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segunda-feira, 10 de março de 2014

Rosas

Martin Schongauer, Madonna of the Rose Bower (1473, St.Martin, Colmar)
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Rosa sem Espinhos

Para todos tens carinhos, 
A ninguém mostras rigor! 
Que rosa és tu sem espinhos? 
Ai, que não te entendo, flor! 

Se a borboleta vaidosa 
A desdém te vai beijar, 
O mais que lhe fazes, rosa, 
É sorrir e é corar. 

E quando a sonsa da abelha, 
Tão modesta em seu zumbir, 
Te diz: «Ó rosa vermelha, 
» Bem me podes acudir: 

» Deixa do cálix divino 
» Uma gota só libar... 
» Deixa, é néctar peregrino, 
» Mel que eu não sei fabricar ...» 

Tu de lástima rendida, 
De maldita compaixão, 
Tu à súplica atrevida 
Sabes tu dizer que não? 

Tanta lástima e carinhos, 
Tanto dó, nenhum rigor! 
És rosa e não tens espinhos! 
Ai !, que não te entendo, flor. 

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Henri Fantin-Latour, Rose Trees White Roses (1875)
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John William Waterhouse, The Soul of the Rose (1908)
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Maria Eduarda Lapa, Rosas (Museu de José Malhoa)
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Paul Klee, Rose garden (1920, Lenbachhaus)

sábado, 4 de maio de 2013

Para o Dia da Mãe

Seguidor de Rogier van der Weyden, A Virgem com o Menino (Link).
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Martin Schongauer,  Madonna in a Rose Garden (Link).
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Olhar para estas pinturas que datarão dos séculos XV-XVI leva-me a ponderar sobre a maneira como a imagem da Virgem, associada à ideia de maternidade, entrou para o imaginário iconográfico ocidental. Segundo Georges Duby, pode-se atribuir o culto marial do período gótico à expansão da cristandade no Oriente, onde se situavam os grandes santuários da Virgem. Esta hipótese é plausível, sendo de acrescentar que foi no século XII que se desenvolveu o culto da Virgem Maria, o que coincidiu temporalmente com a o crescimento da exaltação da mulher nas cortes cavaleirescas. Ao longo dos séculos seguintes triunfou o espírito da cavalaria, desenvolveram-se as cidades e as universidades, aumentou a curiosidade pela natureza e o espírito científico, e o realismo tornou-se mais presente na arte. Com as religiões mendicantes, sobretudo os Franciscanos, desenvolveu-se o culto pela humildade e pelo presépio. Nos séculos seguintes, no período que compreende o final da Idade Média e a Época Moderna, as mulheres começaram a ser mais respeitadas na sociedade e as crianças ganharam individualidade. Esta nova mentalidade certamente se espelha na arte e nomeadamente nas representações da Virgem com o Menino. Estas imagens ganham naturalidade e o Menino torna-se cada vez mais numa criança e menos num adulto em miniatura. Distinguindo-se das imagens hieráticas dos ícones bizantinos, no primeiro quadro, Jesus brinca com o cabelo da mãe e no de Schongauer agarra-se a ela, numa atitude perfeitamente natural de uma criança pequena.
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Bib.: Georges Duby, O Tempo das Catedrais, A Arte e a Sociedade, 980-1420, Lisboa, Editorial Estampa, 1988.

terça-feira, 31 de março de 2009

O Caminho do Calvário


Gravura de Martin Schongauer, Christ Carrying the Cross (ca. 1475– 1480, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque).
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Martin Schongauer (1435-1491) foi um excelente gravador, originário da Alsácia. As suas obras aliam o talento gráfico a um vivo sentimento dos ritmos da perspectiva e do espaço.
Nesta gravura sobressai a grande agitação provocada pelo grande friso de figuras, caminhando para a esquerda, acompanhando Jesus, enquanto este leva a cruz para o Calvário. No centro da composição está Cristo. O caminhar para a esquerda sublinha a lentidão, o esforço, da caminhada. A leve diagonal descendente, quase horizontal, sobre a qual está desenhada a enorme cruz, reforça a carga dramática do momento. Esta ganha ainda maior singularidade pela maneira como a cruz, grande e deitada, geométrica e racional, se destaca entre a miríade de personagens, pequenas, sinuosas e agindo de forma agressiva de acordo com a emoção do momento. Cristo, pacífico, quase vergado sob o peso da Cruz, caminha entre a multidão, e destaca-se também por ser o único que olha o espectador. Deste modo, esta composição insere-se no âmbito da Devotio Moderna, movimento religioso do final da Idade Média, que pretendia aproximar Jesus do crente.
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Texto de Margarida Elias.
Bibliografia: Sandro Sprocatti (dir.), Guia de História da Arte, Ed. Presença, 1997.