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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Do Amor

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«(...) 1+1=1 é a fórmula que o então jovem Almada Negreiros propôs há quase um século – em abril de 1919 – em Histoire du Portugal par Coeur, publicado em Paris, para, através da certeza própria dos números e das fórmulas aritméticas, expressar a noção de existência de uma unidade coerente e una que contextualiza, enquadra e dá sentido à diversidade das partes que a compõe – a unidade na diversidade. 
Através daquela simples fórmula, Almada procura expressar a noção de unidade, de união e de uma certa coerência, que deve pautar a lógica de funcionamento da família, no seio e na base da qual é possível identificar, desde logo como pilares fundamentais, a diversidade própria do género – do homem e da mulher –. No caso da família, Almada traduz essa unidade coerente pela noção de amor. 
Porém o autor vai mais longe. No mesmo documento defende, seguindo a mesma lógica, a necessidade de existência de um sentido de unidade do todo nacional, de coesão social, que deve traduzir-se por um desígnio, uma vontade, uma determinação de todo o povo português em torno de um movimento, de um objectivo uno, em que todos de alguma forma se revejam, com o qual se identifiquem e que deve servir de orientação das partes. Almada Negreiros alicerça esta visão dinâmica e coerente da sociedade com o romantismo próprio da época, é certo, porém com fortes traços de apego ao seu Portugal, com um enorme orgulho por ser e por sentir ser português… (...)».
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António João Maia, publicado em 3 Maio 2013, Jornal i (fonte: http://www.ionline.pt/iopiniao/1111-11 ) - no facebook in Almada Negreiros 120 anos
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quarta-feira, 29 de julho de 2015

Maternidade

Almada Negreiros, Maternidade (1948 - in Modernismo)
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«Os desenhos da Maternidade (de Almada) foram feitos em Bicesse, num dia entre as 10 da manhã e as 8 da noite. Para mim foi uma coisa maravilhosa! Desceu a rir a escada do quarto que vem dar à sala. Vinha muito bem disposto, com uma resma de papel debaixo do braço: "Olha, diz para me trazerem o pequeno-almoço e que o ponham na mesa de pedra." Era ali, naquela mesa de mó de moinho que ele gostava de tomar o pequeno-almoço no Verão. Tomou o pequeno-almoço, pôs de lado o tabuleiro e começou a desenhar. Era maravilhoso! Depois veio o almoço. Voltou a atirar-se aos papéis, comemos, acabámos e voltou ao desenho. Depois veio o lanche e voltou a desenhar até à noite. Não assinou, pôs só 48, foi em Agosto. Aqueles desenhos são uma magistral lição de desenho. É preciso um grande talento para desenhar assim! Ele fazia um risco, depois desse risco havia outros em relação a esse. Eu estava hipnotizada, sem saber o que ia sair. De uma mancha de tinta que caiu, fez um sol [...].»
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Idalina Conde, «Sarah Affonso, mulher (de) artista», in Análise Social, vol. xxx (131-132), 1995 (2.°-3.°), p. 482.
http://analisesocial.ics.ul.pt/documentos/1223380867N0gCT8bj8Es43IE6.pdf

terça-feira, 5 de maio de 2015

Heras

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«Agora estou a fazer uns desenhos de umas heras para tapeçarias e descobri uma hera selvagem. Chama-se hera de unha de gato, e é uma pena que esteja a desaparecer. Esta aguentou-se até agora porque o jardim donde eu a tirei esteve abandonado dois séculos. É um jardim antigo, com flores que já não existem quase... Repara nesta hera, começa de repente num emaranhado, mas depois sai uma haste linda com umas folhas tão bem desenhadas, tão elegantes, depois a certa altura torna a ficar feia. Claro que as partes feias não se põem. Estás a ver estas aqui, já foram feitas de memórias, porque as que o Zé (filho) me trouxe outro dia eram muito pequeninas. Estão bonitas, não estão? Estou a fazer uma série de estudos, mas estou com preguiça, cansada. Estou a estudá-las ainda. Já plantei uma data delas, que já pegaram em vasos. Quero juntar a estas heras as heras brancas de Bicesse, mas essas só em Março é que rebentam. E quero fazer um fundo... Lembro-me de que a Catarina, que é muito sensível, estava eu na sala a coser ou a ler, e vem ela: «Ó avó venha ver um céu cor-de-rosa, tão lindo que é como a avó gosta!» «Um céu cor-de-rosa como a avó gosta...» Então eu queria pôr o fundo cor-de-rosa, esbatendo o branco e depois vai tomando rosa até ficar azul. Deve ficar muito bonito esse fundo com as folhas verde muito escuro, e as mais claras, as brancas, são muito bonitas, e sobre o azul vai ficar muito bem. Estas aqui têm de ser maiores porque depois vão ficando pequeninas, que isso é que é bonito. No outro dia fui ao dicionário para ver a descrição de hera. Dei logo com uns versos de Camões «desejos que como a hera se enrolavam». Hera é tempo, continuidade...»
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Citado in Idalina Conde, «Sarah Affonso, mulher (de) artista», 1995, p. 486.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Das ervinhas e das plantas medicinais

