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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Praia

Irene Vaz Serra de Moura.
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Praia
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Na luz oscilam os múltiplos navios 
Caminho ao longo dos oceanos frios 

As ondas desenrolam os seus braços 
E brancas tombam de bruços 

A praia é lis e longa sob o vento 
Saturada de espaços e maresia 

E para trás fica o murmúrio 
Das ondas enroladas como búzios. 
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quinta-feira, 26 de julho de 2012

«Os meus avós»

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Há dias de sol em que estou contente,
Vou com a minha avó comer gelado.
Ela dá-me a mão e ri-se para mim,
E diz: «Estás tão giro! Quero ir ao teu lado!»
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Há dias de Inverno em que estou mais triste,
Vou jogar às cartas com o meu avô.
Ele diz: «Tu tens jeito!», e ensina-me truques...
Quando vou embora, já nem triste estou.
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Às vezes, nas férias, eu vou lá para casa,
Ando de baloiço e subo à nespereira,
Passo horas no sótão, fico todo sujo...
A minha avó ri-se e diz: «Já p'rá banheira!»
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Nos dias de festa, encontro os meus primos,
E o meu avô vem connosco bricar.
Ele diz com voz grossa: «Eu sou um pirata!»
E nós, logo, em coro: «O maior do alto mar!»
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Os meus avós contam histórias antigas,
Conversam comigo, dão-me rebuçados.
Se estou triste, ajudam, se estou bem, sorriem.
Conto os meus segredos, ficam bem guardados.
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Os meus avós gostam de mim como eu sou,
Desde que eu nasci... No primeiro instante!
Podem estar mais longe, podem estar mais perto...
Eu sei que, p'ra eles, sou muito importante!
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Inês Pupo e Gonçalo Pratas, Canta o Galo Gordo, Lisboa, Caminho, 2006.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O tempo

Pintura de Irene Vaz Serra de Moura.
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... o tempo e a linguagem da literatura (e da arte em geral) subtraem-nos à vertigem e à voragem do dia a dia, instaurando um diálogo intermitente feito de temporalidades específicas que rasgam a teia do tempo exterior e nos libertam da sua ordem, devolvendo-nos a um tempo puro, i.é, liberto de temporalidade.

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Eduardo Lourenço (1998).
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A pintura de Irene Vaz Serra de Moura é uma cópia do quadro Josephus Laurentius Dyckmans, The Blind Beggar (1853, originally uploaded by Gandalf's Gallery).