Quarta-feira, 8 de Maio de 2013

Para o Dia da Espiga

Rubens Santoro, Summer bouquet (1890 - Christie's).
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«Além das aptidões e das qualidades herdadas, é a tradição que faz de nós aquilo que somos».
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Terça-feira, 7 de Maio de 2013

Quase no dia da espiga...

Eliseu Visconti, Motion (1916 - Old Paint).
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«A weed is but an unloved flower». 
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Ainda das flores...

Rosina Emmet Sherwood, Wild Flowers (1894 - Still life quick heart).
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«Raise your words, not your voice. It is rain that grows flowers, not thunder».
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E deixo aqui dois humildes desabafos. Que me perdoem os jardineiros, mas ando feliz com um dos efeitos colaterais da crise: as flores silvestres crescem por todo o lado, porque já não há dinheiro para andar a plantar e cuidar da relva...e eu gosto mais das flores do que da relva. E, por outro lado, ainda hoje pensava que, num mundo em crise, porque é que não se plantam nas cidades mais árvores de fruto e deixam as pessoas colhê-los à vontade? Deve haver razões, mas não sei quais são...

Segunda-feira, 6 de Maio de 2013

O Tempo

Harry Brooker, Breakfast Time (Link).
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«There is more to life than simply increasing its speed».
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Cause love's such an old-fashioned word
And love dares you to care for
The people on the edge of the night
And love dares you to change our way of
Caring about ourselves
This is our last dance
This is our last dance
This is ourselves
Under pressure
Under pressure
Pressure
(Link)
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Sábado, 4 de Maio de 2013

Para o Dia da Mãe

Seguidor de Rogier van der Weyden, A Virgem com o Menino (Link).
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Martin Schongauer,  Madonna in a Rose Garden (Link).
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Olhar para estas pinturas que datarão dos séculos XV-XV, levam-me a ponderar sobre a maneira como a imagem da Virgem, associada à ideia de maternidade, entrou para o imaginário iconográfico ocidental. Segundo Georges Duby, pode-se atribuir o culto marial do período gótico à expansão da cristandade no Oriente, onde se situavam os grandes santuários da Virgem. Esta hipótese é plausível, sendo de acrescentar que foi no século XII que se desenvolveu o culto da Virgem Maria, o que coincidiu temporalmente com a o crescimento da exaltação da mulher nas cortes cavaleirescas. Ao longo dos séculos seguintes triunfou o espírito da cavalaria, desenvolveram-se as cidades e as universidades, aumentou a curiosidade pela natureza e o espírito científico, e o realismo tornou-se mais presente na arte. Com as religiões mendicantes, sobretudo os Franciscanos, desenvolveu-se o culto pela humildade e pelo presépio. Nos séculos seguintes, no período que compreende o final da Idade Média e a Época Moderna, as mulheres começaram a ser mais respeitadas na sociedade e as crianças ganharam individualidade. Esta nova mentalidade, certamente se espelha na arte e nomeadamente nas representações da Virgem com o Menino. Estas imagens ganham naturalidade e o Menino torna-se cada vez mais numa criança e menos num edulto em niniatura. Distinguido-se das imagens hieráticas dos ícones bizantinos, no primeiro quadro, Jesus brinca com o cabelo da mãe e no de Schongauer agarra-se a ela, numa atitude perfeitamente natural de uma criança pequena.
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Bib.: Georges Duby, O Tempo das Catedrais, A Arte e a Sociedade, 980-1420, Lisboa, Editorial Estampa, 1988.

Crescer com os filhos

Albert Edelfelt, Drottning Blanka (Mother And Child) (1877, Ateneum, Helsínquia - Link)
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«It's not only children who grow. Parents do too. As much as we watch to see what our children do with their lives, they are watching us to see what we do with ours. I can't tell my children to reach for the sun. All I can do is reach for it, myself».
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Joyce Maynard (Link).

Sexta-feira, 3 de Maio de 2013

Boas lições...


Edmund Adler, A Posy for Mother (Haynes Fine Art).
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«The only moral lesson which is suited for a child - the most important lesson for every time of life - is this: "Never hurt anybody"».

Quinta-feira, 2 de Maio de 2013

Ainda sobre aprender...

Hugues Merle, The Embrodery Lesson (Link)
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«The important thing is not so much that every child should be taught, as that every child should be given the wish to learn».
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Quarta-feira, 1 de Maio de 2013

Aprendendo ...

