Mostrar mensagens com a etiqueta Lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lisboa. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Da Fortificação de Lisboa

Francisco de Holanda, «Da Fortaleza de Belém e S. Gião e baluartes» (1571)
-
«Com o mesmo Cuidado e Providençia que a Cidade de Lysboa deve ser fortalecida de novo Castello e de Muros e Torres, e Portas e Baluartes e de Bastiaens, ao modo das fortalezas modernas, que hoje se costumão por toda a christãdade. E se possivel for cercada toda de Novo e forte Muro: inda que os velhos que lhe fez ElRey Dom Fernando, sejaõ ao seu modo honestamente fortes pola bõa argamassa e entulhos que tem, que foi a milhor obra que nenhum rey fez em Lysboa depois das Igrejas.
Assim mesmo deve de ser fortalecida, Repairada e acabada a fortaleza de Belem. E a de São Giaõ. Pois que tem tãto custado sem estar bem acabada. E isto com alguns baluartes fortes que lhe Respondaõ da outra banda da Trafaria e da Area da Adiça. s. hum de fronte da Torre de Belem: onde esta a torre velha. E o outro de fronte de S. Caterina de Ribamar que he a mais segura fortaleza de Lysboa ali onde acabaõ os montes Dalmada e começam a Area da ponta da Trafaria ou Cachopos.(...)»
-
Francisco de Holanda, Da fábrica que falece à cidade de Lisboa, 1571. In Jorge Segurado, Francisco d'Ollanda, Lisboa, Edições Excelsior, 1970, p. 89.
-
Nota: O texto do capítulo IV está completo no site Almada Virtual Museum (de onde retirei a imagem), onde tem referência para uma Tese de Doutoramento de Maria Luiza Zanatta de Souza, Um novo olhar sobre "Da fábrica que falece à cidade de Lisboa" (Francisco de Hollanda 1571), São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, 2011.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Santuário de Nossa Senhora da Penha de França

-
Neste Domingo consegui (finalmente) visitar a Igreja de Nossa Senhora da Penha de França. Fui passear com o meu marido à Almirante Reis e comentei com ele que desejava muito ir a essa igreja. Sem entrar em detalhes demasiados, basta dizer que no regresso fizemos um caminho que nos foi dar lá. E com muita sorte, pois na hora em que chegámos apareceu um senhor que cuida da igreja e que a abriu, porque se aproximava a hora da missa.




A devoção a Nossa Senhora da Penha de França tem origem em Espanha, no séc. XV, quando um monge de nome Simón Vella descobriu uma imagem de Nossa Senhora enterrada numa Penha chamada Peña de Francia. 
No caso de Lisboa, diz-se que no lugar onde hoje está o Santuário, um homem devoto adormeceu. Uma cobra atacou-o, mas foi salvo por um lagarto, por intercessão de Nossa Senhora.



Segundo o SIPA, o Santuário tem origem em 1597, na sequência de um voto do imaginário António Simões, em Alcácer-Quibir. Este executou uma imagem da Senhora, a que deu a denominação de Nossa Senhora da Penha de França. Pouco depois, ele e a sua mulher desejaram construir uma capela para a nova imagem e solicitaram a Afonso de Torres e Magalhães e a sua mulher, D. Constança de Aguilar, uns terrenos para a sua edificação, no local denominado Cabeça de Alperce, o que foi atendido.



A primeira pedra da Igreja foi lançada a 25 de Março de 1598. Três anos depois (1601), António Simões e sua mulher doaram a ermida aos Eremitas Calçados de Santo Agostinho do Convento de Nossa Senhora da Graça de Lisboa. Entre 1625 e 1635, edificou-se uma nova igreja com convento, sob desenho do arquitecto Teodósio de Frias. O Terramoto de 1755 causou danos consideráveis, sendo o Mosteiro reconstruído, segundo orientação do arquitecto Aires da Cunha.



