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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Amanhã

Aula feminina no atelier da R .D. Pedro V, Ilustração Portuguesa, 20 de Maio, 1912.
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Irei fazer uma conferência sobre o Atelier-Escola da Rua D. Pedro V, criado por Roque Gameiro, em Novembro de 1911. Será às 15:00, na Casa Roque Gameiro, na Amadora.
Para saber mais: http://bit.ly/2yug2vM

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Agriões

Caillebotte, Nasturiums (1892)
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«Imagine-se uma boca de mina, aberta na base de pequeno outeiro, que, todo abandonado de pinheirais, se prolongava à distância, na direcção do norte da aldeia; uma telha, meio quebrada, servindo de bica; e, a receber o abundante e inesgotavel jorro de água límpida, a bacia natural, por ele mesmo cavada, e onde à vontade vegetavam os agriões, ávidos de humidade.
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Júlio Dinis, As Pupilas do Senhor Reitor, Lisboa, Edições Amigos do Livro, pp. 196-197.
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Alfredo Roque Gameiro, As Pupilas do Senhor Reitor
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Há cerca de oito anos, a propósito da pintura Nasturiums de Caillebotte, andei à procura de uma citação decente que falasse em agriões e nada encontrei. Recentemente li As Pupilas do Senhor Reitor e lá estavam os agriões na fonte natural, que diziam ser de água milagrosa, num dos momentos cruciais da história. Devido a isso, decidi recuperar a pintura de Caillebotte, desta vez acompanhada de Júlio Dinis e de Roque Gameiro.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Roque Gameiro em Cascais

Alfredo Roque Gameiro, Praia Grande
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Intitulada "Roque Gameiro. Uma Família de Artistas", a exposição, com curadoria de Luis Cabral coadjuvado por Raquel Henriques da Silva encontra-se no Centro Cultural de Cascais, até 22 de Março.
«A presente exposição centra-se nas duas primeiras gerações da chamada "tribo dos pincéis": Alfredo Roque Gameiro; filhos Raquel, Manuel, Helena, Màmia e Ruy; e genros José Leitão de Barros e Jaime Martins Barata.»
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Raquel Roque Gameiro, Auto-retrato familiar com as filhas Ana, Manuel e Guida na Foz do Arelho (1916)
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Manuel Roque Gameiro, Paisagem
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 Helena Roque Gameiro, Menina a ler à janela
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Màmia Roque Gameiro, Nazaré (1926)
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Jaime Martins Barata, José Pedro
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Ruy Roque Gameiro, Infante D. Henrique
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José Leitão de Barros (realizador), Ala Arriba (filme de 1942)
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P.S. Aos gulosos que lá forem, recomendo uma visita à cafetaria, Conversas na Gandarinha, que tem coisas maravilhosas. Até as torradas são um especialidade.
 

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A Natureza na literatura de oitocentos

Childe Hassam, April, Quai Voltaire, Paris (1897)
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Cosneau assinalou que a «nova atitude dos artistas de Barbizon face à natureza» encontrou «eco na literatura da época», citando, entre outros Flaubert e a Educação Sentimental (1869) (Henriques, Castro, 1993, 41).
Em Portugal destacamos, por exemplo, os textos de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, ambos ligados à introdução do realismo e do naturalismo na cultura nacional. Ramalho Ortigão foi um fervoroso adepto do Naturalismo, afirmando, em 1875, que a paisagem era «o género mais especialmente moderno» (Ortigão 1944, 273); e cerca de 1884, asseverou: «o artista só tem um meio de ser superior - é ser fiel à natureza e ser fiel à sua própria comoção, ser exacto e ser sincero» (Ortigão 1943, 275).

João Marques de Oliveira, Recordações de viagens. Rua (1877-1878, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)

Contudo, é nos textos de Eça de Queirós (1845-1900) que encontramos as observações mais pertinentes sobre as ligações entre a pintura de paisagem e o apreço pela natureza. O pintor (personagem) de A Tragédia da Rua das Flores (1877-1878) afiançava: «O homem moderno vive longe da natureza, pela necessidade de profissão: uma arte que lhe reduz a natureza, que lha torna portátil, que lha introduz na sala de jantar, na alcova, interpretada, escolhida, - faz ao homem o maior serviço – pô-lo em comunicação permanente com a natureza. E a natureza é tudo: calma, consola, eleva, repousa e vivifica». Noutro momento do mesmo romance, é dito ainda: «A arte portanto deve ser pitoresca: representar paisagens doces, suaves, onde se console o homem que é obrigado a viver constantemente na Baixa (...)» (Queirós 1980).

