sexta-feira, 25 de maio de 2012

Naturalismo

Charles-François Daubigny, Le printemps (c. 1857, Musée des Beaux-Arts, Chartres)
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Theorique – Et où est-ce que tu as trouvé cela par escrit, ou bien di-moy en quelle escole as-tu este, ou tu puísse avoir entendu ce que tu dis?
Pratique – Je n’ay point eu d’autre livre que le ciel & la terre, lequel est connu de tous, & est donné à tous de connoistre & lire ce beau livre.
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MIllet de Bernard Palissy (1844),
citado por Raquel Henriques da Silva (2010).

terça-feira, 22 de maio de 2012

Biodiversidade

Frank Weston Benson, Lilypond (1923)
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«We can no longer see the continued loss of biodiversity as an issue separate from the core concerns of society: to tackle poverty, to improve the health, prosperity and security of present and future generations, and to deal with climate change. Each of those objectives is undermined by current trends in the state of our ecosystems, and each will be greatly strengthened if we finally give biodiversity the priority it deserves».
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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Diversidade Cultural


Lilla Cabot Perry, Japanese children (c. 1898-1901).
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(...) Mas se a ordem é necessária às coisas, é também necessária a variedade: sem ela a alma esmorece, porque as coisas semelhantes lhe parecem as mesmas e, se uma parte de um quadro se assemelhasse a outra que tivéssemos visto, esse objecto seria novo sem o parecer e não proporcionaria qualquer prazer. E, como a beleza das obras de arte, tal como a da natureza, consiste no prazer que nos proporciona, é necessário torná-la o mais possível apta a variar esses prazeres; é necessário fazer a alma ver coisas que nunca viu (...)».
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Baron de Montesquieu.

domingo, 20 de maio de 2012

Ascenção

Rembrandt, The Ascension of Christ (1636, Alte Pinakothek, Munique).
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«Of all the Baroque masters, it was Rembrandt who evolved the most revolutionary technique and who seemed to grow into the Italians' spiritual heir. Where others needed five touches he was using one, and so the brushstrokes had begun to separate and could sometimes only be properly read from a distance. The exact imitation of form was being replaced by the suggestion of it: to some of his contemporaries, therefore, his paintings began to look unfinished. It was from the Venetians that he had learned to use a brown ground so that his paintings emerged from dark to light, physically as well as spiritually. Yet, despite a palette that was limited even by seventeenth century standards, he was renowned as a colorist for he managed to maintain a precarious balance between painting tonally, with light and shade, and painting in color. Just as form was suggested rather than delineated, so the impression of rich color was deceptive. Never before had a painter taken such a purely sensuous interest and delight in the physical qualities of his medium, nor granted it a greater measure of independence from the image».
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Waldemar Januszczak.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

No Dia Internacional dos Museus

Karin Jurick, Bewilderment.
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«A museum is a non-profit, permanent institution in the service of society and its development, open to the public, which acquires, conserves, researches, communicates and exhibits the tangible and intangible heritage of humanity and its environment for the purposes of education, study and enjoyment».
ICOM (2007), 
citado por Ana Carvalho.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

