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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

E tecer

John William Waterhouse, Penelope and the Suitors (1912, Aberdeen Art Gallery and Museums)
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Toyohara Chikanobu, Mulher a tecer (1890)
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Geskel Saloman, Stuginteriör med Kvinna vid Vävstol (Cottage Interior with Woman at the Loom) (1857, Dansk Jødisk Museum, Copenhaga)
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Vincent van Gogh, Weaver at the Loom (1884, Kröller-Müller Museum, Otterlo) 
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Paul Sérusier, Le Tisserand (The Weaver) (1888, Musée d’Art et d’Archéologie, Senlis)
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Ernest Bieler, La Tisserande
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segunda-feira, 24 de março de 2014

O Vento II

John William Waterhouse, Boreas (estudo) (c. 1903)
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John William Waterhouse, Boreas (1903)
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Voo sem asas,
assobio sem boca,
fustigo sem mãos
e não me vês nem me tocas.
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Adivinhas, Everest Editora, 2000, pp. 22-23.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Rosas

Martin Schongauer, Madonna of the Rose Bower (1473, St.Martin, Colmar)
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Rosa sem Espinhos

Para todos tens carinhos, 
A ninguém mostras rigor! 
Que rosa és tu sem espinhos? 
Ai, que não te entendo, flor! 

Se a borboleta vaidosa 
A desdém te vai beijar, 
O mais que lhe fazes, rosa, 
É sorrir e é corar. 

E quando a sonsa da abelha, 
Tão modesta em seu zumbir, 
Te diz: «Ó rosa vermelha, 
» Bem me podes acudir: 

» Deixa do cálix divino 
» Uma gota só libar... 
» Deixa, é néctar peregrino, 
» Mel que eu não sei fabricar ...» 

Tu de lástima rendida, 
De maldita compaixão, 
Tu à súplica atrevida 
Sabes tu dizer que não? 

Tanta lástima e carinhos, 
Tanto dó, nenhum rigor! 
És rosa e não tens espinhos! 
Ai !, que não te entendo, flor. 

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Henri Fantin-Latour, Rose Trees White Roses (1875)
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John William Waterhouse, The Soul of the Rose (1908)
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Maria Eduarda Lapa, Rosas (Museu de José Malhoa)
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Paul Klee, Rose garden (1920, Lenbachhaus)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

A curiosidade

John William Waterhouse, Pandora (1898)
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John William Waterhouse, Psyche Opening the Golden Box (1903).
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«So now you must choose... Are you a child who has not yet become world-weary? Or are you a philosopher who will vow never to become so? To children, the world and everything in it is new, something that gives rise to astonishment. It is not like that for adults. Most adults accept the world as a matter of course. This is precisely where philosophers are a notable exception. A philosopher never gets quite used to the world. To him or her, the world continues to seem a bit unreasonable - bewildering, even enigmatic. Philosophers and small children thus have an important faculty in common. The only thing we require to be good philosophers is the faculty of wonder…»
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sábado, 25 de janeiro de 2014

As Sereias, a Sereiazinha e a Menina do Mar

Capitel Românico com sereias e peixe (século XIII, Museu de Alberto Sampaio - Link)
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«Todos os seres circulam uns nos outros, por conseguinte todas as espécies… tudo está num fluxo perpétuo… Todo o animal é mais ou menos homem; todo o mineral é mais ou menos planta; toda a planta é mais ou menos animal. Não há nada de preciso no que respeita a natureza…»
Denis Diderot, 
Citado por Cátia Mourão (2008 - Link).
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John William Waterhouse, A Mermaid (1900 - Link)
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Inicialmente, julgava-se que as sereias eram metade humanas, metade aves. Contudo, no período tardio da Antiguidade Clássica, passaram a ser concebidas como metade humanas, metade peixe, ou, como escreveu Cátia Mourão, «o hibridismo zoomórfico passeriforme começou a ceder lugar ao ictioforme». Esta historiadora, na sua tese de Douramento (2008), verificou que esta alteração poderá ser devida ao facto de se considerar que o deus fluvial Aqueloo era comummente considerado como o pai das sereias. Para além disso, a mesma historiadora notava que todos os autores antigos referiam que as sereias «viviam num meio ligado à água e que tinham nesta o seu campo de actuação principal». Existe também a possibilidade, levantada na mesma investigação, de ter existido uma contaminação iconográfica com outras divindades gregas e sírias. Foi na Idade Média que se deu a transformação definitiva das sereias em «híbridos antropo-ictiomórficos», surgindo dessa forma em iluminuras e capitéis esculpidos, tal como no da Catedral de Sainte Eulalie d'Elne, em França, datado do Séc. XI. Embora fossem criaturas de conotação negativa, com o tempo, passaram a ser entendidas cada vez mais como seres pacíficos e de conotação positiva, verdadeiros elos de ligação entre a humanidade e a vida marinha.
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Edmund Dulac, The Mermaid - The Prince (1911 - Link)
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«The Sea King had been a widower for many years, and his aged mother kept house for him. (...) She was, however, deserving of very great praise, especially for her care of the little sea-princesses, her grand-daughters. They were six beautiful children; but the youngest was the prettiest of them all; her skin was as clear and delicate as a rose-leaf, and her eyes as blue as the deepest sea; but, like all the others, she had no feet, and her body ended in a fish's tail. All day long they played in the great halls of the castle, or among the living flowers that grew out of the walls. (...) Outside the castle there was a beautiful garden (..). Each of the young princesses had a little plot of ground in the garden, where she might dig and plant as she pleased. One arranged her flower-bed into the form of a whale; another thought it better to make hers like the figure of a little mermaid; but that of the youngest was round like the sun, and contained flowers as red as his rays at sunset. She was a strange child, quiet and thoughtful; and while her sisters would be delighted with the wonderful things which they obtained from the wrecks of vessels, she cared for nothing but her pretty red flowers, like the sun, excepting a beautiful marble statue. It was the representation of a handsome boy, carved out of pure white stone, which had fallen to the bottom of the sea from a wreck. (...)» 
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Hans Christian Andersen, The Little Mermaid (1837 - Link)
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Rene Lalique, Sea Girl Statuette (1919 - Link)
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«Com muito cuidado para não fazer barulho levantou-se e pôs-se a espreitar escondido entre duas pedras. E viu um grande polvo a rir, um caranguejo a rir, um peixe a rir e uma menina muito pequenina a rir também. A menina, que devia medir um palmo de altura, tinha cabelos verdes, olhos roxos e um vestido feito de algas encarnadas. E estavam os quatro numa poça de água muito limpa e transparente toda rodeada de anémonas. E nadavam e riam».
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Sophia de Mello Breyner Andresen, A Menina do Mar (1958 - Link)
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Bibl. Cátia Mourão, AVTEM NON SVNT RERVM NATVRA, Figurações heteromórficas em mosaicos hispano-romanos, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte da Antiguidade, 2010.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Música e Pintura - No Dia de Santa Cecília

