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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Do rosto humano

Jose Gutierrez Solana, Old Mountain
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"El rostro humano jamás miente; es el único mapa que registra todos los territorios que hemos habitado."
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

As Rosas de Atacama

(Link)
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Devido, em grande parte, à actual crise, quase deixei de comprar livros - passei a lê-los em bibliotecas, a pedir emprestados a familiares e amigos, etc. Entretanto, este verão, decidi reler os livros de que gostava e que já tinha em casa, meio esquecidos. Qual não foi o meu espanto quando vi que, entre esses livros, estava um que eu ainda não tinha lido. Para ser sincera, estava mesmo convencida que já o tinha lido, até o começar a ler. Trata-se das Rosas de Atacama de Luís Sepúlveda. O livro desenlaça-se a partir de uma visita ao campo de concentração de Bergen Belsen, onde o autor leu a frase: «Eu estive aqui e ninguém contará a minha história». Sepúlveda decide então reunir um conjunto de histórias de pessoas que conheceu, para "evitar que o pó do esquecimento as cobrisse".
No meio desta descoberta, para mim já extraordinária, encontrava-se outra descoberta. O conto intitulado As Rosas de Atacama, sobre um personagem, Fredy Taberna, que anotava todas as maravilhas que ia encontrando à sua volta. No meio da sua história, toda ela digna de nota, fiquei sobretudo fascinada ao encontrar a explicação sobre o que são as rosas de Atacama:

«(...) ao amanhecer de 31 de Março, o meu amigo sacudiu-me para me acordar.
Os sacos-cama estavam empapados. Perguntei se tinha chovido e Fredy respondeu que sim, que tinha chovido miúda e subtilmente, como em quase todos os dias 31 de Março em Atacama. Quando me pus de pé, vi que o deserto estava vermelho, coberto de pequenas flores cor de sangue.
- Ali as tens. As rosas do deserto, as rosas de Atacama. As plantas continuam ali, debaixo da terra salgada. Viram-nas os atacanenses, os incas, os conquistadores espanhóis, os soldados da guerra do Pacífico, os operários do salitre. Continuam lá e florescem uma vez por ano. Ao meio-dia já estarão calcinadas pelo sol - disse Fredy anotando dados no seu caderno».

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Dos barcos

Herbert Barnard John Everett, The ‘Cutty Sark’, Bow View (1869 - Link)
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«(...) comigo os barcos não sofrem quando vão para o desmantelamento, porque, enquanto espero pela maré cheia, falo com eles, falo-lhes de todos os portos que tocaram, de todas as línguas que ouviram, de todos os marinheiros, de todas as bandeiras. Os barcos são animais nobres e chegam conformados ao paraíso do trabalho».
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Luís Sepúlveda, As Rosas de Atacama, Edições Asa, p. 23.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os povos que não conhecem a fundo a sua História

«Doi-me a ilha perdida, e repete-me que os povos que não conhecem a fundo a sua História caem facilmente nas mãos de vigaristas, de falsos profetas, e voltam a cometer os mesmos erros».
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Luís Sepúlveda, As rosas de Atacama, p. 16.
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Nota pessoal: Concordo, mas o problema é que a História é uma narrativa, uma construção feita pelos historiadores, que se baseiam em factos (documentos, testemunhos) - é certo -, mas pode ser falsificada, mitificada, usada pelos "falsos profetas" - e, nesse caso, pode ser tão perniciosa como o desconhecimento da História.

Tranformações

«(...) Sabe, por exemplo, que uma grama de pólen é como um grama de si mesmo, docemente predestinado ao lodo germinal, ao mistério daquilo que se erguerá vivo dos ramos, de frutos e de filhos, com a bela certeza das transformações, do começo inevitável e do necessário final, porque o que é imutável encerra o perigo do eterno, e só os deuses têm tempo para a eternidade»
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Luís Sepúlveda, As rosas de Atacama, Porto, Edições Asa, 2000, p. 10.