No Dia da Espiga I

Karl Wilhelm Friedrich Bauerle, Poppy Girl.
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Joaquim de Vasconcelos (1849-1936) escreveu: «Mostrem-lhe as bellezas da sua pátria, da sua casa; honrem a poesia do seu lar; venerem a sua arte, porque elle o merece; amparem as suas industrias caseiras, que ainda podem ser uma fonte de receita e de inspiração nacional. Entre elles há cantadores-improvisadores; porque não haverá na arte decorativa popular o improviso fecundo? Se quem canta, seus males espanta – quem debuxa e esculpe e idealiza tanta coisa, é porque tem no coração a saudade de uma beleza entrevista em sonho, presentida, que lhe afaga e fecunda a imaginação. As fontes da inspiração popular nunca secaram. Quaes foram essas fontes? Eis o que importa averiguar» (citado por Sandra Leandro, 2008).
Este texto liga-se, de certo modo, à preocupação de preservação de valores etnográficos e antropológicos, que estão na base da preservação do Património Imaterial. Ana Carvalho, dedicou-se a este tema e irei aqui resumir um seu artigo sobre «Os museus e o Patrímónio Cultural Imaterial». Segundo esse texto, a «salvaguarda do Património Cultural Imaterial (PCI) é um tema que tem merecido destaque nos últimos anos nos fóruns internacionais, especialmente os promovidos pela UNESCO, motivando o interesse crescente de profissionais de várias áreas para a sua investigação e análise». A UNESCO veio chamar a atenção para o facto de que o Património Imaterial é tão importante como um edifício histórico, merecendo por isso ser igualmente preservado. Por outro lado, a necessidade de salvaguardar a diversidade cultural foi crescentemente motivada pela constatação dos riscos de massificação provocados pela globalização. Tendo em vista estas preocupações, foi adoptada, em 2003, a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, no âmbito da 32.ª Conferência geral da UNESCO. Esta Convenção assume que o Património Imaterial pode manifestar-se em vários domínios: desde as tradições e expressões orais (incluindo a língua); as artes do espectáculo; as práticas sociais, rituais e eventos festivos; os conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo; até às aptidões ligadas ao artesanato tradicional. Salienta-se ainda que a salvaguarda não se resume à preservação dos elementos em arquivos e colecções de museus.
Para além do meu carinho especial por algumas tradições portuguesas, como o Dia da Espiga, obviamente que haverá muitos patrimónios a preservar, sendo bastante notável o trabalho que tem sido promovido por Rosa Pomar nomeadamente no que diz respeito aos têxteis.

terça-feira, 15 de maio de 2012

No Dia da Família

Fréderic Bazille, Réunion de famille (c. 1867, Musée d'Orsay)
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«The family is one of nature's masterpieces».
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domingo, 13 de maio de 2012

A Capela de Nossa Senhora de Fátima na Igreja de Santo Eugénio em Roma

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A iniciativa da Capela de Nossa Senhora de Fátima na Igreja de Santo Eugénio em Roma surgiu em 1942, no âmbito de um projecto traçado pelo Vaticano, cujo objectivo residiu na criação de um templo comemorativo do jubileu episcopal do Papa Pio XII (1876-1958), que tinha sido ordenado a 13 de Maio de 1917, no mesmo dia da primeira aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria. A igreja foi erguida na Vialle delle Belle Arti e deveria ser construída, apenas, com donativos de católicos de todo o mundo. Os trabalhos foram suspensos entre o Verão de 1943 e 1947, devido aos bombardeamentos da cidade de Roma. Portugal foi a única nação que garantiu, desde 1942, que a sua capela seria exclusivamente “feita com os mármores e pelos artistas portugueses”. Já depois da Guerra, Oliveira Salazar (1889-1970), que era então o Presidente do Conselho de Ministros, indicou ao Ministro das Obras Públicas e Comunições, José Frederico Ulrich (1905-1982), que procedesse à nomeação dos técnicos e artistas necessários e assumisse a responsabilidade da concretização do projecto. Foram chamados Luís Benavente (1902-1993), Jaime Martins Barata (1899-1970), Leopoldo de Almeida (1898-1975) e Jorge Barradas (1894-1971), que colaboraram na criação da capela, materializada no transepto da Igreja. O espaço projectado por Benavente apresenta-se como uma reunião do povo português em torno da Virgem. Jaime Martins Barata realizou uma pintura mural onde figuram Nuno Álvares Pereira, herói da independência nacional cuja causa de canonização fora retomada em 1940, Santo António de Lisboa, o santo português declarado Doutor da Igreja pelo próprio Papa Pio XII, a Rainha Santa Isabel e S. João de Deus. A meio da altura do pano central de parede, deparamo-nos com um alto-relevo da titular da capela, obra de Leopoldo de Almeida. A escultura, realizada em mármore de Vila Viçosa, constrói-se dentro de uma volumetria piramidal, no topo da qual sobressai o rosto humanizado de Maria. Estão presentes elementos característicos da iconografia fatimita, como a estrela junto aos pés e o rosário, mas o mestre inovou e simplificou, optando por uma volumetria inédita e uma expressão mais eloquente, actualizando, inclusivamente, o seu modelo, inaugurado com a igreja de Nossa Senhora de Fátima (1934-1938). Junto da mesa de altar projectada por Benavente, fica o frontal em cerâmica policromada, da autoria de Jorge Barradas, onde se vê uma interessante “Anunciação”, que remete para o culto eucarístico. A inauguração da igreja de Santo Eugénio em Roma e, naturalmente, da capela oferecida pelos portugueses a Sua Santidade, ocorreu no dia 2 de Junho de 1951. Paralelamente, em Lisboa, era inaugurada a igreja de Santo Eugénio no bairro da Encarnação, no exacto mesmo dia da consagração do templo homónimo de Roma.
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Resumido e adaptado do artigo de Vera Félix Mariz, «A capela de Nossa Senhora de Fátima na igreja de Santo Eugénio em Roma», in Artis, Lisboa, Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vol. 9/10, 2010/2100, pp.389-397. A Dissertação de Mestrado, desta investigadora, orientada por Maria João Neto, sobre o mesmo assunto, foi apresentada na Universidade de Lisboa em 2010 e publicada em 2011 pelo Centro de História do Banco Espírito Santo.