Silva Porto, Cancela, Serreleis (Minho) (1891, Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)

Estas palavras de Eça foram, de certo modo, desenvolvidas no texto A Cidade e as Serras, publicado em 1901, mas cuja génese está no conto Civilização de 1892. Nessa obra, o escritor elogia a vida do campo, mais próxima da natureza, criticando, de forma algo satírica, a vida da sociedade civilizada. 
Este posicionamento liga-se por sua vez a Alberto de Oliveira (1873-1940), defensor da corrente do Neogarretismo e autor de Palavras Loucas (1894), que defendia o regresso à terra e à vida familiar das aldeias, o regresso às tradições, em oposição às cidades e às máquinas (cf. Saldanha, 2006, 758). Esta «apologia do mundo rural», tinha, por sua vez, raízes em textos literários anteriores, por exemplo de Herculano (1810-1877) – que se auto-exilou em Vale de Lobos desde 1867 - ou de Júlio Dinis (1839-1871) – autor de As Pupilas do Senhor Reitor (1866), romance que iria marcar uma idealização da vida rural com forte influência na cultura portuguesa da época. Roque Gameiro faria excelentes ilustrações para esta obra literária.

Roque Gameiro, Este cavalheiro era João Semana (Museu de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian)

Como advertiu Linda Nochlin (1991, 129), a cidade e o campo têm operado como arquétipos de uma dicotomia que remonta, pelo menos, à Antiguidade Clássica. A Revolução Industrial intensificou o conflito entre os valores encarnados pela cidade e pelo campo e a cidade tornou-se o exemplo da destruição de costumes tradicionais. A cidade e o mundo industrializado tornaram-se o paradigma do moderno, da velocidade, da transformação. O campo e a natureza apareciam cada vez mais como os arquétipos e uma temporalidade mais longa. Nesta dicotomia, a modernidade, ligada à ciência, era não só uma vantagem, uma esperança e ambição tendo em vista o desenvolvimento e o progresso. Tinha também o seu lado negro, os seus flagelos sociais e ambientais.
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Bibliografia:
Henriques, Ana de Castro, Castro, Catarina Maia e (coord.). 1993. Silva Porto 1850-1893: exposição comemorativa do centenário da sua morte. Lisboa: I.P.M..
Nochlin, Linda. 1991. El Realismo. Madrid: Alianza Editorial.
Ortigão, Ramalho. 1943. As Farpas. vol. VI. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 
Ortigão, Ramalho. 1944. As Farpas. vol. IX. Lisboa: Livraria Clássica Editora.
Queirós, Eça de. 1980. A Tragédia da Rua das Flores. Lisboa: Morais Editores.
Saldanha, Nuno. 2006. José Vital Branco Malhoa (1855-1933). O pintor, o mestre e a obra. Tese de Doutoramento, Universidade Católica Portuguesa.

terça-feira, 12 de abril de 2016

De Tomás da Anunciação a Silva Porto

Tomás José da Anunciação, Vista da Amora, paisagem com figuras (1852, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Para a história da pintura de paisagem em Portugal, iremos destacar o trabalho de Tomás da Anunciação (1818-1879), pintor cuja obra ainda está cronológica e culturalmente ligada ao período Romântico, mas que foi o impulsionador da pintura de paisagem no nosso. Raquel Henriques da Silva colocou-o num «pré-naturalismo programático, partilhando a ideologia do naturalismo mas sem dispor de uma cabal formação para a concretizar.» (Silva 2010, LIV).
Nascido e criado na Ajuda, desenvolveu o seu interesse pela arte através da representação das formas da natureza. Quando era ainda jovem, recebia de Manuel António da Silva, um empregado do Jardim Botânico da Ajuda, «estampas de flores e de arbustos para copiar» (Macedo 1951, 8) e mais tarde, foi praticante-desenhador no Museu de História Natural, também na Ajuda. Os seus dotes seriam depois dilatados com o curso da Academia de Belas Artes de Lisboa, onde ingressou em 1837. Em 1844, participou de uma sublevação de alunos contra o ensino académico e, em 1852, ocupou o lugar de professor de Paisagem, Animais e Produtos Naturais, na Academia. Com ele foram introduzidas novas práticas, pois aconselhava os alunos a «correrem ao campo» para desenharem do natural (Macedo 1951, 17).