Mural de Leonor Brilha, O Lagarto da Penha (2003)
-
Sobre este assunto, cf. também o site do Projecto LxConventos, com bibliografia e fotografias, incluindo da zona conventual, que não pude visitar.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Monumentos (no Dia dos Museus)

-
«(...) Os monumentos de uma cidade são considerados vulgarmente como testemunhas mudas, mas coevas, cenários imóveis de pequenos e grandes dramas. Mas, a nosso ver, há que encarar essas moles pétreas numa outra perspectiva, na sua qualidade de sujeitos enquanto produção do homem/construtor, a ele umbilicalmente ligadas no nascimento/construção e na morte/destruição. Relacionamento quase simbiótico, transcendendo o mero enquadramento».
-
António Ventura . 1982. «Os Monumentos Militares de Portalegre – Breve Apontamento Histórico-Descritivo». In Primeiro Congresso sobre Monumentos Militares Portugueses, Livro do Congresso: Comunicações, Palestras, Conclusões e Recomendações. Vila Viçosa: Património XXI - Associação Port. para a Protecção e Desenvolvimento da Cultura, p. 69.
-
Nota: A imagem escolhida mostra bem como a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (mas não só)* alterou a configuração dos monumentos, apagando as marcas da sua história - embora acrescentando outras. Na verdade, mostra bem, também, como aquilo que nós julgamos que sempre foi assim, na verdade não foi - e isso é válido não só para os monumentos. Por sua vez, isso lembra a importância da história: conhecer o mundo que nos rodeia, saber interpretá-lo, para melhor actuar nele e sobre ele. Daí, a importância dos museus, que preservam a memória. Por fim, deixo aqui duas exposições (em Lisboa) que gostava de ver (e tenho de me organizar para vê-las):
* Por exemplo, ver o Mosteiro dos Jerónimos, em 1869 - Projecto "Velha" Lisboa.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Nossa Senhora do Monte


A história da ermida de Nossa Senhora do Monte (ou de S. Gens) remonta à conquista de Lisboa por D. Afonso Henriques, em 1147. Conta-se que entre as hostes cristãs vinham quatro eremitas de Santo Agostinho, a quem foi oferecido um local para se instalarem, no lugar «onde havia, em grande adoração, debaixo de um alpendre, a cadeira de S. Gens» - lendário bispo de Lisboa e um dos mártires do Cristianismo. Esta cadeira era aquela em «que elle costumava prègar, & doutrinar as suas ovelhas» (Santa Maria, 1707, 55).
Nesse lugar, em 1148, os eremitas construíram um eremitério, com uma ermidinha ao pé, onde foi colocada a cadeira, considerada milagrosa, por facilitar os partos. Quanto à localização desse eremitério, Frei Agostinho de Santa Maria (1707, 55) fala de um «lugar, a que ainda hoje chamão o Almocovar, aonde saõ os fornos do tijollo». Mário Ribeiro sugere que ficava «nas faldas do escarpado monte de S. Gens, pouco mais ou menos onde está agora a rua do Terreirinho» (Ribeiro, 1939, 50). No Guia de Portugal refere-se que esse eremitério ficava nas «raízes do monte, às Olarias» (Santana, 1979, 295).
Acontece que o lugar original não era o ideal para os eremitas, pelo que estes receberam uma doação das terras, no alto do monte vizinho, onde foi fundada nova ermida, em 1243:
«Compadecida hua nobre Senhora chamada D. Susana, do grande discomodo, que os Religiosos padeciaõ, (em hu sitio todo encovado, doentio, &tam distante da Cidade, que custava muyto aos moradores della o poderemse aproveitar da sua doutrina como desejavaõ) lhe fez doação do monte q lhe ficava iminente, & de todas, as terras circumvesinhas a elle. Para este sitio se passáraõ,& nelle começárão a levantar alguas cellas (...). Vinte & oito annos estiveraõ em o Monte. Tambem esta Cafa teve o titulo de S. Gens; & para esta Cafa trouxeraõ os Religiosos a sua cadeira, em que elle em sua vida se sentava a fazer praticas aos seus subditos; a qual ainda hoje se vè no alpendre da Casa da Senhora do Monte» (Santa Maria, 1707, 56).
Foram construídas celas e deu-se ao novo lugar o nome de Eremitério de S. Gens, sendo construída uma cisterna. Desta segunda casa, partiram depois os eremitas para o futuro Convento da Graça, construído num monte próximo, em 1271 (Júnior, 1946, 49-51). 
A ermida do séc. XIII, continuou a merecer veneração, permanecendo sob a alçada dos monges de Santo Agostinho. Contudo, foi arrasada pelo Terramoto de 1755, que porém não destruiu a cadeira. Em 1757, fez-se a nova ermida, sob o encargo do arquitecto Honorato José Cordeiro.
Esta ermida, que ainda hoje existe, é possuidora de uma localização que permite uma bela vista sobre Lisboa:
«Quem quiser gozar uma das mais lindas vistas da nossa querida Lisboa, não tem mais do que subir a calçada da Mouraria, travessa do Jordão (escadinhas), quebrar à esquerda o largo das Olarias, subir, à direita, a íngreme calçada do Monte e, chegando ao topo, virar à esquerda, de onde, consoante disse acima, se desfruta um lindíssimo panorama da nossa Lisboa (...)» (Júnior, 1955, 49). 


