segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Lareiras

Albert Anker, At the Grandparents (1892, Oskar Reinhart Foundation, Winterthur)
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Florence Fuller, Inseparables (1900)
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John Lavery, The gothic room, 901 fifth avenue (1926)
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Raul Lino, «O Gato», in Afonso Lopes Vieira (poemas) e Raul Lino (ilustração), Animaes nossos Amigos, Lisboa, Livraria Ferreira, p. 31.
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(Pinterest)
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Nota: O tema já o tinha abordado no post «Uma colecção de lareiras», de 4 de Fevereiro de 2014, onde também já tinha sido publicada a ilustração de Raul Lino.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Da Imaculada Conceição

Francisco de Zurbarán, La Inmaculada Concepción (1628-1630, Museu do Prado, Madrid)
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«Segundo Joseph Bayam, foi a Rainha Santa Isabel que instituiu o culto à Virgem Nossa Senhora da Conceição (Santa da sua predilecção). Pediu ajuda a esta Santa para que terminasse a guerra civil que envolvia o seu marido e filho, prometendo aumentar a devoção à Senhora da Conceição. Falando com a autoridade eclesiástica coimbrã (Bispo D. Raimundo), pede para que consagre um dia à devoção desta Santa; este expõe o caso ao seu conselho do Cabido e às pessoas mais versadas em teoiogia e letras que discutem o assunto. Depois de todos terem entrado num acordo, o Bispo promulga uma constituição em que manda celebrar, todos os anos, a 8 de Dezembro, na sua Catedral, a festa de Nossa Senhora da Conceição. Depressa o exemplo é alargado a Lisboa e pelos restantes prelados do país».
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In Luísa Silva, A Construção do Novo Mosteiro de Santa Clara de Coimbra: 1647 a 1769: Da Decisão à Conclusão: Obras e Arquitectos. Dissertação de mestrado, Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2000, p. 38. Ela cita Joseph Bayam, Portugal glorioso e ilustrado com a vida e virtudes das benventuradas Mafalda, Isabel e Joanna, Officina de Pedro Ferreyra, Lisboa Ocidental, 1727, p. 266.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Bazille, nascido a 6 de Dezembro de 1841


L'atelier de Bazille (1870, Museu d'Orsay, Paris)
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Como um dos meus temas preferidos na pintura é do quadro dentro do quadro, aqui fica um quadro recheado de outros quadros. 
Apresenta o atelier da Rua de La Condamine, que Bazille partilhou com Renoir entre 1868 e 1870. No centro está Bazille, com a paleta na mão - retrato esse que terá sido pintado por Manet, pois numa carta escrita por Bazille ao seu pai, ele dizia: "Manet m'a fait moi-même". Manet, de chapéu, está a observar a tela sobre o cavalete. À direita, a tocar piano, está Edmond Maître. A natureza morta de Monet, junto do piano, recorda que Bazille adquiriu obras desse pintor, de modo a ajudá-lo financeiramente. 
E aqui ficam algumas pinturas representadas, do que consegui apurar:


Pêcheur à l'épervier (1868, Fondation Rau pour le Tiers-Monde)
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La Toilette (1869-1870,  Musée Fabre, Montpelier)
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Claude Monet, Fruits et Gibier
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Da Benard, uma das minhas pastelarias preferidas de Lisboa

Joshua Benoliel, Pastelaria Benard e Hotel Borges (c. 1910, Arquivo Municipal de Lisboa)
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Costumava lá ir quando frequentava o IADE, na Rua Capelo (entre 1988 e 1992), e ainda volto lá sempre que posso. Inicialmente a minha preferência era para os croissants (e ainda é), mas agora acrescento o chocolate quente. No "site" Lojas com História, conta-se que foi fundada por Élie Benard, em 1868, na Rua do Loreto, com o nome patisserie. Mudou-se para a morada actual em 1902 e o termo pastelaria só surgiu em 1926. Nos anos 80 sofreu remodelações, reabrindo em 1983.

Joshua Benoliel, Fábrica de bolos, pastelaria Benard (c. 1910, Arquivo Municipal de Lisboa)

Ferreira da Cunha (atr.), Pastelaria Benard, interior (1930-1939, Arquivo Municipal de Lisboa)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

No 117º aniversário de Walt Disney

Joan Pujol, Cartoon Fanfare (2012)
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Fica aqui a minha lista de filmes preferidos da Disney:

Fantasia (1940)
Pinocchio (1940)
Alice in Wonderland (1951)
Peter Pan (1953)
Lady and the Tramp (1955)
The Sword in the Stone (1963)
Mary Poppins (1964)
The Jungle Book (1967)
The Aristocats (1970)
Robin Hood (1973)
Aladdin (1992)
Toy Story (1995 e restantes)
Pirates of the Caribbean (2003 e restantes)
Brother Bear (2003)
The Chronicles of Narnia (2005 e restantes)
Enchanted (2007)
WALL-E (2008)
Up (2009)
The Princess and the Frog (2009)
 Tangled (2010)
Brave (2012)
Wreck-It Ralph (2012)
Big Hero 6 (2014)
Inside Out (2015)
Coco (2017)
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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Seurat, nascido a 2 de Dezembro de 1859