sábado, 12 de maio de 2012

Aprender


Albert Anker, Die kleinen Strickerinnen (Museum Oskar Reinhart am Stadtgarten, Winterthur)
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«Tell me and I'll forget; show me and I may remember; involve me and I'll understand».
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quarta-feira, 9 de maio de 2012

Trabalho e lazer

Henriette Browne, A Girl Writing - The Pet Goldfinch (c. 1870, Victoria and Albert Museum).
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«We give up leisure in order that we may have leisure, just as we go to war in order that we may have peace».
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domingo, 6 de maio de 2012

No Dia da Mãe

Kanga e Roo, Winnie-the-Pooh.
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«Some people care too much. I think it's called love.» 
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A.A. Milne, Winnie-the-Pooh.

sábado, 5 de maio de 2012

Estrelas

Dabvid Hocney, The Magic Flute - The Appearance of the Queen of the Night (para ver a ópera com o cenário, aceder ao link)
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«You are never alone or helpless. The force that guides the stars guides you too».
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sexta-feira, 4 de maio de 2012

Livros

José de Almada Negreiros, Auto-retrato (1948, CAM_FCG).
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«Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam, não duro nem para metade da livraria.
Deve certamente haver outras maneiras de se salvar uma pessoa, senão estou perdido.»
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José de Almada Negreiros, A Invenção do Dia Claro (1921)

terça-feira, 1 de maio de 2012

No Dia do Trabalhador

The Lowry, Going to Work (1959, The Lowry Collection, Salford).
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«We have much studied and much perfected, of late, the great civilized invention of the division of labour; only we give it a false name. It is not, truly speaking, the labour that it divided; but the men:— Divided into mere segments of men— broken into small fragments and crumbs of life; so that all the little piece of intelligence that is left in a man is not enough to make a pin, or a nail, but exhausts itself in making the point of a pin or the head of a nail. Now it is a good and desirable thing, truly, to make many pins in a day; but if we could only see with what crystal sand their points were polished,— sand of human soul, much to be magnified before it can be discerned for what it is— we should think that there might be some loss in it also. And the great cry that rises from our manufacturing cities, louder than their furnace blast, is all in very deed for this,— that we manufacture everything there except men; we blanch cotton, and strengthen steel, and refine sugar, and shape pottery; but to brighten, to strengthen, to refine, or to form a single living spirit, never enters into our estimate of advantages. And all the evil to which that cry is urging our myriads can be met only in one way: not by teaching nor preaching, for to teach them is but to show them their misery, and to preach at them, if we do nothing more than preach, is to mock at it. It can only be met by a right understanding, on the part of all classes, of what kinds of labour are good for men, raising them, and making them happy; by a determined sacrifice of such convenience or beauty, or cheapness as is to be got only by the degradation of the workman; and by equally determined demand for the products and results of healthy and ennobling labour». 
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John Ruskin , The Stones of Venice, vol. II, chapter VI, paragraph 16 (1853).
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Sobre o filme ver aqui.

domingo, 29 de abril de 2012

No Dia Internacional da Dança

 Edgar Degas, The Little Dancer of Fourteen Years (1880-81, Sterling & Francine Clark Art Institute, Williamstown).
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«Dancing in all its forms cannot be excluded from the curriculum of all noble education; dancing with the feet, with ideas, with words, and, need I add that one must also be able to dance with the pen?»
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Friedrich Nietzsche.

sábado, 28 de abril de 2012

Estou farta de chuva...e no entanto

David Hockney, Yves Marie in the Rain (1973).
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«Rain is grace; rain is the sky condescending to the earth; without rain, there would be no life».