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«(...) Porque tenho grãde desejo de saber das drogas medicinais (as que chamão là em Portugal de botica) e destoutras mezinhas simples que qua ha (...).»
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Entretanto, descobri no FB alguns dos desenhos de ervinhas de Leonardo da Vinci (que em 15 de Abril fez 563 anos), de que falava Sarah Affonso (link):

(link)
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(c, 1490, link)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Matisse e Sarah Affonso

Henri Matisse, Anemones in an Earthenware Vase (1924, Kunstmuseum Bern)
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«[...] um dia vi uma de Matisse, uma exposição de quinze quadros pequenos com aquelas flores da Primavera que são brancas, azuis e encarnadas, que se chamam anémonas. Vi essa exposição e fiquei tão maravilhada que, como havia na rua umas barraquinhas com essas flores, comprei um ramo e fui para casa fazer um quadro. A pintura dele era por camadas, para tirar o tom, por exemplo, roxo, ele dava uma camada de encarnado transparente e depois por cima uma camada de azul, mas de um azul flou. Uma técnica criada por ele. Com duas cores dava uma terceira. O que se aprende a ver um quadro! O que eu aprendi com Matisse! [...]»
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In Idalina Conde, «Sarah Affonso, mulher (de) artista», Análise Social, Vol. XXX, 1995, p. 481.

terça-feira, 24 de março de 2015

Flores e ervinhas

Hans Hoffmann, A Small Piece of Turf (1584, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque)
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«Um dia a minha filha trouxe-me um dos códices do Leonardo da Vinci, que era a compilação das últimas palavras dele [...] Eu vi o livro e passados dias sou operada. Com aquelas drogas que dão para anestesiar, tive alucinações e sonhos. Muitas vezes nesses sonhos via o Leonardo da Vinci a fazer desenhos de flores e ervinhas selvagens. Depois da operação passada, fui-me restabelecer para Bicesse e ia cheia de vontade de desenhar. Os sonhos com o Leonardo da Vinci tinham-me aberto o apetite para aquelas flores e folhas... Desenhei, desenhei, e mais tarde, quando voltei para Lisboa, encontro o códice e, com muita curiosidade, peguei nele para o desfolhar. Não havia praticamente desenhos de flores, eram rodinhas de máquinas, coisas de engenharia! Como ele ia para o campo, entendi que ia desenhar plantas e ervas, mas no fim quem queria desenhar plantas e ervas era eu!»
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Sarah Affonso 
in Idalina Conde, «Sarah Affonso, mulher (de) artista», in Análise Social, vol. xxx (131-132), 1995 (2.°-3.°), p. 485.

terça-feira, 11 de março de 2014

As árvores em flor

Silva Porto, Macieiras em Flor (1880-1893, Museu Grão Vasco)
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Early Spring

Once more the Heavenly Power
Makes all things new,
And domes the red-plowed hills
With loving blue; 
The blackbirds have their wills,
The throstles too.

Opens a door in Heaven; 
From skies of glass
A Jacob's ladder falls
On greening grass, 
And o'er the mountain-walls
Young angels pass.

Before them fleets the shower,
And burst the buds, 
And shine the level lands,
And flash the floods;
The stars are from their hands
Flung through the woods,

The woods with living airs
How softly fanned,
Light airs from where the deep,
All down the sand,
Is breathing in his sleep,
Heard by the land.

O, follow, leaping blood,
The season's lure!
O heart, look down and up,
Serene, secure, 
Warm as the crocus cup,
Like snow-drops, pure!

Past, Future glimpse and fade
Through some slight spell,
A gleam from yonder vale, 
Some far blue fell; 
And sympathies, how frail,
In sound and smell!

Till at thy chuckled note,
Thou twinkling bird,
The fairy fancies range,
And, lightly stirred,
Ring little bells of change
From word to word.

For now the Heavenly Power
Makes all things new,
And thaws the cold, and fills
The flower with dew;
The blackbirds have their wills,
The poets too. 

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Falcão Trigoso, Amendoeiras (Museu de José Malhoa)
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Ferdinand Hodler, Cherry Tree in Bloom (1905)

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Sarah Afonso, Primavera (Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia Mundial da Amizade

Sarah Afonso, Meninas (1928. MNAC).
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«Friendship is born at that moment when one person says to another, 'What! You too?
I thought I was the only one»
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