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domingo, 12 de janeiro de 2014

4 Columbanos (que estiveram recentemente em leilões)

Em leilões recentes, que tenho acompanhado sobretudo pelo blogue Arte em Números, tem surgido bastante pintura portuguesa do Naturalismo e, dentro desse grupo geracional e estético, algumas obras de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Algumas delas foram para mim uma boa descoberta, porque quando realizei a minha tese de Douramento iniciei um catálogo raisonné da obra deste artista, mas faltavam-me muitas peças do puzzle, que agora vou completando. Entre as pinturas que agora surgiram destaco primeiro, por motivos cronológicos, mas também por gosto pessoal, esta Cena de interior (Link).


Trata-se de uma pintura que eu conhecia apenas de uma reprodução em gravura, publicada em O Ocidente, em 15 de Agosto de 1880, com o título de O Avô (Link).


Esta obra é provavelmente de 1880, pelo estilo que é muito semelhante ao de outras obras contemporâneas (por exemplo o Convite à valsa, CMAG). Em 1880, foi apresentada na Sociedade Promotora das Belas Artes e numa exposição com António Ramalho, realizada na Associação de Jornalistas e Escritores.
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Outra pintura que veio a leilão foi uma aguarela figurando uma Paisagem com duas figuras e cães (Link), sendo este um trabalho que está ligado à actividade de Columbano nas artes decorativas. Pelo menos desde 1880 que Columbano se dedicou às artes decorativas, nomeadamente por razões de ordem económica. Em 1892, escreveu ao amigo Batalha Reis:

«Pede-me notícia dos meus trabalhos? Eu pouco tenho feito. A epoca está desgraçada! Appareceu-me João Burnay a encomendar-me trabalhos para a casa que ele tem no Seixal, mas não os quer, enquanto não tiver vencido uma questão de dinheiros, que está muito duvidosa. (…) O pior é que estou sem trabalho e sem dinheiro! N'um destes momentos d'ocio e de penúria, descobri uma coisa que pode talvez, não direi enriquecer-me, mas remediar-me, descobri a maneira fácil de fazer tecido no genero dos Gobelins. Já comecei a tecer com lans, uma cabeça de satyro, e vejo que me dá o efeito da mais fina tapessaria. Se isto me der o resultado, que espero, poderei educar gente, a fazer esta especie de tecido, e será uma indústria a tratar, não lhe parece?»


Como escrevi na minha tese, não sei onde se encontra a peça descrita na carta, mas no Museu do Chiado, guarda-se um bordado datado de 1893, assinado por Columbano e Maria Augusta Bordalo Pinheiro. Dentro de um estilo que faz lembrar as imagens da Renascença, vemos dois homens com cães, numa cena de caça. Existem algumas semelhanças entre esta composição e os cartões para tapeçaria feitos por Jean-Paul Laurens (1838-1921), para a Manufacture de Gobelins. A aguarela que esteve em leilão era muito provavelmente o cartão de Columbano que deu origem ao bordado de 1893.
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A terceira obra que vou referir é o Retrato de Artur Lessa (1896 - Link). Esta pintura pertenceu à Colecção Dr. Chaves de Almeida e foi exposta em 1897, em Lisboa e no Porto. Trata-se de um retrato característico do estilo de Columbano, fazendo sobressair o rosto de um fundo escuro, que realça a profundidade do olhar. Faz lembrar outro retrato do mesmo ano, de Raul Brandão (Museu do Chiado - MNAC), que também foi exposto em Lisboa, em 1897.
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Por fim, fica o Retrato de Senhora (1903 - Link), obra que terá sido exposta na Sociedade Nacional de Belas Artes em 1903, provavelmente com o título Pensativa.