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Para o Dia da Liberdade

Martin Jarrie, um dos retratos de flores da obra Hyacinthe et Rose, Ed. Thierry Magnier, 2010. Imagem tirada daqui.
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«I do not want art for a few any more than education for a few, or freedom for a few.»
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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia Mundial do Livro


Charles Edward Perugini, In the orangery.
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«I consider as lovers of books not those who keep their books hidden in their store-chests and never handle them, but those who, by nightly as well as daily use thumb them, batter them, wear them out, who fill out all the margins with annotations of many kinds, and who prefer the marks of a fault they have erased to a neat copy full of faults».
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Erasmo de Roterdão (1489).

domingo, 22 de abril de 2012

No Dia da Terra


David Hockney, Garrowby Hill, 1998.
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«Unless someone like you cares a whole awful lot,
nothing is going to get better. It's not».
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Dr. Seuss (1971).

sábado, 21 de abril de 2012

Cultura e liberdade

Wassily Kandinsky, Sucession (1935, The Phillips Collection, Washington, D.C.).
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«As culturas precisam de viver em liberdade, de ser expostas ao confronto contínuo com outras culturas diferentes, graças ao que se renovam e enriquecem. Só assim podem evoluir e adaptar-se ao fluxo contínuo da vida (...)».
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Mário Vargas Llosa (2003),
Citado por Manuel Valente Alves (2009)

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Decisões e ética

Reilee Bach, One Last Check.
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«I ought never to act except in such a way that I could also will that my maxim should become a universal law».
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domingo, 15 de abril de 2012

Academismo

Emile Pierre Metzmacher, The Artist and his Admirer (1887).
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«Todo o povo é académico quando julga os outros, todo o povo é bárbaro quando é julgado».
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Baudelaire (1855).

sábado, 14 de abril de 2012

Nós e os acontecimentos

Konstantin Alekseevich Korovin, A couple on promenade (1896).
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«Se um acontecimento exterior te apoquenta, não é ele, é o juízo que fazes dele que te perturba».
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Filósofo do século I, 
Citado por Christophe André e Patrick Légeron (1996).

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O tempo e a sociedade

Maurice Prendergast, The Tuileries Gardens, Paris (1895).
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«A sociedade já não é o que foi, não pode tornar a ser o que era - mas muito menos ainda pode ser o que é. O que há-de ser não sei. Deus proverá».
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Almeida Garrett (1846).

domingo, 8 de abril de 2012

Boa Páscoa!

Mathias Grünwald, The Resurrection of Christ - Retábulo de Issenheim (1512-16, Museu de Unterlinden, Colmar).
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Esta pintura pertence ao Retábulo de Issenheim, que comemora agora 500 anos. Na página web do Museu de Unterlinden pode ler-se que entre 1512-1516, os artistas Nicolas de Haguenau (escultor) e Grünewald (pintor) realizaram o retábulo por encomenda dos Frades Hospitalários da Ordem de Santo Antão de Issenheim (Colmar). Segundo um artigo de Georges Bischoff, professor da Université de Strasbourg, este retábulo é uma obra-prima da pintura alemã. De facto, todo o políptico é uma obra extraordinária e coloco aqui hoje a Ressurreição, porque estamos no Domingo de Páscoa.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Do Sublime

