Laurits Andersen Ring, Harvest (1885, in Gandalf's Gallery)
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Júlio Pomar, Gadanheiro (1945, MNAC).
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Descobri há pouco tempo na internet esta pintura de Laurits Ring (1854-1933) e lembrei-me de uma obra bastante posterior de Júlio Pomar (n. 1926). Ambas as pinturas têm um pendor realista, mas os sessenta anos que as separam implicam uma tradução do realismo de uma forma totalmente diferente. A primeira obra é tranquila, a segunda tem uma enorme carga expressiva. Contudo, ambas as obras representam o período da ceifa, no Verão.
Só depois de ter ido viver para Torres Vedras e de fazer com frequência a estrada de Torres para Lisboa, me fui apercebendo melhor da maneira como as Estações do ano alteram a fisionomia da paisagem. Na Primavera é tudo verde e amarelo (ou ainda de outras cores). No Verão as ervas secam e os campos tornam-se mais doirados. É a hora de colher o feno e os cereais, que se juntam em pequenos montes, que por vezes assumem formas de cilindros ou cubos - o que introduz uma estranha geometria à natureza.
Para uma citadina como eu, que tem sempre (e espero sempre vir a ter) curiosidade e prazer em ver e conhecer coisas novas, foi uma descoberta - pois tudo isto para mim era (quase) mera teoria. Para além do gosto de ver a natureza em mudança, ainda houve para mim o prazer de relacionar o espectáculo da natureza com as memórias de quadros de que gostava - sobretudo naturalistas e realistas. De facto, a paisagem natural em mutação, bem como o trabalho do campo, é digno de ser visto, pintado ou fotografado. Só tenho pena de não ter podido parar na A8 para tirar fotografias...
