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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Das portas

Raul Lino, Projecto de Casa para os Arredores de Lisboa, hors-texte do livro A Nossa Casa (c. 1918; 3.ª edição, c. 1923 - Blog da Rua Nove)
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«Uma boa proporção para qualquer porta de entrada de casa é por exemplo aquela em que se toma por base da largura o espaço necessário para duas pessoas passarem a par, e de altura pouco mais que o suficiente para caber um homem alto de chapéu na cabeça».
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Raul Lino, A Nossa Casa, Apontamentos sobre o Bom Gosto na Construção das Casas Simples, Sintra, Colares Editora, 2018, nota da página 39.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Sobre o Bom Gosto

D. Maria Pia, Uma Casa Rústica (1859-1860, Palácio Nacional da Ajuda)
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«Não há regras nem tabelas pelas quais se possa distinguir infalivelmente entre o que é belo e o que é feio. Se as houvesse, a arte deixaria em breve de exercer o seu eterno encanto, sendo livre como é, para cair em estéreis formalismos».
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Raul Lino, A Nossa Casa, Apontamentos sobre o Bom Gosto na Construção das Casas Simples, Sintra, Colares Editora, 2018, p. 19.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Lareiras

Albert Anker, At the Grandparents (1892, Oskar Reinhart Foundation, Winterthur)
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Florence Fuller, Inseparables (1900)
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John Lavery, The gothic room, 901 fifth avenue (1926)
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Raul Lino, «O Gato», in Afonso Lopes Vieira (poemas) e Raul Lino (ilustração), Animaes nossos Amigos, Lisboa, Livraria Ferreira, p. 31.
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(Pinterest)
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Nota: O tema já o tinha abordado no post «Uma colecção de lareiras», de 4 de Fevereiro de 2014, onde também já tinha sido publicada a ilustração de Raul Lino.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Parabéns Sandra!

Famosos nascidos neste dia, há muitos. Entre eles:
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Voltaire, nascido em 1694
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Columbano Bordalo Pinheiro, nascido em 1857
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Raul Lino, nascido em 1879
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René Magritte, nascido em 1898
The Empire of Light (c.1950–1954, Museum of Modern Art)
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E Björk, nascida em 1965

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Óbidos, segundo Raul Lino

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«(...) uma das terras do país que mais conservam o seu pitoresco medieval.
(...) D. Denis fêz doação da vila (...) a sua mulher a rainha S.ta Isabel (...). Desde então ficou sendo apanágio da casa das Rainhas até 1833 (...).
(...) Na quinta da Capeleira, próximo da vila, viveu Josefa d'Ayala y Cabrera, mais conhecida por Josefa de Óbidos, filha dum obidense e duma sevilhana.
O castelo de Óbidos (mon. nac.) é um dos exemplares mais perfeitos do tipo da nossa fortaleza medieval. (...) Coroando a crista calcárea do monte, as muralhas têm a planta de um ferro de engomar, com o bico virado ao S., terminado pela Tôrre Vedra ou do Facho. Na base dêste triângulo, ao N., fica o castelo própriamente dito, onde seria o paço do alcaide.
Lá dentro, envolvida quási completamente pelas muralhas, como nos séc. XIII e XIV, fica a vila (...).
Em dias de sol, a vila, cujo casario transborda a E. para fora das muralhas, apresenta um aspecto bem meridional e pitoresco. As velhas casas, muito caiadas e garridas, com os seus cunhais pintados a azul, vermelhão ou verde-cobre, perfilam-se sôbre as ruas turtuosas, umas baixas, outras altas, umas à frente, outras mais recuadas, parecendo jogar às escondidas com os transuentes (...). Um ou outro vão manuelino finamente recortado e o pelourinho joanino (mon. nac.), de granito, com o camaroeiro de D. Leonor (...). Tôda a vila é mesclada de parreiras e ciprestes, tendo sempre por fundo as vetustas muralhas ameadas, cuja côr naturalmente sugeriu o célebre dito de D. João V: "Eis aqui um vilão com uma cinta de oiro".
Dão acesso à vila quatro portas e dois postigos. (...) a S. e a E. ficam as da Vila e a do Vale, guarnecidas de pitorescos oratórios abertos para o interior das muralhas. O que fica junto à porta do Vale, dedicado à S.ª da Graça, tem a forma de capela, e foi mandado construir nos principios do séc. XVIII pelo magistrado da Índia Bernardo de Palma (...).
O castelo (...) encerra restos dum paço, que deve datar do princípios do séc. XVI. Á altura do andar nobre vêem-se duas janelas manuelinas ricamente lavradas e um portal do mesmo estilo, a que uma extensa escada exterior teria dado acesso. O portal é encimado por um brasão dos Noronhas e pelo escudo real (...). Na parede desta sala, oposta aos referidos vãos, encontra-se uma rica lareira, também manuelina, e na parte exterior do castelo, ao N., ainda se vêem, à altura do mesmo pavimento, restos dum janelão manuelino de vêrga trilobada.
"Da campina de extra-muros destacam-se para o S. algumas velhas aldeias: a Roliça (...)... No quadrante norte vêem-se S. Martinho do Pôrto, as Caldas, a freguesia de S. Gregório, a Fanadia, célebre pelo seu pão de ló, e enfim a Lagoa... (...)" (R. Ortigão).
(...)


