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Duas pinturas diferentes e semelhantes.
Leonard Campbell Taylor (1874-1969) apresenta-nos um longo corredor, quase centralizado, que desemboca numa cozinha (do lado direito). Junto da cozinha está uma porta aberta. Vemos duas figuras, uma das quais é uma mulher que enfrenta o pintor (ou espectador).
Artur Loureiro (1853-1932) apresenta um corredor mais curto, que desemboca também numa cozinha (ou assim parece). A perspectiva é descentralizada e do lado esquerdo vemos uma menina embrulhada num xaile, mas que não nos olha: está remetida para os seus pensamentos.
O que me intriga é o porquê destes quadros. Há jogos de luz evidentes, que são explorados por ambos os artistas. Há ainda uma exploração da perspectiva longa do corredor - no quadro de Loureiro é acentuada pelas tábuas de madeira.
No primeiro quadro, há uma figura escura (masculina?) que está no ponto de fuga, assim como uma janela por onde entra muita luz, mas o seu papel é secundarizado pela mulher de vermelho junto da porta. Nós estamos a olhar para a cozinha, mas é essa mulher que nos devolve o olhar.
No quadro de Loureiro o ponto de fuga está na cozinha, onde a luz entra por uma janela. Mas o nosso olhar alterna entre esse foco de atenção e a menina, cuja veste escura contrasta com a parede branca.
Se no primeiro caso temos um jogo de olhares e de perspectivas, no segundo temos um quadro intimista, convidando à introspecção.