-
Bibliografia:
JÚNIOR, Henrique Marques, «A Ermida de Nossa Senhora do Monte e S. Gens: esbôço monográfico», in Olisipo, Ano IX, nº 33, Janeiro de 1946, pp. 49-53 (disponível online na Hemeroteca Digital).
RIBEIRO, Mário de Sampayo, «A Igreja e o Convento de Nossa Senhora da Graça», in Olisipo, Ano II, nº 5, Janeiro de 1939, pp. 47-55 (disponível online na Hemeroteca Digital).
SANTA MARIA, Frei Agostinho de, Santuário Mariano e História das Imagens Milagrosas, 1.º Tomo, 1707 (disponível online no Archive).
SANTANA, Dionísio (ed.), Guia de Portugal I. Generalidades. Lisboa e Arredores, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. 602-603 (1.ª ed. 1924, dirigida por Raul Proença).

sexta-feira, 2 de março de 2018

Ordem

Convento da Graça, Lisboa
-
«(…) E é este mesmo jubilo perante a criação de ordem que leva os seres humanos a montar quebra-cabeças ou a endireitar quadros tortos nas paredes. A nossa predisposição para a organização está inscrita no nosso ADN (...)». 
-
Dan Brown, Origem, Lisboa, Bertrand Editora, p. 108.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Afinidades XIV

Tomás da Anunciação, Vista da Penha de França (1857, MNAC)
-
-
Acho que já muitas vezes tinha olhado para estas duas pinturas, mas só recentemente descobri que eram semelhantes. Poderiam formar um par, não fosse o facto da pintura de Cristino da Silva ser maior.
A paisagem de Tomás da Anunciação representa a Lisboa rural de meados do século XIX, com o antigo convento dos eremitas de Santo Agostinho na colina da Penha de França. No primeiro plano vêem-se duas árvores de grande copa que enquadram cenograficamente a paisagem, onde se vislumbram, no plano intermédio, dois bois e uma camponesa (Cf. Matriznet). No quadro de Cristino da Silva surgem árvores idênticas, provocando o mesmo truque cenográfico, menos naturalista neste caso. A animação dos camponeses está mais próxima do primeiro plano, embora já a sair da sombra. A paisagem mostra uma vista de Campolide, vendo-se no centro o vale onde iria ser aberta a Avenida da Liberdade. Ao fundo estão as colinas do castelo de São Jorge e da Graça. Os camponeses cruzam-se com um homem montado a cavalo, de chapéu e capa vermelha, que a historiadora Maria de Aires Silveira sugeriu ser o pintor Francisco Metrass, também amigo de Cristino (cf. Matriznet).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Pátio do Bonfim

A porta costuma estar fechada, mas outro dia apanheia-a aberta. Como adoro pátios lisboetas, não perdi a oportunidade:
 
 
Como diz na entrada (não aprofundei muito), é um pátio do século XVIII, que nesse século era conhecido por Pátio das Secretarias, porque ali funcionaram as secretarias de Estado no tempo do Marquês de Pombal. No século XIX, habitou aqui o 2.º Conde de Bonfim, José Lúcio Travassos Valdez (1787-1862), que deu o actual nome ao Pátio. Numa das casas viveu Rodrigo Vicente de Almeida (1828-1902), bibliotecário da Ajuda, que teve como amigo e mestre Alexandre Herculano. Sobre este tema, ver, por exemplo: «Casa na Calçada da Ajuda, n.º 234 / Pátio do Bonfim» in Monumentos.gov.pt.





