terça-feira, 15 de julho de 2014

Um desafio...

A Ana de (In)Cultura convidou-me e aqui vão as minhas respostas (embora assuma que já li as da Ana e as da MR no Prosimetron, e por isso já vou um bocado influenciada):


O mundo seria muito mais feliz se ...
As pessoas se respeitassem mais - e cumprissem a norma «não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti».

Uma amizade é realmente importante quando ...
Se mantém mesmo com dificuldades e distâncias - e persiste mesmo quando há diferenças de opiniões.

Paciência e tolerância são para mim ...
Importantes - um bom exercício.

Algo que me irrita profundamente é ...
A maldade, a arrogância e a "mania das grandezas".

Acho que as pessoas mais humildes ...
São as que merecem mais respeito.

Quando o dia amanhece nublado eu ...
Fico aborrecida e tento não pensar nisso - mas já fico contente se não for daqueles dias em que está sempre a chover.

Uma qualidade indispensável nas pessoas é ...
Saber ouvir os outros.

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Quanto aos convites, escolhendo aqueles que ainda não participaram e poderão gostar de o fazer, convidaria a Sandra do Presépio com Vista para o Canal e a Mariana dos Retratos de Varsóvia.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Avelãs

(link)
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«Close to where they stood grew a hazel-bush, covered with beautiful nuts. They soon gathered some, cracked them, and ate the fine young kernels, which were only just ripe. But there was another surprise and fright in store for them. Out of the thicket stepped a tall old woman, her face quite brown, and her hair of a deep shining black; the whites of her eyes glittered like a Moor’s; on her back she carried a bundle, and in her hand a knotted stick. She was a gypsy. The children did not at first understand what she said. She drew out of her pocket three large nuts, in which she told them were hidden the most beautiful and lovely things in the world, for they were wishing nuts. Ib looked at her, and as she spoke so kindly, he took courage, and asked her if she would give him the nuts; and the woman gave them to him, and then gathered some more from the bushes for herself, quite a pocket full. Ib and Christina looked at the wishing nuts with wide open eyes.»
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Hans Christian Andersen, Ib and Little Christina (1855)
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Tomás Yepes, Bodegón con dulces y frutos secos (c. 1650)

sábado, 12 de julho de 2014

Aprazíveis Diálogos

«The Door to Nowhere», Santorini, Greece
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No Prosimetron surgiu uma ligação para um post do Boredpanda sobre as mais belas portas do mundo. Há muitas portas bem bonitas, mas gostei especialmente desta. Achei que seria boa para começar os "aprazíveis diálogos" para que a Ana me convidou, pois uma porta, sobretudo para lado nenhum, pode ser um portal mágico, pelo menos para a imaginação. Li recentemente* uma frase que me agradou e  que talvez caiba bem aqui:

«Para além da aparência fácil do que te cerca uma outra realidade mais subtil te espera.»

*José Manuel citado in Cátia Mourão, A Mansão Filosofal da Rua de Alcolena, Um Conceito de Obra Total, Chiado Editora, 2013, p. 14.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

O passado


Mestre Pero, Cavaleiro Medieval (1325-1350, Museu Nacional Machado de Castro)
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«(...) el pasado proporciona evasión y puede ser una forma de agradable escapismo (...)».
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Cf. Isabel Campi, Diseño y Nostalgia, El Consumo de la Historia, Barcelona, Ediciones de Belloch, 2007, p. 65

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bondade e humildade

Mary Stevenson Cassatt, Feeding the Ducks (c. 1895, Allen Memorial Art Museum, Oberlin College)
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«There are two things that men should never weary of, goodness and humility; we get none too much of them in this rough world among cold, proud people.»
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Politicamente incorrecto