domingo, 29 de setembro de 2013

Bilros

Sofia Martins de Souza, Interior [Rapariga fazendo renda de bilros] (Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto - Link)
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro numa aula de renda de bilros (Museu do Chiado - MNAC, Lisboa - Link)
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro, Lenço com decoração de Fuccias (Museu do Chiado - MNAC, Lisboa - Link)
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«Para Robert Smith, as pequenas peças torneadas, origem da designação "cama de bilros", colocadas verticalmente nos dois sentidos, transmitiam a ilusão de movimento contínuo, acentuado pelo torneado das colunas e pernas, o que agradava ao gosto barroco de então. (...) Segundo este autor, a coluna torsa impôs-se entre nós na década de 1680/90, tendo então decorado as grades e os púlpitos das igrejas, o que, como notou Bernardo Ferrão, obriga a situar o fabrico de mobiliário com elementos torneados em espiral no último quartel do século XVII e primeira metade do século XVIII» (BASTOS, Celina; PROENÇA, José António - Museu de Lamego. Mobiliário. Lisboa: IPM/Museu de Lamego, 1999 - Link).

Leito "de bilros" (1675 d.C. - 1750 d.C, Museu de Lamego - Link)
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Enrique Casanova, Quarto de D. Luís no Paço de Sintra (onde se vê um "leito de bilros") (1889-1895, Palácio Nacional da Ajuda - Link)

domingo, 8 de setembro de 2013

Alguns leques

Diego Velasquez, Lady with a fan (c. 1635, Wallace Collection - London - Link)
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Katsushika Hokusai, Five fans (Link)
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James Tissot, The fan (c. 1875, Wadsworth Atheneum - Hartford, CT - Link)
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Mary Cassatt, Woman with a Pearl Necklace in a Loge (1879 - Link)
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Enrique Casanova, Pombos num camarote (1890, Palácio Nacional da Ajuda - Link)
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Laura Sauvinet, Retrato de senhora (1892, Museu de José Malhoa - Link)
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Leque (Museu de Alberto Sampaio - Link)
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Maria Augusta Bordalo Pinheiro, Leque com decoração de flores (Museu do Chiado - Link)
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Manuel Jardim, A mão e o leque (Museu Nacional Machado de Castro - Link)
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Paul Gauguin, Girl with a fan (1902, Museum Folkwang - Essen - Link)
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Linguagem dos leques (Link)

- Colocar o leque junto ao coração: conquistou meu amor.
- Colocar o leque fechado junto ao olho direito: quando posso vê-lo de novo? A que horas, é respondido pelo número de varetas.
- Tocar com a mão no leque ao abaná-lo: o meu desejo era estar sempre junto de ti.
- Acariciar o leque fechado: não seja tão imprudente.
- Tocar com o leque meio aberto nos lábios: pode me beijar
- Unir as mãos debaixo do leque aberto: não traia nosso segredo.
- Esconder os olhos atrás do leque aberto: amo-o
- Fechar muito devagar o leque: prometo casar consigo.
- Passar o leque pelos olhos: peço desculpas.
- Tocar a extremidade do leque com o dedo: quero falar consigo
- Tocar o leque na face direita: sim.
- Tocar o leque na face esquerda: não.
- Fechar e abrir o leque várias vezes: você é cruel.
- Deixar cair o leque: nós vamos ser amigos.
- Abanar o leque muito devagar: sou casada.
- Abanar o leque muito depressa: estou comprometida.
- Levar o cabo do leque aos lábios: beije-me.
- Abrir todo o leque: espere por mim.
- Colocar o leque na cabeça: não se esqueça de mim.
- Fazer o mesmo movimento com o leque, estendendo o polegar: adeus.
- Segurar o leque na mão direita e em frente à face: siga-me.
- Segurar o leque na mão esquerda e em frente à face: estou desejosa de o conhecer.
- Colocar o leque junto da orelha esquerda: quero ver-me livre de si.
- Passar o leque pela testa: você mudou.
- Rodar o leque com a mão esquerda: estamos a ser observados.
- Rodar o leque com a mão direita: amo outro.
- Segurar o leque na mão direita: você está sendo muito precipitado.