Gerhard Richter, Wolke (Cloud) (1976 - Buscando el Cuadro mas Bello del Mundo).
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«To develop a complete mind: 
Study the science of art; 
Study the art of science.
Learn how to see. 
Realize that everything 
connects to everything else».
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Leonardo da Vinci (Sun Gazing).

Aprender: ainda e sempre: e ainda bem que assim é!

William Dolph, The Scholar (1881 - Still life quick heart).
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«Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre».
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Paulo Freire.

Terça-feira, 30 de Abril de 2013

Aprender e saber

Jan Verhas, The master painter (1877, Museum Voor Schone Kunsten, Gent - Link)
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«I think you shoul learn, of course, and some days you must learn a great deal. But you should also have days when you allow what is already in you to swell up inside of you until it touches everything. And you can feel it inside you. If you never take time out to let that happen, then you just accumulate facts, and they begin to rattle around inside of you. You can make noise with them, but never really feel anything with them. It's hollow».
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E. L. Konigsburg, From the Mixed-up Files of Mrs Basil E Frankweiler (Link).

Segunda-feira, 29 de Abril de 2013

E mais flores, apesar do frio...

Claude Monet, Le repos sous les lilas (France d'art et de lumière).
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«There is but one world and everything that is imaginable is necessary to it. For this world also which seems to us a thing of stone and flower and blood is not a thing at all but is a tale. And all in it is a tale and each tale the sum of all lesser tales and yet these are also the selfsame tale and contain as well all else within them. So everything is necessary. Every least thing. This is the hard lesson. Nothing can be dispensed with. Nothing despised. Because the seams are hid from us, you see. The joinery. The way in which the world is made. We have no way to know what could be taken away. What omitted. We have no way to tell what might stand and what might fall. And those seams that are hid from us are of course in the tale itself and the tale has no abode or place of beind except in the telling only and there it lives and makes its home and therefore we can never be done with the telling. Of the telling there is no end. And . . . in whatever . . . place by whatever . . . name or by no name at all . . . all tales are one. Rightly heard all tales are one». 
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Cormac McCarthy.

Domingo, 28 de Abril de 2013

Mais flores...

Paul Cézanne (France d'Art et de Lumière).
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«Those who contemplate the beauty of the earth find reserves of strength that will endure as long as life lasts. There is something infinitely healing in the repeated refrains of nature - the assurance that dawn comes after night, and spring after winter».
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Rachel Carson.

