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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Viv'a República!

Moura Girão, Viva a República (1910)
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E porque ontem foi dia do animal, lembramos um artigo de Santos Tavares sobre o pintor Moura Girão, publicado na revista Brasil-Portugal, em 1901. O autor visitou o atelier do artista na Cruz de Pedra (partilhado com o pintor Galhardo) e relatava que Moura Girão se recusava a olhar para os bichos como alimento, tendo afirmado:
«que nunca se banqueteara com uma aza de frango ou n’essas correrias bohemias nunca á sua meza viera uma cabidella de coelho – quero-lhes muito e não posso.» 
No atelier circulava «uma processional fileira de gallitos, impudentes, de rubra crista em riste, que pousavam a trouxe-mouxe sobre molduras sem tela, n’uma alegria orgulhosa de se sentirem em aristocráticos poleiros, oirescentes e brunidos.» 
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Cf. Santos Tavares, «Os Magnanimos. Moura Girão», in Brasil-Portugal, n.º 62, 16/8/1901.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Casa Roque Gameiro, na Amadora

Cerca de 1898, data inscrita na fachada principal da casa, Roque Gameiro (1864-1935) planeou a construção de uma casa no Alto da Venteira, onde viveu com sua família, pelo menos até 1926. O desenho da casa, que se inscreve na tradição da Casa Portuguesa, teve em 1900 uma ampliação projectada por Raul Lino, amigo do pintor.
Visitei-a há pouco tempo e fiquei encantada com este local, cheio de referências à arte e às tradições portuguesas, rodeada por um belo jardim. Sobre o tema, aconselho (pelo menos) três leituras: o número da Ilustração Portuguesa, de 7 de Junho de 1909, disponível da Hemeroteca Digital; o livro de João Cravo e José Meco, A Azulejaria da Casa Roque Gameiro (1997) e A Casa de Roque Gameiro, na Amadora (1997).
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Junto do tecto está um friso com provérbios sobre alimentação (visto que esta era a sala de jantar), entre os quais um de que me tenho lembrado muito nos dias de crise: «Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão».
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Fotografia da Ilustração Portuguesa (1909)
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No texto do artigo, de Santos Tavares, na Ilustração Portuguesa, pode ler-se: «A lareira, larga e ampla, diz a felicidade dos dias tristes de inverno».
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Azulejos da Fábrica Bordalo Pinheiro.
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No quarto, no friso de remate do lambril, também estão inscritos diversos provérbios, entre eles: «Mais vale deitar sem ceia do que acordar com dívidas».
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Na fachada norte surge uma decoração cerâmica com a legenda: NON SOLO PANE VIVIT HOMO (nem só de pão vive o homem), que era o lema do Grémio Artístico - associação de artistas activa na última década do século XIX.
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O atelier do artista ficava num andar inferior ao da entrada. Lá se faziam os serões da família, como atesta um desenho da sua filha Helena (1895-1986), datado de 1910:
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