Rogier Van der Weyden, Descida da Cruz (c, 1435, Museu do Prado, Madrid).
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Esta é, para mim uma das mais belas obras de arte de todos os tempos e é simultaneamente, devido ao tema que aborda, uma das mais dolorosas de assistir. Daí que se enquadre na categoria estética do sublime, pois já não estamos perante uma beleza ideal clássica, que pressupõe um equilíbrio entre a imaginação e o entendimento, traz calma e serenidade, mas sim perante um outro tipo de beleza mais surpreendente, que desperta sentimentos intensos, colocando em jogo a ideia de transcendência e de infinito.
A noção de sublime vem da Antiguidade. Segundo o Pseudo-Longinus, no tratado do Sublime (no século I), o «verdadeiro e grande sublime é aquele cuja admiração nos tem por muito tempo suspenso o ânimo. Sendo difícil, ou para melhor dizer, impossível o resistir-lhe, por se conservar firne e indelével na nossa memória». No século XVII, com Pascal, o sublime adquire uma dimensão metafísica: «O homem excede infinitamente o homem». O sublime permite atingir dimensões morais, metafísicas e religiosas.
Em 1757, Burke publica a Pesquisa filosófica sobre a origem das nossas ideias de sublime e de belo, onde refere que o sublime se distingue do belo porque provoca uma perturbação psicológica ligada a uma mistura de dor e prazer. Em 1764, Kant publicou as Observações sobre o belo e o Sublime e, em 1790, volta a falar do sublime na Crítica da Faculdade de Julgar. Para ele, o sublime impõe o respeito e a gravidade: é um prazer negativo de carácter subjectivo. Kant distingue o sublime matemático que é o absolutamente grande e o sublime dinâmico, que se manifesta quando nos encontramos diante de certas forças que excedem infinitamente as nossas forças, levando a um esforço de coragem, de superação. Deste modo, o sublime procura abarcar o inabarcável: «É sublime aquilo que, pelo próprio facto de o concebermos, é índice de uma faculdade da alma que supera qualquer medida dos sentidos». 
Kant ligava a noção de sublime sobretudo aos fenómenos da natureza - uma montanha pode ser sublime pelo seu tamanho, uma tempestade pode ser sublime pela sua dinâmica - contanto que quem as observa consiga ultrapassar o sentimento de impotência e de medo perante esses obstáculos naturais.
Mas a arte também pode exprimir o sentimento de sublime, o que, no limite, se liga à ideia de sublimação expressa por Freud, já no século XIX. Através de uma linguagem formal e simbólica, o artista pode sublimar um tema doloroso. Neste caso, Van der Weyden, através da beleza da composição, das figuras, dos gestos, das formas, sublimou o tema da morte, criando uma obra de arte.
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Bibl.: Elisabeth Clément, Chantal Demonque, Laurence Hansen-Love, Pierre Kahn, Dicionário Prático de Filosofia (1997); Luc Ferry, Homo Aestheticus (1990); Marc Jimenez, Qu'est-ce que l'esthétique (1997); Manuel Justino P. Maciel, Arte Romana Tardia e Paleocristã em Portugal (1993); Raymon Bayer, História da Estética (1979).

Dürer e a «Última Ceia»

 
 
Albrecht Dürer, A Última Ceia (1510 e 1523, Graphische Sammlung Albertina).
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Nesta noite, de Quinta-feira Santa, em que segundo a liturgia se comemora a Instituição da Eucaristia, trago aqui três versões da Última Ceia de Dürer (1471-1528). No primeiro caso, de 1510, a imagem surge na vertical, o que contraria a ideia de horizontalidade muitas vezes associada ao tema. Cristo foi colocado ao centro da composição, abraçando São João. Sobre eles vemos uma janela, que deixa entrever o céu escuro da noite. O tecto abobadado da sala é indicador de um cenário arquitectónico ainda gótico. Ao lado de Jesus veem-se os outros apóstolos, dialogando agitadamente entre si, sendo de notar um que está de costas para Jesus, enchendo um copo com água - ou vinho. Sobre a mesa estão os restos da ceia e, no chão, está uma bilha de vinho. É uma composição onde a naturalidade dos gestos se cruza com o simbolismo dos objectos, dentro de uma estilística própria da Europa do Norte. Difere do modelo que foi estabelecido por Leonardo da Vinci, apesar do artista alemão já conhecer possivelmente a Ceia do artista italiano. 
As outras duas composições são de 1523, mas são diferentes entre si. Em ambas a horizontalidade da mesa é marcada pela horizontalidade da composição. No primeiro caso ainda surge a mesma janela sobre Cristo, mas já não é escura - é um círculo iluminado, indicando a luz do dia, a luz solar. Aliás esse círculo já não está directamente sobre Cristo, mas sim no vértice de um triângulo entre Cristo, São João e (provavelmente) São Pedro. Numa linguagem de certo modo mais próxima de Da Vinci, há uma maior simplicidade de gestos e surgem menos objectos: um cálice é tudo o que se vê sobre a mesa. No chão, um prato vazio faz o espelho da janela e, junto dele, vê-se um cesto cheio de pão, que simboliza a Eucaristia. 
Por fim, no terceiro caso, Cristo já não está ao centro - ele e São João estão do lado esquerdo, tendo à sua frente o cálice e o pão eucarísticos. Há uma grande simplicidade formal que sugere um tipo de equilíbrio sereno e majestoso, influenciado pelo Renascimento Italiano. Contudo, a iconografia difere do discurso preconizado por Roma, o que se deve provavelmente ao facto de pertencer à fase final da vida de Dürer, quando o protestantismo introduzido por Lutero começava a ser divulgado em Nuremberga. Deste modo, o artista volta à iconografia oriental, em que Cristo, colocado na ponta de uma mesa, era visto de perfil.
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Bibl.: Erwin PANOFSKY, La Vie & L' Art d' Albrecht Dürer, Hazan, 1987.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ordem vs. originalidade

