domingo, 18 de setembro de 2011

Sobre a esperança

Borissow-Mussatow, Zwei sitzende Damen (1899, Staatliches Russisches Museum).
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«All it takes is one bloom of hope to make a spiritual garden».
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Terri Guillemets.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Porque o meu filho está quase a entrar para a escola

Winslow Homer, School Time (1874).
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«The whole purpose of education is to turn mirrors into windows».
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Sydney J. Harris.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Sobre a leitura

Károly Ferenczy, Red Wall (1910).
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O Homem que Lê
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Eu lia há muito. Desde que esta tarde
com o seu ruído de chuva chegou às janelas.
Abstraí-me do vento lá fora:
o meu livro era difícil.
Olhei as suas páginas como rostos
que se ensombram pela profunda reflexão
e em redor da minha leitura parava o tempo. —
De repente sobre as páginas lançou-se uma luz
e em vez da tímida confusão de palavras
estava: tarde, tarde... em todas elas.
Não olho ainda para fora, mas rasgam-se já
as longas linhas, e as palavras rolam
dos seus fios, para onde elas querem.
Então sei: sobre os jardins
transbordantes, radiantes, abriram-se os céus;
o sol deve ter surgido de novo. —
E agora cai a noite de Verão, até onde a vista alcança:
o que está disperso ordena-se em poucos grupos,
obscuramente, pelos longos caminhos vão pessoas
e estranhamente longe, como se significasse algo mais,
ouve-se o pouco que ainda acontece.

E quando agora levantar os olhos deste livro,
nada será estranho, tudo grande.
Aí fora existe o que vivo dentro de mim
e aqui e mais além nada tem fronteiras;
apenas me entreteço mais ainda com ele
quando o meu olhar se adapta às coisas
e à grave simplicidade das multidões, —
então a terra cresce acima de si mesma.
E parece que abarca todo o céu:
a primeira estrela é como a última casa.
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Rainer Maria Rilke.

sábado, 10 de setembro de 2011

Sobre o silêncio

Carl Holsoe, Interior with a Cello.
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«O silêncio está tão repleto de sabedoria e de espírito em potência como o mármore não talhado é rico em escultura».
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sábado, 3 de setembro de 2011

Lenda de Nossa Senhora da Nazaré

Columbano Bordalo Pinheiro e J. Pedrozo, Nossa Senhora da Nazaré (Museu Dr. Joaquim Manso).
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«Uma curiosa Lenda atribui o topónimo Nazaré a uma imagem da Virgem oriunda de Nazareth, na Palestina, que um monge grego teria trazido até ao Mosteiro de Cauliniana, perto de Mérida, no século IV. No século VIII teria chegado ao Mosteiro o fugitivo Rei D. Rodrigo, último rei visigodo da Península Ibérica, depois da sua derrota, frente aos Mouros, em Guadalete. Aí teria encontrado Frei Romano que o acompanhou na sua fuga, trazendo com ele a imagem da Virgem e uma caixa com as relíquias de S. Brás e de S. Bartolomeu. Antes de morrer, Frei Romano teria escondido a imagem numa lapa, no Sítio, onde ficou guardada durante quatro séculos, sendo então descoberta por pastores, que a passaram a venerar.
D. Fuas Roupinho, alcaide-mor do Castelo de Porto de Mós, tinha por hábito caçar nesta região. Conta a lenda que também ele descobriu a imagem e a venerou. Algum tempo passado, uma manhã de nevoeiro, a 14 de Setembro de 1182, perseguia D. Fuas um belo veado quando o viu desaparecer no precipício. Alarmado pelo perigo, D. Fuas pediu auxilio à Virgem e logo o cavalo estacou salvando a vida ao cavaleiro. Em acção de graças, mandou D. Fuas Roupinho construir a Ermida da Memória.
Venerada desde então, a imagem teria dado origem ao nome do lugar – Sítio de Nossa Senhora de Nazareth».
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Sobre o amor

Edward Burne-Jones, Cupid and Psyche (1865-1867, Manchester City Art Gallerie).
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Amor Pacífico e Fecundo

Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!
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Rabindranath Tagore.

domingo, 28 de agosto de 2011

A praia segundo Hermann Seeger

Hermann Seeger, A girl on the beach (a sgunda imagem é um detalhe).
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«Assim como quatro quintas partes do corpo humano são agua, assim quatro quintas partes da grande corpulencia do globo são mar. Parecendo separar os homens, o bello destino eterno do mar é reunil-os».
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Duas praias de Adriano Sousa Lopes

Adriano Sousa Lopes, Manhã na Praia da Caparica e Areal  (MNAC, Lisboa).
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«Les pieds sur le sable, la tête aux nues, voilà l'étirement maximal de l'homme rêveur».
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sobre a dança