Sábado, 27 de Abril de 2013

Realismo e Naturalismo II

Pier Francesco Cittadini, Ghirlanda di fiori (Pinacoteca Nazionale di Bologna - Pittori Italiani - Italian Painters)
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Nas pesquisas que realizei acerca do Realismo e do Naturalismo, tive oportunidade de notar alguns aspectos que vou agora evocar. Em termos históricos, o aparecimento do Realismo ocorreu em França após as lutas sociais e políticas da Revolução de 1848, com o consequente desenvolvimento das várias tendências do Socialismo, que culminaram na Comuna de Paris. O propósito do realismo era construir uma «representação verídica, objectiva e imparcial do mundo real, baseada numa observação meticulosa da vida do momento». O exemplo paradigmático desta corrente estética encontrava-se na pintura de Gustave Courbet, bem como nas teorias de Pierre-Joseph Proudhon. Em 1865 foi publicado o livro Du Principe de l’ Art et de sa Destination Sociale, onde Proudhon expôs o seu pensamento estético, dando como modelo a obra do pintor Courbet. Em comunhão com estas ideias, no programa das Conferências do Casino, organizadas por Antero de Quental, afirmava-se que não «pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo; o que todos os dias a humanidade vai trabalhando, deve também ser o assunto das nossas constantes meditações». A conferência de Eça de Queirós, sob o tema «Realismo como Nova Expressão da Arte», defendia a integração da arte na vida moderna e expunha o caso da obra de Courbet como protótipo para a arte actual. Eça apresentava a proposta de uma renovação literária, pela «arte moral», experimental e racional, em suma, pelo «Realismo na arte». Em 1878, numa carta, explicava: «O que queremos nós com o Realismo? Fazer o quadro do mundo moderno, nas feições em que ele é mau (...), queremos fazer a fotografia, ia quase dizer a caricatura, do velho mundo burguês, devoto, católico, explorador, aristocrático, etc.; e apontando-o ao escárnio, à gargalhada, ao desprezo do mundo moderno e democrático – preparar a sua ruína». Ao escrever o manuscrito da Tragédia da Rua das Flores (1878), Eça concebeu um pintor, que afirmava que a arte «devia educar pela representação das acções justas». A arte deveria «ser essencialmente revolucionária. Um quadro deve ser um livro; deve ser um panfleto; deve ser um artigo de jornal». O processo da pintura não deveria ser acabado, estudado, ou amaneirado. «A pintura não é nada – a ideia é tudo. Traços largos, sombras indicadas, tons sóbrios, que dêem a impressão exacta da realidade». Para Ramalho Ortigão,em 1875, a arte era uma interpretação «da natureza feita, como diz Proudhon, em vista do nosso aperfeiçoamento intelectual e moral». A missão da arte era crítica, não já uma crítica que nega, mas sim uma crítica que sistematiza. 
Um aspecto que tem sido notado em investigações recentes é que o realismo na arte deveu bastante à descoberta da pintura espanhola do século XVII, por parte dos artistas e historiadores. A liberdade dessa pintura, que tratava assuntos humildes e valorizava a cor mais do que o desenho, atraiu tanto os artistas românticos como os realistas. Tal como notou Lucília Verdelho da Costa, a «escola espanhola foi uma fonte de anticlassicismo que veio responder às aspirações da jovem pintura, que rejeitava o Belo ideal herdado de Rafael e a dramaturgia, o colorido e o dinamismo das composições românticas. (…) Courbet foi o primeiro a assumir a ruptura, ao introduzir, a par do realismo da representação, a técnica da pintura de Velásquez». 
Por outro lado, o realismo também estava associado à pintura holandesa, na medida em que esta reproduzia preferencialmente cenas da realidade quotidiana. No entanto, hoje devemos ter em consideração que o realismo holandês de seiscentos era um realismo aparente, pois as pinturas desse tempo celebravam as virtudes domésticas, sobretudo desempenhadas por mulheres, em espaços interiores. Apesar desse lado simbólico, como notou Tzevetan Todorov, nessas obras dava-se importância à realidade mais humilde e toda a representação pictural de um ser ou de um objecto significa que ele é digno de ser representado, que merece sobreviver ao instante da sua aparição: «a pintura é, intrisecamente, elogio do que é pintado». Todorov afiançava que através da representação do quotidiano, o pintor constatava que a beleza poderia estar nos objectos insignificantes e nos gestos comuns. Deste modo, descobria que «pela graça dos pincéis, ele pode mostrar que os objectos são dignos de uma admiração não somente ética mas estética». O mesmo historiador advertia ainda que a pintura do quotidiano, nos séculos XIX e XX, ligada ao realismo, continuava a «afirmar a beleza do que mostra; mas é muitas vezes uma beleza de abatimento, de desespero, de angústia; são as flores do mal (…)».
