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quinta-feira, 13 de julho de 2017

(Re)descobertas V

É uma das pinturas que mais me intriga na história da arte, a Madonna col Bambino, santi, angeli e il duca Federico da Montefeltro (pala di Breara) de Piero della Francesca (1475, Pinacoteca di Brera, Milão):


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«L'uovo è una forma ricca di significati simbolici; ma qui sta a indicare che nulla è tanto piccolo da non rientrare in una proporzione universale (...)».
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Argan, Storia dell'Arte Italiana, Vol. II, p. 220.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sobre a Melancolia

Albrecht Dürer, Melancholia (1514 - Link)
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Associada ao génio, aos santos e aos artistas, ao conhecimento, à velhice, ao tempo e a Saturno, a melancolia é um tema recorrente na arte, de que a representação mais conhecida é a famosa gravura de Dürer. Este artista, representou-a como uma figura alada, rodeada por elementos ligados ao tempo e à sabedoria, que apoia a cabeça na mão esquerda, enquanto pensativamente segura um instrumento de escrita na mão direita. A pose foi depois reutilizada pelo mesmo artista, em 1521, quando pintou o São Jerónimo, que se encontra hoje no Museu Nacional de Arte Antiga.

(Link)


Pouco tempo antes, a mesma pose fora usada por Hieronymus Bosch no quadro St. John the Baptist in the Wilderness (Museo Lázaro Galdiano, Madrid - Link):


Mais de trezentos anos depois, Columbano Bordalo Pinheiro, em 1885, empregou-a para retratar o pintor Girão, em O Grupo do Leão (Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa - Link). Deste modo, mantinha-se a iconografia da Melancolia, espelhada no retrato do artista mais velho do Grupo.



Para Baudelaire, um grande artista é um artista melancólico. No texto Fusées (1897 - Link) ele dizia: 

«J'ai trouvé la définition du Beau, de mon Beau.
C'est quelque chose d'ardent et de triste, quelque chose d'un peu vague, laissant carrière à la conjecture. (...) Le mystère, le regret sont aussi des caractères du Beau (...)».

Outros artistas tiveram um entendimento ligeiramente diferente da Melancolia, que não passava pela alegoria ou pelo retrato, mas sim pela representação da solidão e da sensação de vazio.

Giorgio de Chirico, Mystery and Melancholy of a Street (1914 - Link)

Edward Hopper, Automat (1927, Des Moines Art Center, Des Moines - Link)
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Julgo que os portugueses têm alguma tendência para a melancolia. Não sou certamente a primeira pessoa a fazer tal afirmação. José de Figueiredo, em 1901, escreveu: «(…) Pois embora isto pareça um paradoxo, a verdade é que, com esta nossa paisagem luxuriante e este nosso sol claro, nós somos entretanto, como os russos, um povo de bruma. Sómente, emquanto a do paiz moscovita é real (…) a nossa é mais symbolica que natural. – (…) bruma mais feita de distancia d’um sonho longínquo do que dos próprios effeitos climatéricos».
Para além dos nossos excelentes poetas cujos poemas são muitas vezes tristes, uma das obras de arte portuguesas que mais admiro, O Desterrado, é claramente melancólica.




Soares dos Reis, O Desterrado (1872, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto - Link)

Por fim, também  temos o Fado:

José Malhoa, O Fado (1911 - Link)


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Bibl.:
José de Figueiredo, Portugal na Exposição de Paris, Lisboa, Sociedade Editora, Empresa da História de Portugal, 1901.
Jean Clair (Dir.), Mélancolie: génie et folie en Occident, Paris, Réunion des Musées Nationaux, 2005.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

São Jerónimo na sua cela

Gravura de Albrecht Dürer, Saint Jerome in his Cell (1511, The Art Institute of Chicago).
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«If a man devotes himself to art, much evil is avoided that happens otherwise if one is idle».
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Albrecht Durer.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

São Jerónimo

Pintura de Albrecht Dürer, São Jerónimo (1521, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa).
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São Jerónimo foi um dos Doutores da Igreja, tradutor da Bíblia para latim. No Renascimento era o patrono dos Humanistas, admirado por Erasmo de Roterdão. Dürer fez várias representações de São Jerónimo desde uma gravura de 1492. O quadro que se encontra no Museu Nacional de Arte Antiga foi pintado em 1521, numa viagem de Dürer aos Países Baixos, e foi oferecido a um português da feitoria de Antuérpia, de nome Rodrigo Fernandes de Almada. O tema era muito popular em Antuérpia, facto que estava ligado à renovação dos estudos bíblicos, concretizada em 1516 com a publicação dos textos de São Jerónimo com comentários de Erasmo. Quentin Metsys, que conhecia o humanista, pintou cerca de 1515 um São Jerónimo, introduzindo uma nova versão na representação do Santo. Essa nova versão foi recriada por Dürer no quadro que se encontra no Museu de Arte Antiga. Para fazer este quadro, Dürer fez alguns estudos, entre os quais um retrato de um homem de 93 anos, o qual foi o modelo de São Jerónimo. Neste trabalho podemos ver o Santo no seu estúdio, sentado a uma secretária, enquanto medita sobre uma passagem da Bíblia. Atrás dele está uma parede onde sobressai um Crucifixo. O Santo encontra-se numa pose que repete a da Melancolia, uma famosa gravura de Dürer de 1514. Importa notar que o humor melancólico era associado aos homens de génio e, nomeadamente, aos teólogos. Por outro lado, ele aponta para uma caveira, sinal de vanitas, enquanto olha para o espectador. Deste modo, Dürer coloca o Santo a convidar os cristãos à meditação, lembrando-lhe que as coisas terrenas são efémeras.
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Texto de Margarida Elias.