quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

E mais chuva

Ethel Spowers, Wet Afternoon (1929-1930)
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Como não gosto da chuva, mas sei que ela é necessária, lembro-me muitas vezes de um livro que ofereceram à minha filha há uns bons anos, intitulado A Princesa da Chuva, de Luísa Ducla Soares (1.ª edição de Março de 2005). 
Nesse livro, uma princesa foi fadada para que fosse «a Princesa da Chuva», para que chovesse sempre onde estivesse. A princesa, quando era mais crescida, decidiu sair do reino, onde não parava de chover. Começou a percorrer «os grandes desertos» onde fazia falta. Um dia, quando voltou à capital, usou o seu fado para apagar um incêndio que deflagrava na cidade. Nessa altura, ao falar com os seus pais e contar as suas aventuras, explicou: «Em vez de maldição, foi um dom que a fada me concedeu». Ao que o ministro da Agricultura confirmou: «Só assim se explica a superprodução agrícola do nosso reino». Depois de algum tempo, a princesa, voltou ao seu périplo:
«Parto agora, às cinco, para o Norte, depois de amanhã desço pela costa marítima, para a semana sigo até ao interior. O meu programa vem anunciado no boletim meteorológico. Não se esqueçam de me escrever».
E, para finalizar. Ontem, para me consolar da chuva, andei à procura de canções de que eu gostasse que falassem sobre ela. Descobri poucas. Para além da dos Beatles que coloquei ontem, redescobri esta que já não ouvia há bastante tempo:

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Chuva

João Navarro Hogan, Chuva (1960, Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa)
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Afinidades XXVII

José de Almeida Júnior, O Violeiro (1899, Pinacoteca do Estado de São Paulo)
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José Malhoa, O Fado (1910, Museu de Lisboa)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Com votos de boa semana

Ruth Orkin, Tirza Castelbolognesi, 3½ (1951)
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«We never really grow up, we only learn how to act in public».
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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Para a Ana que faz anos hoje

Para a autora do belíssimo blogue (In)Cultura, como não sei o que lhe oferecer, aqui fica uma pintura de Manet (que teria feito anos ontem); uma frase de Fernando Pessoa - que sei que admira :-) - e uma das minhas árias de ópera preferidas, de outro aquariano, Mozart. Feliz Aniversário!
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Manet, White lilacs in a glass vase (c. 1882, Alte Nationalgalerie, Berlim)
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«A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida».
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Livro do Desassossego (in O Citador).
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terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Pessoas e esculturas

Jean-Baptiste Regnault, Pygmalion (1786, Musée National du Château et des Trianons)
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Columbano Bordalo Pinheiro, Manuel Fernandes Tomás, Manuel Borges Carneiro e Joaquim António de Aguiar (1926, Assembleia da República)
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Análise da Arte

Maurice Denis, Les Muses (1893)
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«Um quadro, uma escultura desencadeiam, graças à materialidade de que são feitos, “pensamentos” sobre o mundo, sobre as coisas, sobre os homens. Esses pensamentos, incapazes de serem formulados com conceitos e frases pela própria obra, provocam comentários, análises, discussões, que se alteram, ao infinito, conforme seja o analista, o universo cultural ao qual pertence, a geração da qual faz parte. O artista, ele próprio, pode propor uma análise de sua criação. Ele será, porém, rigorosamente, apenas mais um analista, como os outros o foram».
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Jorge Coli, «Notas para uma distinção entre a noção de artista e de autor», in MAROTTA, Marcelo Hilsdorf (Coord.), IV Encontro de História da Arte. A arte e a história da arte entre a produção e a reflexão, São Paulo, UNICAMP, 2008. p. 186-189.
Citado por Raquel Aguilar de Araújo, in Telas que atravessam o Atlântico: pintura portuguesa no Rio de Janeiro e em São Paulo durante a Primeira República brasileira (1889-1929), FCSH-UNL, 2018 (Tese de Doutoramento).

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Já passou quase um mês de Inverno...

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Sem neve, apesar do frio. E eu gosto muito de neve, mas tenho de assumir que Lisboa não é uma cidade preparada para a neve - as casas são em geral mal aquecidas, as pessoas não têm roupa apropriada, etc. Eu adoraria que nevasse, mas temo que a maioria dos lisboetas ficasse doente. Entretanto, ando a ler relatos sobre Lisboa vista pelos estrangeiros no século XIX, e li esta descrição ontem, que achei interessante:
«Although the winters here are in general very mild and clement, slight falls of snow have taken place, as in the years 1815, 1829, and 1836 (...).
The rainy season generally commences in October and is succeeded early in November by a second summer which lasts sometimes for a month and is called by the natives St. Martin's summer. It again comes on in December and continues with broken intervals during the early spring months. The weather during the rest of the year is beautifully fine; and as sufficient quantity of rain usually falls at a proper season, droughts are almost unknown».
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The stranger's guide in Lisbon or on historical and descriptive view of the city of Lisbon and its environs with a new and correct map of the city, Lisbon, 1847, pp. 95-96.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Uma cor para 2019

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Como referiu Luís Barata no Prosimetron, a cor de 2019, segundo a Pantone, é o Living Coral. Portanto, aqui ficam umas achegas a propósito dessa cor (e outros tons semelhantes).
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Davide Ghirlandaio, Ritratto di giovane donna (c. 1487-1488, Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque)

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Ronnie Landfield, Surface of Coral (1981)
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Lembrando Berthe Morisot, nascida a 14 de Janeiro de 1841