Elizabeth Forbes, The Minuet (1892).
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«O senhor X gostava de olhar para as coisas e para os acontecimentos sempre a partir de um ponto de vista diferente (...).
- Por exemplo, para o senhor X dançar era uma maneira estética das pessoas se enganarem no caminho».
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Gonçalo M. Tavares (2011).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ainda sobre a praia

António Carneiro, Praia da Figueira da Foz (1921, Centro de Arte Moderna, Lisboa).
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«...e depois procurar, a escorrer, um côncavo quentinho de areia que nos sirva de abrigo contra o vento e secar-se a gente naquele lençol doirado – é uma das coisas boas da terra. E outro prazer simples e extraordinário é ir descalço pelo grande areal fora com os pés na água. A onda vem, espraia-se, molha-nos e salpica-nos de espuma. Calca-se esse mosto branco e salgado, que gela e vivifica, e caminha-se sempre ao lado dos sucessivos rolos que se despedaçam na areia».
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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Uma nova semana que está a começar...

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 «Os dias são, por assim dizer, filhos do tempo porque o dia seguinte, com o seu conteúdo, é produto do anterior».
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Immanuel Kant (1794).

domingo, 21 de agosto de 2011

Sobre o descanso II

Peder Severin Krøyer, Día de verano en Skagen (1884).
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«Rest is not idleness, and to lie sometimes on the grass under trees on a summer's day, listening to the murmur of the water, or watching the clouds float across the sky, is by no means a waste of time».
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J. Lubbock.

sábado, 20 de agosto de 2011

Barquilhos


Tomas Hiepes, Natureza morta com doces.
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Fiquei surpreendida quando encontrei barquilhos pintados num quadro do século XVII, pois não sabia que eram um alimento com uma tradição tão antiga. Segundo informação que encontrei na internet a origem dos barquilhos remonta aos princípios do cristianismo e deriva directamente do pão divino que se repartia pelos fiéis nas igrejas. Em todo o Ocidente Europeu, este alimento fazia parte das sobremesas dos banquetes mais importantes e comia-se nas mesas dos reis e dos grandes senhores.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Para a minha mãe


Na época das amoras

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Late August, given heavy rain and sun
for a full week, the blackberries would ripen.
At first, just one, a glossy purple clot
among others, red, green, hard as a knot.
You ate that first one and its flesh was sweet
like thickened wine: summer's blood was in it
leaving stains upon the tongue and lust for
picking. Then red ones inked up and that hunger
sent us out with milk-cans, pea-tins, jam-pots
where briars scratched and wet grass bleached our boots.
Round hayfields, cornfields and potato-drills
we trekked and picked until the cans were full,
until the tinkling bottom had been covered
with green ones, and on top big dark blobs burned
like a plate of eyes. Our hands were peppered
with thorn pricks, our palms sticky as Bluebeard's.
We hoarded the fresh berries in the byre.
But when the bath was filled we found a fur,
A rat-grey fungus, glutting on our cache.
The juice was stinking too. Once off the bush
the fruit fermented, the sweet flesh would turn sour.
I always felt like crying. It wasn't fair
that all the lovely canfuls smelt of rot.
Each year I hoped they'd keep, knew they would not.
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Seamus Heaney.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

As mãos


As mãos em nossas mãos
se entrelaçam
como as palavras para ser
poesia: num poema maior
por que amizade
um verso após um verso
em cada dia.
Assim iremos além da eternidade.
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Poema de João Mattos e Silva (1987).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Registos da Figueira da Foz


 
Um mapa antigo com uma legenda publicitária:
«Clima privilegiado. Praia. Desportos. Festas. Casino».
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 A praia e o seu imenso areal.
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 O oasis.
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O Casino antigo.
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As casas.
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E os seus detalhes.
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A animação na rua, com música.
Uma das animações era uma banda que tocou a tradicional canção da Figueira da Foz:
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Figueira, Figueira da Foz
Das finas areias
Berço de sereias
Procurando abrigo.
Estrelas, doiradas estrelas
Enfeitam o Mar
Que pede a chorar
Para casar contigo.
Figueira, e à noite o luar,
Deita-se a teu lado
A fazer ciúmes
Ao teu namorado.
E a Serra, que te adora e deseja,
Também sofre com a luz do Sol
Que te abraça e te beija.
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António Sousa Freitas 
(para saber mais sobre esta canção é clicar aqui).

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Consegui, finalmente, visitar o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e gostei muitíssimo.