Albert Anker, Mädchen, die Haare flechtend (1887).
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«Soyez réglé dans votre vie et ordinaire comme un bourgeois, afin d'être violent et original dans vos œuvres.».
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terça-feira, 3 de abril de 2012

Compreender a paisagem

Thomas Gainsborough, Paisagem de Floresta (Casa-Museu Medeiros e Almeida).
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«Pour comprendre un paysage, nous devons l’harmoniser avec nous-même, c’est-à-dire l’humaniser. Il faut animer la nature, sans quoi elle ne nous dit rien. Notre œil a une lumière propre, et il ne voit que ce qu’il éclaire de sa clarté».
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segunda-feira, 2 de abril de 2012

No Dia Internacional do Livro Infantil - A Casa Sincronizada

 Pedro Brito, A Casa Sincronizada (2011).
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Assim se passam os dias
na casa sincronizada.
Como se fosse uma orquestra,
a casa está ensaiada.
Todos respeitam o ritmo,
todos partilham o tempo,
todos seguem a batuta
de um maestro invisível,
todos acertam compassos,
pausas, notas, melodias.
Acertam todos os dias.
Ou como se fosse a fábrica
onde tudo tem uma ordem,
Ou como se fosse a máquina
em que cada peça encaixa,
Ou como se fosse a dança,
ou como se fosse a caixa
de costura, organizada,
onde nunca falta nada... 
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excerto de A Casa Sincronizada,
de Inês Pupo e Gonçalo Pratas (2011).
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Prémio SPA/RTP na categoria de Melhor Livro Infanto Juvenil.
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domingo, 1 de abril de 2012

Domingo de Ramos

Pietro Lorenzetti, Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (1320, Basílica de São Francisco, Assis).
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As folhas de palmeira são universalmente reconhecidas como símbolos de victória, de ascenção e de imortalidade. A tradição é de origem oriental e está associada ao costume de agitar ramos verdes para aclamar os vencedores. São estas as folhas que terão sido utilizadas para celebrar a entrada de Jesus em Jerusalém (como se vê na pintura acima de Lorenzetti). No entanto, o seu simbolismo não é exclusivo da cultura cristã e não é obrigatório que o ramo seja de palma, podendo ser de loureiro, de oliveira ou de salgueiro, por exemplo.
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Bibl.: Jean Chevalier & Alain Gheerbrant (1982).

sábado, 31 de março de 2012

Primavera

John Joseph Enneking, Blooming meadows (1897) e Spring hillside.
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«Plans to protect air and water, wilderness and wildlife are in fact plans to protect man». 
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So,when kiss Spring comes...