Aqui ficam algumas das pinturas desta artista francesa, de que gosto muito, e que já esteve presente no blogue algumas vezes, por exemplo aqui.
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Portrait de Mme Morisot et de sa fille Mme Pontillon ou La lecture (1869-1870, National Gallery of Art, Washington)
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Vue de Paris des hauteurs du Trocadéro (1872, Santa Barbara Museum of Art)
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Young Woman at the Mirror (1880, Art Institute of Chicago)
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Da simplicidade

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“Everything should be made as simple as possible, but not simpler”.
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Para o meu marido que faz anos hoje

Alemanha, Caneca para Cerveja - humpen (1710-1717, Palácio Nacional da Pena)
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De acordo com The Daily Meal, aqui fica a lista das 10 melhores cervejas de 2018 (a lista é de 50, mas coloco aqui apenas as primeiras 10):


1 - Toppling Goliath Brewing Company Kentucky Brunch Brand Stout
2 - Brouwerij De Sint-Sixtusabdij van Westvleteren Westvleteren 12 (XII)
3 - The Alchemist Heady Topper
4 - Russian River Pliny the Younger
5 - Brasserie de Rochefort Trappistes Rochefort 10
6 - Szałpiw Buba Extreme Whiskey Barrel Aged
7 - Cigar City Hunahpu's Imperial Stout - Double Barrel-Aged
8 - Omnipollo/Siren Lorelai
9 - Brasserie Cantillon Fou' Foune
10 - Goose Island Bourbon County Brand Stout
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P.S. - Vale a pena ver o resto da lista porque algumas delas têm nomes e/ou rótulos curiosos. Fica o link.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Das viagens

Frederick William Flower, Porto, Panorâmica (1849-1859, Arquivo de Documentação Fotográfica / DPIMI/DGPC)
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«Le véritable voyage de découverte ne consiste pas à chercher de nouveaux paysages, mais à avoir de nouveaux yeux».
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Marcel Proust, A La Recherche du Temps Perdu.
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Descobri outro dia esta frase num dos meus blogues preferidos (Do Porto e não só), que agora está em pausa.
Ao ler esta frase fiquei a meditar que gosto muito de viajar (nomeadamente) para locais onde ainda não fui; mas tenho de concordar que ver "velhas" paisagens com outros olhos é também estimulante. Aliás, aprecio regressar ao mesmo sítio várias vezes e reparar em detalhes que antes não tinha reparado, ou nas coisas novas que entretanto surgiram. E também é bom regressar a museus, reler livros, rever filmes, etc.
Ainda outro dia comentava, com uma amiga, que gostaria de voltar ao Porto, porque é uma cidade que ainda não aprendi a apreciar. Para já, nessa cidade, só gosto de Serralves, do Museu Soares dos Reis e do Palácio da Bolsa, para além do vinho do Porto. Acho que preciso de lá voltar com um novo olhar - e aproveitar para ver alguns museus onde nunca fui, nomeadamente a Casa-Oficina António Carneiro e a Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio.
Esta mesma frase fez-me lembrar também o Mister Vertigo que gosta muito de Proust - também nunca li nada desse autor francês e tenho forçosamente de o fazer, está visto.
Por fim, tenho de assumir que julgo que Proust se referia mais às descobertas que podemos fazer mesmo no quotidiano próximo, se o olharmos com novos olhos.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Para homenagear Hayao Miyazaki

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... Que fez 78 anos no passado dia 5, e é um dos meus realizadores e criador de filmes de animação preferidos. Foi um dos fundadores do Estúdio Ghibli e dele já vi alguns filmes de que gostei imenso (Princesa Mononoke, A Viagem de Chihiro,  O Castelo Andante, Ponyo e As Asas do Vento), mas há ainda muitos que gostaria de ver, e, sobretudo o Totoro, que já tenho gravado, à minha espera.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Para o Dia de Reis, no Domingo

Speculum Humanae Salvationis, Westfalen oder Köln (c. 1360. ULB Darmstadt, Hs 2505, fol. 18v)
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Sempre simpatizei com o Dia de Reis, apesar de não haver em Portugal uma tradição tão relevante como em Espanha. Para mim, é o último dia do Natal. E gostaria de o festejar condignamente, apesar de não apreciar o bolo rei - devido às frutas cristalizadas, que retiro cuidadosamente uma a uma. Tenho pena que tenham desaparecido os brindes, mas outro dia descobri que, na pastelaria Cinderela, alguns bolos reis (aleatoriamente) poderão valer um elefante de ouro. Entretanto, já pensei procurar o bolo rei francês que me parece que não vem com frutas cristalizadas. E descobri ainda, algures na internet (não me recordo onde), que um dos melhores sítios para passar o Dia de Reis (em Portugal), é em Évora. 
Com votos de Feliz Dia de Reis e que eles tragam saúde, tranquilidade e alegria, para este ano de 2019.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Cantar as Janeiras

Frans Hals, Two Boys Singing (c.1625, Schloss Wilhelmshöhe, Kassel)
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Georges de La Tour, The Choirboy (ou The Young Singer) (c. 1640, New Walk Museum and Art Gallery, Leicester)
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Theophile Bigot (atr.), Young Boy Singing (ou Le Jeune Chanteur) (1650, Fine Arts Museums of San Francisco)
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Henry Robert Morland, The Ballard Singer (c. 1764, Yale Center for British Art, New Haven)

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Folheando revistas antigas

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Na Ilustração, de 1 de Janeiro de 1927, apresentavam-se fotografias de um nevão que atingiu Lisboa, nomeadamente com imagens da Praça Marquês de Pombal e do Campo Grande. Confesso que, apesar do frio, bem que gostava que nevasse outra vez.