No que respeita ao Naturalismo, há outras questões que devem ser mencionadas. Para a pintura do século XVII, o naturalismo implicava o interesse pelas coisas naturais, a vontade de «imitare bene le cose naturali» - como foi verbalizado por Caravaggio. Por sua vez, o naturalismo do século XIX tem raízes no Positivismo e corresponde à crença filosófica de que o homem é uma criatura determinada pelas leis físicas e que pode ser assunto para investigação científica. Nesse sentido, o Naturalismo pretendia estudar os comportamentos, tendo como paradigma, em termos literários, os textos de Zola. Na pintura, ficou associado a John Constable, à Escola de Barbizon e ao gosto pela reprodução da natureza, o que se reflectiu sobretudo no interesse pela pintura de paisagem. 
Cerca de 1880, em Paris, entrou em voga na pintura um tipo de naturalismo, que herdava as aprendizagens da escola de Barbizon e do realismo, cruzadas com as descobertas do impressionismo e equilibradas pelo academismo, o qual tinha o seu expoente máximo na obra de Bastien-Lepage. Zola considerava que os naturalistas da década de 80 eram devedores do Impressionismo, que corrigiam de modo a ficar mais próximo do gosto do grande público. Uma das conquistas do Impressionismo, como notou Zola, foi o afastamento das tonalidades escuras e betuminosas: «peu à peu, on a vu les Salons s’éclaircir”. 
Nos textos do século XIX, os termos Realismo e Naturalismo confundiam-se, empregando-se indistintamente como sinónimo de representação fiel da realidade. Maria João Ortigão de Oliveira propôs que, atendendo «à fluidez e indefinição dos critérios esclarecedores», se considerasse «o naturalismo como herdeiro natural cronológica e historicamente do realismo». Contudo, não podemos esquecer que, em oitocentos, o Realismo e o Naturalismo distinguiam-se nos temas e na maneira de encarar a realidade. Enquanto o realismo adoptava uma conotação mais ideológica e crítica, o naturalismo tinha um carácter mais científico e atento aos valores da natureza:
«(…) há que referir também que a reivindicação do amor pelo campo, através de paisagens e gentes identificáveis, foi, no século XIX uma espécie de anti-cultura que se opunha ao crescimento imparável das cidades, com o seu cortejo de novas chagas sociais. Aquilo que, durante grande parte do século XX, foi considerado uma prática nostálgica e conservadora (porque se entendia que era nas cidades que o progresso se encontrava) pode hoje ser valorizado como uma ecologia, crítica da pujante economia capitalista para a qual a vida camponesa, bem como os seus valores, deveriam ser submetidos às exigências do mercado» (Raquel Henriques da Silva).
Ramalho Ortigão, um fervoroso adepto do naturalismo, dizia, em 1875, que a paisagem era «o género mais especialmente moderno». O pintor d’ «A Tragédia da Rua das Flores» afirmava: «O homem moderno vive longe da natureza, pela necessidade de profissão: uma arte que lhe reduz a natureza, que lha torna portátil, que lha introduz na sala de jantar, na alcova, interpretada, escolhida, - faz ao homem o maior serviço – pô-lo em comunicação permanente com a natureza. E a natureza é tudo: calma, consola, eleva, repousa e vivifica». 
No âmbito do Naturalismo, devemos ainda incluir a pintura de costumes populares, sendo em grande medida um assunto herdado do Romantismo. No contexto da valorização do mundo rural, Almeida Garrett afirmou: «Nenhuma coisa pode ser nacional se não é popular». Fora de Portugal, o tema foi desenvolvido pelos realistas e naturalistas, na medida em que a fórmula de Courbet «il faut être de son temps», também se aplicava a ser do seu lugar: consagrar-se ao seu país natal e à sua região, com o fim de captar os seus aspectos mais verdadeiros e singulares.
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Bibliografia:
Pierre-Joseph PROUDHON, 1865, Du Principe de l'Art et de sa Destination Sociale.
Diário de Notícias, 15/6/1871.
Antero de QUENTAL, Causas da Decadência dos Povos Peninsulares.
As Farpas, Nov. 1871.
Ramalho ORTIGÃO, 1875, «O chic e os seus desastres».
Ramalho ORTIGÃO, 1875, «A restauração da arte portuguesa entregue pelo Govêrno aos cuidados de uma comissão».
Eça de QUEIRÓS, A Tragédia da Rua das Flores.
Émile ZOLA, 1880, «Le naturalisme au Salon».
Émile ZOLA, 1884, «Expositions des oeuvres d’Édouard Manet».
João MEDINA, 1980, Eça de Queiroz e a Geração de 70.
Maria João Ortigão de OLIVEIRA, 1988, O Pensamento Estético de Ramalho Ortigão.
Linda NOCHLIN, 1989, Les politiques de la vision.
Linda NOCHLIN, 1991, El Realismo.
Vítor SERRÃO, 1992, A Pintura Proto-Barroca em Portugal (1612-1657).
Tzvetan TODOROV, 1993, Éloge du quotidien. Essai sur la peinture hollandaise du XVII.e siècle.
Elisa Ribeiro SOARES, 1999, «O Romantismo e a Pintura Portuguesa».
A.A.V.V., 2002, Manet Velásquez. La manière espagnole au XIXe siècle.
Lucília Verdelho da COSTA, 2008, «Modernidade e Academismo. França, Espanha e Portugal: diálogos cruzados», in O Retrato, FCSH-UNL.
Raquel Henriques da SILVA, 2010, «Silva Porto e a pintura naturalista», in Catálogo do Museu do Chiado – século XIX.