segunda-feira, 10 de julho de 2017

Termos de Arte e Arquitectura - Abóbada

Sé de Lisboa - abóbada de berço
-
«Cobertura de um espaço, ou de parte dele, em forma de arco que descarrega na terra, através dos pés-direitos ou espaldas, o peso que comporta. (...) A chave é o plano mais alto da abóbada. De acordo com as diferentes formas, distinguem-se vários tipos de abóbada. A abóbada de berço, que representa o desenvolvimento contínuo de um arco romano, é constituída por uma estrutura semilicilíndrica que se apoia em dois muros paralelos onde descarrega o peso. A abóbada de arestas nasce do cruzamento de duas abóbadas de berço e é formada por quatro compartimentos, chamados panos, divididos uns dos outros por nervuras de alvenaria (...). Estes dois tipos de abóbadas são os mais comuns. (...)» - in Dicionário de Termos Artísticos e Arquitectónicos, Público, 2006, pp. 8 e 10.
-
Palladio, Palazzo della Ragione - abóbada de arestas
-
Abadia de Bath - abóbada de leque
-
-
Leonardo Vaz, Refeitório do Mosteiro dos Jerónimos (1517-1518) - abóbada abatida
-
Cf. também Tesouros Artísticos de Portugal, p. 645.
-
-

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Passeando pelo Palácio Nacional da Ajuda

Não irei agora entrar com detalhes sobre a história deste Palácio, sabendo-se que é um edifício iniciado em 1795, mas que nunca foi concluído (daí ter uma parte inacabada e arruinada), inicialmente devido às Invasões Francesas, em 1808. As obras ainda decorreram entre 1813 e 1820, mas só foi concretizado 1/4 do projecto inicial. É, segundo Paulo Varela Gomes*, uma «das maiores semi-ruínas do País», um «dos grandes projectos arquitectónicos das últimas décadas do século XVIII» que «assinalam a altura a que tinham chegado as esperanças dos anos de 1790... que foi a altura de onde Portugal de repente caiu.» (Gomes, 2009, 7 e 14) O projecto inicial do Palácio coube a Manuel Caetano de Sousa, sendo depois reformulado, em 1802, por Francisco Xavier Fabri e José da Costa e Silva. (cf., na internet, por exemplo o artigo da Wikipédia).
* Paulo Varela Gomes, Expressões do Neoclássico, in Dalila Rodrigues (Coord.), Arte Portuguesa, da Pré-História ao Século XX, Vol. XIV, Fubu Editores, 2009.
-


-
Outro dia fui passear por lá, vendo-o apenas por fora, porque já não eram horas de visita (gostava de um dia o visitar por dentro). Fascinaram-me sobretudo as esculturas, que, posteriormente, em conversa com uma amiga, que é historiadora de arte (Cátia Mourão) descobri que eram inspiradas na Iconologia de Cesare Ripa.

Amor da Virtude
 
Anúncio Bom



 Inocência


Machado de Castro, Gratidão

Constância

Machado de Castro, Conselho
-
Não tendo agora oportunidade para desenvolver o assunto, já fiz alguma pesquisa sobre a alegoria do Conselho, que foi aquela que me intrigou mais. Pude constatar que as três cabeças que ele indica, com a mão esquerda, são um cão, um leão e um lobo, significando o passado, o presente e o futuro, tema que também aparece numa alegoria de Ripa e numa pintura de Ticiano, Alegoria da Prudência (1565-1570, National Gallery de Londres). 
Foram sete os autores das esculturas que representam alegorias das Virtudes (c. 1804- c. 1830). Entre esses escultores destacam-se Machado de Castro e João José de Aguiar. As esculturas estão assinadas, mas na altura não assentei os nomes (e tenho pouca literatura em casa sobre o assunto, para poder investigar facilmente). Como me interesso por iconografia, talvez um dia venha a aprofundar este tema.
-

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Património

Igreja de Nossa Senhora de Fátima, fotografia de c. 1938
-
«O significado do património arquitectónico e a justificação para a sua protecção são hoje mais claramente compreendidos. Sabe-se que a preservação da continuidade histórica [...] é essencial para manter ou criar ambientes que permitam aos indivíduos encontrarem a sua identidade e sentirem-se seguros, apesar das rápidas transformações sociais.»
-
Conselho da Europa (1975) Declaração de Amesterdão. citado in Helena Barranha, Património cultural: conceitos e critérios fundamentais, Lisboa, IST Press, ICOMOS-Portugal, 2016, p. 44.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Afinidades VI

Francesco Bartolomeo Rastrelli,  St. Andrew's Church (1744–1767, Kiev, Ukraine)
-
António José Dias da Silva, Praça de Touros do Campo Pequeno (1892, Lisboa)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Passeios II

“One’s destination is never a place, but always a new way of seeing things.”
-