Tête de Jeune fille (1879, Dumbarton Oaks Research Library and Collection, Washington)
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Em Outubro passado, numa conversa proferida por Julião Sarmento, no Museu Nacional de Arte Contemporânea, ele dizia que não gostava da obra pictórica de Seurat, mas apreciava muito os desenhos. A ideia ficou-me na mente e agora, a propósito do aniversário do artista francês, aqui ficam algumas obras dele de que eu mais gosto, incluindo pinturas e desenhos. E, como o tema da conversa era colecções de arte, escolhi quatro trabalhos de Seurat que eu de muito boa vontade teria em minha casa.
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Sur la route (1881-1882)
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View of Fort Samson (1885, Museu do Hermitage, São Petersburgo)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

sábado, 1 de dezembro de 2018

E lembrando (ainda) C. S. Lewis, nascido a 29 de Novembro de 1898

As Crónicas de Nárnia (2005 © IMDB)
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“Write about what really interests you, whether it is real things or imaginary things, and nothing else.”
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sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Da vida e do "Mandarim" de Eça de Queiroz

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«Mas, ainda na sua actividade mais resumida, a vida é um bem supremo; porque o encanto dela reside no seu princípio mesmo, e não na abundância das suas manifestações!».
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Eça de Queirós, O Mandarim, Quidnovi, 2010, p. 35.

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Cores e elementos

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No livro de André Chastel, Art et Humanisme à Florence au Temps de Laurent le Magnifique (Paris, Presses Universitaires de France, 1982, p. 322), diz-se que Alberti propõe quatro tons fundamentais, que se relacionam com os elementos:

Vermelho - Fogo
Azul - Ar
Verde - Água
Cinzento - Terra

Chastel, em nota de rodapé, diz que Rafael e Leonardo da Vinci propunham o amarelo para a Terra. A ideia deixou-me intrigada, porque eu, pessoalmente, não sei se colocaria o verde para a Água e muito menos o cinzento para a Terra. 
No entanto, as razões eram aqui não simbólicas, mas práticas: «En l'absence de la théorie du spectre solaire, c'était là le classement le plus simple. Leur mélange produit une infinité de nuances, qui varient selon les diverses natures de lumière et le rapports provoqués par les reflets».
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A imagem é uma colagem de três detalhes das seguintes pinturas: Leda e o Cisne de Leonardo da Vinci (c. 1510); São Miguel de Rafael (c. 1503-1505, Museu do Louvre, Paris) e Madonna do Mar de Botticelli (c. 1477).

terça-feira, 27 de novembro de 2018

E Charles Schulz, nascido a 26 de Novembro de 1922

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«I never give my work to somebody else and say, "What do you think about that?" I just don't trust anybody. If I think it's funny, or if I think it's silly, I send it in anyway because I'm just trying to please myself. I never try to please a certain audience. I think that's disastrous. There's no way in the world you can anticipate what your reader is going to like or dislike». - National Cartoonist Society talk, 1994.
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Cartoon originalmente publicado a 4 de Novembro de 1970.

sábado, 24 de novembro de 2018

"Mil Novecentos e Oitenta e Quatro"


Não tenho o hábito de fazer "posts" ao fim de semana, nem de fazer recensões críticas. A primeira é por razões de gestão do meu tempo (que não estica ou encolhe conforme me dá jeito); a segunda é porque só fui parar às Ciências Humanas na Faculdade (fiz o curso de Artes Visuais no Secundário), pelo que nunca tive muito treino nesta área da escrita.
Mas vou tentar uma recensão do livro de George Orwell (1903-1950), que li numa tradução portuguesa da Moraes Editores, publicada em 1984 - o livro original data de 1949.
As razões da minha tentativa é porque não consigo dizer que gostei do livro, porque a escrita é densa, quase documental (é cruel de tão fria), a acção é lenta. E sobretudo porque é um livro extraordinariamente assustador, apesar de não ser uma história de terror no sentido clássico. Acho que poucos sãos os livros que li que me deixaram tão deprimida e horrorizada como este.
Contudo, ainda bem que o li. É um livro importantíssimo. E só desejo que nada daquilo se cumpra no presente ou no futuro. A crueldade daquele mundo sem esperança possível (a nenhum nível), é indescritível. É uma distopia sem fugas, que sinceramente só me deixou a pensar no que faria numa situação daquelas.
O que mais me impressionou, confesso, foi a maneira como aquele governo conseguia controlar o pensamento e os sentimentos, aniquilando a família (os filhos a denunciar os pais), a história e a memória: «Tudo se fundia na bruma. O passado era suprimido, essa supressão esquecida, a mentira tornava-se verdade». A capacidade de pensar era controlada através da redução da língua: «Não vês que todo o objectivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? Acabaremos por tornar o crimideia literalmente impossível, porque não haverá palavras para o exprimir».
E até a noção de indivíduo, de dignidade, de honra, ou mesmo o direito de amar (outra coisa que não fosse o Partido) era aniquilada. E, talvez, o pior de tudo, era o assumir que se fazia tudo aquilo apenas por amor ao poder, nada mais:
«(...) É tempo de teres uma ideia do que significa o poder. A primeira coisa que deves compreender é que o poder é colectivo. O indivíduo só tem poder na medida em que cessa de ser indivíduo. (...) Sozinho, livre, o ser humano é sempre derrotado. Assim deve ser, porque todo o ser humano está condenado a morrer, que é o maior dos fracassos. Mas se puder realizar uma submissão completa, total, se puder fugir à sua identidade, se puder fundir-se no Partido, então ele é o Partido, e é omnipotente e imortal. A segunda coisa que deves compreender é que o poder é a autoridade sobre todos os seres humanos. Sobre o corpo, mas acima de tudo, sobre a alma (...)».
Conclusão, só espero que nada disto de concretize. E nunca gostei tanto de História (e de poder pensar ou sentir) como depois de ter lido este livro.