Sexta-feira, 26 de Abril de 2013

Realismo e Naturalismo I

Helena Roque Gameiro, Crisântemos (1916, Museu José Malhoa - MatrizNet).
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Faz parte das minhas dúvidas metódicas, e suscitou questões na minha defesa de Tese de Doutoramento, a distinção dos conceitos de realismo e de naturalismo. De um modo simples, segundo o Dicionário de Cândido de Figueiredo (1924), naturalismo é o estado do que é produzido pela natureza, uma doutrina filosófica e religiosa que atribui tudo à natureza, como primeiro princípio. Realismo é um sistema dos que supoem conhecer o mundo exterior como realidade objectiva, em oposição ao sistema dos que julgam que só conhecemos as nossas impressões. O realismo é uma representação «artística ou literária das cenas da natureza, aproveitadas nas suas minúcias e em toda a realidade». Como se vê, já por aqui, os termos podem confundir-se e foram usados de um modo quase indistinto em textos do final do século XIX e início do século XX.
De acordo com as minhas pesquisas e as conclusões que tirei, o naturalismo tem a ver directamente com a natureza e com a atenção ao natural. Na arte pode remontar ao estilo que foi desenvolvido a partir do período barroco, tendo como paradigma a pintura de Caravaggio. Na literatura está mais relacionado com a escola de Zola e seus seguidores, mas também com a pintura que se desenvolveu, em meados do século XIX, pelos artistas que frequentavam a região de Barbizon e se dedicavam a figurar nos seus quadros temas retirados da natureza, nomeadamente árvores, florestas ou os camponeses a trabalhar. Contudo, ainda antes deles, já Constable, em Inglaterra, se dedicava a estudar as nuvens, podendo recuar-se ainda mais no tempo, pois o estilo clássico da Antiguidade tem muito a ver com o naturalismo. Sendo assim, penso que o naturalismo aceita a natureza como é e procura compreendê-la, atitude essa que é recorrente na história da humanidade, muito ligada ao espírito científico e, mais recentemente, à ecologia. Não deixa de ser relevante que o período da Escola de Barbizon, que foi quando o naturalismo começou a triunfar, fosse precisamente o período em que a revolução industrial tornava a vida das cidades cada vez mais tensa, sendo necessário o refúgio no campo para poder descansar - quanto mais não fosse a vista, ao olhar para um quadro colocado numa parede figurando uma paisagem aprazível. Para concluir, para mim pelo menos, o naturalismo tem a ver com a representação das coisas naturais e figuradas de um modo natural.
O conceito de realismo, por sua vez, também evoluiu. Foi primeiro entendido como representação da realidade, estando associado, na história da pintura, aos quadros de costumes quotidianos realizados pelos artistas holandeses do século XVII, como Vermeer, por exemplo. Mais tarde ganhou conotações políticas, particularmente com os textos de Proudhon e a obra de Courbet, que associaram o realismo à denúncia da verdade, abordando mesmo os seus contornos menos atractivos. Com o tempo, esse carácter político foi prevalecendo, nomeadamente com o realismo socialista, já no século XX. Deste modo, o realismo corresponde é a figuração da realidade, mesmo que por vezes se faça uma deformação da realidade formal para se acentuar a realidade significada - como é o caso da obra de Daumier. 
Por fim, poderei concuir que, de um modo resumido, e pelo menos no que diz respeito à pintura, o naturalismo tem mais a ver com a forma e o realismo tem mais a ver com o assunto. Um quadro pode ser simultaneamente naturalista e realista; pode ser naturalista (na forma) e não realista (no assunto); pode não ser naturalista (na forma) e realista (no assunto). Por outro lado lado, o realismo do assunto pode resumir-se apenas ao facto de ser um tema real, ou pode ser um assunto de realismo social. Há ainda o realismo e o naturalismo históricos, que pertencem ao século XIX, mas também há o naturalismo e o realismo estéticos, que poderão remontar a épocas mais recuadas. Um exemplo paradigmático do realismo histórico é Courbet, do naturalismo histórico é Diaz de la Peña. Do naturalismo estético será Caravaggio, do realismo estético será Vermeer. Mas será que é mesmo assim?

Quinta-feira, 25 de Abril de 2013

Flores!

