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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

E um gato

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O Gato

Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné.

Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga.
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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Ao mosquito (e seus congéneres)

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O MOSQUITO

O mundo é tão esquisito:
Tem mosquito.

Por que, mosquito, por que
Eu... e você?

Você é o inseto
Mais indiscreto
Da Criação
Tocando fino
Seu violino
Na escuridão.

Tudo de mau
Você reúne
Mosquito pau
Que morde e zune.

Você gostaria
De passar o dia
Numa serraria —
Gostaria?

Pois você parece uma serraria!
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John Singer Sargent, Mosquito Nets (1908, Detroit Institute of Arts, Detroit)
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Pablo Picasso, Lit avec filet pour moustiques (1906)
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Theodor Severin Kittelsen, Insects
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Data de 1936 o 1.º número da revista O Mosquito e são os primeiros "mosquitos" desenhados por Cardoso Lopes. A partir do n.º 360 passou a ser desenhado por E. T. Coelho. Cf. https://ovoodomosquito.wordpress.com/2016/02/28/as-exposicoes-do-cpbd-2-os-80-anos-do-mosquito/ Verdade seja dita que este é o único mosquito com quem simpatizo.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A Porta

St. Edward's Church, Stow-on-the-Wold (Pinterest)
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A PORTA

Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.

Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.

Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa...)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.

Eu sou muito inteligente!

Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!
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domingo, 4 de outubro de 2015

No Dia de São Francisco

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SÃO FRANCISCO

Lá vai São Francisco 
Pelo caminho 
De pé descalço 
Tão pobrezinho 
Dormindo à noite 
Junto ao moinho 
Bebendo a água 
Do ribeirinho. 

Lá vai São Francisco 
De pé no chão 
Levando nada 
No seu surrão 
Dizendo ao vento 
Bom dia, amigo 
Dizendo ao fogo 
Saúde, irmão. 

Lá vai São Francisco 
Pelo caminho 
Levando ao colo 
Jesuscristinho 
Fazendo festa 
No menininho 
Contando histórias 
Pros passarinhos.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Pontos de vista


M.C. Escher, Ant (1943)
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A FORMIGA

As coisas devem ser bem grandes 
Pra formiga pequenina 
A rosa, um lindo palácio 
E o espinho, uma espada fina 

A gota d'água, um manso lago 
O pingo de chuva, um mar 
Onde um pauzinho boiando 
É navio a navegar 

O bico de pão, o corcovado 
O grilo, um rinoceronte 
Uns grãos de sal derramados, 
Ovelhinhas pelo monte
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Vinicius de Moraes e Paulo Soledade

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Girassol

Georgia O'Keeffe, A Sunflower from Maggie (1937)
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O GIRASSOL

Sempre que o sol
Pinta de anil
Todo o céu
O girassol
Fica um gentil
Carrossel.

O girassol é o carrossel das abelhas.

Pretas e vermelhas
Ali ficam elas
Brincando, fedelhas
Nas pétalas amarelas.

— Vamos brincar de carrossel, pessoal?

— “Roda, roda, carrossel
Roda, roda, rodador
Vai rodando, dando mel
Vai rodando, dando flor.”

— Marimbondo não pode ir que é bicho mau!
— Besouro é muito pesado!
— Borboleta tem que fingir de borboleta na entrada!
— Dona Cigarra fica tocando seu realejo!

— “Roda, roda, carrossel
Gira, gira, girassol
Redondinho como o céu
Marelinho como o sol.”

E o girassol vai girando dia afora...

O girassol é o carrossel das abelhas.
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Vinicius de Morais

terça-feira, 4 de novembro de 2014

De ontem, da amizade e da esperança

Obrigada Ana!
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"Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade 
De aceitá-la tal como é, e essa visão 
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança."
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Obrigada, Sandra!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um dia no Badoca Safari Park

Gosto muito de animais e da natureza e ontem lá consegui (finalmente!) visitar o Badoca Parque. Confesso que fiquei cansada(íssima), mas adorei tudo. Vi animais que já conhecia, mas também fui vendo e aprendendo outras coisas que desconhecia. 
Lá existem estes pássaros, da família das cegonhas, que achei estranhíssimos. São os marabus africanos.
Existem também plantas, árvores e flores, incluindo estas, muito comuns, mas que não sei como se chamam - e gostava de saber.
No Safari, apanha-se muito pó, mas é muito interessante e divertido. Adorei as zebras, embora tenha aprendido que mordem. Desconhecia.... 