(link)
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Não gosto muito de me meter em política e cada vez que penso nela lembro-me de Rafael Bordalo Pinheiro, homem que muito admiro. Acredito em cidadania e em respeito pelos outros, mas por vezes parece-me que a política e a cidadania são coisas distantes - mas não deveriam ser. Ontem assisti a uma reunião participativa da Câmara Municipal de Lisboa que me deixou preocupada. O que é uma cidade? Para quem se dirigem as políticas camarárias? 
Já há muito tempo que não estudo estes temas mas creio que uma cidade é mais do que um aglomerado de casas e pessoas. Deve ter locais de convívio, espaços comunitários, estruturas que permitam qualidade de vida para os seus habitantes. Julgo também que, para a Câmara, as pessoas que vivem na cidade são mais importantes que os turistas que as visitam; e que as pessoas que vivem nos bairros são mais importantes que aquelas que os visitam. 
Dito de outro modo, julgo que a Câmara devia dar prioridade às pessoas que vivem e trabalham em Lisboa. Deveriam existir mais locais onde as famílias pudessem passear e eventos culturais dirigidos para a população em geral e não (somente) para faixas minoritárias. Porque é que se organizam eventos num bairro se esses eventos não interessam (de facto) às pessoas que habitam nesse bairro? Porque é que se investe tão pouco nos idosos e nas famílias? Como é possível que se invista tanto em eventos para jovens e turistas, se ainda existem tantos problemas nas escolas, nomeadamente com falta de pessoal auxiliar? Como é possível que haja espaços verdes onde raramente se faz alguma coisa que interesse à população comum? Como é possível que o espaço da feira popular ainda continue vazio e não há nenhum sítio equivalente em Lisboa para o substituir? (como existe em Viena de Áustria, por exemplo). Como é possível que nas festas de Lisboa não haja nada gratuito dirigido às famílias? Isto já para não falar nos prédios degradados e nas ruas esburacadas.
Ontem fiquei com a sensação que quem não for boémio, turista, jovem, ou rico o suficiente para viver num condomínio privado ou numa zona "nobre", mais vale mudar-se...
E, para descontrair, de cada vez que penso em politicamente incorrecto, lembro-me de uma das minhas séries preferidas de sempre, a Murphy Brown.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Arte & Ciência

Georg Anton Rasmussen, Hytter ved Fjorden (Huts by a Fjord) (1885)
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«It would be possible to describe everything scientifically, but it would make no sense; it would be without meaning, as if you described a Beethoven symphony as a variation of wave pressure.»
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Einstein 

terça-feira, 8 de julho de 2014

A Arte

Konstantin Yakovlevich Kryzhitsky, The Lake (1896, Vladimir & Suzdal Museum of History, Art and Architecture, Vladimir)
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«O único critério da arte é o êxtase. Onde falta o encantamento, falta também a arte.» 
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Denis Huisman, A Estética, Edições 70, 1997, p. 78.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

O impossível

Thomas Cooper Gotch, The Wizard
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«The limits of possible can only be defined by going beyond them into the impossible.»
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domingo, 6 de julho de 2014

Praia(s)

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«Alice had been to the seaside once in her life, and had come to the general conclusion, that wherever you go to on the English coast you find a number of bathing machines in the sea, some children digging in the sand with wooden spades, then a row of lodging houses, and behind them a railway station.»
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sábado, 5 de julho de 2014

«A Minha Felicidade»

Robert Tilling, Distant Gorey Castle
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A Minha Felicidade

Depois de estar cansado de procurar 
Aprendi a encontrar. 
Depois de um vento me ter feito frente 
Navego com todos os ventos. 
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quinta-feira, 3 de julho de 2014

Baloiços

Francisco de Goya e Real Fábrica de Tapeçarias de Santa Bárbara (Madrid), Tapeçaria O Baloiço (Série Cenas da vida em Madrid) (c. 1784, Palácio Nacional da Ajuda)
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Nicolas Lancret, The Swing (c. 1735, Victoria and Albert Museum, Londres)
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Jean-Honoré Fragonard,  The Swing (1767, Wallace Collection)
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Frank William Warwick Topham, Young girl on a swing (1891)
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Winslow Homer, Girl on a Swing (1879, Hunter Museum of American Art)
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Pierre-Auguste Renoir, La Balançoire (1876, Musée d'Orsay, Paris)
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Quino (link)
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(link)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Arte e percepção

Willem Bastiaan Tholen,  De schilder Gabriël aan het werk in de vrije natuur (1882, Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam)
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«A arte faz-nos sem dúvida descobrir nas coisas mais qualidades e mais cambiantes do que nos apercebemos naturalmente. Ela dilata a nossa percepção.»
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Henri Bergson, citado por Denis Huisman, A Estética, Edições 70, 1997, p. 60.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Julho