António Carvalho de Silva Porto, Rua de Barbizon (1874-1879. Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves)

A valorização da natureza e, consequentemente, da paisagem, foi aprofundada com a obra pictórica de António Carvalho da Silva Porto (1850-1893), que é «unanimemente considerado o fundador da escola naturalista em Portugal» (Silva 2010). Este pintor usufruiu de uma bolsa de estudo para Paris e Roma, oferecida pelo Estado português desde 1870, e que era obtida após concurso.
Os dois primeiros bolseiros de pintura, escolhidos em 1873, foram Silva Porto (na categoria de Paisagem) e Marques de Oliveira (1853-1927) (na categoria de pintura de História), ambos formados pela Academia de Belas-Artes do Porto. As bolsas implicavam a frequência da Escola Nacional de Belas-Artes de Paris, mas deixavam tempo livre, que Silva Porto aproveitou para visitar a floresta de Fontainebleau e Auvers-sur-Oise, onde conheceu Charles Daubigny e o seu filho Karl (1846-1886). Marques de Oliveira também se juntou por vezes a Silva Porto, nomeadamente em Auvers – pequena vila junto do rio Oise, onde se reuniam os Impressionistas e, antes deles, Daubigny e Corot.

João Marques de Oliveira, Silva Porto pintando (Casa-Museu Fernando de Castro)

Ao regressar a Portugal, em 1879, Silva Porto e Marques de Oliveira trouxeram as novas práticas naturalistas, já consolidadas após os anos de estudo em França e na Itália. Silva Porto fixou-se em Lisboa, substituindo Tomás da Anunciação como professor de paiasagem na Academia e tornando-se o mestre eleito pelos pintores da sua geração, que iriam formar, em 1881, o Grupo do Leão. Os membros deste grupo, entregaram-se quase todos à pintura de paisagem e de costumes populares, destacando-se nesse domínio José Malhoa (1857-1933), João Vaz (1859-1931) e Henrique Pinto (1853-1912). Fora do Grupo, mas na mesma geração, iriam também sobressair Henrique Pousão (1859-1884) e Artur Loureiro (1853-1932).
Ainda antes do regresso de Silva Porto, já a notícia da paisagem naturalista chegara a Portugal. Ramalho Ortigão (1836-1915), em Dezembro de 1875, contava que na capital o Visconde Daupias abrira (em 1874) uma galeria de pintura, da sua colecção, que continha obras de artistas contemporâneos, nomeadamente paisagens de Corot, Diaz e Troyon (1810-1865), entre outros. O mesmo escritor, redigindo sobre Silva Porto, em 1879, asseverava:
«Tinha diante de mim um paisagista verdadeiro, o primeiro pintor português do tempo presente, um dos grandes modernos, um legítimo continuador da grande obra de Corot, de Diaz, de Millet, de Daubigny, de Rousseau, de Courbet [1819-1877], de Jules Breton [1827-1906], dessa grande escola, a primeira que soube dar fielmente pelo pincel a natureza viva dos campos (…).» (Henriques, Castro 1993, 87)
José Malhoa, Pedras (1873, Museu de José Malhoa)

Devemos assinalar que o Naturalismo português tem uma forte componente de representação de costumes populares. O camponês tornara-se num tema importante dentro do posicionamento dos artistas relativamente à revolução urbano-industrial. Tal como asseverou Nuno Saldanha, o campo era «entendido como o espaço de verdades eternas, onde se processa uma relação directa dos indivíduos com a natureza». Ao camponês se associavam «ideais de simplicidade, trabalho virtuoso, e inocência». Apesar de assumir uma posição sobretudo de ordem estética, mais do que social e política, o Naturalismo tornou-se numa «representação (idealizada) da realidade natural, que podia incluir tanto o Homem como a Natureza.» (Saldanha 2006, 469-471 e 557)

Alfredo Roque Gameiro, Foz do Arelho (1916, Museu de José Malhoa)