 
Jacques le Moyne, A Sheet Of Studies Of Flowers Two Corn Poppies, A Corn Cockle And A Cornflower (Wikigallery).
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«Flowers are the beautiful hairs of the Mother Spring! Don’t pluck them!»
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Quarta-feira, 24 de Abril de 2013

Cravos e um pensamento: para o Dia da Liberdade

Jacques Le Moyne De Morgues, A Sheet of Studies with Five Clove Pinks (Link).
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Maria Sibylla Merian (Link).
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«Think for yourselves and let others enjoy the privilege to do so, too». 
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Terça-feira, 23 de Abril de 2013

Paisagens

Ferdinand Georg Waldmüller, Alte Bäume im Prater (1831 - Link).
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Camille Pissarro, Jalais Hill, Pontoise (1867 - Gandalf's Gallery)
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Alfredo Keil, Paisagem (1881 - Arte em Números).
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Peder Severin Kroyer, House of the Painter (c. 1900 - Wikimedia Commons).
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«Diversidade. Um cidade, um campo, de longe são uma cidade e um campo; mas, à medida que nos aproximamos, são casas, árvores, telhas, folhas, plantas, formigas, pernas de formigas, até ao infinito. Tudo isso se engloba sob o nome de campo».
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Pascal, Pensamentos, in Paul Ricoeur, A memória, a história, o esquecimento, São Paulo, Editorial Unicamp, 2007, p. 220.

Segunda-feira, 22 de Abril de 2013

Pensamento

Philip Fox, Love Story (1903, Link).
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«Los científicos dicen que estamos hechos de átomos pero a mí un pajarito me contó que estamos hechos de historias».
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Eduardo Galeano (Link).

Domingo, 21 de Abril de 2013

Amendoeiras em flor

J. W. Waterhouse, Gathering Almond Blossoms (1916, Link).
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"Tempo da Lenda das Amendoeiras" 
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Era uma vez um país
na ponta do fim do mundo
onde o mar não tinha eco
onde o céu não tinha fundo.
Onde longe longe longe
mais longe que a ventania
mais longe que a flor da sombra
ou a flor da maresia
em sete lagos de lume
sete castelos de sal
sete cristais de perfume
sete lâmpadas de vinho
sete punhais de ciúme
sete coroas de azevinho
sete pétalas de mel
sete pulseiras de sal
uma princesa vivia
com sete véus de coral
sete estrelas por docel
sete pedras por degrau
sete nuvens por anel
e sete céus por caminho.

Era uma vez um país
na ponta do fim do mundo
onde o mar não tinha eco
onde o céu não tinha fundo
Onde longe longe longe
mais longe que a luz do dia
mais longe que a flor da sombra
ou a flor da ventania
uma princesa nascia
da corola do seu tempo
enquanto a neve caía
dos seus dois braços de vento.
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José Carlos Ary dos Santos (Link).
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Sábado, 20 de Abril de 2013

O Mosteiro de Odivelas










Odivelas, 2012.
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Visitei pela primeira vez há uns meses o Mosteiro de Odivelas. Foi em trabalho e uma das visitas mais interessantes que fiz a um espaço arquitectónico. Trata-se de um Mosteiro antigo, pertencente à Ordem de Cister, fundado por D. Dinis em 1295. Da primitiva construção restam a cabeceira gótica, constituída pela capela-mor e dois absidíolos, todos cobertos por abóbadas de nervuras chanfradas, e os túmulos de D. Dinis e da sua filha D. Maria Afonso, ambos góticos. Possui dois claustros do século XVI, apresentando o claustro da Moura arcos chanfrados com capitéis góticos. 
O espaço foi adaptado para escola das filhas dos militares, com a denominação de Instituto de Odivelas e, nos anos 50, foi remodelado pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais. O mobiliário do Instituto foi todo estudado para o seu propósito educativo, tendo em consideração que se tratava de um colégio interno e feminino. 
O que mais me impressionou na visita foi o facto de este lugar parecer ter parado no tempo, sendo sobretudo curioso devido ao mobiliário inspirado no estilo rústico (em voga na época, devido à Política do Espírito, de António Ferro), o que torna algumas destas salas lugares que nos transportam para uma outra realidade. 
É um lugar memorável que espero que não se perca na fugacidade do tempo, quer pela parte monumental, nomeadamente medieval e moderna, quer pela parte já do século XX. Acrescente-se sobre este espaço que, em 1960, foi inaugurado o monumento da Rainha Santa, de Álvaro de Brée, que fica no largo em frente do Mosteiro. Deixo ainda uma reportagem transmitida na SIC, que mostra um pouco da vida das "Meninas de Odivelas". Acrescento uma pequena nota: quando fui ao Instituto foi durante as férias, antes do início do Ano Lectivo actual. Vi uma exposição de trabalhos escolares que me deixou francamente impressionada, pois havia trabalhos realmente muito bons.
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Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Distrito de Lisboa, IPPAR.
Panorama, Série III, n.º 20, Dezembro de 1960.