Constantin Brancusi, Le baiser (1907-1908, Nasher Sculpture Center).
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(So,when kiss Spring comes
we'll kiss each kiss other on kiss the kiss
lips because tic clocks toc don't make
a toctic difference
to kisskiss you and to
kiss me)
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quinta-feira, 29 de março de 2012

História

Samuel Morse, Gallery of the Louvre (1831-33, uploaded by Gandalf's Gallery)
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«Fomos progressivamente descobrindo que a objectividade do conhecimento histórico é um mito, que toda a história é escrita por um homem e que quando esse homem é um bom historiador põe na sua escrita muito de si próprio».
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Georges Duby (1986),
citado por Pedro Gomes Barbosa.

Arco-Íris

J. M. W. Turner, The rainbow (c. 1835, National Museum of Wales).
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Look up to the sky
you’ll never find rainbows
If you’re looking down. 
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Charlie Chaplin (1969).

terça-feira, 27 de março de 2012

Criatividade

(imagem tirada daqui)
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«When patterns are broken, new worlds emerge».
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segunda-feira, 26 de março de 2012

Aprender

(imagem tirada daqui)
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The more that you read,
The more things you will know.
The more that you learn,
The more places you’ll go. 
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Dr. Seuss (1978)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Para o Dia Mundial da Água

Henri Moret, Calm Sea at L'Ile de Groux (1896).
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«In one drop of water are found all the secrets of the oceans.»
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terça-feira, 20 de março de 2012

Para o dia da árvore

Gustave Courbet, Le chêne de Flagey (Chene de Vercingétorix) (1864, Murauchi Art Museum Tokyo).
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He who plants a tree
Plants a hope.
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segunda-feira, 19 de março de 2012

Para dar as boas vindas à Primavera

Odilon Redon, Papillons (1913)
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«Pour goûter un paysage, il faut s’harmoniser avec lui. Pour comprendre le rayon de soleil, il faut vibrer avec lui; il faut aussi, avec le rayon de lune, trembler dans l’ombre du soir; il faut scintiller avec tes étoiles bleues ou dorées; il faut, pour comprendre la nuit, sentir passer sur nous le frisson des espaces obscurs, de l’immensité vague et inconnue. Pour sentir le printemps, il faut avoir au cœur un peu de la légèreté de l’aile des papillons, dont nous respirons la fine poussière répandue en quantité appréciable dans l’air printanier.» 
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Jean-Marie Guyau (1887).

domingo, 18 de março de 2012

Para o Dia do Pai

Quino, Mafalda.
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«I don`t work weekends. Weekends are for my kids. And I have dinner at home every night when I`m not physically directing a movie - I get home by six. I put the kids to bed and tell them stories and take them to school the next morning. I work basically from 9.30 to 5.30 and I`m strict about that».
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A pintura como libertação

Pablo Picasso, Mujer con abanico (1905, National Gallery of Art, Washington).
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«Através do desenho e da cor, pois que eram estas as minhas armas, pretendia penetrar de forma cada vez mais profunda no conhecimento do mundo e dos homens, para que este conhecimento nos fizesse mais livres dias após dia...».
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Pablo Picasso,
(frase retirada da exposição «A Geometria das Cores» do Museu de Sacavém). 

sábado, 17 de março de 2012

Música e pintura

Joseph Rodefer DeCamp, The Violinist (uploaded by Art Inconnu).
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«A cor é a música dos olhos».
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Goethe,
(frase retirada da exposição «A Geometria das Cores» do Museu de Sacavém).

sábado, 10 de março de 2012

Pintura e aprendizagem

 
Lord Frederic Leighton, An Artist Sketching in the Cloister of Saint Gregorio, Venice (originally uploaded by Gandalf's Gallery.)
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«Segredos da teoria da cor?
Porquê chamar segredos a esses princípios
Que todos os artistas têm de conhecer
E que lhe devem ter sido ensinados?».
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Delacroix
(frase retirada da exposição «A Geometria das Cores» do Museu de Sacavém)


sábado, 3 de março de 2012

Cor e Geometria - Museu de Sacavém


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«O branco e o preto não são cores mas extremos da luz»
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Leonardo da Vinci.
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No Museu de Sacavém, onde era a Fábrica (de que resta o forno) está patente uma exposição sobre loiça de motivos geométricos, dos anos 1930-1940. De todas as peças expostas, gostei especialmente destas com motivos a preto e branco.