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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Às castanhas

Paolo Antonio Barbieri, Kitchen Still Life (1640)
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Adriaen Coorte, Chestnuts (1705)
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Rafael Bordalo Pinheiro (FFCR), Ramo de castanheiro (1900, Museu da Cerâmica)
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Luigi Veronesi, Chestnut (1993)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Os Espargos

Giovanni Martinelli, Natura Morta (1647, Link).
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Adriaen Coorte, Aspargus and Red Currants on a Stone Ledge (Link).
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Édouard Manet, Molho de Espargos (1880, Wallraf-Richartz-Museum, Link).
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Jonelle Summerfield, What's for Dinner? (2010, Link).
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Os espargos são um legume que me tem intrigado, porque surgem com frequência na pintura mas não sei se têm algum significado em especial, para além do estético. Sempre olhei para os espargos como um alimento que se usa sobretudo para fazer sopas, para além de ficar bem nas tartes e nas pizzas, ou ao natural.

(Link)
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Parecendo ridículo, apesar de a minha avó paterna ser alentejana, e boa cozinheira, só recentemente descobri que os espargos, sobretudo os verdes, são muito usados na cozinha alentejana, com ovos mexidos ou com migas.

(Link)
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Só ainda mais tarde reparei que este vegetal era um inquilino comum na pintura (outro Link). Numa pesquisa recente, na internet, apercebi-me que este legume está ligado à Primavera. Segundo a Wikipedia o espargo é uma planta perene mas a colheita faz-se na Primavera. Ainda de acordo com esta fonte, há registos na história acerca de apreciadores de iguarias com base em espargos, contando-se, entre eles, o imperador romano Octávio Augusto, o naturalista Plínio, o velho, o rei francês Luís XIV e o chanceler alemão Bismarck. Fica aqui, para finalizar, outra pintura de Adriaen Coorte, que acho lindíssima, com o mesmo tema.


Natureza Morta com Espargos (1697, Rijksmuseum Amsterdam, Link).

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Frutos da Primavera: morangos

 Adriaen Coorte, Still Life with Strawberries (1705, Mauritshuis, The Hague - Link).
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Vittorio Gussoni , Fragole (Link)
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Inicialmente, quando olhei para estas pinturas, apreciei sobretudo o trabalho pictórico, no primeiro caso pelo contraste do vermelho dos morangos sobre o fundo escuro, com o detalhe da flor branca erguida no canto superior esquerdo que equilibra a composição e lhe dá maior alegria; no segundo caso, pelo contraste do vermelho com o verde das folhas, sobre o branco da toalha - a que se acrescenta o requinte da chávena de porcelana oriental, decorada também ela com desenhos vermelhos - indicando talvez um sumptuoso, ou, pelo menos, belo pequeno-almoço.
Depois, fui procurar o significado dos morangos na pintura. No livro Signs ans Symbols in Christian Art de George Fergusson (1966) descobri apenas que os morangos simbolizam os frutos do trabalho bom e honesto. As flores junto dos frutos simbolizam o fruto do trabalho espiritual. Para Pauline Dorhout, reportando-se à pintura de Coorte, as naturezas mortas holandesas do século XVII com frutos, como os morangos, ofereciam a oportunidade de mostrar objectos belos que simultaneamente celebravam as criações de Deus. 
Entrretanto notei num detalhe que me deixou curiosa. Gosto de palavras e de conhecer a sua origem e li, no Dicionário de Cãndido de Figueiredo, que "morango" é uma palavra de origem latina (vem de moranicus). Contudo, em Castelhano, Francês e Italiano o nome é bastante diferente (fresa, fraise, fragole) e vem de fragária, que significa morangueiro ou morango bravo. 
Depois a minha curiosidade aumentou: qual é a história deste fruto? Na Wikipedia diz-se que o morango é da família das rosáceas e nem é bem um fruto, mas sim o receptáculo da flor original (composta). Na versão inglesa da Wikipedia conta-se que o morango de jardim foi cultivado em França desde o século XVIII, existindo antes desta data apenas o morango silvestre. Este era já mencionado em textos da Roma antiga e usado para fins médicos. Pelo que entendi, existem várias espécies de morangos e existia outra variedade na América (Chile), que foi cruzada com as variedades europeias e deu origem ao morango que é actualmente comercializado. Parece ainda que o morangueiro era usado para fins anti-depressivos. Só não entendo por que é que em Portugal se adoptou o nome de morango, diferente das outras línguas latinas. 
Fiquei com curiosidade de saber mais sobre este fruto - que, para mim, anuncia a chegada da Primavera ao reino das sobremesas - e o fim do Inverno dos Frutos - que eu não aprecio. Dentro em breve (segundo espero) chegarão as minhas adoradas cerejas.