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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Para o Dia da Mãe, que é no Domingo

Aqui ficam alguns quadros, que me parecem ter afinidades:
 
James MacNeill Whistler, Arrangement in Grey and Black No.1, Portrait of the Artist's Mother (1871, Musée d'Orsay, Paris)
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Helene Schjerfbeck, At Home Mother sewing (1903)
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Felix Vallotton, The artist's mother (1884)
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Henry Ossawa Tanner, Portrait of the Artist's Mother (1897)
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Carl Larsson, My mother (1893)

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Casas

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«Casa arrumada é assim: Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não centro cirúrgico, um cenário de novela. Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas... Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...»
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Vilhelm Hammershøi, Open Doors (1905)
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«Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar. Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha. Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado? Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa. E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.»
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David Wyatt, Comfort in Quilting
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«Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde. Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda. A que está sempre pronta pros amigos, filhos... Netos, pros vizinhos... E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Arrume a casa todos os dias... Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo para viver nela... E reconhecer nela o seu lugar.»
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Marius Borgeaud, Intérieur aux deux verre (1923)
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No blogue Brain Pickings, Maria Popova escreveu o artigo «An Illustrated Celebration of the Many Things Home Can Mean». Nesse post ela fala sobre o livro de Carson Ellis, Home, que apresenta uma imaginativa taxinomia de diferentes casas para diferentes pessoas. Segundo Popova:

«What emerges is a playful and tender reminder that however different our walks of life — what contrast there is between the Slovakian duchess’s mansion and the Kenyan blacksmith’s shack, between the babushka’s kitchen and the artist’s studio! — we are united by our deep desire for a place to call home.
(...) only from that place of safety can we reach out to connect, to understand one another, and to begin belonging together.»

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

E mais mobílias

Pieter Janssens Elinga, Room in a Dutch House (1670-75)
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«Lorsque vous portez une paire de bottes, vous ne vous heurtez jamais à un meuble. Mais si vous vous promenez nu-pieds, tout le mobilier se jette sur vous et vous frappe.»
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Walter Gay, The Commode.
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Vilhelm Hammershøi, Interior, Strandgade 30 (1905).
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Geraldo De Barros, Chaises Unilabor (1954)
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Patrick Caulfield, Café Interior: Afternoon (1973)
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Linda Pochesci, Reflections II (2010)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Mulheres vistas de costas


Cerca de 1910, Georges Victor-Hugo (1868-1925) pintou Dora vue de dos (Museu d'Orsay, Paris). Esta obra faz-me lembrar outras em que as mulheres são representadas vistas de costas, não se vendo o seu rosto, o que, na prática, é a negação do retrato (no sentido tradicional). Não são, portanto, retratos, mas exercícios de pintura feitos a partir de um modelo.

No blogue The Blue Lantern , Jane Librizzi fala acerca deste tema na pintura, a propósito da obra de Vihelm Hammershoi (1864-1916), Hvile - Repouso (1905, Museu d'Orsay, Paris), dizendo que «the convention of posing a (female) model with her back to the viewer was well established by the time Hammershoi used it».
Já me referi a essa pintura no meu blogue, mas aqui fica de novo:


Para ser sincera, desconheço quem começou esta tradição, mas o assunto interessa-me.
Carolus-Duran (1837-1917) também o interpretou no quadro Study of Lilia (1887, National Gallery of Art, Washington):

E aqui fica outro exemplo, um pouco diferente, pintado por Columbano (1857-1929), em 1924:

Neste caso a senhora mal se vê, pois está escondida no fundo do quadro e imersa na mais densa penumbra.

Todas estas obras têm em comum o intimismo proporcionado pela figura de costas para o espectador, interpretada de maneiras diferentes consoante os interesses de cada artista.

A propósito deste tema, achei interessante a frase citada no mesmo blogue The Blue Lantern, ainda no âmbito da pintura de Hammershoi:

«We live life forward but understand it backward
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Soren Kierkegaard.

domingo, 6 de dezembro de 2009

O Silêncio


Pintura de Hammershoi, Interior (1901, The Ordrupgaard Collection).
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«Um silêncio cauto e prudente é o cofre da sensatez».
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domingo, 27 de setembro de 2009

Raios de luz

Pintura de Vilhelm Hammershøi, Sunbeams or Sunshine. Dust Motes Dancing in the Sunbeams (1900, The Ordrupgaard Collection).
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Ó novos milagres da pintura! Surge
o que não poderia existir. Pintura, imitadora da verdade,
jogando com nova arte transforma em coisas as sombras
das coisas e cada mentira transforma-se em verdade.
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Alain de Lille.
Citado por Umberto Eco (1989).

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Encontrar a Beleza

Vihelm Hammershoi, Hvile - Repouso (1905, Museu d'Orsay, Paris)
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A minha última descoberta em pintores que aprecio é este artista dinamarquês, Vihelm Hammershoi (1864-1916). As suas obras são de uma beleza repousante e extraordinária, na minha opinião. O Museu de Orsay refere-o como um seguidor de Vermeer ou percursor de Hopper. Talvez...
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«O que os neurocientistas reconheceram é que, quando bem-sucedida, a arte intensifica ou aprofunda os conteúdos emocional, perceptual e cognitivo de experiências que ocorrem em muitos outros contextos não estéticos, incluindo a própria vida quotidiana. Não é propósito da arte (...) o retrato ou a representação fiel da realidade, mas sim ampliá-la, transcendê-la ou até mesmo distorcê-la. Esta é também a forma que a arte encontrou para conhecer a verdade e criar beleza e, embora a definição desta continue a iludir-nos, o conceito de beleza é ainda o valor estético mais seguro. Por seu lado, os neurocientistas continuam a busca incessante para lhe apreender o sentido e revelar a sua intimidade biológica. Mas não seria melhor preservar-lhe o mistério?».
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João Lobo Antunes (2008).