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quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Modos de questionar

Gervasio Troche, Fabricando dúvidas
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“I beg you, to have patience with everything unresolved in your heart and to try to love the questions themselves as if they were locked rooms or books written in a very foreign language. Don’t search for the answers, which could not be given to you now, because you would not be able to live them. And the point is to live everything. Live the questions now. Perhaps then, someday far in the future, you will gradually, without even noticing it, live your way into the answer.”
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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Make a wish...

Arshile Gorky, Garden of Wish Fulfilment (1944, Coleção Centro de Arte Moderna Gulbenkian)
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“Wishes are memories coming from our future!”
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terça-feira, 27 de agosto de 2013

Obras de Santa Engrácia










Fotografias do Panteão Nacional, em Lisboa (2013)

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Vamos-te construindo com mãos a tremer
e pomos, em torre, átomo sobre átomo
Mas quem pode concluir-te, 
Catedral?

O que é Roma?
Desmorona-se.
O que é o mundo?
Despedaça-se
antes de as tuas torres terem cúpulas,
antes que de milhas de mosaico
surja a tua fronte resplandecente.
Mas muitas vezes em sonho
posso abarcar 
o teu espaço,
fundo, desde início
até à aresta dourada do telhado.
E vejo então: os meus sentidos
formam e constroem 
os últimos ornatos.
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Reiner Maria Rilke.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

As Obras de Arte


Karin Jurick, It's subjective.
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«E mais inexprimível do que tudo, são as obras de arte, seres secretos cuja vida não acaba e acompanha a nossa que passa».
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Rilke,
Citação de SALGADO, Mary Espírito Santo Silva, «Ricardo Espírito Santo Silva, O Coleccionador», in SILVA, Maria João Espírito Santo Bustorff (coord.), Ricardo Espírito Santo Silva, Coleccionador e Mecenas, Lisboa, FRESS, 2003, p. 21.

sábado, 25 de agosto de 2012

Sobre a pintura

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Um texto de James Elkins, inicia com o seguinte diálogo:

«Giancarlo Politi: How do you recognize a good painting? 
Francesco Clemente: Henry Geldzahler showed me two ways that I believe and trust in. One is by remembering — if you remember, and continue to remember, the image. The other involves looking at a painting more than once and finding something new in it each time.… Maybe there’s a third technique, the one I believe in the most, perhaps, though it’s the most arbitrary, and that’s to ask yourself if you could live inside the painting».

Acho este diálogo interessante, não só porque concordo com as primeiras premissas, mas também porque me intriga a última: a possibilidade de viver dentro de um quadro. Há obras de arte que eu sei que são excelentes, mas eu não quereria fazer parte delas. Contudo, por exemplo, até "entrava" numa das vistas de Veneza pintadas por Canaletto.
Por outro lado, este diálogo faz-me lembrar um outro texto, citado por Daniel Arasse (Le Détail, Paris, Flammarion, 1996, p. 242), que introduz uma perspectiva idêntica. É de Rilke e versa sobre A Virgem de Lucas de Van Eyck:

Jan Van Eyck, A Vigem de Lucas (c. 1436, Städelsches Kunstinstitut, Frankfurt).

«Et tout à coup je désirai, je désirai, oh! désirai d'être non pas l'une des petites pommes du tableau, non pas l'une de ces pommes peintes sur la tablette peinte de la fenêtre - même cela me semblait trop de destin... Non: devenir la douce, l'infime, l'imperceptible ombre de l'une de ces pommes -, tel fut le désir en lequel tout mon être se rassembla».

domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre a leitura

Károly Ferenczy, Red Wall (1910).
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O Homem que Lê
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Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde... em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.
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Rainer Maria Rilke.

segunda-feira, 19 de abril de 2010