«Painting is the silence of thought and the music of sight.»
Orhan Pamuk.
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Rafael, Estasi di santa Cecilia (c. 1514, Pinacoteca Nazionale, Bologna)
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Guido Reni, Santa Cecilia (1606, Norton Simon Museum)
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Carlo Saraceni, Saint Cecilia and the Angel (c. 1610, Galleria Nazionale d'Arte Antica, Rome)
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Bernardo Strozzi, St Cecilia (1620-25, Nelson-Atkins Museum of Art, Kansas City)
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Antiveduto Grammatica, Santa Cecília (séc. XVII, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa)
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Nicolas Poussin, Sainte Cécile (1627-1628, Museo del Prado, Madrid)
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John William Waterhouse, Saint Cecilia (1895, The Montreal Museum of Fine Arts)
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NOTAS:
Vem este post a propósito de hoje ser o Dia de Santa Cecília. Aprecio bastante as pinturas com este tema e daí a minha escolha. Também me interesso sobre as relações entre a música (arte temporal e ligada ao sentido da audição) e a pintura (arte espacial e ligada à visão).
Mas, à medida que fui construindo o post fiquei com diversas questões por resolver, cuja pesquisa ficará para outra oportunidade. Entre elas, registo duas:
1ª. Porque é que há tantas representações de Santa Cecília na pintura do séc. XVII, sobretudo na Itália?
2ª. Há duas obras que parecem estar duplicadas: A de Strozzi que parece ter uma gémea, de 1625, na Galeria dos Uffizi (Link); a de Grammatica que tem a sua gémea no Kunsthistorisches Museum de Viena, datada de 1620-25 (Link). Serão réplicas dos próprios autores?

domingo, 21 de abril de 2013

Amendoeiras em flor

J. W. Waterhouse, Gathering Almond Blossoms (1916, Link).
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"Tempo da Lenda das Amendoeiras" 
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Era uma vez um país
na ponta do fim do mundo
onde o mar não tinha eco
onde o céu não tinha fundo.
Onde longe longe longe
mais longe que a ventania
mais longe que a flor da sombra
ou a flor da maresia
em sete lagos de lume
sete castelos de sal
sete cristais de perfume
sete lâmpadas de vinho
sete punhais de ciúme
sete coroas de azevinho
sete pétalas de mel
sete pulseiras de sal
uma princesa vivia
com sete véus de coral
sete estrelas por docel
sete pedras por degrau
sete nuvens por anel
e sete céus por caminho.

Era uma vez um país
na ponta do fim do mundo
onde o mar não tinha eco
onde o céu não tinha fundo
Onde longe longe longe
mais longe que a luz do dia
mais longe que a flor da sombra
ou a flor da ventania
uma princesa nascia
da corola do seu tempo
enquanto a neve caía
dos seus dois braços de vento.
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José Carlos Ary dos Santos (Link).

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O vento

John William Waterhouse, Windswept (1902).
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The winds will blow their own freshness into you,
and the storms their energy,
while cares will drop away from you
like the leaves of Autumn.
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John Muir.

A propósito de uma bola de cristal

 John William Waterhouse, The Crystal Ball (1902) - versão normal e versão restaurada
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O cristal é o intermediário entre o visível e o invisível, sendo um bom exemplo da união dos contrários, pois mesmo sendo material, permite ver através dele. É um símbolo da adivinhação, da sabedoria e dos poderes misteriosos. Mesmo antes de se tornar num instrumento divinatório, a bola de cristal era um objecto de veneração: os escoceses chamavam-na de pedra da vitória.
A bola de crital foi o que me encantou neste quadro que representa, provavelmente uma feiticeira. Contudo, neste quadro também há uma caveira, apagada pela cortina e que surgiu numa versão restaurada. Porque terá sido apagada? Provavelmente para afastar a conotação com a morte e a feitiçaria. A caveira é considerada o domínio da força vital do corpo e do espírito, sendo utilizada em rituais iniciáticos como símbolo da morte corporal que antecede um nível de vida superior. Mas também é considerada um homólogo da abóbada celeste, um microcosmos.
Creio que a caveira, juntamente com o livro e a luz, tal como a bola de cristal, são simbólicos do conhecimento. Mas também me fazem pensar na vanita do conhecimento, nos limites do conhecimento. Dito de outro modo, gosto muito do quadro, gosto muito de bolas de cristal, mas não sei se gostava de poder adivinhar o futuro.
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Margarida Elias.
Bibliografia utilizada: Jean Chevalier & Alain Gheerbrant (1982).