Irmãos Limbourg, Les très riches heures du Duc de Berry: Juillet (1412-1416, Musée Condé, Chantilly)
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António de Holanda (atribuído), Livro de Horas: Calendário (mês de Julho) (1517-1551, Museu Nacional de Arte Antiga)
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Jacob van Huysum, Twelve months of flowers: July (Fitzwilliam Museum)
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Paul Gabriël, Windmill on a Polder Waterway (In the Month of July) (c. 1880-1889, Rijksmuseum Amsterdam)
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Isaac J. Cullin, Newmarket, a July Meeting (1901)

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Arte, imaginação e geografia

Peder Severin Kroyer, Landscape from Stenbjerg with moon (1889, Skagens Museum)
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António Carneiro, Contemplação (1911, Museu do Chiado – Museu Nacional de Arte Contemporânea)
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Louis Moland escreveu, a propósito de Hans Christian Andersen: «l'imagination du conteur danois, à dire vrai, est parfois vertigineuse. Une remarque que l'on a faite déjà et que nous pouvons répéter à son occasion, c'est que, par l'éclat et la hardieuse de l'invention poétique, les peuples du Nord rivalisent avec les peuples de l'Orient. Il n'y a pour lutter de merveilles avec le brûlant soleil de l'Inde, de la Perse et de l'Arabie, que la neige et la brume de l'Irlande, de la Norwége, de la Suède et du Danemark.» (in Andersen, Contes Danois, Librairie Garnier Frères, Paris).
Por outro lado, Denis Huisman escreveu também: «A influência do meio geográfico é igualmente muito nítida na obra de arte (...). Provou-se que a obra de arte era apenas o reflexo do meio geográfico, tal como a arquitectura, onde se vêem os traços mais marcados do meio botânico, geológico e morfológico.» (Denis Huisman, A Estética, Edições 70, 1997, p. 106)
E, por fim, José de Figueiredo, a propósito da presença de Columbano na Exposição de 1900, disse: «Pois embora isto pareça um paradoxo, a verdade é que, com esta nossa paisagem luxuriante e este nosso sol claro, nós somos entretanto, como os russos, um povo de bruma. Sómente, emquanto a do paiz moscovita é real (…) a nossa é mais symbolica que natural. – (…) bruma mais feita de distancia d’um sonho longínquo do que dos próprios effeitos climatéricos» (José de Figueiredo, Portugal na Exposição de Paris, Lisboa, Sociedade Editora - Empresa da História de Portugal, 1901, pp. 126-127.)
O texto de José de Figueiredo é o que melhor corresponde à minha opinião. Penso que a arte e o imaginário são mais inspirados pela história e pela cultura, do que pela geografia. Porém, alguma verdade existe na hipótese de o clima, o relevo, a fauna e a vegetação, terem influência sobre a criação artística e sobre a imaginação em geral.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Casa da Cerca, Flores e William Morris

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«Beauty, which is what is meant by art, using the word in its widest sense, is, I contend, no mere accident to human life, which people can take or leave as they choose, but a positive necessity of life».
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«No pattern should be without some sort of meaning.»
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 William Morris, Strawberry Thief (1883)
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 William Morris, Marigold (1875)

 William Morris, Acanthus (1875)

  William Morris, Willow Bough (1862)

William Morris, Daisy (1864)

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Identidade

Vista do miradouro da Casa da Cerca (Almada)
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«Nuestro sentido de identidad y de pertenencia se construye a partir de nuestros recuerdos».
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Isabel Campi, Diseño y Nostalgia, El Consumo de la Historia, Barcelona, Ediciones de Belloch, 2007, p. 65.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Contos de fadas e resiliência

