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quarta-feira, 16 de março de 2011

Mulheres vistas de costas I

Aqui se apresentam mais senhoras vistas de costas, todas do século XVII. De Gerard ter Borch (1617-1681) fica uma Woman at a Mirror.

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O outro exemplo é o Perfume de Francesco Furini (1603-1646).

O enigma da mulher vista de costas, sem rosto, é no primeiro caso contrabalançado pelo facto de se ver o seu rosto reflectido no espelho, o que também acontece na Vénus ao espelho (The toilet of Venus) de Velásquez (1599-1660), pertencente à National Gallery de Londres.

Nesse sentido, estas imagens (incluindo o Perfume) estão conectadas com a vaidade feminina.
No entanto, o quadro de Velázquez levanta-me outra questão: enquanto a pintura de nu explorou a forma sensual da mulher vista de costas, a pintura holandesa vestiu a mulher, retratando-a no seu quotidiano. Na primeira pintura, de Ter Borch, vemos a senhora no espelho, mas noutros exemplos, do mesmo artista, ela apenas esconde o rosto do espectador, como por exemplo em The Concert (Staatliche Museen, Berlinm).


Na realidade, estas mulheres vestidas também mostram sensualidade pela maneira como expõem o pescoço e os ombros ao olhar do espectador. Esta tipologia, da mulher vista de costas, vestida e numa situação quotidiana (mais ou menos recatada), terá sido aquela que foi seguida pelos pintores do século XIX, provavelmente quando a pintura holandesa do século XVII começou a ser alvo de atenção dos artistas, críticos e historiadores de arte. No entanto, para os pintores do século XIX, estas figuras femininas, muitas vezes isoladas, figuradas em espaços fechados e sombrios, são uma imagem melancólica, sobretudo se pensarmos nas obras de Vihelm Hammershoi (1864-1916). Tal como escreveu Tzvetan Todorov (1993): «(…) La peinture realiste, comme toute peinture représentative, continue d’affirmer la beauté de ce qu’elle montre; mais c’est souvent une beauté de l’accablement, du désespoir, de la détresse: ce sont dês fleurs du mal (…)».