Na actividade com as aves de rapina vi um espectáculo muito bom, que me ensinou muitas coisas que não sabia. Havia urubus de cabeça vermelha que, segundo o tratador, nos consideravam, a nós todos assistentes, como um enorme bando de urubus. Gostei da ideia.
Na fotografia está um mocho e aprendi que se distingue das corujas porque tem orelhas - agora falta-me saber a diferença entre os sapos e as rãs... 


Aqui vê-se a paisagem do Safari e, lá ao fundo, dentro do lago, estão os gnus, a tomar banho - e bem faziam eles porque estava mesmo muito calor.


Fica aqui também uma escultura sobre madeira, aproveitando um tronco (há imensas no parque). A esta achei mais graça porque tem de um lado um mocho e de outro um lagarto... Fez-me lembrar a rima infantil, que ficava muito a propósito:

Lagarto pintado, quem te pintou?
Foi uma velha que aqui passou
No tempo da eira fazia poeira
Salta lagarto e puxa esta orelha!



Gostei muito também de assistir à sessão de alimentação de lémures. O meu filho (que foi lá dentro) gostou tanto que (segundo disse) quase chorou de alegria.



Enquanto via os lémures, vi muitas tartarugas (incluindo uma mãe protegendo a sua cria) e aproximaram-se muitos patos, que no seu andar curioso e desastrado, me fizeram lembrar a canção de Toquinho com poema de Vinicius de Morais:


Lá vem o Pato
Pata aqui, pata acolá
Lá vem o Pato
Para ver o que é que há.

O Pato pateta
Pintou o caneco
Surrou a galinha
Bateu no marreco
Pulou do poleiro
No pé do cavalo
Levou um coice
Criou um galo...

Comeu um pedaço
De genipapo
Ficou engasgado
Com dor no papo
Caiu no poço
Quebrou a tigela
Tantas fez o moço
Que foi prá panela.


Adorei as suricatas e os póneis



Gostei muito de experimentar o rafting africano e achei fantásticos os brinquedos para as crianças.


Um dia foi pouco e vi muito mais animais engraçados: burros (bebés), cangurus, emas, avestruzes, girafas, etc. Só tive pena que os tigres estivessem presos - como no jardim zoológico - mas compreendo que tem mesmo de ser. Mesmo assim, ainda me lembrei por vezes do Parque Jurássico e de O Mundo Perdido, de Michael Crichton:

«Life is wonderful. It's a gift to be alive, to see the sun and breathe the air. And there isn't really anything else».
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Michael Crichton, The Lost World (1995).

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Resta essa faculdade incoercível de sonhar...

Martin Hertel, Beach Forrest, Germany (2011).
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O Haver
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Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo
- Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido...

Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.

Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.

Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.

Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.

Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.

Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.

Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.

Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante

E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.

Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.

Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...

Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
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Vinicius de Moraes (1962).
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Obrigada Sandra!