Das igrejas da vila e redondezas, a mais notável é sua matriz, de St.ª Maria, cuja fundação é anterior à monarquia. Como hoje se encontra, é uma construção da Renascença (...). Do lado do Evangelho, está o túmulo de D. João de Noronha, alcaide-mor de Óbidos (m. 1575), obra prima da Renascença Coimbrã (...). Vêem-se neste templo mais de 20 pinturas de Josefa de Óbidos (...).


S. Martinho é uma linda capela ogival do séc. XIV, fundada no tempo de D. Afonso IV por um beneficiado da Sé de Lisboa.(...)
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Raul Lino, «Óbidos», Guia de Portugal, Biblioteca Nacional, 1927, pp. 587-592.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Edifícios...

Raul Lino, Casa de Francisco Costa (1926).
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«...há edifícios como certos homens: a sua apresentação discreta, a modéstia da sua aparência, servem só, às vezes, para neles velar o que possuem de superior.»
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Fucanelli,
citado in Cátia Mourão, A Mansão Filosofal da Rua de Alcolena, Um Conceito de Obra Total, Chiado Editora, 2013, pp. 43-44.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Casa Roque Gameiro, na Amadora

Cerca de 1898, data inscrita na fachada principal da casa, Roque Gameiro (1864-1935) planeou a construção de uma casa no Alto da Venteira, onde viveu com sua família, pelo menos até 1926. O desenho da casa, que se inscreve na tradição da Casa Portuguesa, teve em 1900 uma ampliação projectada por Raul Lino, amigo do pintor.
Visitei-a há pouco tempo e fiquei encantada com este local, cheio de referências à arte e às tradições portuguesas, rodeada por um belo jardim. Sobre o tema, aconselho (pelo menos) três leituras: o número da Ilustração Portuguesa, de 7 de Junho de 1909, disponível da Hemeroteca Digital; o livro de João Cravo e José Meco, A Azulejaria da Casa Roque Gameiro (1997) e A Casa de Roque Gameiro, na Amadora (1997).
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Junto do tecto está um friso com provérbios sobre alimentação (visto que esta era a sala de jantar), entre os quais um de que me tenho lembrado muito nos dias de crise: «Em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão».
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Fotografia da Ilustração Portuguesa (1909)
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No texto do artigo, de Santos Tavares, na Ilustração Portuguesa, pode ler-se: «A lareira, larga e ampla, diz a felicidade dos dias tristes de inverno».
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Azulejos da Fábrica Bordalo Pinheiro.
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No quarto, no friso de remate do lambril, também estão inscritos diversos provérbios, entre eles: «Mais vale deitar sem ceia do que acordar com dívidas».
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Na fachada norte surge uma decoração cerâmica com a legenda: NON SOLO PANE VIVIT HOMO (nem só de pão vive o homem), que era o lema do Grémio Artístico - associação de artistas activa na última década do século XIX.
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O atelier do artista ficava num andar inferior ao da entrada. Lá se faziam os serões da família, como atesta um desenho da sua filha Helena (1895-1986), datado de 1910:
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Uma colecção de lareiras

Master Ermengaut (Link)
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Em sintonia com um post de MR no Prosimetron, que mostra esta bela iluminura, aqui ficam algumas pinturas e uma ilustração, que versam sobre o mesmo tema, entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX.
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James Tissot, The Fireplace (c. 1869 - Link)
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Childe Hassam, A Familiar Tune (Florence Griswold Museum, Old Lyme, Connecticut - Link)
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Childe Hassam, The Fireplace (1912 - Link)
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Frederick Cayley Robinson, A Winter's Evening (Link)
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Henry Salem Hubbell, By the Fireside (Link)
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Raul Lino, O Gato (Afonso Lopes Vieira, Animaes nossos Amigos, Lisboa, Livraria Ferreira - Link)
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«Dans un large fauteuil, près du foyer béni, Comme on peut voyager, l’hiver, à l’infini!»
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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Nascidos a 21 de Novembro

No dia 21 de Novembro nasceram algumas pessoas que de algum modo estão presentes na minha vida. Em primeiro lugar ficam os meus PARABÉNS e votos de um dia MUITO FELIZ para a Sandra do Presépio no Canal.

Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Raul Lino (1907)

Mas quero igualmente recordar, dois homens que, além de serem grandes artistas portugueses, um como pintor e outro como arquitecto, foram também grandes amigos: Columbano Bordalo Pinheiro (n. 1857) e Raul Lino (n. 1879). Não sei exactamente como se terão conhecido, pois existe entre eles cerca de vinte anos de diferença de idade, mas sei que se correspondiam desde 1904. 
Data de 1907 o retrato que Columbano fez do arquitecto, apresentando-o numa composição simples e sóbria, onde sobressai o rosto claro sobre o fundo escuro. Sabe-se que o retratado ficou contente com o resultado, tendo escrito a Columbano dizendo ser-lhe «muito grata a impressão que me faz a sua obra d’arte que d’ora em diante me é permittido guardar em casa». E a sua mulher, Alda Decken dos Santos com quem se casou nesse ano), também terá apreciado: «A minha mulher achou neste retrato uma qualidade intrínseca no todo e uma seriedade na maneira de pintar que ella não vê em outros artistas». O retrato recebeu uma bela moldura do próprio Raul Lino, decorada em estilo Arte Nova, sendo de notar que o arquitecto faria outras molduras do mesmo tipo para outros retratados que eram amigos dele e de Columbano, como, por exemplo, João de Barros (1917). Na moldura do retrato de Lino é de sublinhar a presença do ornamento em ondulado que simboliza «as ondas luminosas do bem» O quadro foi exposto pela primeira vez apenas em 1911, numa Exposição individual no Atelier da Academia de Belas Artes de Lisboa. 
No círculo de amizades estava também o poeta Afonso Lopes Vieira e o escritor (depois Presidente da República) Manuel Teixeira Gomes. Tanto Lino como Columbano (assim como João Barreira, Luciano Freire e José de Figueiredo, entre outros) tiveram um papel relativamente importante durante a Primeira República, que terá começado por um convite, em Outubro de 1910, para serem vogais «da comissão encarregada do arrolamento de todos os bens pertencentes aos palácios ocupados pelo antigo chefe do estado e sua família», determinando o que seria pertença do Estado e da Casa de Bragança, com indicação do que importava conservar para o país como objecto de arte. 
A ligação de amizade entre eles manteve-se ao longo dos anos seguintes e, poderá dizer-se, que se prolongou depois da morte de Columbano (em 1929). Em Novembro de 1931, Manuel Emídio da Silva (outro amigo de Columbano) relatava que tomara a iniciativa para que fosse colocada, na casa em que o pintor falecera, uma lápide comemorativa desenhada por Raul Lino, a qual foi de facto descerrada em 1932. Quem a quiser ver, fica na Rua de São Paulo, junto da esquina com a Rua das Flores.
Vimos que Columbano retratou Raul Lino em 1907 e podemos dizer que cinquenta anos depois era Raul Lino a retratar Columbano. No texto «O retrato na obra de Columbano», publicado na Revista e Boletim da Academia Nacional de Belas Artes (n.º 11), ele escreveu:
«Algumas vezes vi o Mestre a trabalhar. Nunca dei porque esboçasse na tela qualquer parte anatómico-estrutural. Não arquitectava uma composição; parecia que improvisava um poema. Vi-o começar um retrato de corpo inteiro concentrando-se em torno dos olhos do modelo. (...)».
Raul Lino faleceu muitos anos depois, em 1974.
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Margarida Elias, Columbano no seu Tempo (1857-1929), FCSH-UNL, 2011 (Link).
Catálogo da Exposição Raul Lino, Artes Decorativas, FRESS, 1990.

sexta-feira, 8 de março de 2013

À Espera de Dias de Sol

George Harcourt, Borrowed Plumes (Link).
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«(…) Para nós o sol é a mais poderosa fonte da melhor das luzes, despertadora de energias, elemento essencial da higiene e generosa dispensadora de alegria. Deixar entrar a luz do sol em nossas casas, larga, fortemente, equivale a abrir as portas à saúde (…)».
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Raul Lino, Casas Portuguesas – Alguns Apontamentos sobre o arquitectar das Casas Simples, Lisboa, Edições Cotovia, 1992 (1.ª ed. Lisboa, Valentim de Carvalho, 1933), p. 34.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Na casa de alguém

