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domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre a leitura

Károly Ferenczy, Red Wall (1910).
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O Homem que Lê
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Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde... em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.
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Rainer Maria Rilke.

domingo, 10 de abril de 2011

Károly Ferenczy

 Károly Ferenczy, Sermon on the Mountain (1896, Hungarian National Gallery, Budapest).
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Károly Ferenczy (1862-1917) foi um pintor contemporâneo de Veloso Salgado e este Sermão na Montanha é da mesma época que o Jesus do pintor português. Apesar da proximidade do tema, as diferenças são evidentes. Em vez de uma paisagem seca e crepuscular, temos uma visão de um espaço verdejante, rodeado por árvores e montanhas. Jesus não está isolado, pois está rodeado de discípulos atentos. Ele é um homem, rodeado de outras figuras humanas, vestidas de acordo com o século XIX, o que transporta o momento bíblico para a contemporaneidade. Seria um quadro bastante naturalista, se não fosse o pormenor insólito de um homem com uma armadura, ao lado de Jesus. Gostava de saber qual o seu significado.
No site Fine Arts in Hungary conta-se a história deste quadro, mas não explicam o homem de armadura:
«The first summer in Nagybánya resulted a large size composition of a biblical nature. The gloomy and splendid landscape inspired the painter to pass on a serious message. (...) His family, friends and models accompanied him to the mountain he had selected and they posed for his picture».
Essa figura de armadura medieval seria apenas uma referência de que este acontecimento pertencia ao passado?

quinta-feira, 17 de março de 2011

Ler III

Károly Ferenczy, Man Sitting on a Log (1895, Hungarian National Gallery, Budapeste).
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De acordo com William Styron (1958), «a good book should leave you... slightly exhausted at the end. You live several lives while reading it». Creio que a frase é verdadeira, sobretudo quando os livros são bons. Ultimamente ando a ler o livro de Mario Vargas Llosa, A Tia Julia e o Escrevedor. É um livro sobre dois escritores, com muitas histórias e muitas vidas, muita ironia e muito bem escrito. Estou a gostar imenso e estou quase a terminá-lo.