terça-feira, 30 de junho de 2009

A Arca de Noé


Fotografia de Margarida Elias, Pormenor de uma porta da capela da Quinta da Regaleira (Sintra, 2009).
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Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata.
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O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata.
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E abre-se a porta da Arca
De par em par: surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca
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Noé, o inventor da uva
E que, por justo e temente
Jeová, clementemente
Salvou da praga da chuva.
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Tão verde se alteia a serra
Pelas planuras vizinhas
Que diz Noé: "Boa terra
Para plantar minhas vinhas!"
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E sai levando a família
A ver; enquanto, em bonança
Colorida maravilha
Brilha o arco da aliança.
-
Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante.
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E logo após, no buraco
De uma janela, aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece.
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Enquanto, entre as altas vigas
Das janelinhas do sótão
Duas girafas amigas
De fora as cabeças botam.
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Grita uma arara, e se escuta
De dentro um miado e um zurro
Late um cachorro em disputa
Com um gato, escouceia um burro.
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A Arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Aos pulos da bicharada
Toda querendo sair.
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Vai! Não vai! Quem vai primeiro?
As aves, por mais espertas
Saem voando ligeiro
Pelas janelas abertas.
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Enquanto, em grande atropelo
Junto à porta de saída
Lutam os bichos de pêlo
Pela terra prometida.
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"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta; e o tigre – "Não!"
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Afinal, e não sem custo
Em longa fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais.
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Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida.
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Conduzidos por Noé
Ei-los em terra benquista
Que passam, passam até
Onde a vista não avista.
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Na serra o arco-íris se esvai...
E... desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Na terra, e os astros em glória
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Enchem o céu de seus caprichos
É doce ouvir na calada
A fala mansa dos bichos
Na terra repovoada.

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Vinicius de Morais.
in Poesia completa e prosa: "Poemas infantis"
in Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Para viver um grande amor

Escultura de Auguste Rodin, Eterna Primavera (c. 1900, Museu do Hermitage, São Petersburgo).
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Para viver um grande amor, preciso
É muita concentração e muito siso
Muita seriedade e pouco riso
Para viver um grande amor
Para viver um grande amor, mister
É ser um homem de uma só mulher
Pois ser de muitas - poxa! - é pra quem quer
Nem tem nenhum valor
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Para viver um grande amor, primeiro
É preciso sagrar-se cavalheiro
E ser de sua dama por inteiro
Seja lá como for
Há que fazer do corpo uma morada
Onde clausure-se a mulher amada
E postar-se de fora com uma espada
Para viver um grande amor
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Para viver um grande amor direito
Não basta apenas ser um bom sujeito
É preciso também ter muito peito
Peito de remador
É sempre necessário ter em vista
Um crédito de rosas no florista
Muito mais, muito mais que na modista
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Para viver um grande amor
Conta ponto saber fazer coisinhas
Ovos mexidos, camarões, sopinhas
Molhos, filés com fritas, comidinhas
Para depois do amor
E o que há de melhor que ir pra cozinha
E preparar com amor uma galinha
Com uma rica e gostosa farofinha
Para o seu grande amor?
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Para viver um grande amor, é muito
Muito importante viver sempre junto
E até ser, se possível, um só defunto
Pra não morrer de dor
É preciso um cuidado permanente
Não só com o corpo, mas também com a mente
Pois qualquer "baixo" seu a amada sente
E esfria um pouco o amor
Há que ser bem cortês sem cortesia
Doce e conciliador sem covardia
Saber ganhar dinheiro com poesia
Não ser um ganhador
Mas tudo isso não adianta nada
Se nesta selva escura e desvairada
Não se souber achar a grande amada
Para viver um grande amor!
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Vinicius de Moraes.

domingo, 24 de agosto de 2008

Aquarela

Pintura de Emília Mattos.
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Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
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Vai voando, contornando
A imensa curva norte-sul
Vou com ela viajando
Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando
É tanto céu e mar num beijo azul
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Entre as nuvens vem surgindo
Um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo
Com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo
Sereno indo
E se a gente quiser
Ele vai pousar
-
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
Com alguns bons amigos, bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega num muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
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E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
De uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
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Vinicius de Moraes.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Tarde de Itapuã


Pintura de Adriaen Van de Velde, The Beach at Scheveningen (1658, Staatliche Museen, Kassel).
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Um velho calção de banho
O dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois na praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de coco
É bom
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Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã
-
Enquanto o mar inaugura
Um verde novinho em folha
Argumentar com doçura
Com uma cachaça de rolha
E com o olhar esquecido
No encontro de céu e mar
Bem devagar ir sentindo
A terra toda a rodar
É bom
-
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã
-
Depois sentir o arrepio
Do vento que a noite traz
E o diz-que-diz-que macio
Que brota dos coqueirais
E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapuã
É bom
-
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã
---
Vinicius de Morais