Sexta-feira, 19 de Abril de 2013

As flores e seus perfumes


George Dunlop Leslie, Pot-Pourri (Link).
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Pintura

Onde se diz espiga 
leia-se narciso. 
Ou leia-se jacinto. 
Ou leia-se outra flor. 
Que pode ser a mesma. 

As flores 
são formas 
de que a pintura se serve 
para disfarçar 
a natureza. Por isso 
é que 
no perfil 
duma flor 
está também pintado 
o seu perfume. 
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Albano Martins (in Citador).

Divagaões em torno das pêras

Começo por dizer que não aprecio pêras, com excepção talvez da pêra rocha que tem direito a festival anual no Bombarral, geralmente em Agosto. Contudo, a minha filha adora pêras e o meu marido é fã de pêras com vinho:

Eu fiquei sobretudo curiosa de experimentar estas duas versões:
(Link)
(Link)

Entretanto, ontem, encontrei na revista Panorama este poema, que me encantou, de Tarcísio Trindade:

A Pereira

Tenho no meu quintal uma pereira
Menina e poeta

Branca em flor todas as Primaveras
Não dá pêras
Dá ninhos.

Decidi então prestar mais atenção às pêras e realizei uma muito breve pesquisa sobre o tema. 
Descobri que as pereiras em flor foram pintadas por Van Gogh (1888, Van Gogh Museum):

(Link)

E que as pêras já tinham merecido a atenção de outros artistas, em vários géneros, desde há bastante tempo.
Em pinturas de Nossa Senhora com o Menino, como por exemplo de Giovanni Bellini (1488, Academia Carrara, Bergamo), onde a pêra terá o mesmo significado que a maçã, indicando a Virgem como a Nova Eva e Jesus como redentor do pecado:

(Link)

Ou mais prosaicamente em naturezas mortas, como a de Luis Egidio Melendez (Museum of Fine Arts, Boston):
(Link)

Numa pintura de Manet (1868, Museu Nacional de Estocolmo):
(Link)

Ou ainda numa caricatura de Daumier (1831):
(Link)

Poderá dizer-se que é mais um fruto bastante versátil.

Quinta-feira, 18 de Abril de 2013

Em louvor dos jardins - no Dia dos Monumentos e Sítios

Winslow Homer, The Four-Leaf Clover (1873, Link).
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«How fair is a garden amid the trials and passions of existence».
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Benjamin Disraeli (Link).
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Aqui ficam alguns dos jardins de que mais gostei e gosto de visitar, em Portugal:

Há muitos outros e agradeço sugestões para passeios ...

Da Primavera - mais flores!

Jean Baptist Wans, A Primavera (in Arte em Números).
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«The day the Lord created hope was probably the same day he created Spring».
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Quarta-feira, 17 de Abril de 2013

Ver as flores

Francis Coates Jones, Girl with flowers (Link).
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«Nobody sees a flower - really - it is so small it takes time - we haven't time - and to see takes time, like to have a friend takes time». 

Terça-feira, 16 de Abril de 2013

Flora, Flores e Primavera

Anselm Kiefer, Let a Thousand Flowers Bloom (in Arpose).
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Flora: 
«Toujours le printemps me réjouit : toujours l'année est éclatante,
   toujours l'arbre est couvert de feuilles, la terre de verdure».
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Ovídio, Fasti, 5,205-206 (Link).

Segunda-feira, 15 de Abril de 2013

Das flores silvestres

Alex Katz, Daisies #2 (1992, Tate Gallery, Londres - Link)
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Alex Katz, Ocean View (1992, Link)
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Alex Katz, Wildflowers #1 (2010 - Link)
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«Ce qui plaît sans règle et sans art,
Sans airs, sans apprêts, sans grimaces,
san gêne et comme par hasard,
Est l'ouvrage charmant des grâces».
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René-Louis de Girardin, cit. Michel Baridon, Les Jardins, Paris, Éditions Robert Laffont, 1998, p. 900.