Andersen, Contes Danois, Librairie Garnier Frères (1873).
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Descobri, num blogue de que gosto muito (Myth & Moor), esta bela frase: «Deeper meaning resides in the fairy tales told to me in my childhood than in the truth that is taught by life.» (Friedrich Schiller). Entretanto, estou agora a ler uma edição antiga dos contos de Hans Christian Andersen*. Na introdução surge uma transcrição do início da autobiografia desse escritor, a qual me impressionou sobretudo pelo facto de ser uma extraordinária história de resiliência. Andersen escreveu: «Every man's life is a fairy tale, written by God's fingers.» e «The whole world is a series of miracles, but we're so used to them we call them ordinary things.»
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Taça de chá colada pelo método Kintsugi.
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É interessante notar que as frases de Schiller e de Andersen podem ser vistas como contraditórias, mas eu penso que não. Parece-me que um dos sentidos dos contos de fadas é a maneira como eles nos inspiram a ter resiliência. Dentro do mesmo espírito, no mesmo blogue que já mencionei, há um belíssimo post (link) que refere um tema relacionado, a propósito da arte Kintsugi: «When the Japanese mend broken objects, they aggrandize the damage by filling the cracks with gold. They believe that when something's suffered damaged and has a history it becomes more beautiful.» (Billie Mobayad). Como a autora desse blogue (Terri Windling) diz: «It seems to me that this is precisely what so many traditional fairy tales are all about: the transformation of a wounded soul into a hero, the transfiguration of great calamity (a spell, a curse, the loss of home or fortune) into a new life of potential and promise».
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*Esta edição está disponível na Gallica (Bibliothèque National de France).

sábado, 21 de junho de 2014

Verão

Abel Grimmer, Summer
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Verão (séc. XVIII, Museu Nacional de Soares dos Reis)
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Carl Larsson, Summer
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Heinrich Vogeler, Sommerabend (1905)
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Hein Semke, Verão (séc. XX, Museu José Malhoa)

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Significado

Andrew Rogers, Listen (2010)
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«(…) this bringing of the object into meaning is what constitutes it as a cultural artifact. Meaning is thus intrinsic to our definition of culture. Meanings help us to interpret the world, to classify it in meaningful ways, to “make sense” of things and events, including those which we have never seen or experienced in real life but which occur in films and novels, dreams and fantasies, as well as objects in the real world. (…) Meanings bridge the gap between the material world and the “world” in which language, thinking and communication take place – the “symbolic” world. They dissolve any fixed distinction between the so-called “real world” and, for example, the world of the imagination with its “small objects of desire” (…). We are perfectly capable of understanding such dreams, of interpreting their meaning, even if they only exist in the imagination.»
«It does not follow, of course, that all meanings are equally valid. (…) It is easier to speak of those meanings which are widely shared and agreed upon within a culture, which carry a high degree of consensus at a particular time, compared with those which are held by only a few people. But even this is not a hard-and-fast distinction. Since our frameworks of meaning are constantly shifting (…). And many readings, though perfectly plausible, may not be correct (…).»
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DU GAY, P., HALL, S., JAMES, L., MACCKAY, H., NEGUS, K. (1997), Doing Cultural Studies: The Story of the Sony Walkman, Sage Publications - OpenUniversity, p. 10.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Mansões Filosofais

Moradia nº 28 da rua de Alcolena (link)
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«Fucanelli sempre entendeu, com a expressão mansões filosofais, qualquer suporte simbólico da hermética Verdade, fossem quais fossem as suas natureza e importância. A saber, por exemplo, a minúscula bugiganga guardada numa vitrina, a peça de iconografia numa simples folha ou num quadro, o monumento arquitectónico, quer seja pormenor, vestígio, domicílio, castelo ou então igreja, na sua integridade.» 
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Eugène Conseliet citado in Cátia Mourão, A Mansão Filosofal da Rua de Alcolena, Um Conceito de Obra Total, Chiado Editora, 2013, p. 13.
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Painel de azulejos com decoração geométrica (1953, Moradia nº 28 da rua de Alcolena - link)

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Columbano e História da Dança – Painéis para a sala de baile do Palacete do Conde de Valenças

