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domingo, 10 de junho de 2012

Tricentenário de Camões em 1880

«Na Igreja das Chagas» e «Trinta Anos depois», ilustração de Columbano Bordalo Pinheiro e poema de Gonçalves Crespo, in O Ocidente, 10 de Junho de 1880.
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«A celebração do terceiro centenário de Camões (…) ficaria em todo o caso assignalado como uma data memorável e como um documento que ennobrece a geração que soube inspirar-se n’um alto sentimento de justiça para honrar o nome que symbolisa a idéa da nacionalidade com as suas tradições gloriosas e as suas aspirações futuras. 
Ella ajuda a insufflar na consciência popular a porção d’ideal que lhe falta n’este momento histórico (…). 
N’este momento Vasco da Gama e o seu cantor repousam ambos a par sob as abobadas dos Jeronymos – que é a epopêa da gloria d’ambos traduzida em pedra (…). 
O tricentenário de Camões vem reatar o fio da solidariedade nacional e fazer-nos compreender o valor da nossa força, dando-nos ao mesmo tempo a compreensão dos nossos destinos, ensinando ao povo como é que, pela eloquencia sublime dos «Lusiadas», entramos hoje na corrente do espirito europeu». 
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Caricaturas de Rafael Bordalo Pinheiro, in O António Maria, 10 de Junho de 1880.

domingo, 11 de outubro de 2009

Lisboa do Século XIX



Depois de um período de obras públicas no início do século XIX, a construção estagnou, mantendo a cidade de Lisboa com um aspecto ainda ruralizante, muito embora ela fosse o centro político do País. A sua população estacionou nos 200-220 mil habitantes, pelo que ainda não era necessária uma alteração efectiva das estruturas existentes. Não se construíram novos bairros, mas ainda assim a capital assistiu a algumas mudanças. Depois da década de 40, houve um alteamento dos prédios, com quartos e quintos andares sobre a cornija. Foi concluído o torreão poente do Terreiro do Paço e terminou-se a construção do Rossio, com as casas a Noroeste (1845) e o empedramento da praça (1849). Lisboa passou a ser iluminada a gás desde 1848 e em 1852 foi definida a estrada de circunvalação.
Os jardins desempenhavam um papel importante na vida citadina, sobretudo desde a chegada de D. Fernando II em 1836, pois foi ele quem introduziu o hábito de passear pela cidade. O local escolhido era preferencialmente o Passeio Público, mas os lisboetas também deambulavam nos jardins de São Pedro de Alcântara ou da Estrela.
Com o avançar do tempo, nomeadamente nos anos setenta, a capital do Reino tornava-se numa cidade pacífica, muito diferente daquela que fora palco de convulsões políticas e sociais em décadas anteriores. Em 1874, Ramalho Ortigão acusava Lisboa de ser «grave, escura, pesada, lúgubre». Guilherme de Azevedo afirmava em 1878 que a «Lisboa d' hoje é bem diversa já não só da Lisboa de ha dois seculos, mas também da Lisboa de ha quinze anos!». Era agora uma «pacífica cidade do nosso tempo, sem arrebatamentos no espirito e sem barricadas nas ruas». É interessante citar uma descrição de Eça de Queirós, n' O Crime do Padre Amaro, retratando Lisboa cerca de 1871. O cenário era o Largo do Loreto e a sua gente, onde todo um «mundo decrépito se movia lentamente, sob um céu lustroso de clima rico, entre garotos apregoando a lotaria e a batota pública, e rapazitos de voz plangente oferecendo o Jornal das pequenas novidades».
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Margarida Elias.