Carl Emil Mucke, Watching the pot.
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«Ao entrarmos em qualquer casa é interessante e agradável sentir que não estamos em lugar público, que se entra na casa de alguém, que a individualidade do proprietário se reflecte na moldura que lhe serve de habitação; e neste sentido a casa, como todas as molduras, tem a função de isolar (…)».
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Raul Lino, Casas Portuguesas – Alguns Apontamentos sobre o arquitectar das Casas Simples, Lisboa, Edições Cotovia, 1992 (1.ª ed. Lisboa, Valentim de Carvalho, 1933), p. 25.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Inverno Português

Óbidos, Dezembro de 2012
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«São cheios de encanto em Portugal os dias claros de Inverno, quando a paisagem se apresenta, como através de cristal polido, mais nítida e toda ressunante de vernizes. Parece então que o azul do céu se derrama por cântaros de oiro na nossa alma, enquanto na atmosfera brilham chispas de luz e reflexos perdidos que a terra, embebida de sol, já não comporta. Despidas as árvores da sua verde cobertura, nenhum abrigo oferecem à sombra, opaca e lenta, que agora se refugia nos colos da serra aguardando o cair da tarde para logo se expandir no seu império nocturno… É nestas horas palpitantes, doiradas e calmas, em que nos sentimos imbuídos não sabemos de que sentimento de paz e conciliação, que essas simpáticas casinhas à beira da estrada, ou entre os campos, melhor nos revelam o seu português sentido (…)».
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Raul Lino, Casas Portuguesas – Alguns Apontamentos sobre o Arquitectar das Casas Simples (1.ª ed. 1933) Lisboa, Edições Cotovia, 1992, p. 72.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A propósito de um retrato

Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Alda Lino (1910).
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Columbano Bordalo Pinheiro nasceu a 21 de Novembro de 1857 e Raul Lino nasceu no mesmo dia, mas em 1879. Eram amigos pelo menos desde 1907, quando o pintor realizou um retrato do arquitecto. Em 1910, Columbano fez o retrato de Alda Decken Lino, que era uma mulher destacada da sociedade, «figurinha de madona, de bandós negros e olhos transparentes» (Raul Brandão). A ideia de Columbano era representar uma mulher bonita, cujo retrato sobressaísse numa exposição em Paris: «Comecei um retrato da Senhora do Lino, em vestido de baile, todo branco e oiro. Espero tirar delle algum partido. Veremos».
No Retrato de Alda Lino, composto com pinceladas livres e em tonalidades claras, há uma movimentação expressiva que recria uma impressão de espontaneidade. Patenteando a elegância da retratada, ela segura um leque na mão esquerda. O seu corpo está também virado para a esquerda, mas a cabeça olha no sentido contrário, como se algo lhe tivesse chamado a atenção. Este movimento do corpo cria uma tensão, que contrasta com a chávena de chá, o livro e o candeeiro sobre a mesa, associados aos momentos de tranquilidade. Junto dessa chávena vemos uma escultura reproduzindo a Vitória de Samotrácia, a qual, sendo uma imagem alada e virada no sentido contrário ao do olhar de Alda Lino, acrescenta outra nota de instabilidade à composição. A sensação geral do retrato é de se estar a captar um instantâneo da realidade, associando passado, presente e futuro - combinando tempos. Traduz uma realidade em mutação, que se associa à própria aceleração do tempo introduzida no século XX. 
Deste modo, o quadro introduz uma sensação de modernidade, que é reforçada pelo próprio cenário. Alda Lino está sentada numa cadeira de linhas rectas, que lembra as cadeiras do estilo da Arte Nova (Escola de Glasgow) ou da Secessão de Viena. A cadeira era provavelmente desenhada pelo próprio Raul Lino - assim como a mesa. De facto, quando em 1907, Raul Lino se casou com Alda Decken dos Santos, foi viver para um prédio da Avenida António Augusto de Aguiar. Segundo o arquitecto: «A nossa casa encheu-se de imediatismo, embora eu nunca perdesse as estribeiras; havia cores desusadas, portas decoradas, tectos rebaixados (...) e móveis que eu desenhara de propósito e que me pareciam participar igualmente da almejada originalidade». Ramalho Ortigão, que visitou a casa, gabou «a combinação encontrada para juntar móveis de diferentes épocas, mas que todos se achavam ligados, entendo eu, como que por um denominador comum que é o sentimento natural e espontâneo, curtido no decorrer dos tempos e que se adquire pela observação enamorada e contínua dos fenómenos da vida e da natureza em todos os seus reinos».
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Margarida Elias, Columbano no seu Tempo (1857-1929), Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, 2011 (Tese de Doutoramento); Maria do Carmo Sousa Lino, As Artes Decorativas na Obra de Raul Lino, Lisboa, Universidade Lusíada, 1999 (Tese de Mestrado), pp. 60-62; «Um grande artista decorador: Raul lino», in Ilustração Portuguesa, 4 de Julho de 1910 (link).