Painéis para a sala de baile do Palácio Valenças: «A Dança ao longo da História» (1891 - link)
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Tecto da sala de baile do Conde de Valenças (1891, Hotel da Lapa, Lisboa)
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A obra de Columbano que vai agora a leilão corresponde a um conjunto de cinco telas, de grande formato, dedicadas à "A Dança ao longo da História". Terminadas em 1891, estas pinturas inserem-se na carreira de Columbano no âmbito das artes decorativas, que terá iniciado em 1878-1880, com um trabalho feito em colaboração com Pereira Júnior para Câmara Municipal de Lisboa. 
Os painéis da História da Dança foram executados por encomenda para o Palacete do conde de Valenças, Luís Leite Pereira Jardim (1844-1910). A decoração era composta por oito pinturas, nomeadamente um tecto e sete painéis pintados sobre tela, com cerca de três metros de altura. No início de 1891, estando os trabalhos concluídos, o artista decidiu abrir, para alguns críticos e amigos, uma exposição no seu ateliê do Pátio do Martel, onde apresentou os sete painéis, que posteriormente seriam aplicados às molduras de estuque do salão de baile a que se destinavam. 
Nessa altura, Columbano foi alvo de uma significativa crítica de Fialho de Almeida (1857-1911), que se mostrou hesitante na apreciação destas obras. Para ele o terceiro pano, relativo à época de Luís XV, era «o trecho amorosamente estudado (…): detalhes, desenho, tons, tudo é magnífico». No quinto pano, que evocava um par dançante por alturas de Henrique III, Fialho dizia que o homem era Lopes de Mendonça, «vestido de negro». O escritor também apreciou o painel onde estava «pintada uma quadrilha, de que o espectador apercebe oito ou nove figuras», entre as quais se via uma «mulher magnífica, de branco, lembrando um pouco um retrato de D. Maria II, por Lawrence». 
As apreciações de Fialho de Almeida evidenciavam não só os defeitos como as qualidades de Columbano na pintura decorativa. Dizia, com alguma razão, que Columbano era um realista, cujos recursos vinham «da observação directa». As «figuras daqueles sete panos, à parte uma ou outra mais hierarquicamente posta, são antes exibições de tipos contemporâneos, sinceramente estudados dentro de vestidos de outras épocas, do que tentativas de restauração da fisionomia antiga». 
O tecto não foi visto nessa altura por Fialho porque foi pintado in situ, e ainda hoje pode ser apreciado no espaço para que estava inicialmente destinado (actualmente é o Hotel da Lapa). Columbano construiu uma composição em trompe l’oeil, onde, em torno de uma arquitectura que se abre para o céu, se dispõem diversas figuras que tocam música, dialogam entre si ou espreitam para baixo. Algumas estão bem definidas, outras estão submersas na nebulosidade que as cerca e as remete para um espaço irreal. As personagens encontram-se trajadas à moda do século XVIII, destacando-se uma mulher, sentada sobre a varanda, que toca um bandolim.
Ao longo do tempo, as pinturas realizadas por Columbano para o Palácio Valenças suscitaram variadas apreciações por parte dos historiadores. Alguns, como Varela Aldemira, apreciaram esta «primorosa decoração», pintada com «pomposo requinte». Também Diogo de Macedo veria um «harmonioso efeito decorativo», nomeadamente no uso de cores doces e luminosas. Pelo contrário, o historiador Adriano de Gusmão escreveu que «o realismo (…) atraiçoava Columbano quando, nas grandes decorações, se afastava do motivo contemporâneo». Opinião semelhante foi a de José-Augusto França ao afirmar que as críticas de Fialho de Almeida iriam permanecer justas para todo o seu labor do género decorativo. Mais positiva tem sido a análise feita pela recente historiografia de arte, sobretudo depois da exposição do Museu do Chiado de 2010 e do artigo de Foteini Vlachou publicado no catálogo dessa mesma exposição. 
Como foi notado, este tipo de pintura decorativa e historicista integra-se no gosto neo-barroco e neo-rocaille de influência francesa que marcou o final do século XIX. É certo que Columbano era mais realista do que o que era desejado no mundo da pintura decorativa e académica. Contudo, independentemente dessa questão, muitas das suas obras decorativas são de grande beleza e apresentam sempre um inegável domínio do ponto de vista da técnica e do colorido.
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Bibl.: Fialho de ALMEIDA, 20/1/1891, in Fialho de ALMEIDA, 1992, Os Gatos, Lisboa, Clássica Editora, 1992, vol. IV, pp. 39-47; «Columbanos por cem mil contos», Visão, 21/6/2001; Margarida ELIAS, Columbano no seu Tempo (1857-1929), FCSH-UNL, 2011 (Tese de Doutoramento); Foteini VLACHOU, 2010, «Columbano e a pintura decorativa», in Maria de Aires SILVEIRA (coord.), 2010, Columbano, MNAC/Leya.