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quinta-feira, 19 de julho de 2018

«Razões e Emoções» (Museu do Chiado - MNAC)

Exposição com Curadoria de Maria de Aires Silveira, Emília Tavares e Emília Ferreira.
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António Soares dos Reis, Cabeça de Preto (1873)
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«Esta viagem por cento e cinquenta anos de arte portuguesa permite abordagens a autores e obras raramente mostradas, contextualizando razões, entre emoções e sensibilidades artísticas. A proposta curatorial aponta para uma reflexão sobre os envolvimentos sociais e políticos, e as noções do modo de ser moderno, desde o século XIX, ao distinguir no percurso cronológico, as continuidades e mudanças, os gostos e conceitos, na mais completa coleção de arte contemporânea, a próxima e a original, justificando assim a denominação deste Museu, fundado em 1911».
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Veloso Salgado, Retrato de Sunhitá, Arquitecto Japonês (1891)
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Dominguez Alvarez, Bairro de Pescadores (1929)
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Fernando Lenhas, Cais 44 (1943-1944)
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Edgar Martins, Da Série The Accidental Theorist (2006)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

No Museu do Chiado (visita feita há umas semanas)

Jean-Baptiste Carpeaux, Flora (1873)
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Exposição
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«Era já pleno estio. Os galans mais ardidos de Lisboa estanciavam por Seteais, por Pisões, e por aquelas Várzeas de Colares, a engarrafar lirismo para gastarem por salas nas noites de Inverno.»
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Camilo Castelo Branco, A Queda de um Anjo (1866)
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Alfredo de Andrade, Uma manhã em Creys (1863)
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Soares dos Reis, O Pintor Marques de Oliveira (1881)
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Marques de Oliveira, Praia de Banhos, Póvoa do Varzim (1884)

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 Artur Loureiro, Paisagem (Auvers-sur-Oise) (c. 1883)
 

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Soares dos Reis, O Desterrado (1872)

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 Columbano Bordalo Pinheiro, A Chávena de Chá (1898)
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 Carlos Reis, O Escultor Alberto Nunes (c. 1886)
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 Aurélia de Sousa, No Atelier (1916)
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Exposição
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 António Pedro, Aparelho Metafísico de Meditação (1935)
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René Bertholo, O Sol e a Lua (1967)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Aura da Arte - ainda Walter Benjamin

Frank Waller, Interior View of the Metropolitan Museum of Art when in Fourteenth Street (1881, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque)
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Apontamentos de uma leitura do texto de Walter Benjamin, «The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction», de 1936.
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Benjamin começa por afirmar com razão que: «In principal a work of art has always been reproducible. Man-made artifacts could always be imitated by men. (...) Mechanical reproduction of a work of art, however, represents something new. (...)» Contudo ele lembra que:
«Even the most perfect reproduction of a work of art is lacking in one element; its presence in time and space, its unique existence at the place where it happens to be. this unique existence of the work of art determined the history to which it was subject throughout the time of its existence. This includes the changes wich it may have suffered in physical condition over the years as well as the various changes in its ownership.»


É totalmente diferente presenciar uma obra de arte (ou uma paisagem, ou um concerto, ...) do que ter acesso a uma reprodução. Porém, a reprodução, traz alterações na percepção que podem ser positivas, quer porque conseguem ultrapassar as limitações dos nossos sentidos, quer porque permitem fazer chegar uma mensagem a mais pessoas:
«The presence of the original is the prerequisite to the concept of authenticity. (...) Confronted with its manual reproduction, which was usually branded as a forgery, the original preserved all its authority; not so vis a vis technical reproduction. The reason is twofold. First, process reproduction is more independent of the original than manual reproduction. For example, in photography, process reproduction can bring out those aspects of the original that are unattainable to the naked eye yet accessible to the lens (...). Secondly, technical reproduction can put the copy of the original into situations which would be out of reach for the original itself. (...) The cathedral leaves its locale to be received in the studio of a lover of art; the coral production, performed in an auditorium or in the open air, resounds in the drawing room.»
No entanto, há algo que se perde: 
«The situations into which the product of mechanical reproduction can be brought may not touch the actual work of art, yet the quality of its presence is always depriciated. (...) what is really jeopardized when the historical testimony is affected is the authority of the object.»
E acrescenta: (...) which withers in the age of mechanical reproduction is the aura of the work of art. (...) One might generalize by saying: the technique of reproduction detaches the reproduced object from the domain of tradition. (...)»