É o caso de Malhoa, Carlos Reis (1863-1940) ou do aguarelista Alfredo Roque Gameiro (1864-1935), que declarava em cartas e outros textos, a sua tristeza pela maneira como a realidade mudava à sua volta. Através dos seus desenhos e aguarelas, recolhia imagens de um Portugal que ele temia estar a desaparecer (ou que já tinha desaparecido). Amante da natureza, participou activamente nas Festas da Árvore, que começaram a ser promovidas no nosso País, desde 1907, que pretendiam incrementar o culto da árvore e da Natureza. Em 1909, Roque Gameiro e um grupo de pessoas ilustres que viviam na Amadora organizaram uma Festa da Árvore. Face ao seu êxito, foi constituída a associação da Liga de Melhoramentos da Amadora, responsável pelas edições da Festa da Árvore de 1910 e 1912. Um dos amigos de Gameiro era o arquitecto Raul Lino, que escreveu: «Ele era um apaixonado da Natureza, um temperamento saudável que vivia da perene admiração das maravilhas e mistérios que nos rodeiam, numa espécie de panteísmo que eu compartilhava». (A.A.V.V. 1964)
Importa aqui sublinhar a afeição pela natureza. Esse sentimento, que pode chegar a uma interpretação panteísta da natureza, está na base das palavras do poeta Teixeira de Pascoaes (1877-1952): 
«Tenho um ouvido de árvore para as canções dos passarinhos e uns olhos de granito para ver as sombras do crepúsculo.» (Pascoaes 1987, 20)
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Bibliografia:
AA VV. 1964. Exposição Comemorativa do 1.º Centenário de Roque Gameiro. Lisboa.
Henriques, Ana de Castro, Castro, Catarina Maia e (coord.). 1993. Silva Porto 1850-1893: exposição comemorativa do centenário da sua morte. Lisboa: I.P.M..
Macedo, Diogo de. 1951. Tomás José da Anunciação. Lisboa: Edições Excelsior.
Pascoaes , Teixeira de. 1987. O Bailado. Lisboa: Assírio & Alvim.
Saldanha, Nuno. 2006. José Vital Branco Malhoa (1855-1933). O pintor, o mestre e a obra. Tese de Doutoramento, Universidade Católica Portuguesa.
Silva, Raquel Henriques da. 2010. «Silva Porto e a Pintura Naturalista». In A Arte Portuguesa do Século XIX. 1850-1910. MNAC - Museu do Chiado, Catálogo da Colecção. Pedro Lapa, Maria de Aires Silveira (org.), vol. I, LI-LXIII. Lisboa: Museu Nacional de Arte Contemporânea – Leya.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Maravilhar-se

Alfredo Roque Gameiro, Óbidos - A Porta da Vila (in Maria Lucília de Abreu, A Aguarela na Arte Portuguesa, Lisboa, ACD Editores, 2008, p. 209)
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"The dignity of the artist lies in his duty of keeping awake the sense of wonder in the world."
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Nuremberga

Alfredo Roque Gameiro, Nuremberga (1885)
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«Nuremberg is a wonderful old city, and looks as if it had been cut out of an old picture-book. The streets seem to have arranged themselves according to their own fancy, and as if the houses objected to stand in rows or rank and file. Gables, with little towers, ornamented columns, and statues, can be seen even to the city gate; and from the singular-shaped roofs, waterspouts, formed like dragons, or long lean dogs, extend far across to the middle of the street. Here, in the market-place, stood Knud, with his knapsack on his back, close to one of the old fountains which are so beautifully adorned with figures, scriptural and historical, and which spring up between the sparkling jets of water. A pretty servant-maid was just filling her pails, and she gave Knud a refreshing draught; she had a handful of roses, and she gave him one, which appeared to him like a good omen for the future. From a neighboring church came the sounds of music, and the familiar tones reminded him of the organ at home at Kjøge; so he passed into the great cathedral. The sunshine streamed through the painted glass windows, and between two lofty slender pillars. His thoughts became prayerful, and calm peace rested on his soul. He next sought and found a good master in Nuremberg, with whom he stayed and learnt the German language.»
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Hans Christian Andersen, Under the Willow-tree (1853).

sábado, 18 de outubro de 2014

Roque Gameiro - Exposição na Amadora

Alfredo Roque Gameiro, Onda
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«A aguarela, examinada no verdadeiro rigor do processo, é das formas mais difíceis de pintar. Na sua técnica não há, ou não devem existir emendas (…). Contudo, para Roque Gameiro não havia impossíveis.»
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Armando de Lucena (1964).
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Alfredo Roque Gameiro, Leipzig (1884)
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Alfredo Roque Gameiro, Rocha Sul da Praia Grande
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Alfredo Roque Gameiro (1921)

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Casa Roque Gameiro, na Amadora