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Escola de Raul Lino em Alcântara

  
Projecto de decoração para a Escola Primária de Alcântara (imagem de Raul Lino: Artes Decorativas, FRESS, 1990).
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A Escola EB1 de Alcântara foi construída no primeiro quartel do século XX e projectada pelo arquiteto Raul Lino (1879-1974). De acordo com um estudo de Carlos Manique, os primeiros projetos de edifícios escolares da autoria de Lino nasceram da amizade que travou com João de Deus Ramos (1878-1953), filho do poeta e pedagogo João de Deus. Contudo, para além da ligação do arquitecto aos jardins-escolas João de Deus, há também um outro conjunto de escolas por ele projectadas. Contam-se aqui os projetos-tipo regionalizados para edifícios de escolas primárias, aprovados em 1935, por Duarte Pacheco (1900-1943), então ministro das Obras Públicas; mas também se deve contar aqui, por exemplo, a Escola Primária de Alcântara (1915-1916). É esta escola que agora venho lembrar, não só porque está a ser objecto de obras, mas também porque acho que é um projecto muito interessante e apelativo - nomeadamente pela decoração com alegres representações de animais domésticos, que  fazem lembrar as ilustrações de Lino para o livros Animais nossos Amigos (1911), de Afonso Lopes Vieira (1878-1946). Raul Lino foi um arquitecto que se interessou pela pedagogia e escreveu que a «formação dos caracteres dá-se do mesmo modo que se aprende a falar, - só muito tarde vem o conhecimento da razão das cousas que se aprenderam por hábito (...)». Por essa razão, se devia cuidar da «sensibilidade das crianças, habituando-as às belas impressões e às belas acções». Dizia ainda, que as «escolas de um país assumem a responsabilidade no maior ou menor valor de um povo (...)» e, por fim, no livro Casas Portuguesas, a certa altura ele afirmava: «Construir é educar».
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Bibl.: Raul Lino, Casas Portuguesas - Alguns Apontamentos sobre o Arquitectar das Casas Simples (1.ª ed. 1933), Lisboa, Edições Cotovia, 1992; Maria do Carmo Sousa Lino, As Artes Decorativas na Obra de Raul Lino, Lisboa, Universidade Lusíada, 1999 (Tese de Mestrado), Vol. IV; Carlos Manique, «Projectos de Escolas Primárias do Arquitecto Raul Lino durante a I República Portuguesa», in Revista Linhas, Jan/Jun. 2011 (link).

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Casa II


Henri Matisse, Woman Reading (1894, in Old Paint).
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«(...) a nossa habitação é a moldura em que se enquadra uma boa parte da nossa vida espiritual e o melhor da nossa vida familiar. Ela não só é o abrigo do corpo contra as intempéries que o fustigam, é também o refúgio para o espírito após a luta diária que o assola» (1918).
«(...) Que a casa seja reino para uns, simples ninho para outros, palácio, baluarte ou choupana – façamo-la verdadeiramente nossa, reflexo da nossa alma, moldura da vida que nos é destinada» (1933). 
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Raul Lino,
Citado por Maria do Carmo Sousa Lino, As Artes Decorativas na Obra de Raul Lino, Lisboa, Universidade Lusíada, 1999 (Tese de Mestrado), pp. 58-59.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Jardim Botânico de Lisboa










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Jardim: «(...) retiro da alma, enlevo do espírito, refúgio da fantasia. Livro de Horas iluminado por onde se rezam dia a dia os mistérios da natureza».
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Raul Lino (1933).
In Maria do Carmo Sousa Lino, As Artes Decorativas na Obra de Raul Lino, Lisboa, Universidade Lusíada, 1999 (Tese de Mestrado, p. 16.
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