Detalhe de Rembrandt Harmensz van Rijn, Homem velho em traje militar (1630-1631)

Creio que essa perda de aura com a reprodução mecânica (ainda mais hoje com os computadores e a internet), é válido mesmo numa reprodução de um livro. É diferente ter nas mãos uma edição original de um livro, do que a sua reprodução digitalizada num tablet. Maior a diferença se compararmos o manuscrito original do livro, que inclui as notas e hesitações do escritor. Benjamin temia pela destruição da aura da obra de arte:
«The concept of aura which was proposed above with reference to historical objects may usefully be illustrated with reference to the aura of natural ones. (...) Unmistakably, reproduction as offered by picture magazines as newsreels differs from the image seen by the unarmed eye. Uniqueness and permanence are as closely linked in the latter as are transitoriness and reproducibility in the former. To pry an object from its shell, to destroy its aura is the mark of a perception whose "sense of the universal equality of things" has increased to such a degree that it extracts it even from a unique object by means of reproduction. (...)»
Soares dos Reis, O desterrado (Museu Nacional Soares dos Reis), reproduzido na Atlântida em 1926.

É diferente assistir a um concerto ou ouvir o mesmo concerto no rádio ou ver na televisão, mesmo que em directo. É sempre diferente estar numa catedral, vê-la com os nossos olhos, ouvir o seu silêncio, sendo envolvidos pela sua arquitectura, do que ver uma ou mais fotografias dessa catedral. Mesmo o momento e a companhia com que temos essa experiência sensorial altera a nossa percepção do objecto ou do lugar. O mesmo se dirá da experiência de ver uma pintura ou escultura originais. As provas de autor de uma gravura têm ainda mais valor do que as cópias posteriores, por muito boas que sejam.
Algo da magia de uma peça é alterada com uma mudança de lugar - não é o mesmo ver um retábulo numa igreja e vê-lo num museu. Algo se perde nessa mudança, por vezes necessária - para proteger a peça ou para torná-la acessível a um maior número de pessoas. Mas essa tradição e aura associadas à obra de arte, que tendem a alterar-se com a história da peça, podem certamente correr o risco de diminuir com a reprodução (ou simples deslocação ):
«The uniqueness of a work of art is inseparable from its imbedded in the fabric of tradition. This tradition itself is thoroughly alive and extremly changeable. (...) It is significant that the existence of the work of art with reference to its aura is never entirely separated from its ritual function. In other words, the unique value of the "authentic" work of art has its basis in ritual, the location of its original use value. This ritualistic basis, however remote, is still recognizable as secularized ritual even in the most profane forms of the cult of beauty. (...) With the advent of the first truly revolutionary means of reproduction, photography, simultaneously with the rise of socialism, art sensed the approaching crisis which has become evident a century later. At the time, art reacted with the doctrine of art pour l'art, that is, with a theology of art. (...)

Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de mulher (Emília Bordalo Pinheiro) (1903-1905, Museu do Chiado, Lisboa) no Matrizpix, fotografia de José Paulo Ruas (2016)

A alteração da função do objecto (mesmo o original) pode alterar a aura desse objecto. Não é o mesmo entrar numa igreja aberta ao culto do que entrar nessa mesma igreja transformada, por hipótese, em livraria.
Relacionando a reprodução de obras de arte com o socialismo e a cultura de massas, Benjamin tem razão, certamente, ao apontar o facto de a obra de arte auferir, com a reprodução, um outro tipo de função: uma função política - ou até de propaganda:
«(...) mechanical reproduction emancipates the work of art from its parasitical dependence on ritual. To an ever greater degree the work of art reproduced becomes the work of art designed for reproducibility. (...) But the instant the criterion of authenticity ceases to be apllicabe to artistic production, the total function of art is reversed. Instead of being based on ritual, it begins to be based on another practice - politics.» 
Tenho a impressão que, apesar de tudo, a aura da obra de arte (da natureza, de tudo aquilo que é presenciado pessoalmente e fisicamente), mantém-se juntamente com a história da obra (e do local). Mesmo quem faz uma reprodução com máquina fotográfica tem uma interpretação única. Há sempre um factor de interpretação pessoal. E depois, há a questão política: a reprodução é necessária para tornar acessível, mas o original é necessário porque contém a aura.
Por isso, apesar de todas as reproduções que já vi de obras de arte que estão em museus, ainda quero vê-las pessoalmente. Nunca deixei de querer ir a um sítio porque me bastaram ver as fotografias desse sítio. Ver uma reprodução não é o mesmo quer ver, presenciar (ou mesmo ter?) o original.
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O texto de Walter Benjamin que li é o que se encontra no livro Modern Art and Modernism, pp. 217-220 (online).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Para o Dia do Pai