Cerca de 1898, data inscrita na fachada principal da casa, Roque Gameiro (1864-1935) planeou a construção de uma casa no Alto da Venteira, onde viveu com sua família, pelo menos até 1926. O desenho da casa, que se inscreve na tradição da Casa Portuguesa, teve em 1900 uma ampliação projectada por Raul Lino, amigo do pintor.
Visitei-a há pouco tempo e fiquei encantada com este local, cheio de referências à arte e às tradições portuguesas, rodeada por um belo jardim. Sobre o tema, aconselho (pelo menos) três leituras: o número da Ilustração Portuguesa, de 7 de Junho de 1909, disponível da Hemeroteca Digital; o livro de João Cravo e José Meco, A Azulejaria da Casa Roque Gameiro (1997) e A Casa de Roque Gameiro, na Amadora (1997).
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Junto do tecto está um friso com provérbios sobre alimentação (visto que esta era a sala de jantar), entre os quais um de que me tenho lembrado muito nos dias de crise: «Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão».
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Fotografia da Ilustração Portuguesa (1909)
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No texto do artigo, de Santos Tavares, na Ilustração Portuguesa, pode ler-se: «A lareira, larga e ampla, diz a felicidade dos dias tristes de inverno».
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Azulejos da Fábrica Bordalo Pinheiro.
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No quarto, no friso de remate do lambril, também estão inscritos diversos provérbios, entre eles: «Mais vale deitar sem ceia do que acordar com dívidas».
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Na fachada norte surge uma decoração cerâmica com a legenda: NON SOLO PANE VIVIT HOMO (nem só de pão vive o homem), que era o lema do Grémio Artístico - associação de artistas activa na última década do século XIX.
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O atelier do artista ficava num andar inferior ao da entrada. Lá se faziam os serões da família, como atesta um desenho da sua filha Helena (1895-1986), datado de 1910:
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sábado, 9 de novembro de 2013

Pensando no São Martinho - ou, mais precisamente, no Magusto e nas castanhas

Osias Beert, Three Dishes of Sweetmeats and Chestnuts with Three Glasses on a Table (Link)

(detalhe)
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Giacomo Ceruti (Il Pitocchetto), Still Life With Roasted Chestnuts On A White Plate Resting On A Stone Ledge (Link)
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De acordo com a Sandra Silva, do Presépio, a quem surripei a pesquisa (com consentimento prévio), o Magusto, é uma festa popular, celebrada no Outono, nomeadamente no Dia de São Simão (29 de Setembro), Dia de Todos Santos (1 de Novembro) ou no Dia de São Martinho (11 de Novembro). Contudo, não se celebra apenas em Portugal  pois também se festeja na Galiza, onde se conhece com o nome de “magosto”. Originalmente, a festa fazia-se junto de uma fogueira, bebendo água-pé ou jeropiga, e comendo castanhas assadas. Acredita-se que a palavra "magusto" venha do latim “magnus ustus”, que significa "grande fogo". Ora, para comemorar a época, aqui ficam uma castanhas, mais ou menos assadas, e outras coisas a propósito.
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Assadeira de castanhas - Lisboa, 1814, in  H. L'Evêque, «Costume of Portugal» (publicado por Alberto Souza, O Trajo Popular em Portugal nos seculos XVIII e XIX, Lisboa, Sociedade Nacional de Tipografia, 1924 - Link)
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Roque Gameiro, A Assadeira de Castanhas (1935, Palácio Nacional da Pena - Link)
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Ana das Peles (Estremoz), Mulher assando castanhas (Museu Nacional de Etnologia - Link)
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Assador de castanhas (Museu Nacional de Etnologia - Link)

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Mar (na pintura portuguesa)

Marques de Oliveira, Praia de Pescadores (Póvoa de Varzim), impressão (MJM - Link)
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João Vaz, Rochedos, Peniche (MNAC - Link)
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António Ramalho, Marinha (1880, MJM - Link)
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José Malhoa, Marinha (1918, MGV - Link)
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Alberto Souza, Foz do Arelho (1940, MJM - Link)
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Alfredo Roque Gameiro, Ericeira - Azenhas do Mar (MGV - Link)
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Arnaldo Figueiredo, Ericeira (1948, MJM - Link)
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José Contente, Dunas na Costa da Caparica (1935, MJM - Link)
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Fausto Sampaio, Berlengas (1950, MJM - Link)
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Paulino Montês, Berlengas (1926, MJM - Link)