O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, fundado no século XIII, sofreu constantes inundações e acabou por ser abandonado. Como esteve inundado durante muito tempo, ficou em ruínas, sobretudo no interior da igreja e na zona do claustro. Este facto torna-o diferente dos outros conventos que visitei, que continuaram a ser utilizados como conventos, ou que foram adaptados para outras funções.
Não vou aqui reproduzir o que já vem escrito noutros sítios, mas sim mostrar as fotografias daquilo que achei mais interessante:

As pedras que pertenciam ao claustro, que estão numeradas e que parecem fazer parte de um gigantesco puzzle
 Os capitéis medievais esculpidos com motivos zoomórficos e vegetalistas
Os azulejos
O arco triunfal que albergava o túmulo da Rainha Santa Isabel (transferido para o Mosteiro de Santa Calara-a-Nova)
O facto de se poder ver a estrutura (esqueleto) da arcaria do edifício
Concluindo, achei tudo uma maravilha, incluindo a vista para a Universidade.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Espelhos

Jacques Emile Blanche, Fillette (Lucie Esnault au Pysche).
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Gosto de muito de ver espelhos na pintura (ou na fotografia), quer pelos jogos que permitem com o espectador, quer pelo valor simbólico ou textual que se pode ligar ao tema. Muitas vezes se associa o espelho negativamente à ideia de vaidade (e daí o seu uso em pinturas com temas ligados à vanita), mas o espelho pode ter também um valor positivo (de verdade) ou lúdico - ao multiplicar os espaços representados e jogando com as expectativas do espectador. Os exemplos são numerosos, por exemplo, desde Van Eyck e Velásquez, até aos quadros cubistas com colagem de espelhos.
Creio que é o lado lúdico que é explorado neste quadro. Aqui o espelho duplica a imagem da menina e permite-nos ter uma percepção mais abrangente do espaço em que ela se insere.
E, já agora, ainda a propósito dos espelhos, fica também uma citação:
«You use a glass mirror to see your face; you use works of art to see your soul» (George Bernard Shaw).

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Brincar

Frederick Daniel Hardy, Hide and Seek (1878).
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Hoje descobri esta frase:

«Dare to err and to dream. Deep meaning often lies in childish plays».
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terça-feira, 26 de julho de 2011

O Chafariz dos Canos (Torres Vedras) e o Património


Alberto Souza, Chafariz dos Canos - Torres Vedras (1940, Museu José Malhoa).
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Fotografias SIPA/IHRU.
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A salvaguarda do Património sempre me interessou e creio que não deixa de ser relevante a maneira como a pintura e a fotografia podem servir como registos de tempos passados, contribuindo assim para a preservação da memória colectiva.
O Chafariz dos Canos é, para mim, um dos monumentos mais interessantes de Torres Vedras e é pena que esteja escondido no meio de uma urbanização recente e pouco interessante. Lamento a maneira como em muitas cidades portuguesas não se valoriza a preservação de conjuntos urbanos em zonas históricas.
Eu sei que esta noção de salvaguarda do património é recente e pode ser questionada, porque implica que as pessoas do presente se tenham de adaptar a certas limitações que poderão travar um certo tipo de desenvolvimeto / progresso. Mas na verdade acho que tudo se pode conciliar se houver vontade de o fazer e penso que, em alguns casos, é preferível salvar uma fachada ou o resto de uma muralha, uma árvore centenária ou uma tradição - desde que isso não implique, obviamente, o desrespeito por direitos básicos ou deveres morais.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O Chalet da Condessa d'Edla

«O Chalet da Condessa d’Edla foi construído pelo Rei D. Fernando II e sua segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d’Edla, entre 1864-1869, na zona ocidental do Parque da Pena, segundo o modelo dos Chalets Alpinos então em voga na Europa.
Localizado no extremo oposto do Parque, face ao Palácio da Pena, o Chalet mantinha com este uma importante relação visual, acentuada pela proximidade de um dramático conjunto de blocos de granito, as Pedras do Chalet, como mostram fotografias da época, hoje obliterada pelo crescimento vegetal.
Foi concebido como uma construção de recreio, de carácter privado, onde o casal se dedicou ao arranjo paisagístico da zona envolvente, criando um novo jardim (Jardim da Condessa)».



«O Chalet é um edifício com uma forte carga cénica (segundo o espírito Romântico da época), caracterizado pela marcação horizontal do reboco exterior, pintado a imitar um revestimento em pranchas de madeira, e pelo uso exaustivo da cortiça como elemento decorativo».
 
«A estrutura interior de pavimentos, tectos, escadas e paredes divisórias era em madeira e foi destruída pelo incêndio. A qualidade do projecto e construção é reduzida mas a dos acabamentos decorativos muito boa, sabendo-se que os estuques foram da autoria de Domingos Meira e a pintura mural é atribuída a Domingos Freire».

«Entre 1864-1869, D. Fernando II e a sua segunda mulher, Elise Hensler, Condessa d’Edla, desenvolveram, na designada Tapada da Vigia, uma forte intervenção paisagista de expansão do Parque da Pena, criando, numa área com cerca de 8 hectares dois novos espaços de elevado valor patrimonial e artístico: o Jardim da Condessa d’Edla, que envolve o Chalet, e a Quinta da Pena, entre o vale dos Lagos e o Chalet. Da Quinta da Pena já existiam, pelo menos, a Abegoria e o Aviário, mas datam da construção do Jardim as estufas e algumas casas de apoio a actividades agrícolas». 
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Texto: excertos retirados da página dos Parques de Sintra