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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O Leão e o Rato

Patrick McDonnell, MUTTS.com
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«Estando o Leão dormindo, andavão huns Ratos brincando ao redor delle, e saltando-lhe por cima o acordárão. Tomou elle hum entre as mãos e estava para o matar; mas pelo ter em pouco e pelos muitos rogos com que lhe pedia, o soltou. Succedeo dahi a pouco tempo cahir o Leão em huma rede, onde ficou liado, sem poder valer-se de suas forças. E sabendo-o o Rato, tal diligencia poz, que roeo brevemente os laços e cordeis, e soltou o Leão que se foi livre em pago da boa obra que lhe fez.
MORALIDADE.
Duas cousas temos aqui que notar: primeiramente o agradecimento que se deve a qualquer boa obra, e em especial a quem perdoa algum aggravo, podendo vingar-se como este Leão podia. Segundariamente, quanto devem os poderosos estimar a amizade de qualquer homem, por mui fraco que seja; porque qualquer póde fazer mal, e se não podem fazer mal, todos podem fazer bem.»
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Fabulas de Esopotraduzido por Manuel Mendes da Vidigueira.
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Versão de La Fontaine
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Saiu da toca aturdido
Daninho pequeno rato,
E foi cair insensato
Entre as garras dum leão.
Eis o monarca das feras
Lhe concede liberdade
Ou por ter dele piedade,
Ou por não ter fome então.
Mas essa beneficência
Foi bem paga, e quem diria
Que o rei das feras teria
Dum vil rato precisão!
Pois que uma vez indo entrando
Por uma selva frondosa,
Caiu em rede enganosa
Sem conhecer a traição.
Rugidos, esforços, tudo
Balda sem poder fugir-lhe;
Mas vem o rato acudir-lhe
E entra a roer-lhe a prisão.
Rompe com seus finos dentes
Primeira e segunda malha;
E tanto depois trabalha,
Que as mais também rotas são.
O seu benfeitor liberta,
Uma dívida pagando,
E assim à gente ensinando
De ser grato a obrigação.
Também mostra aos insofridos
Que o trabalho com paciência
Faz mais que a força, a imprudência
Dos que em fúria sempre estão.
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Tradução de Curvo Semedo, in Fábulas de La Fontaine, Moderna Editorial Lavores, 1996, pp. 164-166.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Da aventura...

Do dia-a-dia
e da realidade.
Das histórias reais
ou imaginadas.
Do quotidiano
ou do extraordinário.
De todos
e da cada um.
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Gustave Doré, A Voyage to the Moon (c.1868)
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L’aventure: un événement qui sort de l’ordinaire, sans être forcément extraordinaire.
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Boa semana!
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Arca(s) de Noé

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Edward Hicks, Noah's Ark (1846)
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Gustave Doré, The Dove Sent Forth From The Ark (1866)
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Marc Chagall, Noé et l'Arc en ciel (1966, Musée national Message Biblique Marc Chagall, Nice)
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Este Chagall e esta canção já passaram por aqui, mas paciência. Continuo a gostar.

sábado, 24 de maio de 2014

Mundos

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"But do you really mean, sir," said Peter, "that there could be other worlds — all over the place, just round the corner — like that?"
"Nothing is more probable," said the Professor, taking off his spectacles and beginning to polish them, while he muttered to himself, "I wonder what they do teach them at these schools."
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A Cigarra e a Formiga

Vem este título a propósito de muitas coisas que andam no meu pensamento. Por um lado, acho que nunca vi uma cigarra "ao vivo", mas adoro ouvir o seu cantar nos dias quentes de Verão, que me faz lembrar a quinta dos meus avós, no Alentejo. Por outro lado, também simpatizo com as formigas (quando não estão dentro de casa) e lembro-me que gostava de as observar quando era criança, vendo-as laboriosamente a levar comida para o seu formigueiro, em longas filas, muito bem ordenadas.

(Link)
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Aqui vai a fábula, na versão de La Fontaine, acompanhada por uma ilustração de Gustave Doré:

La Cigale ayant chanté
Tout l’Eſté,
Se trouva fort dépourvuë
Quand la biſe fut venuë.
Pas un ſeul petit morceau
De mouche ou de vermiſſeau.
Elle alla crier famine
Chez la Fourmy ſa voiſine ;
La priant de luy preſter
Quelque grain pour ſubſiſter
Juſqu’à la ſaiſon nouvelle.
Je vous payray, luy dit-elle,
Avant l’Ouſt, foy d’animal,
Intereſt & principal.
La Fourmy n’eſt pas preſteuſe ;
C’eſt là ſon moindre défaut.
Que faiſiez-vous au temps chaud ?
Dit-elle à cette emprunteuſe.
Nuit & jour à tout venant
Je chantois, ne vous déplaiſe.
Vous chantiez ? j’en ſuis fort aiſe.
Et bien, danſez maintenant.
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Jean de La Fontaine (Link)
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Gustave Doré (Link)
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Pessoalmente, julgo que a vida das formigas seria muito cinzenta sem o canto das cigarras.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Música e Pintura

Gustave Doré, Caricature de Berlioz (1850).
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«Where words fail, music speaks».
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domingo, 2 de dezembro de 2012

Rodopio

Gustave Doré, Rosa Celeste (in Dante, A Divina Comédia, 1892, Link)
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Rodopio 

Volteiam dentro de mim, 
Em rodopio, em novelos, 
Milagres, uivos, castelos, 
Forcas de luz, pesadelos, 
Altas tôrres de marfim. 

Ascendem hélices, rastros... 
Mais longe coam-me sois; 
Há promontórios, farois, 
Upam-se estátuas de herois, 
Ondeiam lanças e mastros. 

Zebram-se armadas de côr, 
Singram cortejos de luz, 
Ruem-se braços de cruz, 
E um espelho reproduz, 
Em treva, todo o esplendor... 

Cristais retinem de mêdo, 
Precipitam-se estilhaços, 
Chovem garras, manchas, laços... 
Planos, quebras e espaços 
Vertiginam em segrêdo. 

Luas de oiro se embebedam, 
Rainhas desfolham lirios; 
Contorcionam-se círios, 
Enclavinham-se delírios. 
Listas de som enveredam... 

Virgulam-se aspas em vozes, 
Letras de fogo e punhais; 
Há missas e bacanais, 
Execuções capitais, 
Regressos, apoteoses. 

Silvam madeixas ondeantes, 
Pungem lábios esmagados, 
Há corpos emmaranhados, 
Seios mordidos, golfados, 
Sexos mortos de anseantes... 

(Há incenso de esponsais, 
Há mãos brancas e sagradas, 
Há velhas cartas rasgadas, 
Há pobres coisas guardadas - 
Um lenço, fitas, dedais...) 

Há elmos, troféus, mortalhas, 
Emanações fugidias, 
Referências, nostalgias, 
Ruínas de melodias, 
Vertigens, erros e falhas. 

Há vislumbres de não-ser, 
Rangem, de vago, neblinas; 
Fulcram-se poços e minas, 
Meandros, paúes, ravinas 
Que não ouso percorrer... 

Há vácuos, há bolhas de ar, 
Perfumes de longes ilhas, 
Amarras, lemes e quilhas - 
Tantas, tantas maravilhas 
Que se não podem sonhar!... 
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Mário de Sá-Carneiro (Link).

domingo, 21 de outubro de 2012

Livros

Gustave Doré, «La Lecture des contes en famille», ilustração de abertura para os Contos de Perrault (1862).
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«Books are the treasured wealth of the world and the fit inheritance of generations and nations». 
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Henry David Thoreau, Walden, or Life in the Woods.