Wilde, Ambar, 1990).
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Paul Klee, Persian Nightingales (1917, National Gallery of Art, Washington)
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Joan Miró, The Nightingale's Song at Midnight and the Morning Rain (1940, Perls Galleries, New York)
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Hans Hofmann, Song of the Nightingale (1964)
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quarta-feira, 1 de maio de 2019