João Baptista Ribeiro, Retrato do pai do artista - António José Ribeiro (c. 1812-1813, Museu Nacional de Soares dos Reis)
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António Soares dos Reis, Retrato de Manuel Soares Júnior, pai do artista (séc. XIX, Museu Nacional de Soares dos Reis)
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Columbano Bordalo Pinheiro, Retrato de Manuel Maria Bordalo Pinheiro (pai do artista) (1878, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado)
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António Monteiro Ramalho Júnior, Retrato do pai do pintor (séc. XIX, Museu Nacional de Soares dos Reis)
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Constantino Álvaro Sobral Fernandes, Retrato do pai do artista (1909, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Sobre a Melancolia

Albrecht Dürer, Melancholia (1514 - Link)
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Associada ao génio, aos santos e aos artistas, ao conhecimento, à velhice, ao tempo e a Saturno, a melancolia é um tema recorrente na arte, de que a representação mais conhecida é a famosa gravura de Dürer. Este artista, representou-a como uma figura alada, rodeada por elementos ligados ao tempo e à sabedoria, que apoia a cabeça na mão esquerda, enquanto pensativamente segura um instrumento de escrita na mão direita. A pose foi depois reutilizada pelo mesmo artista, em 1521, quando pintou o São Jerónimo, que se encontra hoje no Museu Nacional de Arte Antiga.

(Link)


Pouco tempo antes, a mesma pose fora usada por Hieronymus Bosch no quadro St. John the Baptist in the Wilderness (Museo Lázaro Galdiano, Madrid - Link):


Mais de trezentos anos depois, Columbano Bordalo Pinheiro, em 1885, empregou-a para retratar o pintor Girão, em O Grupo do Leão (Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa - Link). Deste modo, mantinha-se a iconografia da Melancolia, espelhada no retrato do artista mais velho do Grupo.



Para Baudelaire, um grande artista é um artista melancólico. No texto Fusées (1897 - Link) ele dizia: 

«J'ai trouvé la définition du Beau, de mon Beau.
C'est quelque chose d'ardent et de triste, quelque chose d'un peu vague, laissant carrière à la conjecture. (...) Le mystère, le regret sont aussi des caractères du Beau (...)».

Outros artistas tiveram um entendimento ligeiramente diferente da Melancolia, que não passava pela alegoria ou pelo retrato, mas sim pela representação da solidão e da sensação de vazio.

Giorgio de Chirico, Mystery and Melancholy of a Street (1914 - Link)

Edward Hopper, Automat (1927, Des Moines Art Center, Des Moines - Link)
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Julgo que os portugueses têm alguma tendência para a melancolia. Não sou certamente a primeira pessoa a fazer tal afirmação. José de Figueiredo, em 1901, escreveu: «(…) Pois embora isto pareça um paradoxo, a verdade é que, com esta nossa paisagem luxuriante e este nosso sol claro, nós somos entretanto, como os russos, um povo de bruma. Sómente, emquanto a do paiz moscovita é real (…) a nossa é mais symbolica que natural. – (…) bruma mais feita de distancia d’um sonho longínquo do que dos próprios effeitos climatéricos».
Para além dos nossos excelentes poetas cujos poemas são muitas vezes tristes, uma das obras de arte portuguesas que mais admiro, O Desterrado, é claramente melancólica.




Soares dos Reis, O Desterrado (1872, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto - Link)

Por fim, também  temos o Fado:

José Malhoa, O Fado (1911 - Link)


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Bibl.:
José de Figueiredo, Portugal na Exposição de Paris, Lisboa, Sociedade Editora, Empresa da História de Portugal, 1901.
Jean Clair (Dir.), Mélancolie: génie et folie en Occident, Paris, Réunion des Musées Nationaux, 2005.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Para que serve a História?


Soares dos Reis, A História (1877, Museu do Chiado - MNAC, Lisboa).
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«History, despite its wrenching pain, cannot be unlived, but if faced with courage, need not be lived again». 
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segunda-feira, 6 de abril de 2009

A flor

Gravura baseada numa escultura de Soares dos Reis, A Infância do Artista (obra premiada na Exposição Universal de Paris, 1878).
Gravura de O Occidente, n.º 19 (1/10/1878), edição digitalizada disponibilizada pela Hemeroteca Digital.
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Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era de mais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas são aquelas linhas as linhas com que Deus faz uma flor!
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Almada Negreiros.