Morgan Weistling, Apple Girl.
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No início do livro Do Espiritual na Arte, Kandinsky dizia: «Toda a obra de arte é filha do seu tempo (...). / Cada época de uma civilização cria uma arte que lhe é própria (...). / (...) A semelhança das tendências morais e espirituais de uma época (...) pode conduzir logicamente ao emprego de formas que no passado serviram eficazmente as mesmas tendências».
Pensando neste texto de Kandinsky, e olhando para esta pintura de Morgan Weistling (n. 1964), fico com a sensação que este pintor está fora do seu tempo. As pinturas que ele realiza estariam dentro do academismo naturalista há cem anos atrás, comparando-se a Bastien-Lepage (1848-1884) ou Roll (1846-1919). O que é que faz com que um pintor actual trabalhe sobre temas do século XIX, dentro de um registo também do século XIX?
Ele começou a carreira como ilustrador e esse facto pode explicar o realismo e a narratividade das suas pinturas. As suas obras têm algum paralelo com Norman Rockwell (1894-1978), apesar de me parecerem inferiores, porque as de Rocwell eram mais gráficas, as suas imagens da sociedade americana figuravam a realidade do seu tempo, representada com uma certa ironia.
Na verdade, eu acho bonitos alguns trabalhos de Weistling, como aqueles que aqui reproduzo. Mas não posso deixar de sentir que há algo de estranho perante a identificação de um artista (e do seu público), em pleno século XXI, por uma linguagem que há cem anos atrás já seria considerada académica. Como escreveu Robert Irwin, a arte é uma «continuous examination of our perceptual awareness and a continuous expansion of our awareness of the world around us» (citado por Cynthia Freeland, 2001).
Espero fazer-me entender. Acho que estas pinturas são belas em si mesmas, mas, simultaneamente, parece-me que propõem, através de uma linguagem realista, uma rejeição da realidade, uma viagem ao passado.
Pensando neste texto de Kandinsky, e olhando para esta pintura de Morgan Weistling (n. 1964), fico com a sensação que este pintor está fora do seu tempo. As pinturas que ele realiza estariam dentro do academismo naturalista há cem anos atrás, comparando-se a Bastien-Lepage (1848-1884) ou Roll (1846-1919). O que é que faz com que um pintor actual trabalhe sobre temas do século XIX, dentro de um registo também do século XIX?
Ele começou a carreira como ilustrador e esse facto pode explicar o realismo e a narratividade das suas pinturas. As suas obras têm algum paralelo com Norman Rockwell (1894-1978), apesar de me parecerem inferiores, porque as de Rocwell eram mais gráficas, as suas imagens da sociedade americana figuravam a realidade do seu tempo, representada com uma certa ironia.
Na verdade, eu acho bonitos alguns trabalhos de Weistling, como aqueles que aqui reproduzo. Mas não posso deixar de sentir que há algo de estranho perante a identificação de um artista (e do seu público), em pleno século XXI, por uma linguagem que há cem anos atrás já seria considerada académica. Como escreveu Robert Irwin, a arte é uma «continuous examination of our perceptual awareness and a continuous expansion of our awareness of the world around us» (citado por Cynthia Freeland, 2001).
Espero fazer-me entender. Acho que estas pinturas são belas em si mesmas, mas, simultaneamente, parece-me que propõem, através de uma linguagem realista, uma rejeição da realidade, uma viagem ao passado.

