Caspar David Friedrich, Ein Spaziergang in der Abenddämmerung (A Walk at Dusk) (ca. 1830-35, J. Paul Getty Museum)
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Ontem, no Arpose, surgiu uma citação de Charles Péguy (1873-1914), que diz: «Quarenta anos é uma idade terrível. Porque é a idade em que nos transformámos naquilo que somos.»
Independentemente da interpretação que se faz da frase, ela deixou-me a pensar, porque eu já tenho 45 anos. E já mudei tanto que me sinto por vezes como a Alice:
'Who in the world am I?' Ah, that's the great puzzle!”
Joaquín Sorolla, Paisaje, San Sebastián (1911. Museo Sorolla, Madrid)
Numa coisa estou certa: os meus gostos mudaram com o tempo. Há gostos que mantenho desde há anos, desde que me lembro de mim. Para mim Michelangelo e Leonardo da Vinci permanecem duas referências no meu universo estético e cultural. Continuo a admirar Kant e Voltaire. Continuo a gostar muito de Eça de Queiroz. Continuo a ter os Direitos do Homem como referência ética.
Mas há gostos que já não tenho, em grande medida devido ao excesso provocado pela internet. Outro dia li uma frase de Umberto Eco, recentemente falecido, que dizia:
"A informação banaliza os acontecimentos. Dou um exemplo: a primeira vez que se viram na televisão imagens de uma criança negra cheia de fome e com moscas a rodeá-la foi um momento marcante, só que agora já ninguém lhes liga devido à vulgarização. Alguém no outro dia proibia a divulgação de imagens dessas crianças negras com moscas à volta porque a sua repetição era perigosa. As pessoas habituam-se."
Esta citação, para mim, tem pelo menos duas leituras. Por um lado, o facto de eu confirmar (através da opinião deste homem, que também sempre admirei) que o excesso de informação banaliza a informação. É uma das razões porque sou contra o excesso de violência na televisão, nos video-jogos (sobretudo os realistas) e nos filmes.
Doutro ponto de vista, mais alegre, esta citação de Eco faz-me pensar na banalização da arte e da cultura, através da repetição abusiva de imagens ou músicas, na televisão, na rádio e na internet (entre outros meios de comunicação), desgastando a capacidade de nos emocionarmos.
Carl Larsson, Kurragömma (Hide and Seek) (1901)
Contudo, em contrapartida, tenho descoberto outros artistas que me vão ao encontro da alma. Talvez porque eles são menos divulgados, ou talvez porque eu própria tenho mudado.
Dentro das artes visuais, continuo a não ser fã de Picasso e Dali. No entanto, cada vez gosto mais de Poussin e Seurat.
Já não aprecio tanto Monet como antes, mas Sorolla e Carl Larsson são, de momento, uns dos meus pintores preferidos.
Outros artistas permanecem nas minhas preferências, como é o caso de Vermeer, Rembrandt (embora já muito banalizado), Friedrich, Klee, Kandinsky e Miró.
Dentro das artes visuais, continuo a não ser fã de Picasso e Dali. No entanto, cada vez gosto mais de Poussin e Seurat.
Já não aprecio tanto Monet como antes, mas Sorolla e Carl Larsson são, de momento, uns dos meus pintores preferidos.
Outros artistas permanecem nas minhas preferências, como é o caso de Vermeer, Rembrandt (embora já muito banalizado), Friedrich, Klee, Kandinsky e Miró.
Nicolas Poussin, Landscape with a Calm (1650 - 1651, Getty Center)
No conjunto, acho que há um fio condutor em mim que permanece. Continuo a adorar a arte e a natureza, a espiritualidade, a filosofia, a mitologia, a fantasia e a imaginação.
Porém, outras coisas mudaram (ou evoluíram), desde as mais complexas até às mais prosaicas. Por exemplo, descobri agora, com esta idade, que até gosto de gelatina.
Porém, outras coisas mudaram (ou evoluíram), desde as mais complexas até às mais prosaicas. Por exemplo, descobri agora, com esta idade, que até gosto de gelatina.






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